O comportamento detraqué de um falacioso decadente
(*)
Ucho Haddad
(04/04/2009)
Um dia, alguém que não conheço decidiu que eu era esquizofrênico. Provavelmente porque tive capacidade e coragem para enfrentar pessoas que o meu acusador anônimo sempre sonhou em tê-las como adversárias. Mas a incompetência o impediu de fazer do sonho uma realidade. Sendo assim, aceitei e continuarei aceitando de bom grado essa pêcha psicótica.
De um farsante anônimo passo para um intempestivo conhecido, que vilipendia a honra alheia para saciar suas insanidades comportamentais. No âmbito material o ser humano está a um passo da insaciabilidade. E aqueles que perseguem o vil metal de maneira obcecada, fazendo qualquer coisa para atingir um objetivo, não merecem respeito algum, pois nada ou ninguém é mais importante que um triunfo financeiro pessoal.
Aprendi, ao longo dos anos, que certas pessoas devem ser compreendidas e que outras merecem desprezo. Mesmo assim, apostando mais uma vez nos dogmas da fé que me move, dispensei atenção a esses seres desprezíveis que a vida colocou em meu caminho. Agora, no momento em que a crise econômica ultraja os valores morais de muitos, fazendo com que o “vale-tudo” ressuscite com força e ousadia, surge a tese (sic) covarde e chicaneira de que sou uma putrefata criação de alguém que num passado bem recente me cobriu de elogios. Paciência, o ser humano não é uma invenção lógica e o dinheiro é uma criação maldita. E o que sobra por aí é gente que faz da ausência da lógica o caminho mais curto para seguidas e malditas conquistas financeiras.
Acreditar no ser humano é a mais difícil das loterias, mas prefiro manter a esperança de que um dia tirarei a sorte grande. Pode ser que isso jamais aconteça, mas será um problema exclusivamente meu. Pelo menos terei agido dentro dos ditames da coerência. Tudo na vida é passível de perda, exceto a coerência. Existir é um ato contínuo de coerência, mesmo que em determinados momentos a necessidade da parte ultrapasse os limites do todo. Porém, há aqueles que preferem fazer da incoerência o estandarte do cotidiano. Que sejam felizes!
Nos últimos anos, atacar-me covardemente e sem motivos tem sido a diversão de um grupelho facinoroso de apedeutas. Mas como disse Nietzsche, “ o que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte”. Como ainda não conseguiram me matar, provavelmente por falta de competência, feliz fico com essas doses intercaladas de fortificante. Mesclar competência e humildade na vida e na profissão é tarefa para poucos. Errar, diz a sabedoria popular, é humano. E eu – a suposta criação putrefata de uma figura ousada que faz de sua moral arenosa o comedouro da própria soberba – sou o melhor produto dos meus próprios erros.
Alguns raros amigos – aqueles verdadeiros e de alma – me questionaram sobre o que faria com o que ora me aponta o indicador. Caminhos existem vários, mas todos eles patrocinariam o crescimento da decrepitude do acusador. Exigir uma indenização financeira obrigaria o covarde a repetir sua conhecida sordidez. Seria obrigá-lo a usar, como de praxe, o proxenetismo no mundo da informação para despejar à minha porta alguns imundos tostões. Cobrar desculpas seria abusar de um ser humano de caráter esquálido, que já se retratou inúmeras vezes por interesses igualmente escusos, porém mal sucedidos, pelo menos na minha seara.
O significado de podre depende da referência que cada um tem da putrefação. Meu verdadeiro inventor, um honrado engraxate e entregador de armazém, morreu assassinado aos 49 anos (essa foi a única vez que ele se ausentou de casa) porque enfrentou de maneira hercúlea e destemida a podridão alheia – algo parecido com a peçonha serpentígena desse covarde a que me refiro inominadamente –, mas deixou-me como herança um punhado de lições sobre o que é podre. Não tenho vocação para destruidor de figuras ignóbeis e sequer fui talhado para ser alcaguete de lupanar, mas não posso optar pelo silêncio diante da vesânia de alguém que, como se fosse a alcatifa do medo, se esconde por trás do nome de terceiros para me atingir.
Certas pessoas não admitem ser contrariadas, em especial se as contrariedades interferem diretamente na cornucópia perniciosa que cada uma delas carrega a reboque de um caráter duvidoso. O acusador do momento é assim. Vulcânico sob a ótica comportamental, principalmente quando seus interesses financeiros, sempre bisonhos, são atingidos pela verdade noticiada de maneira consciente e destemida. Já foi assim em tempos não tão remotos, mas novamente não me curvarei a mais uma lufada de descontrole emocional desse outrem.
O comportamento dúbio e ciclotímico do covarde algoz tem escancaradas explicações no livro “O desmame”, da austríaca Melanie Klein, uma reconhecida psicoterapeuta pós-freudiana que tão bem tratou o desmame e as múltiplas consequências que esse ato provoca na vida adulta do ser humano. Um passeio atento pela obra de Melanie Klein proporcionará ao leitor a oportunidade de dissecar a personalidade doentia do meu acusador. A começar pela neurose de transferência, que insistentemente tem marcado sua trajetória.
Forçar ainda mais a minha valiosa pena seria dar importância a quem não merece, mas cabe-me, pelo menos, a obrigação de expor aos que me acompanham diariamente a minha definição semântica para o vernáculo podre.
Ser podre é sodomizar diuturnamente o próprio lar. Ser podre é romper amizades por interesses financeiros obscuros, reatando-as por razões idênticas ou por conhecidas e expostas nesgas de fraqueza e temeridade. Ser podre é usar leviana e criminosamente o nome de profissionais de comunicação para achacar políticos, como se todos fizessem parte de um só conluio. Ser podre é sustentar uma situação conhecidamente mentirosa como se fosse a mais sólida das verdades terrenas. Ser podre é participar de uma farsa pífia e desmoralizante, como se William Shakespeare tivesse exibido um desconhecido despreparo ao escrever “Romeu e Julieta”. Ser podre é aspergir inverdades e mentiras continuadamente, como forma de abduzir o tesouro de seu senhorio.
Mas afinal, o que é ser podre? Ser podre é existir como o meu covarde e fraco acusador. Podre, simplesmente podre!