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Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
 
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continuação

 

Muito se discute sobre as soluções necessárias e imediatas para interromper a escalada do crime, mas qualquer ação de curto prazo não terá efeito duradouro. Mas com certeza servirá como geradora de dividendos políticos. Para interromper o caos que hoje enfrentamos, algo deveria ter sido feito no passado. Atualmente é preciso combater o crime e preparar o Brasil para dias melhores, promissores e menos intranqüilos. Revolucionar a educação nacional esperando resultados imediatos é irresponsabilidade. Educação é assunto que demanda prazo. E o Brasil precisa começar já, além de saber esperar.

Sem fugir do universo dos impostos, é preciso lembrar que sobre uma simples caneta esferográfica, que pode ser adquirida em qualquer esquina brasileira, o IPI incide com uma alíquota de 20%. O valor de uma caneta pode, dependendo do momento, nada representar, mas em determinadas ocasiões equivale a um litro de leite. E entre aprender a escrever e matar a fome, o segundo quesito tem prioridade. O presidente Lula quer acabar com a fome do mundo, ao mesmo tempo em que prometeu revolucionar a educação no País. Só lê aquele que sabe escrever, ao mesmo tempo em que a recíproca é mais do que verdadeira. Afinal, só escreve aquele que sabe ler.

"O nosso progresso como nação não pode ser mais rápido que nosso progresso na educação. A mente humana é nosso recurso fundamental." (John Fitzgerald Kennedy, ao anunciar investimento de US$ 26 bilhões na educação de seu país)

O presidente Luiz Inácio quer fazer da Educação uma espécie de trampolim para um avanço perpétuo, mas fecha os olhos para a carga tributária que incide sobre uma simples caneta esferográfica, ferramenta mais do que necessária no processo de alfabetização, o qual tem lugar destaque no plano elaborado pelo ministro Fernando Haddad. Segundo dados do IBGE, em 1981, apenas 1% da população analfabeta freqüentava as salas de aula ou os cursos de alfabetização, contra 3,2% em 2005. Porém, é preciso lembrar que o Brasil tem hoje 14,6 milhões de pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever, o que representa 11% da população adulta. Quem não lê e tampouco escreve, certamente enfrentará dificuldades para conseguir um emprego digno, se é que a legião de desocupados que o Bolsa Família patrocina quer saber de trabalhar. No mundo globalizado, alguns requisitos básicos são primordiais. E ler e escrever são dois deles.

"Educação é uma companhia que nenhum infortúnio pode deprimir, nenhum crime pode destruir, nenhum inimigo pode tomar, nenhum despotismo pode escravizar. Sem ela, o que é o homem? Um esplêndido escravo, um razoável selvagem." (Joseph Edson)

Defender a isenção de IPI para canetas esferográficas comuns não é querer beneficiar um ou outro empresário do setor, mas dar início a um sem fim de medidas que tenha a Educação continuada como meta. Isentar de impostos alguns produtos ligados à Educação, como já se faz com os produtos da chamada cesta básica, é mais que obrigação de um governo que deseja fazer da Educação a trilha da mudança definitiva. Empresas localizadas na Zona Franca de Manaus já gozam de tal benefício, por força da lei, mas o sistema de nacionalização de produtos tem gerado dúvidas. Na opinião de alguns especialistas, muitas vezes as facilidades tributárias da Zona Franca manauense têm facilitado o contrabando, pois, no caso de uma caneta esferográfica, o simples ato de colocação de uma tampa em território brasileiro já representa a nacionalização do produto. E só a livre concorrência, em igualdade de condições, é que impedirá o contrabando, seja oficial ou ilegal.

A grande virada do Brasil, um país com dimensões continentais e problemas sociais nas mesmas proporções, está, com sempre lembrou o coerente senador Cristovam Buarque, na Educação, mas nela e em seus arredores o Estado precisa investir e conceder benefícios. Até porque, quando alguém morre por conta de bala perdida, o IPI deveria cumprir 45% da pena, afinal foi sócio no crime. De igual modo acontece no mundo do tabagismo tupiniquim, pois o IPI do cigarro deveria assumir 41,25% da culpa pelas mortes causadas pelo hábito de fumar. E nada mais justo do que defender a redução dos impostos que incidem sobre uma simples e popular caneta esferográfica, que serve tanto para resgatar a cidadania e criar talentos, como para assinar atestados de óbitos e sentenças condenatórias. Mas a primeira opção é a receita de sucesso para um Brasil cansado de ser o país do futuro.

Todos devem pensar nisso, pois escrever abre horizontes, enquanto o crime enclausura sonhos.

 

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