Como controlar a informação
se tornou algo impossível depois do advento da Internet, controlar
a formação passou a ser a única forma de se produzir
alienados. E o Brasil, em sua maioria populacional, é um vasto
universo de alienados. E a alienação leva, na maioria
das vezes, aos descaminhos da vida, entre eles o crime e as drogas.
Deixando de lado a teoria,
e mergulhando na vexatória situação em que se
encontra o ensino público no País, triste é constatar
que alunos do 4º ano do ensino básico desconhecem o nome
do descobridor o Brasil, bem como o ano em que se deu o fato. Uma campanha
da rádio Jovem Pan, realizada em São Paulo, mostra o grau
de alienação dos alunos da rede pública. Perguntados
sobre o tema, alguns desconheciam o assunto, enquanto outros respondiam
“sei que é alguma coisa Cabral”. Para turbinar o
caos, muitos não souberam responder o ano em que o Brasil foi
descoberto pelos portugueses. 1957 e 1970 foram os chutes mais absurdos
para uma resposta tão simples e lógica: 1500.
Em seus conhecidos discursos
populistas, o presidente Luiz Inácio se vangloria de ser filho
de uma analfabeta (as palavras são do próprio Luiz Inácio
da Silva), artifício discursivo que faz com que sua chegada à
Presidência da República se transforme em magistral recompensa
por um esforço hercúleo do passado, que muitos duvidam
ter existido. No contraponto, o mesmo Lula confessa ser um inimigo da
leitura. Luiz Inácio Lula da Silva, eleito e reeleito legitimamente,
pode – com sua ascendência analfabeta e sua aversão
à leitura – ser o representante dos menos favorecidos,
mas não podemos esquecer o genial Monteiro Lobato, que um dia,
extrapolando a sua sapiência, disse que um “país
se faz com homens e livros”. Se para um país avançar
são necessários livros, de igual maneira são necessários
homens para fazê-los. E para tal, esses homens precisam saber
ler e escrever. E quando falamos em escrever, logo nos vêm à
mente papel e caneta.
De alguns anos para cá,
o Brasil se transformou no maior reduto de impostos do planeta, fazendo
com que discrepâncias tributárias manchem o já difícil
cotidiano verde-louro, como uma caneta contrabandeada e de qualidade
duvidosa que derrama tinta no bolso da camisa de um desavisado qualquer.
Está cada vez mais difícil e quase impossível,
no universo tributário nacional, separar o que é justo
daquilo que é injusto. Quando nos deparamos com uma carga tributária
que está prestes a alcançar a casa dos 40% do Produto
Interno Bruto, o PIB, a automação do raciocínio
leva qualquer um a pensar que ao contribuinte o governo devolve, em
benefícios, cada quinhão abocanhando em forma de impostos.
Mas não, o Brasil continua naquela mesmice do final dos anos
60, quando a ditadura militar se valeu de um mote de encomenda para
aplacar os ânimos revoltosos da população. A de
que o Brasil era o país do futuro. O futuro chegou, e nada do
que foi prometido ao longo dos anos aconteceu.
Nessa barafunda que aí
está, e que alguns teimosos insistem em chamar de nação
ou coisa que o valha, uma bala de revólver – idêntica
a essas que muitas vezes se perdem e acabam assassinando inocentes –
o Imposto sobre Produto Industrializado, o famigerado IPI, é
de 45%, quando na verdade deveria ser muito maior, o que impediria,
de certa maneira, o abastecimento do crime organizado, deixando de lado
o contrabando de armas e munições, ao qual as autoridades
preferem fazer olhares de soslaio. Aumentar de sobremaneira o IPI para
o setor de armas de fogo e munições pode não ser
interessante para os cofres federais, pois a arrecadação
cairia com a diminuição das vendas.
Mesmo contrariado, o
governo federal anuncia que fumar faz mal à saúde, mas
as autoridades torcem para que o brasileiro fume cada vez mais, pois
quanto mais fumaça de cigarro, maior será o fluxo de tributos
na direção dos cofres oficiais. Em outras palavras, o
Estado não se incomoda em gastar mais do que arrecada para tratar
uma vítima do tabagismo, desde que o seu vício tenha proporcionado
algumas quireras em forma de tributos. É uma troca burra e inconseqüente,
mas é a verdade do País dos Impostos. A cada cigarro aceso,
o tabagista queima dois terços do valor em impostos, sendo que
só o IPI que incide sobre o produto é de 41,25%. Tais
números mostram que na casa dos 40%, o cigarro e a bala do revólver
brigam para saber quem mata mais.
A ex-senadora Heloísa
Helena – hoje presidente nacional do PSOL – em muitos de
seus discursos no plenário do Senado sempre insistiu que o governo
federal tem a obrigação de tirar os jovens da rua, antes
que eles sejam abduzidos definitivamente pelo crime organizado. Tirá-los
das ruas e esquinas, como sempre lembrou a brava alagoana, não
basta. É preciso ocupar esses jovens, preparando-os para uma
vida digna e cidadã. E isso só acontece nos bancos das
escolas. Em muitos dos inquéritos policiais que investigam as
barbáries criminosas que assolam o País, é possível
perceber que cada indiciado mal saber escrever o próprio nome.
O que mostra que se por um lado o modelo educacional é deficiente,
por outro o analfabetismo avança a passos largos.