É inegável que há uma tentativa explícita de efetuar um golpe no Brasil. O que o povo do Demo e uma banda do PSDB tem vergonha de dizer e de assumir – e a mídia conivente os trata com vergonhosa complacência – é que esta turma é herdeira de uma nada condizente história de defensores de golpes de Estado.
Se olharmos de modo atento, observaremos que a turma do Demo e os mais empedernidos adversários do Governo Lula são em sua imensa maioria descendentes dos senhores de engenho, coronéis que fizeram do Nordeste a região mais pobre do País. Como agrupamento político, sua origem no tempo histórico pode ser tipificado em 1937, quando Armando Salles de Oliveira cria a União Democrática Brasileira – com o intuito de combater Getúlio Vargas e suas 'ações revolucionárias' no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores e dos excluídos.
Este embrião paulista vai se transformar na União Democrática Nacional, mostrengo e instrumento de Magalhães Pinto e Carlos Lacerda e que nas mãos deste último (com a cumplicidade das elites que representava e da mídia) levou Vargas ao suicídio (idos de 1954), para finalmente desembocar na ditadura militar 10 anos depois – em um 1º de abril, quando começa uma história de violência, mortes e tortura que ainda hoje o Brasil não teve coragem de olhar e de julgar de modo adequado.
Acomodados no poder ditatorial, ficaram todos protegidos pelo manto da impunidade e resguardados na Arena – Aliança Renovadora Nacional onde mantiveram submissão absoluta à ditadura, recebendo em troca as benesses que aumentaram ainda mais o seu poder econômico. Depois, foram se esfacelando, mas o núcleo mais retrógrado sempre manteve uma coesão e uma afinidade, passando por PDS, por PFL e agora vestem-se de outra sigla: Demo.
Contam com aliados principalmente no PSDB, mormente aquela fatia 'tucana' que deve favores a FHC que graças a velha UDN governou por dois mandatos – e então se justifica a postura de Arthur Virgílio, de Tasso e mesmo de Alvaro Dias, que por não ter brilho, nem expressão e nem liderança, acaba funcionando como uma espécie de garoto de recados raivosinho.
Este é o 'grupo' pensante que está decidido a inviabilizar o governo Lula, mesmo que para isso acabem criando problemas para governos estaduais teoricamente de 'aliados', de 'filiados' – mas o que se tem de concreto que os seus verdadeiros aliados são os sonegadores, os banqueiros e aqueles que defendem e querem um Brasil branco e que de preferência fale a língua deles. Pode-se dizer, sem medo de errar, que ideologicamente Serra está hoje mais perto do PT do que do próprio PSDB. Não tenho a mesma opinião acerca de Aécio Neves, pois acho que ele nem definição ideológica possui, sendo apenas um destes embustes políticos dos quais a história nacional está cheia.
Mas a reação comandada pelo 'Demo' é irascível, marcada pelo ódio e por inconfessas razões de sobrevivência. Como bem falou um recente interlocutor: 'ou voltamos ao poder ou vamos desaparecer e alguém vai assumir o nosso lugar'. Este é o dilema que hoje move o núcleo central da oposição, ao qual se aliam por conveniência e interesses pessoais alguns políticos teoricamente filiados a partidos da base de sustentação do governo.
O ano de 2008 mostrará de forma cada vez mais cristalina este enfrentamento e se a turma do contra não obtiver êxito substancioso nas eleições de outubro, antevejo dois anos de riscos para a própria democracia brasileira. Caso as urnas não tonifiquem suas ambições, os Demos e outros se sentirão pressionados e obrigados a recrudescer ainda mais as suas ações – sempre com a conivência, a cumplicidade e a colaboração irresponsável da imprensa que, em lugar de informar, quer mesmo o papel 'dona' do Brasil.
(*) Alfredo Bessow é jornalista
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