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Especial Renan Calheiros
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
 
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EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE O JULGAMENTO DO CASO RENAN CALHEIROS

 

Mal explicado (02h:15 - 13/09/2007)
Renan Calheiros foi absolvido, contrariando a vontade popular. Até aí, tudo muito bem, se é que assim pode-se afirmar. Mas algumas dúvidas ainda flanam no ar de Brasília. Desde o início do escândalo Mônica-Renan, nenhum representante da construtora Mendes Júnior foi ouvido. Já no âmbito financeiro, causa espécie pensar que o advogado Eduardo Ferrão trabalhou graciosamente para Renan Calheiros. Para se ter uma idéia dos honorários advocatícios cobrados em casos semelhantes, um dos envolvidos no escândalo do mensalão, quando chamado para depor na CPI Mista dos Correios, pagou antecipadamente ao seu defensor a bagatela de R$ 6 milhões.

Desânimo geral (02h:07 - 13/09/2007)
Do deputado federal Silvio Torres, do PSDB de São Paulo, que, decepcionado, acompanhou a sessão do Senado: “Estou desanimado. Nada dá certo nesse país. O Mercadante é um fracasso. Pena que ele não se revelou antes”. O clima que impera no Congresso, exceto nos domínios renanzistas, é de velório. O Brasil perdeu a grande chance de passar a própria história a limpo. Uma pena!

Sinal de ocupado (02h:03 - 13/09/2007)
Os líderes das bancadas começaram a receber telefonemas de Renan Calheiros, com o objetivo de apaziguar os ânimos após a sessão secreta. O presidente do Congresso, que vai enfrentar mais três representações supostamente "muito fracas", na opinião da própria oposição, não discriminou nenhum político. Ligou duas vezes para o celular do líder dos tucanos, Arthur Virgílio (AM), mas na confusão o senador amazonense acabou não atendendo. "Não foi por falta de educação, não", justificou o senador ao ucho.info.

Turma do barulho (01h:56 - 13/09/2007)
Um protesto solitário chamou a atenção de motoristas na Esplanada dos Ministérios ontem à tarde. Na frente do Congresso Nacional um homem vigiava uma faixa. Pedia aos motoristas que buzinassem para apoiar a cassação de Renan Calheiros. Dentro do Senado, Almeida Lima (PMDB-SE) bradava: “A absolvição de Renan foi uma vitória do Brasil, das instituições democráticas”. No outro lado do balcão, Demóstenes Torres (Dem-GO) concluía: “Esse resultado é fruto das negociatas que aconteceram”.

Fala que eu te escuto (20h:06 - 12/09/2007)
Confira as declarações de alguns senadores, logo após a vergonhosa sessão do Senado.

Alvaro Dias (PSDB-PR) - “A licença do presidente do Senado, por um período, é um assunto que deve ser tratado a partir de amanhã. O que vamos fazer é apensar os outros três requerimentos contra o senador Renan Calheiros em apenas um.”

Tião Viana (PT-AC) – Com discurso oposicionista, o petista Tião Viana, que presidiu a sessão, disse que “a partir de agora será preciso um diálogo institucional”. Falando em calvário, Viana disse que “cabe agora defender a instituição”.

Eduardo Suplicy (PT-SP) – “Cumpri o meu dever. Ontem (terça-feira), conversei durante quarenta minutos com o senador Renan Calheiros. E o discurso não me convenceu”. Depois de confirmar que votou pela cassação, Suplicy disse que não vê problemas com a sua decisão de revelar à sociedade o seu voto. “Acho que isso não vai meu causar problemas”.

Romero Jucá (PMDB-RR) – “Agora a situação é de acalmar o clima, baixar a poeira. Não se trata de medir forças com o governo. O governo não atuou diretamente nesse caso. É preciso buscar equilíbrio e consenso, como um monge tibetano”.

Marisa Serrano (PSDB-MS) – “Cumpri com o meu dever. Parte do Senado é ética, a outra não. Saio triste desse episódio, mas por não ter experiência como senadora, não sei qual é o hábito de comportamento que impera na Casa. Estou tranqüila”.

José Nery (PSOL-PA) – “Gostaria que as outras representações fossem julgadas de forma célere e com voto aberto, para que o povo acompanhe e não se envergonhe dos homens honestos”.

Renato Casagrande (PSB-ES) – “O resultado me decepcionou. As outras três representações são mais frágeis. O Senado é a instituição mais enfraquecida da República. O Senado foi frio e calculista, privilegiando o corporativismo”.

Arthur Virgílio (PSDB-AM) – “A tendência agora é puxar para a Ordem do Dia um Projeto de Emenda Constitucional do Sérgio Cabral (ex-senador e governador do Rio), que prevê o fim do voto secreto. Vamos apresentar um Projeto de Resolução que determina que todo integrante da Mesa Diretora que esteja sob investigação do Conselho de Ética se afaste de suas funções diretivas”. Ao comentar o resultado da votação, o senador Arthur Virgílio disse que houve “quebra de safra tanto no PSDB quanto no Democratas”.

José Agripino Maia (DEM-RN) – “Considerando as outras duas representações, o senador Renan Calheiros não está em condições de dirigir o Senado”.

Almeida Lima (PMDB-SE) – “Dei, sim, abraços efusivos em Renan Calheiros. O Renan saiu fortalecido, porque não houve comprovação de culpa durante processo. Podem dizer que sou da tropa de choque do Renan, mas prefiro que digam que sou da infantaria da verdade e da justiça”.

Tempo quente (19h:42 - 12/09/2007)
Um acalorado bate-boca entre Renan Calheiros e Heloísa Helena tomou conta do plenário antes do início da votação. Ao se defender, Calheiros disse que a presidente do PSol deveria “lavar a boca” para acusá-lo, pois a Receita Federal cobra da ex-senadora alagoana uma dívida de aproximadamente R$ 800 mil. Heloísa Helena retrucou dizendo que Renan Calheiros é quem deveria, sim, lavar a boca, “mas com água sanitária”. A presidente do PSol alegou que a pendência junto à Receita Federal é resultado de um erro contábil da Assembléia Legislativa de Alagoas, que lhe pagou os salários de deputada estadual sem a devida retenção do Imposto de Renda.

Raio-X (19h:24 - 12/09/2007)
Durante a sessão que julgou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), alguns senadores fizeram o uso da palavra. O ucho.info obteve com exclusividade a tendência de voto de cada um dos oradores. Teriam votado pela cassação: Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa Serrano (PSDB-MS), Arthur Virgílio (PSDB-AM), José Agripino Maia (DEM-RN), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Cristovam Buarque (PDT-DF), Demóstenes Torres (DEM-GO), Jefferson Peres (PDT-AM), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Pedro Simon (PMDB-RS). Teriam votado pela absolvição: Almeida Lima (PMDB-SE), Francisco Dornelles (PP-RJ), Ideli Salvatti (PT-SC), Marco Maciel (DEM-PE), Waldir Raupp (PMDB- e João Tenório (PSDB-AL). Além do próprio senador Renan Calheiros e da ex-senadora Heloísa Helena, presidente do PSol, partido signatário das representações contra o presidente do Senado.

Jogo sujo (18h:44 - 12/09/2007)
Depois das declarações do senador Heráclito Fortes, o ucho.info conferiu os fatos. E o senador piauiense estava coberto de razão. Se o fiel da balança nessa vergonhosa votação foi o PT, o grande articulador foi o senador Aloízio Mercadante (PT-SP). Segundo apurou a coluna, Mercadante, momentos antes do início da votação, se dedicou a um escandaloso corpo-a-corpo, vendendo a tese de que a abstenção era a melhor saída. E mais: o próprio Aloízio Mercadante teria optado pela abstenção.

Calça curta (18h:39 - 12/09/2007)
Para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que votou pela cassação, o resultado da votação foi surpreendente e muito diferente do que esperava. Na opinião do senador piauiense, o grande vitorioso na tarde desta quarta-feira foi o Partido dos Trabalhadores, que, segundo o democrata, “trabalhou muito bem nos bastidores”.

Virou santo (18h:24 - 12/09/2007)
Ao deixar o Senado Federal, minutos após a promulgação oficial do resultado que lhe garantiu continuar na vida pública por mais algum tempo, o alagoano Renan Calheiros disparou: “Vou para a igreja rezar”. No confuso Salão Azul do Senado – local que acolheu um sem fim de repórteres e cinegrafistas - renanzistas comemoravam uma vitória que deixou muito a desejar. Um deles, ao celular, dizia ao interlocutor que o porre desta quarta-feira seria grande. E mais: Logo atrás do carro da presidência do Senado, que transportava Renan Calheiros e o advogado Eduardo Ferrão, um outro veículo saiu às pressas com José Sarney, Roseana Sarney e Edison Lobão, o democrata que está com um pé na base do governo Lula.

Uma grande vergonha (18h:04 - 12/09/2007)
Em sessão secreta que durou mais de cinco horas, o Plenário do Senado absolveu o senador Renan Calheiros, acusado de quebra de decoro parlamentar por pagar contas pessoais com dinheiro de lobista da construtora Mendes Júnior. Dos senadores presentes, quarenta votaram pela absolvição, trinta e cinco pela cassação e seis se abstiveram de votar. Foi mais um tapa na cara da sociedade, que madruga para financiar o parlamento brasileiro, em Brasília, que há muito se transformou em um clube privado de negócios.

Chumbo trocado (16h:24 - 12/09/2007)
Há pouco, um bate-boca entre os senadores Renan Calheiros e Demóstenes Torres (DEM-GO) tomou conta do plenário. Defensor da cassação do mandato do presidente do Congresso, Demóstenes Torres classificou de “burra” a defesa de Calheiros, que, em sua opinião, produziu provas contra o acusado. Renan Calheiros não gostou do tom da crítica, e exigiu retratação. Demóstenes Torres reconheceu o excesso, pediu desculpas e retificou a crítica. Disse, com a necessária ironia, que “a defesa foi pouco inteligente”.

Luta livre (16h:22 - 12/09/2007)
Por seis votos a favor e quatro contra, o STF acaba de manter a liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski, permitindo a alguns deputados federais o acesso ao Plenário do Senado. A sessão, que acontece neste momento no Plenário do Senado, vai continuar com a presença dos parlamentares signatários da representação judicial.

Fincando o pé (16h:03 - 12/09/2007)
Por seis votos a favor e quatro contra, o STF acaba de manter a liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski, permitindo a alguns deputados federais o acesso ao Plenário do Senado. A sessão, que acontece neste momento no Plenário do Senado, vai continuar com a presença dos parlamentares signatários da representação judicial.

Contra o relógio (11h:53 - 12/09/2007)
A Mesa do Senado entrou, há pouco, com recurso no STF para garantir o sigilo da sessão que vai decidir a sorte do alagoano Renan Calheiros. De acordo com informações dadas pelo senador Tião Viana (PT-AC), que preside a sessão, a medida tem como alvo os parlamentares autorizados e não autorizados que acompanham a sessão. Caso a decisão do STF demore, a defesa de Renan Calheiros poderá argüir na Justiça a nulidade da sessão.

Estouro da boiada (11h:49 - 12/09/2007)
Na chegada dos deputados federais, que conseguiram autorização do STF para participar da sessão que definirá o futuro de Renan Calheiros, houve confronto com a polícia do Senado, nome dado ao serviço de segurança da Casa. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) tentou agredir um dos seguranças, que tentavam impedir a entrada em plenário de parlamentares não contemplados com a decisão do ministro Ricardo Lewandowski. A deputada Luciana Genro (PSol-RS) foi agredida e saiu do imbróglio com um corte na perna. Em mais: deputados não autorizados e ex-senadores conseguiram entrar no plenário do Senado.

Remendo jurídico (9h:32 - 12/09/2007)
Além dos 81 parlamentares, dois funcionários do Senado, dois advogados (um do PSol e outro de Renan Calheiros) e 13 deputados do PSol, PSB, PV e PPS poderão assistir à sessão secreta que vai julgar o presidente do Congresso Nacional. O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, tomou uma decisão “salomônica” ao autorizar, nesta madrugada, a presença dos deputados, que ingressaram nesta terça-feira com um mandado de segurança. Por outro lado, Lewandowski impediu a presença do público e da imprensa no plenário. O Regimento Interno do Senado informa que a sessão secreta será de quatro horas (deve começar às 11 horas), mas pode ser prorrogada por decisão do Plenário. “O caso, como se vê, reveste-se de especial singularidade, pois a sessão deliberativa extraordinária do Senado Federal, destinada à apreciação do Projeto de Resolução 53/2007, decidirá, não apenas sobre a perda de mandado de um dos integrantes da Casa, mas de um parlamentar que é, a um só tempo, Senador da República e Presidente do Congresso Nacional”, explica Lewandowski. Clique e confira a íntegra da decisão do ministro Ricardo Lewandowski.

 

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