AO
MUSEU DE ARTE SACRA DE SÃO PAULO
AT SRA. MARI MARINO
Prezada Senhora:
Dias atrás V. Sª comunicou-me que o histórico presépio napolitano oferecido ao Museu, de propriedade do Sr. Omar Moreschi, do qual sou testamenteiro, seria instalado no Palácio do Governo. Fui, inclusive, convidado para sua festiva instalação, por telefonema e por e-mail do cerimonial do Palácio dos Bandeirantes.
Qual não foi minha amarga surpresa ao ver o presépio estampado nas páginas da atual edição revista Veja São Paulo , e verificar que a chefe do cerimonial, Dona Cláudia Matarazzo, declarava, de forma absurda e leviana, que o Palácio fora " enfeitado " para o natal por um lindo presépio que pertencera ao seu tio avô, o empresário Cicillo Matarazzo! Entendo que este tipo de informação não possa ser levada a erro do repórter pois devem ser poucos os que entendem de arte sacra, quem dirá de presépios, e que saibam da existência, em seu museu, de um presépio que pertenceu à Cicilo Matarazzo.
V. Sª diretora de um museu, e antes de tudo, filha de um dos maiores conhecedores e colecionadores de arte sacra, compreenderá que praticou-se um enorme desrespeito à memória do Sr. Moreschi, que com grande empenho, ao longo dos anos "garimpou" mundo afora cada uma das peças, montando uma verdadeira obra-de-arte, doado ao seu museu por expresso desejo do inesquecível amigo.
Permito-me sugerir que V. Sª envie ao Palácio dos Bandeirantes, aos cuidados da zelosa e desinformada Cláudia Matarazzo, 139 (cento e trinta e nove) peças do tal presépio de seu tio-avô, para que aquela senhora possa, com justeza, apresentá-las como peças que foram de sua notória família, até mesmo porque o Presépio Moreschi, conforme ela o disse, " é modesto (mas chique)"...
Já que V. Sª transcorrido um ano da doação não conseguiu instalar o presépio e que agora a Chefe do Cerimonial credita-o à sua família, solicito que mo devolva para que possa oferecê-lo a quem, minimamente, prestigie a memória de quem o realizou, dispensando-nos do espetáculo de leviandade e de desrespeito encenado pela midiática Senhora Matarazzo.
Atenciosamente,
José Carlos Reis Marçal de Barros