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U.H. - Em dezembro de 2004, o IBGE anunciou o crescimento da economia brasileira, para, dias mais tarde, o Ibope divulgar os resultados de uma pesquisa que apontou o crescimento da popularidade do presidente Lula. Ao que o senhor credita tantos números positivos, tanto do IBGE como do Ibope?
Hauly - Depois de tantas malandragens nas últimas eleições municipais, o Ibope está totalmente desmoralizado perante o país. Não vejo nenhum fator novo que justifique os números apresentados, principalmente porque existe uma clara continuidade da política econômica do governo FHC. A aceitação do presidente Lula é razoável, mas a expectativa da população para ele acerte é maior do que os índices de popularidade apresentados. O desejo do povo brasileiro de que o governo federal acerte, independentemente de quem esteja no poder, é maior do que a oferta que o presidente Lula tem disponibilizado ao país. Os números apresentados em dezembro devem ter uma boa dose emocional e quase nada de racional, situação típica dos finais de ano. O discurso de que o Brasil vai crescer e dar certo é mais um sentimento de fé e esperança, que acaba influenciando nos números das pesquisas, mas que não traduzem a realidade vivida no país.
U.H. - Ainda sobre as pesquisas do Ibope, os resultados têm mostrado que o presidente Lula, em uma candidatura pela reeleição, seria imbatível, se considerados os possíveis candidatos à sucessão presidencial. Quais, na sua opinião, são os nomes fortes do PSDB que têm condições de enfrentar o presidente Lula em 2006?
Hauly - Um nome pronto é o do ex-presidente Fernando Henrique, com grande probabilidade de não ser candidato a mais nada, devendo usufruir os dividendos provenientes do passado. O segundo nome é o do governador Geraldo Alckmin, com grande aceitação e prestígio no estado de São Paulo, já começando a conquistar eleitores fora das fronteiras paulistas. É um nome a ser construído nacionalmente. Tenho certeza de que no momento em que o PSDB tiver um nome como o de Geraldo Alckmin, contrapondo o de Luiz Inácio Lula da Silva, sua candidatura tende a crescer de forma extraordinária, amealhando condições para enfrentar a candidatura Lula e seu governo. O terceiro nome do partido é o do também governador Aécio Neves, de Minas Gerais, que pode ser considerado como promissor.
U.H. - Muitos dizem que a política econômica do governo Lula é uma continuidade da adotada por Fernando Henrique Cardoso, sendo que até o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é filiado ao PSDB e por ele se elegeu deputado federal por Goiás, desistindo do mandato antes de ser diplomado. Se a política econômica é a mesma, o que pode ter levado o presidente Lula a capitalizar mais com a mesma linha de atuação de Fernando Henrique?
Hauly - Se compararmos os dois primeiros anos dos governos FHC e Lula, veremos que há um empate técnico, com uma ligeira vantagem para o Fernando Henrique, situação esta que os jornais já começam a noticiar com certa insistência. É verdade que Fernando Henrique Cardoso teve a seu favor o Plano Real, situação que não existiu no governo Lula. Ou seja, o Plano Real foi excepcional na vida do brasileiro naquele momento, sendo que Lula nada teve a seu favor.
U.H. - Ainda sobre o presidente do Banco Central, qual a sua opinião sobre o status de ministro concedido a Henrique Meirelles?
Hauly - Contrapondo um pouco a posição do meu partido, que criticou a decisão do governo, na minha opinião apenas o oportunismo é condenável, mas a blindagem do presidente do Banco Central se faz necessária, porque se trata do guardião da moeda do povo brasileiro. O presidente do BC, seja ele quem for, não pode ficar exposto a ações judiciais em qualquer cidade do país, o que o tornaria excessivamente vulnerável. Quanto à oportunidade, realmente foi indevida, tendo se transformado em algo muito desagradável em face do processo fiscal que Meirelles era alvo. Analisando sob a ótica da perenidade, a medida é benéfica ao país, sendo que mesmo assim ainda é possível questionar judicialmente os erros pessoais ou profissionais do presidente do Banco Central na última instância da Justiça.
U.H. - Se a blindagem do presidente do Banco Central tivesse ocorrido na época do governo Fernando Henrique, a chiadeira por parte do PT, com toda certeza, seria muito maior do que a apresentada pela atual oposição ao governo Lula. O que faltou à oposição para conseguir um brado equivalente ao do PT pré-presidência?
Hauly - Trata-se de uma diferença na maneira de fazer oposição. A oposição ao governo Lula, hoje exercida principalmente pelo PSDB e PFL, é construtiva e civilizada. A oposição que o PT e Lula faziam ao Fernando Henrique era destrutiva, tendo agido de forma idêntica com os ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney. O objetivo do PT e seus integrantes era o poder, nada mais do que o poder. Nós, da atual oposição, agimos de forma diametralmente oposta, pois nos preocupamos em calcular receita e despesa, além de priorizar a conveniência das medidas do governo. Tal situação não nos isenta de também fazer ataques ao governo Lula.
U.H. - O senhor acredita que com a aproximação da eleição presidencial a oposição tende a endurecer cada vez mais, e qual será o papel do PSDB na oposição que será feita ao governo Lula, uma vez que no começo do atual governo a tarefa oposicionista coube ao PFL?
Hauly - Concordo que algumas iniciativas o PFL liderou, mas nós, PSDB e PFL, estávamos trabalhando juntos. O resultado maior e mais embasado que se tem é o das recentes eleições municipais. O número de votos e de prefeitos e vereadores eleitos traduzem fielmente o resultado de um trabalho de dois anos de oposição. A posição estratégica que o PSDB conquistou no país nas últimas eleições é o reflexo de uma oposição congressual e nacional. Mantendo o nível de atuação que o PSDB vem apresentando, com críticas ponderadas, como temos feito no Congresso Nacional ao PT e ao Lula, sem dúvida alguma chegaremos vitoriosos à eleição de 2006. O presidente Lula já não responde aos nossos argumentos e questionamentos, da mesma maneira que poucos têm coragem de fazer defesas veementes do governo federal, o que denota que o nosso papel, pelo menos no Congresso Nacional, está sendo desempenhado à altura. A oposição tem, sim, se desdobrado para se manter no papel de criticar e pontuar cada erro cometido pelo governo Lula.
U.H. - Na sua opinião, o crescimento do PSDB nas últimas eleições municipais foi uma vitória política, ou é possível dizer que foi apenas eleitoral?
Hauly - Foi uma vitória política, sem dúvida alguma. O resultado eleitoral nos deu uma vitória política, pois conquistamos uma quantidade extraordinária de votos, principalmente por estarmos na oposição. O PSDB, por ter apresentado um excelente desempenho nas urnas, sai das eleições com a responsabilidade redobrada, situação que ficou evidenciada pelos números finais apresentados pelos Tribunais Eleitorais.
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