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Ipojuca Pontes
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A ideologia do ecologismo

(*) José Carlos Graça Wagner

 

Vi na Tv a destruição, por tratores, de algumas casas, jogando literalmente seus moradores na rua, transformando-os em sem-teto, por ordem da autoridade pública, apoiada em regras ecológicas, perto de um córrego.

Não se negas o valor da preservação do meio-ambiente. Mas, e a preservação da vida humana, de famílias inteiras, com crianças? Valem menos do que eventuais danos, geralmente reparáveis, ao meio ambiente?

Ademais, é uma violência agir “a posteriori”, sem prevenção a construções ditas irregulares, além de fazê-lo através de tratores, destruindo, inclusive, bens existentes dentro das casas e mesmo sem preservar material de construção que poderia ser utilizada em outro lugar.

Assim, são autoridades que atuam na exclusão social de muitas e muitas famílias, geralmente por pressão de ONGS, originárias de países ricos, especialmente da Europa.

Curioso. A maioria das intervenções de Ong's nos países da América Latina é originária da Europa. Parece que a Europa tem medo de ser ultrapassada, um dia, pela América Latina, especialmente pelo Brasil.

Na realidade, o maior problema de nosso país não é os “sem terra”, mas os “sem teto”. O maior problema não é a reforma agrária que está sendo feita pelo agronegócio, e não pelo MST ou pelo governo, sem entrar em muitos detalhes.

A questão verdadeira é a da moradia, que impede que as famílias se constituam e tenham uma vida próxima da necessidade vital. O segundo problema, pela ordem, é o trabalho. A ave foi feita para voar, como o homem para trabalhar, já diz o Gênesis. Os demais problemas devem ser resolvidos a partir do esforço concentrado na solução dos dois problemas vitais acima apontados, em favor da vida, que é inviolável.

Uma pergunta: os Estados Unidos e a Europa teriam se desenvolvido se existissem na época da Revolução Industrial, um Fundo Monetário Internacional.?

Pode-se dizer que a época é outra. É fácil para quem já ultrapassou a fase mais difícil da superação da miséria e da pobreza, afirmar isso. Mas a economia é para o homem e não o homem para a economia. Demagogia? Pode-se admitir que, em parte, poderá ser assim vista. Mas a inteligência do homem foi dada por Deus para solucionar estes problemas e não para sedimentar os conceitos dos que tem maior poder no mundo, por mais técnicos que sejam.

Por final, não se trata apenas de viajar por Seca e Meca, para defender uma mudança de política, com argumentos de palavrório e com aplausos de quem vai ficar na mesma, porque não estão dispostos a mudar as regras de “segurança” de seus investimentos. Trata-se de encontrar um caminho novo que consiga trocar alhos com bugalhos, ou seja, demonstrar que é possível uma nova visão do mundo, a partir do próprio jogo de poder que nele existe.

Não tenho nenhuma possibilidade de ir além da manifestação de opinião, mas quem quer ser estadista que se debruce sobre estas necessidades, que ultrapassam a visão do “ongismo” e do fundismo meramente monetarista. Quem não tem competência, não se estabeleça...

 

(*) José Carlos Graça Wagner é advogado, coordenador de Estudos Internacionais do Instituto Tancredo Neves, ex-Conselheiro da Universidade de São Paulo, conselheiro de diversas Fundações de Estudos, da Associação Comercial de São Paulo, da Freedom Economic and Social Development, em Miami e de diversas entidades de formação de carentes.

 

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