O empresário Adelmir Santana é um dos dezesseis suplentes que
chegaram
ao Senado Federal sem ter conquistado um voto sequer. Mas, ao contrário de alguns, que podem sair a qualquer momento com a volta do titular, esse maranhense nascido na pequena cidade de Nova Iorque, às margens do rio Parnaíba, tem vaga garantida até o final de dezembro de 2010. Antes disso, pretende disputar os votos como candidato a senador nas eleições de outubro daquele ano. Santana garantiu sua permanência no Senado Federal com a renúncia de Paulo Octávio (DEM), eleito vice-governador na chapa do também democrata José Roberto Arruda. Adelmir Santana fez carreira em Brasília, primeiro como funcionário de multinacionais farmacêuticas, depois como dono de uma rede de farmácias.
Articulado na classe empresarial, Santana tem uma trajetória dedicada às entidades de classe, o que lhe garantiu a presidência do influente Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae. Nesta entrevista, concedida na última quinta-feira (11/04), o senador evitou criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora seja filiado ao Democratas, um partido que faz oposição quase radical ao Palácio do Planalto. “O presidente Lula pegou um bom momento da economia mundial”, resume, mas lamenta que o empresariado não esteja tão feliz como os banqueiros. Em tom de lamúria, Adelmir Santana lembra que o setor da micro e pequena empresa continua com problemas, e que a reforma tributária, proposta pelo governo, não vai reduzir a carga de impostos. “O que é importante no processo de reforma é exatamente que se busque a redução da carga tributária brasileira”, lamenta.
Entrevista de Sábado - Senador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito que para combater a inflação é necessário produzir mais. O senhor concorda com essa máxima do presidente?
Senador Adelmir Santana - É claro que, quanto mais se produz, se evita, naturalmente, o processo de importação. A produção está
relacionada com o consumo. Quanto mais consumidores, mais necessidade você tem de produção. Se você não produz, e tem consumidores, você começa a fazer um processo de importação. E aí entram as questões cambiais e essa coisa toda. Eu não sou um expert nesse processo das diretrizes econômicas. Sei, entretanto, que a inflação foi uma coisa perseguida por todos nós e que já está sob controle há muitos anos. Isso é bom porque penalizava muito os mais pobres, os assalariados e aqueles que não tinham nenhuma válvula de escape para fugir desse processo. Todos nós, que tínhamos contas bancárias e aplicações financeiras, fugíamos do processo inflacionário. Eu não sei se a máxima do presidente está correta, mas acho que quanto maior for o volume de produção, menores serão os custos e, naturalmente, menor a necessidade de importação. E aí nós temos preços mais...
Entrevista de Sábado – Mas o presidente fez essa colocação em função do aumento do índice inflacionário, porque o IPCA [Índice de Preços do Consumidor Amplo] é o maior dos últimos dois anos, e isso provavelmente vai afetar o consumo.
Adelmir Santana - O IPCA é o Índice de Preços do Consumidor Ampliado,
né? Isso é medido por uma série de itens. Naturalmente que, se cresce esse índice, é porque a demanda está maior do que a produção. O presidente não deixa de ter razão. A produção naturalmente limita. Quanto maior o número da produção, menor a possibilidade de elevação de preços. Essa é uma lei universal de oferta e demanda. Então, tem razão. Acho que nós temos que nos preocupar. E o governo se preocupa com isso. O Banco Central inclusive até usa o artifício da elevação da taxa de juros para diminuir o consumo.
Entrevista de Sábado - O senhor concorda com a elevação da taxa de juros?
Adelmir Santana – Acho que não. Isso é uma coisa que aflige a todos nós. O país não tem a capacidade de produção integralmente em uso, ela ainda tem a possibilidade de produzir mais, em todos os setores, inclusive a indústria. Então, me parece uma política muito rigorosa e de muito cuidado, preocupada exatamente com a taxa de juros. Há exagero nessa política de controle, uma vez que nós já temos a taxa de juros mais alta do mundo.