ucho.info - Vire e mexe a gente sempre fala em eleições, mesmo estando um pouco distante delas, mas o divórcio entre o PSDB e Democráticas não influenciou Aécio Neves em falar de PT e PMDB?
Zenaldo Coutinho - O PSDB tem uma linha própria e tem trabalhado nessa linha. A aproximação no exercício da liderança da Câmara é a de
buscar a atuação parlamentar entre as bancadas da oposição. Porém, em nível de estratégia política-partidária, o PSDB tem a sua, os Democratas têm a sua, cada um com sua independência. É obvio que durante o processo político de sucessão é possível ver a possibilidades de estarmos juntos, mas de acordo com interesses e sua história. Nós não estamos vinculados nem dependentes de nenhum partido. Nós temos o nosso, nós temos um programa. Então é obvio que isso tem que ser fortalecido e mostrar que não há uma relação de dependência.
ucho.info - Lula é um grande líder?
Zenaldo Coutinho - Olha, falar em grande líder a gente tem os dois lados. Seria um grande líder populista, porque conseguiu se comunicar com as massas e estabelecer políticas assistencialistas que deram popularidade. Um grande líder estadista, não. Ele tem tido comprometimento terríveis com a questão ética, uma administração pública inchada. Eu diria que como estadista é fraco, embora fosse uma grande promessa como líder popular e operário, mas se transformou, em nível de estadista, num fantasma.
ucho.info - O PT e outros partidos diziam que o governo Fernando Henrique (presidente Fernando Henrique Cardoso) era um “governo corrupto”. Hoje, o PSDB está na oposição, assim como os Democratas (antigo PFL), e afirmam que nunca na história dessa República se viu um governo tão corrupto. É possível medir para ver quem foi mais ou menos corrupto?
Zenaldo Coutinho - Não. Não há quem é mais quem é menos, mas quem é e quem não é. As acusações e denúncias contra o governo Fernando Henrique foram feitas para uso político. O procurador Joaquim Francisco, por exemplo, estava sempre na mídia e denunciou Eduardo Jorge e fez toda uma campanha contra. No final se mostrou que houve uma injustiça na acusação e que ele (Eduardo Jorge) era inocente de todas as acusações. Da mesma forma não se comprovou absolutamente nada, nem o envolvimento do presidente da República, nem dos seus ministros e dos seus parlamentares. O que é diferente no governo atual. Nós temos comprovado com denúncias do Ministério Público no Supremo Tribunal Federal. Nós temos aí o caso do “mensalão” comprovado com cassações. Nós temos o caso dos “sanguessugas”, com o envolvimento do Ministério da Saúde na liberação de recursos. Há diversos episódios comprovados de desvio de recursos.
ucho.info - Se o senhor coloca dessa forma, de que o governo do presidente Lula é corrupto, a oposição não é muito tímida para, digamos, se aproveitar dessa situação? Até porque o presidente Lula está blindado de todas essas acusações segundo dizem todas as pesquisas.
Zenaldo Coutinho - Nós temos que ter unidade, devemos intensificar o esclarecimento junto à opinião pública. Exercer o papel com coragem, sem
o simples proselitismo político, mas efetivamente procurar no exercício do mandato parlamentar, buscar a apuração de fatos, o aprimoramento das relações entre o Parlamento e a sociedade. E por isso é fundamental a reforma política. Há um enorme desgaste do Parlamento, promovido inclusive pelo próprio Planalto (Palácio do Planalto), porque cada escândalo que explode do lado dos deputados e senadores, muitos deles têm origem no outro lado da rua. Então, com isso não se está conseguindo comunicar com a população. Me parece que essas políticas públicas assistencialistas consolidadas geraram um silêncio, um “anestesiamento”, de grande parte da população.
ucho.info - O senhor fala em reforma política para melhorar o nível?
Zenaldo Coutinho - É, para qualificar e aprimorar as relações entre o eleitor e o eleito.
ucho.info - O que mais se precisa, talvez de uma “operação mãos limpas”?
Zenaldo Coutinho - Sim, aí o Congresso Nacional tem que buscar em muitos momentos aprimorar as suas estruturas de fiscalização...
ucho.info - E os partidos da oposição teriam a autenticidade e capacidade de buscar essa nova ética?
Zenaldo Coutinho - Veja bem... Você tem algumas dificuldades até numéricas. A oposição na Casa (Câmara) tem cerca de 130 deputados num universo de 513...
ucho.info - Mas já se fez muito barulho com poucos deputados...
Zenaldo Coutinho - Barulho, você falou bem. Barulho. A oposição sempre tem feito, às vezes descoordenada, pontual, mas temos buscado o aperfeiçoamento da sua condição de oposição.