ucho.info - Esses critérios já estão negociados com as bancadas da oposição?
Zenaldo Coutinho - Estão negociados com a bancada do PSDB. Os Democratas desde a admissibilidade constitucional já votaram contra, e a tendência é que acompanhem o voto contra na comissão de mérito.
ucho.info - A linguagem não será a mesma, outra vez, na comissão de mérito?
Zenaldo Coutinho - Eu diria que inicialmente não. Mas penso que como o governo até agora não admite nenhuma possibilidade de negociação, eu acho que o PSDB, Democratas, PPS e PSol estarão juntos na votação final no Plenário e ainda na comissão de mérito votando contra a PEC da CPMF.
ucho.info - Parece que a oposição não é oposição em alguns momentos. Ela anda de acordo com os interesses político-partidários e pelos interesses dos deputados. E quais as outras diferenças entre essas quatro bancadas quando se fala em reforma de Estado?
Zenaldo Coutinho - Na reforma política existe uma diferença. A questão do financiamento público de campanha para os cargos majoritários e para o financiamento privado para os cargos proporcionais. O PSDB entende
que isso vai ser uma mistura de tal desordem com a impossibilidade de monitoramento, de fiscalização, de acompanhamento. Imagine como será um “santinho”, um cartaz de um prefeito, de um governador com o do parlamentar que paga com dinheiro público ou privado. Essa dificuldade está fazendo com que o PSDB seja radicalmente contra. Os Democratas entenderam que é uma saída para garantir a participação das oposições no processo político e tirar, pelo menos quanto aos cargos majoritários, a necessidade de se buscar financiamento privado e por isso acreditava-se acompanhar melhor essa última alternativa do financiamento misto. Essa é uma das diferenças. Obviamente com a reforma tributária que se avizinha, buscarei exercer um papel de aproximação das bancadas para que a gente possa construir um discurso...
ucho.info - Está fácil negociar com os líderes das bancadas?
Zenaldo Coutinho - Particularmente tenho uma relação muito boa com os líderes das bancadas da oposição. É claro que existem diferenças e até mesmo uma relação mais difícil dentro das próprias bancadas, mas eu procurarei fazer um esforço pessoal de aproximação.
ucho.info - O senhor já se reuniu com os líderes para buscar um entendimento?
Zenaldo Coutinho - Eu assumi formalmente na última terça-feira (dia 14). Já fiz contatos com todos os líderes da oposição e estou programando para a próxima semana um contato coletivo para estabelecer uma agenda mínima, com um compromisso mínimo para que a oposição tenha unidade e possa trabalhar as demais questões.
ucho.info - Falando em unidade: na próxima semana haverá um encontro em Curitiba reunindo os principais caciques tucanos. Esse entendimento começa dentro do próprio PSDB?
Zenaldo Coutinho - O PSDB tem feito vários encontros. Desde a última segunda-feira em Minas Gerais, teve encontro no Rio Grande do Sul e em Brasília. O PSDB, na verdade, está fazendo vários seminários no Brasil. Haverá um no dia 13 de setembro no Pará. O PSDB está aprofundando o debate em torno de temas. Todos esses seminários estão servindo para que tematicamente o PSDB tome definições: na segurança pública, com os projetos políticos, questões tributária e econômica. Ou seja, nós estamos fazendo um exercício de estudante, estudando os grandes temas do Brasil, debatendo entre nós, para buscarmos teses do partido.
ucho.info - Como se explica a proposta do governador Aécio Neves (MG) de propor um acordo político com o PT para as eleições?
Zenaldo Coutinho - Olha, eu tomei conhecimento pela imprensa. Aécio
Neves tem sido um grande líder do PSDB, inclusive nesse último evento (Minas), quarenta prefeitos se filiaram ao PSDB... Ele tem mostrado muita firmeza em defesa dos tucanos, em defesa das nossas diretrizes. Ainda não conversei com ele para saber o que tem de fato a respeito do seu posicionamento. Na última conversa que nós tivemos, ele reafirmou, com todas as letras, a sua disposição de fortalecer o PSDB.
ucho.info - Num ninho onde líderes tucanos são potenciais candidatos, esse discurso único não seria um pouco difícil?
Zenaldo Coutinho - Graças a Deus o PSDB tem grandes líderes e pessoas de muita expressão e potencialmente fortes candidatos. Hoje, é o único partido que detém nomes com muito potencial para a disputa das eleições presidenciais. Isso pra nós é uma dificuldade natural, mas também é uma grande facilidade. E como o PSDB tem uma história de chegar ao final em consenso, espero que a gente consiga junto com todas as dificuldades de conversas e negociações, chegarmos às eleições...