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Experiente, novo líder da minoria na Câmara dos Deputados promete oposição consistente ao governo do presidente-metalúrgico

Zenaldo Coutinho substitui o contundente Júlio Redecker e coloca a política paraense na vitrine do parlamento

(*) Gilmar Corrêa

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O advogado paraense Zenaldo Coutinho Rodrigues Júnior, 46 anos, é o novo líder da Minoria, que reúne quatro partidos de oposição (PSDB, Democratas, PPS e PSol) na Câmara dos Deputados. De fala rápida, com o característico sibilar de Belém, Zenaldo substitui o irrequieto Júlio Redecker na função, depois da morte do gaúcho no acidente do Airbus da TAM. Zenaldo Coutinho está longe de ser um político inexperiente. Está no seu terceiro mandato como deputado federal, depois de passar pela Câmara de Vereadores da capital do Pará e como deputado da Assembléia Legislativa. O passado também demonstra que ele não economizou mudanças por agremiações políticas. Esteve no antigo PDS, no PFL e também no PTB. Há dez anos no ninho tucano, Coutinho conquistou o credenciamento para assumir uma das tarefas mais inglórias na atualidade do Legislativo brasileiro.

Zenaldo Coutinho, além de ajudar o líder Antônio Carlos Pannunzio (SP) a agregar a própria bancada do PSDB, terá que gastar muitos discursos e dedicar paciência excessiva com os demais partidos da oposição que, a exemplo da legislatura passada, não falam a mesma língua em temas centrais e no ataque às propostas do governo. O exército de pouco mais de 130 deputados é uma Torre de Babel, que desafia o paraense que não dispensa um pato no tucupi, prato típico da culinária elaborado com o líquido amarelo retirado da mandioca brava, e com jambu, verdura regional que possui propriedade anestésica e que causa uma leve sensação de tremor na língua.

ucho.info - A característica do deputado Júlio Redecker foi uma agressiva defesa de suas posições. Como vai ser conhecido o trabalho do novo líder da Minoria?

Zenaldo Coutinho - Em primeiro lugar não tenho a pretensão de substituir o líder Júlio Redecker, porque ele deixou marcante a sua presença na liderança da oposição. A minha disposição é de fazer o melhor possível. Tenho uma razoável experiência parlamentar. Comecei minha carreira como vereador, depois deputado estadual e deputado federal. A minha formação Jurídica é a de lutar pelo melhor do Brasil e estar à frente da oposição.

ucho.info - O líder da bancada do PSDB, Antônio Carlos Pannunzio disse que para a liderança da Minoria teria que ser alguém com experiência. Além da experiência, o que mais contou para a sua escolha?

Zenaldo Coutinho - Eu tenho também um razoável trânsito dentro da bancada. A minha atuação tem sido sempre pautada pela fidelidade e acompanhar as nossas propostas todas... Eu acho que teria que ter uma identidade para ser líder da oposição e ter acompanhado a oposição desde o seu início.

ucho.info - A bancada do PSDB fala a mesma língua?

Zenaldo Coutinho - Olha, na regra geral, sim. Eu diria que nós temos claro que nas bancadas dos estados temos algumas diferenças pontuais. No contexto geral o PSDB está bem.

ucho.info - E a linguagem com os Democratas?

Zenaldo Coutinho - Também aqui e acolá alguma distensão, alguma diferença. É natural no processo político. Os Democratas escolheram um posicionamento em alguns momentos distintos do PSDB, mas que no final tem suas afinidades.

ucho.info - Por que os tucanos deixaram os Democratas com o pincel na mão na votação da CPMF, na Comissão de Constituição e Justiça?

Zenaldo Coutinho - Na minha condição de líder da oposição eu liberei a bancada, porque havia diferenças. Os Democratas e o PPS foram contra a admissibilidade da PEC, e o PSDB escolheu a coerência jurídica. Como nas outras prorrogações, o PSDB acompanhou desde a criação da IPMF, depois CPMF, e achou por bem manter, na Comissão de Justiça, a “jurisdibicilidade”. Mas na comissão de mérito a discussão vai ser bem contundente. Em primeiro lugar, a idéia de compartilhamento e redução imediata, de 0.38% para 0.20% e o compartilhamento com estados e municípios com o dinheiro exclusivamente para a Saúde. Se não houver esse acordo, lutar pela rejeição da PEC. Ou seja, ou compartilha e reduz, inclusive com a redução anual ano a ano, até que fique uma alíquota meramente simbólica, como fonte de controle de sonegação, com a fiscalização da movimentação bancária e por outro lado, esse compartilhamento que o PSDB considera fundamental para fortalecer a saúde.

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