Entrevista do Sábado - O senhor pode propor um modelo como da Inglaterra, Japão ou Suécia onde os conselhos gestores do canal público são indicados pela sociedade a partir de critérios objetivos?
Walter Pinheiro - Estamos analisando possibilidades de aperfeiçoar o processo de renovação do conselho curador, levando em consideração indicações diretas da sociedade. Quanto a critérios objetivos, podemos citar a exigência da obrigatoriedade de representação de todas as regiões.
Entrevista do Sábado - A TV Pública nem mesmo entrou no ar, mas a base de sustentação do governo já se movimenta, a pedido do Palácio do Planalto, para obter mais recursos para a manutenção da emissora. O orçamento atual de R$ 350 milhões é insuficiente para a manutenção da chamada TV Brasil?
Walter Pinheiro - Em nossos contatos com a EBC, ficou claro que a empresa está trabalhando com este orçamento. Não recebemos nenhum pleito para aumentar este valor. Contudo, há parlamentares que acreditam que deva haver aumento.
Entrevista do Sábado - Na Comissão de Ciência e Tecnologia comentou-se a possibilidade de criar uma taxa para a manutenção da TV Pública, como acontece com a BBC. É possível que isso seja proposto?
Walter Pinheiro - A grande preocupação é ter uma fonte de recursos que garanta a autonomia da EBC. A intenção é vincular recursos de algum fundo – por exemplo, o FISTEL.
Entrevista do Sábado - Desde o anúncio da criação da TV Brasil, criou-se uma polêmica porque o Brasil já possui uma estrutura de emissoras públicas. Quais as principais sugestões que o senhor recebeu de emendas parlamentares?
Walter Pinheiro - A proposta da EBC traz inovações significativas em
relação às emissoras existentes do campo público. Como tenho falado, será ainda aperfeiçoada. As principais sugestões vão no sentido de aprimorar as indicações para o Conselho Curador bem como criar mecanismos que garantam os princípios da TV Pública como, por exemplo, a independência do poder político e econômico e a garantia da pluralidade de opiniões.
Entrevista do Sábado - Como evitar que a programação e alinha editorial do jornalismo não seja contaminado por interesses governamentais? O próprio ministro Franklin Martins que há um risco de isso acontecer.
Walter Pinheiro - Todo o trabalho que estamos tendo é no sentido de criar uma estrutura que minimize os riscos da programação ir contra os princípios da EBC como, por exemplo, a autonomia em relação ao Governo. Na ocorrência de problemas, que podem ocorrer em qualquer sistema, haverá mecanismos para corrigi-los.
Entrevista do Sábado - A TV pública tem a obrigação de, algum modo, romper a hegemonia da “mídia de mercado”?
Walter Pinheiro - A TV pública tem a obrigação de cumprir com seu objetivos: oferecer mecanismos para o debate público, fomentar a construção da cidadania, entre outros.
Entrevista do Sábado - O presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais, Jorge da Cunha Lima, disse num fórum realizado sobre o tema há dois anos, que a TV pública deve procurar o exercício da cidadania e não a busca pela audiência. O senhor concorda com essa opinião?
Walter Pinheiro - Ao cumprir com seus objetivos, a EBC necessariamente conquistará a audiência, fazendo com que ela possa colaborar cada vez mais com a construção da cidadania.