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Entrevista do Sábado
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
 
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Continuação

 

Entrevista do Sábado - O PMDB pode ter candidato à presidência da República em 2010?

Pedro Simon - Não com essa gente que está toda compromissada. Na eleição passada não deixaram nem convocar a convenção, porque as bases do MDB queriam candidatura própria. Metade estava com o PSDB e a outra metade estava com Lula.

Entrevista do Sábado - O Senado caiu ainda mais no conceito da população segundo a última pesquisa da CNT/Sensus...

Pedro Simon - Caiu 100 por cento. Tinha uma vírgula um e caiu para zero vírgula cinco.

Entrevista do Sábado - Com a presidência do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) o senhor acha possível recuperar um pouco a credibilidade?

Pedro Simon - Eu acho que sim. Em primeiro lugar não dá para piorar. Pior que o Renam não dá para ser. Garibaldi é um cara sério, é um cara responsável, tem boas intenções. Acho que já está melhor.

Entrevista do Sábado - E na Câmara?

Pedro Simon - Não sei. O que sei é essa denúncia que saiu anteontem sobre o Orçamento, porque o que estão fazendo nem os anões do Orçamento fizeram.

Entrevista do Sábado - Muitos deputados criticam o que chamam de “ ditadura das lideranças”...

Pedro Simon - Não houve reunião nenhuma. Por exemplo: não houve reunião da bancada do Senado ou da executiva para indicar esse cara que é ministro (Édison Lobão). “Senadores estão exigindo”. Eu já disse que eu não estou exigindo, não vi ninguém falar, a não ser o Sarney que está falando em nome de quem?

Entrevista do Sábado - No Rio Grande do Sul a governadora Ieda Crusius (PSDB) reclama de déficit de mais de R$ 1 bilhão. O que está acontecendo com o Rio Grande do Sul?

Pedro Simon - O Rio Grande do Sul é um outro capítulo. Ele está sendo esmagado. Terminaram com o imposto de exportação. O Rio Grande do Sul é o segundo estado exportador, só perde para São Paulo. São Paulo exporta muito mais, mas exporta e importa. O governo federalizou as dívidas dos estados e os juros continuam em 22%. O governo federal está dizendo que tem dinheiro para pagar toda a dívida externa. Não paga, porque é vantagem pagar os juros da dívida externa, que é tão baixo que dá para aplicar o resto do dinheiro. Do Rio Grande do Sul está cobrando 22%. Tanto é que hoje vai fazer um favor fantástico para nós, que vamos pegar um empréstimo do Banco Mundial para pagar a dívida do governo federal, e vamos pagar 1/3 do que estamos pagando para o Banco Mundial. Dá para acreditar numa coisa dessas? Ninguém no mundo é mais carrasco que o governo federal com o Rio Grande do Sul.

Entrevista do Sábado - O senhor chegou a ver o texto da reforma tributária que chegou ao Congresso Nacional?

Pedro Simon - É um texto de mentirinha, ninguém leva a sério. Não foi uma diminuição de impostos, não foi uma racionalização. A gente falava em diminuição de tributos, em fazer cinco tributos. É uma bobagem. A União nada em recursos. Os estados estão na miséria e os municípios estão na miséria. O governo federal quer isso: quer que o governo do estado venha pedir esmola e o município venha pedir esmola.

Entrevista do Sábado - E porque todo mundo fala em reforma tributária, mas ninguém põe a mão na ferida?

Pedro Simon - Porque o governo federal não quer abrir mão.

Entrevista do Sábado - O governo federal é tão poderoso assim?

Pedro Simon - Essa é a questão. Nós aprovamos a reforma. Ficou lá na Câmara. Lula é tão poderoso que nem São Paulo tem condições de querer brigar com o governo federal. Então essa reforma não mexe com nada. Aumenta as receitas dos municípios? Não. Aumenta as receitas dos estados? Não. Racionaliza a cobrança de imposto? Não.

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(Fotos: ucho.info e Agência Senado - Célio Azevedo)

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