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Entrevista do Sábado
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
 
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Continuação

 

Entrevista do Sábado - É a má formação da sociedade, é isso o que o senhor está dizendo?

Pedro Simon - Isso é... o que eu não perdôo no Lula e a coisa mais grave é ele formar a TV Brasil por Medida Provisória e fazer uma “cupinchada” . Eu era defensor disso, vinha defendendo, porque um país do tamanho do Brasil é na televisão que vai encontrar sua formação. Como vai levar cultura, formação lá no interior do Amazonas, onde o cara leva dois dias de barco para chegar numa cidade? Ele tá lá no fim do mundo. Não tem como chegar. Só pela televisão. Se ele for fazer uma grande televisão, uma BBC adaptada ao Brasil, de formação, de orientação, de conscientização. Está fazendo uma porcaria aí...

Entrevista do Sábado - O senhor vai votar favorável ou contra a TV Brasil?

Pedro Simon - Tem uma faca no meu peito. As vezes eu penso em votar contra. A minha pergunta é se tu rejeitar, não está matando a idéia? Se tu aprovar não está matando pela anarquia que vai o negócio? É um voto infeliz, mas ele não poderia ter feito isso. Eu falei, eu fiz um apelo, fui pra tribuna... nós até fizemos uma comissão, queríamos discutir, debater...

Entrevista do Sábado - A impressão que a gente tem é que o senhor está um pouco amargo.

Pedro Simon - Eu tenho 78 anos. Levar as pauladas que levei... eu tenho esperança, não tem nenhuma dúvida quanto ao futuro do Brasil. A Índia já está lá, a China já está lá e o Brasil, não. São os países desse século. A maior reserva de água doce do mundo, maior reserva de terras agricultáveis do mundo. Somos nós. O Brasil vai embora, apesar da elite.

Entrevista do Sábado - Mas é na crise que sempre saem algumas soluções e, mesmo com 78 anos de idade, o senhor não acredita mais em utopia?

Pedro Simon - Olha, vou dizer uma coisa, modéstia à parte, você vai até rir. Vou fazer um debate sobre os dois anos e três meses de governo de Itamar (Itamar Franco – 01/10/1992 a 01/01/1995). Fui líder no governo dele. São dois anos e três meses que dá para mostrar o que dá para fazer e o que tem condições de fazer com um presidente sério.

Entrevista do Sábado - O caminho principal é a educação, como diz o senador Cristóvam Buarque (PDT-DF)?

Pedro Simon - O Lula me convidou, trabalhei, votei no Lula... (atende ao telefone). Naqueles anos do governo Itamar, coisas singelas foram feitas. Ele criou uma comissão (tira da gaveta e mostra um livro azul de capa dura: A Comissão Especial e a Corrupção na Administração Pública Federal – Presidência da República – 06/12/1993) composta por pessoas de fora do governo. Denúncias de corrupção? Essas pessoas decidiam, tomavam posição e o governo cumpria. O chefe da Casa Civil (Henrique Hargreaves) apareceu na CPI dos Anões do Orçamento, saiu do cargo, veio até aqui para se defender e nada tinha contra ele.

Entrevista do Sábado - O presidente Lula está mais à direita do que a direita que estava no poder?

Pedro Simon - Eu acho que sim. O Fernando Henrique pegou um cara que a gente já achou horrível (Armínio Fraga), que foi o principal braço direito do maior investidor (George Soros). Era o braço direito, mas era o empregado. O Lula convidou o presidente mundial do Banco de Boston. O primeiro estrangeiro que foi presidente mundial do Banco de Boston. Nunca, nem no governo Fernando Henrique, nem no governo militar, se viu os elogios que estão sendo feitos pelo capital dos banqueiros. O que está acontecendo agora no Brasil é um recorde de lucro dos bancos. Nunca os banqueiros estiveram tão feliz, apaixonados, por um cara como pelo presidente Lula.

Entrevista do Sábado - O senhor acha que o PMDB vai ter mais influência no governo Lula da Silva a partir desse ano, com as novas indicações, novos ministros... Vai ter uma participação maior no governo?

Pedro Simon - Não existem indicações do MDB no governo Lula. Sarney, Jader (deputado Jader Barbalho), Renan (senador Renan Calheiros), essa “cupinchada” é que indica os cargos. Não sei quem são essas caras que vão pra lá, a não ser o senador que estava aqui e foi pra lá (senador Édison Lobão, das Minas e Energia).

Entrevista do Sábado - Então não é o PMDB que está no governo?

Pedro Simon - Não. É “cupinchada” do Sarney, do Renan, do Jarbas. Agora tem a indicação do presidente do partido (deputado Michel Temer) que também está indicando um, não sei quem é. Tem outro indicado para não sei o quê.  Nenhuma dessas pessoas tem ficha assinada no MDB. Não ocuparam cargo nenhum, nem no diretório, nem nisso nem naquilo. Eu acho quase certo, principalmente os indicados pelo Sarney, não estão filiados. Ao abrir mão da presidência da CPMI (dos Cartões Corporativos) recebe em troca a presidência da Eletronorte.

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(Fotos: Agência Senado - Célio Azevedo e ucho.info)

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