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Com dedo em riste e sagaz como nos tempos da ditadura, peemedebista posiciona-se contra o Palácio do Planalto

Unanimidade no Congresso Nacional, o gaúcho Pedro Simon destila coerência ao raciocinar politicamente e criticar o presidente Lula

 

(*) Gilmar Corrêa

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Ele não usa o “p” maiúsculo que antecede a sigla PMDB. Fala sempre em MDB. É da velha guarda do partido fundado em 24 de março de 1966. Pedro Jorge Simon, advogado, professor universitário (passagens pela Sorbonne e pela Faculdade de Direito de Roma), ex-governador e senador da República, dedicou metade de sua vida de 78 anos – completados no dia 31 de janeiro – ao partido político que, não fugindo à sua origem, transformou-se num bicho de sete cabeças. Talvez por isso o discurso, que ainda é contundente, firme, objetivo e verdadeiro, já sinta o peso do cansaço, típico de quem viu muita coisa na política brasileira.

A fala de Pedro Simon é frenética, muitas vezes as palavras atropelam outras para expressar pensamentos de estudante. Na entrevista que concedeu em seu gabinete, em Brasília, na quinta-feira, dia 27/02, o senador continua o velho gaúcho que não esconde suas verdades. “Quem está no governo não é o MDB, é a “cupinchada” do Sarney, do Renan, do Jarbas”. Ele destila críticas contra o texto da reforma tributária, que para ele é de mentirinha. E também não poupa o presidente Luís Inácio Lula da Silva, que em sua opinião estaria mais à direita do que qualquer governo de direita: “Nunca os banqueiros estiveram tão felizes, apaixonados por um cara como pelo presidente Lula”.

Entrevista do Sábado - O senhor considera grave o episódio do anexo do Orçamento Geral da União, que será votado pelo Plenário do Congresso Nacional na próxima semana?

Senador Pedro Simon - Dez ou doze estão fazendo quase que um orçamento à parte, quase igual aos Anões do Orçamento, um escândalo político.

Entrevista do Sábado - Esse episódio configura uma situação decrépita da política brasileira?

Pedro Simon - Eu acho que é decrépita. Primeiro a gente imaginou que com a democracia se resolvia. Na época do MDB achava que éramos cruzados. Quando veio a democracia, já no governo Sarney (José Sarney – 15/03/1985 a 15/03/1990)... ganhamos uma eleição espetacular em Rondônia. Tancredo, eu, Ulysses e outros. A cada semana ia um para garantir que não matassem ele (Flamarion Portella). Elegeu-se como governador e foi cassado como ladrão.  Um escândalo!  Uma grande maldade com o Brasil foi a morte de Tancredo. Tancredo foi um sacana com a gente, não poderia ter morrido. Então levasse o Sarney junto. Morreu e deixou o Sarney. Vou ser muito sincero: diga-se de passagem, o Sarney é uma boa pessoa. Fez a Constituinte... mas não tinha condições. Fernando Henrique foi um escândalo. Um dos partidos mais bonitos que eu vi no mundo se criar foi o PT. E esse Lula é uma figura histórica, a origem dele... mas deu no que deu.

Entrevista do Sábado - O Lula como presidente não contribuiu para a democracia que o senhor questiona?

Pedro Simon - Sim. Até na economia daquilo que se tinha medo ele se saiu bem. Tinha medo que ele iria pegar a reforma agrária, pegar os sem-terra e fazer uma anarquia. Podia ter feito mais coisas. Pegou o presidente mundial do Banco de Boston e colocou como presidente do Banco Central (Henrique Menrelles) e taí hoje... naquilo que a gente não imaginava ele fez e naquilo que era confronto, seriedade, ele é um fracasso.

Entrevista do Sábado - A moral do político caiu tanto que fez o senhor desanimar a esse ponto?

Pedro Simon - Caiu. Qual é a expectativa? Veja as manchetes que saíram hoje nos jornais: corrupção, violência, racismo, injustiça social e calúnias, mas todas as calúnias são verdadeiras e nenhuma é mentira. Está provado que o Brasil está crescendo, está desenvolvendo e tem coisas positivas que não há o que discutir. Mas a convivência, a maneira de ser... Pega a novela da Globo hoje e pega a de dez anos atrás.  Há vinte anos já se falava, “olha a novela da Globo, não sei o quê”, mas veja como mudou. Pega um programa, esse aí do Big Brother. Vê se há vinte anos tinha um programa igual.

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(Fotos: Agência Senado - Célio Azevedo e ucho.info)

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