Entrevista do Sábado – Então a entidade para defender os interesses dos prefeitos será política?
Paulo Ziulkoski – Qual nova? Ah, o senhor disse essa entidade. Se for criada, essa entidade vai ser uma associação como a lei regula. Aí sim, será corporativa quando existir.
Entrevista do Sábado – A partir de quando essa entidade passará a existir?
Paulo Ziulkoski – Bom, não tem prazo para existir. Pode sair daqui a um mês ou daqui a três anos. Nós estamos pensando em criar.
Entrevista do Sábado – E ela vai atacar exatamente o quê?
Paulo Ziulkoski – Não. Ela vai defender. Como a OAB defende o advogado, o jornalista defende o jornalista, o engenheiro tem o CREA, que defende o engenheiro e o arquiteto, o agricultor ao agricultor, e até prefeito, que não é uma profissão, mas confunde tanto que tem que criar, porque senão parece que quem está aqui é o prefeito defendendo seus interesses. E não há interesse nenhum quando o prefeito vem a Brasília discutir reforma tributária. O interesse é defender o cidadão. Porque, se você conseguir qualquer dinheiro a mais não vai para o bolso do prefeito, não. Vai para o cidadão. Essa é a grande confusão que fazem.
Entrevista do Sábado – Mas, criando uma nova entidade, o senhor disse que...
Paulo Ziulkoski – Não é uma nova. É uma paralela ao que tem. Não vai dificultar nenhuma outra, nem essa que está aqui hoje existindo. Vai ser fortalecida.
Entrevista do Sábado – Não seria mais uma entidade corporativista?
Paulo Ziulkoski – É mais uma entidade, como tem a de jornalistas, eu repito. Mais uma porque ainda não tem essa de prefeitos. Para o senhor ter uma idéia, para entrar com uma ADIN no Supremo Tribunal, a associação dos jornalistas pode entrar, porque é corporativa. Os prefeitos não podem entrar, porque não tem. A confederação não entra porque não é corporativa. Está lá na Constituição, é legal.
Entrevista do Sábado – O senhor é favorável às eleições gerais, coincidindo todas as eleições?
Paulo Ziulkoski – Sim. Somos favoráveis à coincidência das eleições não por questões políticas, e sim por questões técnicas. Porque a Lei de Responsabilidade Fiscal, desde 2000, determina basicamente planejamento, orçamento planejado. Tudo tem que ser muito organizado. E como o orçamento, por exemplo, dos municípios foi feito hoje, o da União foi feito há três anos atrás. Eles não se olham, não se comunicam, e há uma desconexão orçamentária. Então, precisa ter coincidência de mandato para que o orçamento que o prefeito está elaborando seja junto com o do governador, e o do presidente da república. Na área de investimento, para que haja melhor solução do problema. Não é que os outros estão querendo prorrogar mandato, não é nesse sentido. Além de que por economia de tempo e tudo. A própria sociedade se desgasta muito com todos os anos de eleição.
Entrevista do Sábado – Hoje, para a Confederação, qual é a temática de mobilização dos prefeitos em torno dessa quebra do Fundo de Participação dos Municípios?
Paulo Ziulkoski – A mobilização é estrutural. O FPM apenas reflete, ou seja torna público, ou mais transparente a crise, porque o FPM financia as
políticas públicas. Quando você tem uma queda do FPM, como por exemplo, de 10% esse ano, 9,5 ou 10, são cinco bilhões a menos que vão entrar. Se você pegar 25% no mínimo para a educação, é 1,25 bilhão a menos para a educação. Significa menos dinheiro para a merenda, menos dinheiro para o transporte escolar e para pagamento de professor. Qualidade do ensino. Isso vai para a educação. 15% da Emenda 29 é saúde, então em torno de R$ 800 milhões é menos para o remédio, menos para o médico, menos para o atendimento à saúde. Esse recurso, quando cai, ele afeta tudo isso. Há compromisso já firmados, e não tem como mudar esse perfil, o dinheiro acaba indo só para pagar pessoal. Porque tu não faz saúde com bisturi e hospital. Tu faz com enfermeiro, tu faz com auxiliar de enfermagem. É um médico que tem que estar lá. São pessoas. Isso a União não faz. Ela passa um dinheiro e fica cobrando. E a sociedade não discute isso. O culpado de tudo é a sociedade. No conjunto todo. Porque ela elege as pessoas, ela acha que reforma tributária resolve, ela acha que um Fundeb... Você pergunta o que é um Fundeb, ninguém sabe no Brasil. E isso envolve R$ 80 bilhões para a educação básica e como ninguém sabe o que é o Fundeb? Como é que funciona? Qual o valor de uma creche? Quantas crianças tem no Brasil de 0 a 3 anos? 14 milhões e meio. Quantos estão na creche? 1 milhão e meio. Quanto custa colocar uma criança na creche? Onde está o dinheiro para botar na creche? Agora é comum chegar e cobrar do prefeito, porque a lei aqui em Brasília diz que é dele. Larga no colo uma criança de três meses e eu vou dar creche para essa criança. E aí a imprensa cai em cima, o prefeito é incompetente e não cumpre a lei.
Entrevista do Sábado – O Lula falou em marolinha, depois em gripe. O senhor acha que essa crise é marolinha, gripe ou vai se recrudescer?
Paulo Ziulkoski – Nos municípios está sendo já um câncer que pode ser revertido, mas ele pode ser fatal.