Entrevista do Sábado - Qual foi a reação da sociedade civil diante do anúncio de alguns pontos dessa proposta de reforma tributária?
Maurício Rands - O primeiro diálogo foi com os líderes dos partidos da
base aliada. Todos foram unânimes em afirmar que a proposta contém grandes avanços na racionalidade tributária, na redução da carga tributária, na diminuição da sonegação e na correção de vícios do sistema, como o excessivo número de tributos, a superposição, a cumulatividade e a regressividade.
Entrevista do Sábado - O senhor acha que essa proposta deve ser aprovada no Congresso ainda neste ano ou o projeto vai se arrastar por mais tempo?
Maurício Rands - Espero que o Brasil não perca mais esta oportunidade de ter um sistema tributário que facilite a aceleração do desenvolvimento. Não é uma proposta apenas do governo Lula. É uma proposta que interessa ao Estado brasileiro. Interessa à sociedade brasileira. Espero, portanto, que a oposição não pegue o tema para fazer disputa política e ajude a dar uma contribuição para aperfeiçoar o sistema tributário brasileiro.
Entrevista do Sábado - Há uma divisão na própria base do governo, especialmente com o PMDB e o PT. Como essa relação se dará na sua liderança?
Maurício Rands - Eu tenho uma relação pessoal muito boa com o deputado Henrique Eduardo Alves (SP) [líder da bancada do PMDB] e nós, da bancada do PT e do PMDB, queremos uma aproximação cada vez maior.
Entrevista do Sábado - Está muito curta essa resposta...
Maurício Rands - (risos) É, achamos que... por exemplo, no episódio da composição das comissões, nós estamos costurando um acordo entre as duas bancadas, que é muito positivo para o funcionamento das bancadas aqui no Congresso Nacional. Estamos também, embora haja algumas tensões nos espaços da administração, mas no geral cada vez mais está consolidada esta aliança em torno do presidente Lula entre o PMDB e o PT.
Entrevista do Sábado - Mas o senhor não está sendo otimista?
Maurício Rands - Eu sou um otimista, porque eu trabalho para realizar esses objetivos.
Entrevista do Sábado - E como será a relação da sua liderança com a oposição?
Maurício Rands - Já marquei dois almoços, um com o deputado Antônio
Carlos Magalhães (líder do Democratas) e outro com o deputado José Aníbal (líder do PSDB), e vou procurar também o deputado Coruja (Fernando Coruja, líder do PPS) e outros partidos de oposição para que, respeitando o papel de fiscalização, papel de crítica ao governo que cabe a oposição, mas identificarmos aquilo que interessa ao Parlamento e à sociedade. Ou seja: questões que possam ser votadas aqui sem, a toda hora, estar fazendo disputa político-eleitoral.
Entrevista do Sábado - O presidente do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), afirmou que o Parlamento precisa reduzir o número de Medidas Provisórias. Como o PT vem tratando esse assunto internamente?
Maurício Rands - Nós vamos avançar ainda numa proposta que possa atender a necessidade de urgência do Poder Executivo, mas que não paralise tanto o Congresso Nacional como hoje.