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Senadora-pecuarista bate de frente com o Palácio do Planalto e coloca a CPMF na fila do abate

Relatora da PEC que prorroga o imposto do cheque mostra que enfrentar o governo não é exclusividade do universo masculino

(*) Gilmar Corrêa

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Dona de um dos discursos mais precisos, firmes e contundentes da atualidade, a pecuarista Kátia Regina Abreu (DEM-TO) é a estrela do momento não apenas no Senado Federal, mas no cenário político brasileiro. Relatora da Proposta de Emenda Constitucional que prorroga por mais quatro anos a CPMF, a estreante senadora chegou a bater boca com o experiente senador petista Aloízio Mercadante (SP), que por longos anos foi a figura que dominou o discurso econômico do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Kátia Abreu surpreendeu os pares ao ter uma atuação agressiva, em defesa do fim do imposto provisório e pela redução da carga tributária.

Nesta entrevista concedida nesta terça-feira, dia 06/11, no cafezinho do Plenário do Senado, a psicóloga nascida goiana, mãe de três filhos e ex-deputada federal diz que tem muitos defeitos, mas uma qualidade que a identifica: a perseverança. “Tudo o que eu faço procuro fazer bem feito”, garante. A senadora que acha que a CPMF é a jabuticaba da América Latina, porque é só no Brasil que o imposto existe, está preparando o terreno para outros vôos políticos. Embora diga que não quer atropelar o tempo, admite que gostaria de ser candidata ao governo de Tocantins.

ucho.info - A CPMF não tem nada de bom?

Kátia Abreu - Não. Em primeiro lugar, a CPMF foi criada para fazer um atendimento à saúde numa emergência, e esses recursos nunca foram totalmente aplicados no setor. Em segundo lugar, não é a CPMF em si. Nossa luta é contra a carga tributária que está muito alta. Eu gostaria de estar discutindo outros impostos também, para reduzir outras alíquotas que são importantíssimas para o Brasil crescer. Mas para o governo, infelizmente, nos faltou com essas matérias. Aqui está difícil você tocar algum projeto, alguma matéria, que seja do desejo dos parlamentares. O Executivo não deixa. O Executivo tomou conta da pauta da Casa, tem a maioria esmagadora e pauta o Congresso de manhã, à tarde e à noite. 

ucho.info - A CPMF não poderia ser negociada?

Kátia Abreu - Não é que a CPMF não poderia ser negociada. Como ela está na pauta, nós estamos tratando dela, mas nós queremos tratar de mais impostos. Nós vamos trabalhar para reduzir a carga tributária. Nós estamos com 36% do PIB de carga, enquanto os países parecidos com o Brasil, em termos de desenvolvimento, e emergentes estão com 26%. Vou antecipar apenas uma coisa que pode acontecer, apenas uma: no último trimestre deste ano, perdemos US$ 1 bilhão em exportações para os Estados Unidos. Perdemos para a China, que tem uma carga tributária em média de 26%. Então, tudo que pudermos fazer para tornar o País competitivo nós temos que fazer, ou vamos ficar pra trás. Se você pegar as exportações, também comparativamente ao BRIC (acrônimo cunhado pelo grupo Goldman Sachs para designar os quatro principais países emergentes do mundo, a saber: Brasil, Rússia, India e China), as nossas cresceram 142% e as deles 200%.  

ucho.info - O governo tem dito que não há condições de reduzir a carga tributária, porque não teria como pagar as contas.

Kátia Abreu - O governo está parecendo aquele filho de pai rico. Acostumou-se a ser criado com mesada gorda e o pai está numa situação que precisa reduzir a mesada, mas o filho não quer aceitar. Com excesso de arrecadação, como é que não pode ficar sem a CPMF? Quem é que não sabe que o governo está arrecadando a mais? Está público e notório para quem quiser ver.  

ucho.info - O governo é incompetente?

Kátia Abreu - O governo não quer reduzir os gastos públicos. É um governo característico da América Latina, que pratica populismo econômico. Não conhece a palavra PIB (Produto Interno Bruto), não conhece a palavra produtividade e nem mercado aberto. 

ucho.info - A senhora foi colocada nesse turbilhão como relatora da CPMF, essa situação não assustou?

Kátia Abreu - Eu fui criada politicamente no setor do agronegócio. Nós já enfrentamos muitas lutas, temos o hábito de enfrentar grandes lutas e foi exatamente defendendo esse setor que tomei consciência de quanto é prejudicial para a economia brasileira uma carga tributária alta. Quem acha que a gente defende imposto por causa de rico está enganado. O rico não paga imposto. O empresário cobra o imposto no produto. 48% da arrecadação nacional inteira é em cima do consumo. Nos Estados Unidos é o contrário. Aqui é 23% em cima da renda e 48% no consumo. Nos Estados Unidos é 16% em cima do consumo e quarenta e tantos em cima da renda. É certo você tributar o ganho. Se o imposto é em cima do consumo, a classe mais atingida é a classe média, classe média baixa e a baixa renda. 

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(Fotos: Antonio Cruz - Agência Brasil e Divulgação)

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