Entrevista do Sábado - Pela experiência acumulada ao longo de mais de 20 reuniões, para definir os reajustes dos servidores, o senhor acha que nesta reunião do dia 23 será possível chegar a um consenso?
Josemilton da Costa - Nossa expectativa é de que o governo tenha um
pouco de senso neste momento. Nós temos setores de nossa base que tem negociações iniciadas com o governo, que está numa tarefa, em nossa opinião, que é primordial para o governo, que é o combate ao mosquito que transmite a dengue (Aedis aegypti), a febre amarela, entre outras doenças que estavam erradicadas e estão surgindo no País. Esses trabalhadores são do Ministério da Saúde e da Fundação Nacional de Saúde.
Entrevista do Sábado - Esses trabalhadores estão há quanto tempo sem receber reajuste?
Josemilton da Costa - Na verdade, esses trabalhadores vêm recebendo reajuste, mas bem aquém das perdas que eles tiveram. Na verdade são os piores salários hoje da administração pública. E dentro da Saúde existem os trabalhadores da Fundação Nacional da Saúde. Nós estamos preocupados, porque esses trabalhadores estão mobilizados para fazer uma greve após a nossa plenária de fevereiro. E é muito ruim para a população, para o governo que pode romper esse acordo. Em outro ponto, que aí é uma política do governo, que é o PAC, temos o DNIT que detém 70% das verbas da área da infra-estrutura. Esse setor tem também acordos firmados com o governo. É um setor que se parar, param as obras de infra-estrutura do país. Isso significa que a menina dos olhos do presidente Lula pode ir pelo ralo. Nossa preocupação é que o governo rompa, porque o prejuízo vai ser tanto nosso, claro, mas do governo e da população.
Entrevista do Sábado - Tem alguma categoria profissional que não recebeu reajuste salarial nos últimos cinco anos?
Josemilton da Costa - Não. Todas as categorias receberam reposição de perdas. A maioria ficou bem aquém das perdas que esses setores tiveram ao longo dos 12 anos.
Entrevista do Sábado - Dentro da base que a Condsef representa, quais as categorias que hoje estão mais prejudicadas em termos de salários e atendimento aos planos de cargos e salários?
Josemilton da Costa - São os trabalhadores da Saúde, do Trabalho e da Previdência, são os trabalhadores do PGPE (Plano Geral de Cargos do Poder Executivo), os trabalhadores administrativos que mantém a máquina funcionando nos ministérios. Esses são os piores salários da administração pública e que juntando esses dois setores, dá em torno de 500 mil trabalhadores entre aposentados e ativos.
Entrevista do Sábado - A Condsef é filiada a CUT e o que se diz é que ela é governo. A Central Única dos Trabalhadores tem dado apoio aos servidores públicos nessa mobilização?
Josemilton da Costa - Acho que temos que desmistificar algumas coisas
da CUT. Em 2005, 2006 e 2007 a CUT esteve junto em todas as lutas que a nossa confederação deflagrou. A CUT foi contra o PLP 01, que congelava o salário. A CUT foi contra o PL 248, que demitia por insuficiência. Está junto para que não sejam rompidos acordos. Há algumas insinuações que a gente não concorda. Achamos que em algum momento houve uma apatia da Central, mas nos últimos períodos a CUT esteve ombro a ombro conosco nessa luta, e que logo após a entrevista do Paulo Bernardo (ministro do Planejamento), soltou uma nota dizendo que o governo não poderia atrelar a CPMF às questões salariais dos servidores. Ou seja, a CUT se posicionou contrária à posição do governo de querer congelar os salários.
Entrevista do Sábado - A greve é a única forma de negociar com o governo ou existem alternativas para que as reivindicações do funcionalismo público sejam atendidas? Há outras formas de pressão para que o cidadão não seja prejudicado?
Josemilton da Costa - Por isso que eu te disse no início que nós ainda vamos chamar uma plenária para discutir o rumo do movimento. Nós sempre iniciamos com o lançamento da campanha salarial, como foi em 2008, com um grande ato na Esplanada (dos Ministérios), trabalhamos com acampamentos como forma de pressão, trabalhamos com mobilizações nos estados, com pressão nos aeroportos junto às autoridades do governo e também parlamentares. Há todo um processo de mobilização, de pressão do governo, antes da gente deflagrar uma greve.