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Sem reajuste salarial, líder dos servidores federais promete parar a máquina estatal em breve

No vácuo do fim da CPMF, governo Lula tenta transferir ao funcionalismo federal a incompetência que marca a esquerda tupiniquim

 

(*) Gilmar Corrêa

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O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo da Silva, avisou que o governo irá interromper as negociações de reposição salarial de servidores civis e militares.  "Não há neste momento como falar em reajuste", informou o ministro. O motivo seria o fim da CPMF. Se prevalecer a opinião do titular do Planejamento, que se encontra em férias, o governo deve se preparar para uma ampla mobilização paredista a partir de março. A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal ameaça mobilizar 37 sindicatos filiados se a reunião no Ministério do Planejamento, prevista para o dia 23, não for conclusiva. A base da Condsef é de 770 mil trabalhadores, a maioria (60%) em funções intermediárias e com os menores salários pagos pela União. A média salarial dessas 28 categorias é de R$ 1,8 mil brutos.

A Condsef, maior entidade do gênero da América Latina, funciona como um colegiado. O cargo máximo é o de secretário-geral, ocupado por Josemilton Maurício da Costa, que avisa: “a mobilização pode ser ampliada para mais seis ou sete categorias representadas por diferentes entidades sindicais. O governo pode gastar com os servidores até 50% da receita corrente líquida”,sugere. Funcionário administrativo do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro, o mineiro Josemilton diz que as perdas salariais dos servidores nos últimos doze anos estão entre 130% e 1 40%. O menos salário pago pelo governo federal é de R$1,1 mil. Confira abaixo a entrevista concedida pelo secretário-geral da Condsef na sexta-feira, 11 de janeiro.

Entrevista do Sábado - A Condsef está mobilizando as categorias profissionais de trabalhadores públicos federais para obter o reajuste salarial e há uma proposta de greve. Quantas categorias devem cruzar os braços?

Josemilton Maurício da Costa - Nós ainda temos uma reunião, no dia 23 de janeiro, com o governo que oficialmente vai nos comunicar se vai continuará com as negociações, se vai cumprir os acordos ou se vai suspender e congelar os salários dos servidores. Após essa informação do governo, nós vamos chamar uma plenária dos 28 setores que têm negociações como governo e vamos definir o rumo do movimento. Não tem ainda um indicativo de greve para fevereiro, mas podemos estar indicando o processo de mobilização para março, porque você tem que construir em assembléias essa mobilização. Então nós vamos depender muito da posição do governo no dia 23 de janeiro.

Entrevista do Sábado - Se o governo não atender às reivindicações, a tendência é de fazer a greve?

Josemilton da Costa - Se o governo não buscar nenhuma alternativa que viabilize as negociações aí nós vamos fazer todo esse processo de mobilização, culminando com uma grande greve em março.

Entrevista do Sábado - E tem clima para uma mobilização geral dos servidores federais?

Josemilton da Costa - Clima tem. Tem disposição da categoria. Vamos chamar as plenárias, nos organizar e provavelmente em início de março tem uma grande greve no conjunto dos servidores. Dos 28 setores que representamos e mais seis ou sete setores que são representados por outras entidades.

Entrevista do Sábado - Quais?

Josemilton da Costa - Como o pessoal do Fisco (auditores fiscais).

Entrevista do Sábado - Há possibilidade dos servidores voltarem a conversar com o governo após a reunião do dia 23?

Josemilton da Costa - Há, se o governo sinalizar que a disposição não é romper com os acordos e continuar com as negociações. Vai depender muito da posição do governo do dia 23 de janeiro. Se o governo falar: “Vamos cumprir os acordos e vamos continuar negociando”, continuaremos com as negociações, mesmo que seja um processo desgastante.

Entrevista do Sábado - A justificativa do governo de suspender as reposições salariais, por conta do fim da CPMF, é um argumento concreto para acabar com as negociações?

Josemilton da Costa - Não. O governo pode gastar com os servidores até 50% da receita corrente líquida. O governo gasta hoje em torno de 29%. E o governo tem outros lugares que pode tirar, porque pode desviar R$ 80 bilhões, que tem da DRU (Desvinculação da Receita da União). Parte dela pode ser destinada para as áreas sociais. O governo pode diminuir um pouco o superávit primário e aí vai sobrar dinheiro não só para reajuste, mas para cobrir a verba que deixou de entrar da CPMF.

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