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Continuação

 

ucho.infoO senhor e o senador Pedro Simon estão praticamente isolados dentro do PMDB, com discursos contrários aos interesses do Palácio do Planalto. Até que pontos os eleitores do senhor e do senador Simon perdem com essa situação, uma vez que é sabido que discursos oposicionistas são combatidos pelo governo Lula com retaliações silenciosas?

Jarbas Vasconcelos – Nós temos uma posição consciente. Eu não tenho emendas, pois cheguei ao Congresso em março último. A nossa posição, minha e de Pedro Simon, é muito isolada dentro do partido. Eu não participo e nem mesmo sou indicado para qualquer cargo no Senado, mas como regimentalmente precisava participar de duas Comissões permanentes, escolhi a de Constituição e Justiça e a de Relações Exteriores. Eu não tenho vida e nem voz dentro do partido. Quem já viu um Conselho de Ética formado no Senado – e o PMDB é majoritário – e não indicar Pedro Simon? Isso é uma verdadeira aberração, é uma indignidade dos que lideram hoje o PMDB a nível nacional e principalmente aqui no Senado.

ucho.infoO governador Eduardo Campos (PSB), que o sucedeu no governo de Pernambuco, ensaiou uma CPI para investigar supostas irregularidades na sua administração. Em algum momento o senhor se sentiu intimidado com tal possibilidade, chegando até mesmo a pensar em mudar o discurso?

Jarbas Vasconcelos – A minha posição política foi construída com base em muita convicção e muita segurança. Se existisse alguma coisa errada na minha vida, não teria chegado até aqui. Não teria me exposto como tenho feito aqui no Senado. Uma CPI a nível regional é uma questão da Assembléia de Pernambuco, onde o governo tem ampla maioria. Uma maioria esmagadora, e mais expressiva do que tive nos meus dois mandatos como governador do estado. E essa CPI depende dele. A CPI é um instrumento democrático, e deixará de ser democrático se o governador usar lá o mesmo expediente que o meu partido, o PMDB, usou aqui, colocando uma tropa de choque pra funcionar. O governador (Eduardo Campos) quis fazer uma CPI com a distribuidora de energia elétrica local, a Celpe (Centrais Elétricas de Pernambuco). Esse assunto regional encontra uma bancada de oposição, que vem enfrentando esse momento com competência.

ucho.infoA sociedade tem cobrado uma postura mais firme do Congresso em relação aos escândalos de corrupção. Uma possível punição ao senador Renan Calheiros poderia ser um divisor de águas ou tudo deve continuar como está? O senhor continua defendendo a tese de que o senador Renan Calheiros deveria se licenciar da presidência do Congresso durante o processo de investigação?

Jarbas Vasconcelos – Essa é a minha opinião desde o primeiro momento, desde a primeira hora. A partir do discurso do senador Renan e da apresentação dos documentos, e quando esses documentos começaram a ser contestados, defendi o seu afastamento. Até porque, fica muito difícil o presidente, que está sendo acusado, escolher os seus julgadores. E foi o que aconteceu mais de uma vez junto ao Conselho de Ética. A pressão da rua é muito forte, e a tendência é crescer. As trapalhadas realizadas aqui no âmbito Senado servem para alimentar a imprensa, o noticiário, e aumenta a pressão popular e o nível de indignação se eleva. É muito difícil esse caso terminar em pizza. Joaquim Roriz já renunciou, o que não significa que vai ficar em situação privilegiada, principalmente porque agora o ex-senador está na malha do Ministério Público e da Justiça. O caso de Roriz foi complicado e difícil, porque o relator é um policial aposentado e respeitado (senador Romeu Tuma), além de ser corregedor da Casa, que ao receber os documentos afirmou que era caso de quebra de decoro parlamentar. A partir daí selou o destino do ex-senador Joaquim Roriz.

ucho.infoQuais são as conseqüências para o PMDB advindas dos escândalos envolvendo Renan Calheiros e Joaquim Roriz, e mais recentemente o senador Leomar Quintanilha?

Jarbas Vasconcelos – O PMDB vem se acostumando a isso, a esses malfeitos. Essa coisa não é de agora, e a situação do PMDB pode se agravar. Mas já houve casos semelhantes, como o ocorrido com Jader Barbalho e outros dentro do partido.

ucho.infoDesde o início da crise deflagrada pelo escândalo extraconjugal do senador Renan Calheiros, muito tem se falado sobre os suplentes de senadores, que da noite para o dia ocupam legalmente uma cadeira no Senado, passando a tomar decisões sem o referendo das urnas. E tais decisões muitas vezes favorecem os seus pares e contrariam o interesse público. O senhor acredita que é necessária uma mudança urgente nas regras que respaldam a eleição dos senadores?

Jarbas Vasconcelos – Esse é um sentimento que está se formando dentro do Senado, de maneira muito forte. As pessoas exigem a regulamentação dessa matéria, pois o assunto veio à tona exatamente por conta da crise, mas já existem três propostas para o assunto – senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Jefferson Peres (PDT-AM) e Tião Viana (PT-AC). Estou analisando as três propostas para solicitar a relatoria de uma delas na Comissão de Constituição e Justiça ou, até mesmo, para apresentar uma nova proposta disciplinando a matéria.

 

(Foto: Agência Senado - Roosewelt Pinheiro)

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