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Logo no começo do primeiro mandato, o presidente-metalúrgico Luiz Inácio gazeteou pelo mundo afora a sua populista preocupação com a quase irreversível miséria que ainda assola muitos países. Defensor da democracia durante mais de duas décadas, o mais famoso dos petistas não se incomoda em jogar no lixo o discurso de outrora. Ao desembarcar em Burkina Faso, país localizado na África Ocidental, Lula da Silva simplesmente patrocinou um afago na tirania do ditador Blaise Compaoré, desde 1987 no poder. E o cabotinismo de Luiz Inácio foi por água abaixo quando, em um país de miseráveis, consentiu em ser recebeido em um palácio que é uma afronta ao caos social que impera em Burkina Faso. Justificar o escorregão com desculpas diplomáticas é típico de quem não sabe o que faz. (Foto: Ricardo Stuckert)
Péssimo exemplo Nesta segunda-feira, 15 de outubro, dia em que foi comemorado mais um Dia do Professor, o plenário do Senado Federal estava quase vazio na abertura da sessão, às duas da tarde. Para discursar em homenagem a essa classe esquecida por muitos governos, revezaram-se na tribuna da Casa os senadores Paulo Paim (PT-RS), Papaléo Paes (PSDB-PA), Ideli Salvatti (PT-SC), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Mão Santa (PMDB-PI). Em outras palavras, os outros setenta e seis senadores deram, no Dia do Professor, uma péssima lição. E mais: ao encerrar seu discurso, Cristovam Buarque foi preciso ao dizer que “o muro da desigualdade só será derrubado, daqui para frente, pela escola igual entre pobres e entre ricos. E nada talvez seja mais difícil de convencer neste País de que é possível”.
Marcha soldado Dono de uma vaidade quase doentia, o ministro da Defesa, Nelson Jobim – é a versão tupiniquim de Rambo, surgiu mais uma vez fantasiado de militar, durante visita às unidades militares de fronteira. Longe de ser um especialista no assunto, Jobim tem destilado um incontrolável apreço por fardas, como se o traje militar fosse fantasia de carnaval. Durante visita ao 2º Pelotão Especial de Fronteira, na divisa com a Colômbia, o ministro da Defesa se fez acompanhar da esposa, Adriane Jobim, que presenteou com guloseimas as crianças da etnia Kubeu. Resta saber até quando as Forças Armadas suportarão esse achincalhe, pois o uso indevido de fardas militares é passível de punição. (Foto: Antonio Cruz - Agência Brasil)
Cabeça de papel Na vida tudo é passível de perda, mas só a coerência é que carece ser conservada a todo custo. Na visita que fez ao 2º Pelotão de Fronteira, localizado na cidade amazonense de Querari, na fronteira com a Colômbia, o ministro Nelson Jobim pensou estar na sala da própria casa. Fantasiado de militar, Jobim, acompanhado por oficiais do Exército, empunhava um longo e puro charuto cubano, como se a ocasião exigisse tal deboche. Apreciar bons charutos é exclusividade de pessoas que têm, além de conhecimento, bom gosto e refinamento de sobra. O que não é o caso de Nelson Jobim. Traduzindo para a boa e velha língua portuguesa, já com as devidas desculpas pela redundância gramatical, Jobim não tem o menor “senso de noção”. E mais: a ex-guerrilheira e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que lutou contra os militares no começo da era plúmbea brasileira, também usou vestes militares na Amazônia.(Foto: Antonio Cruz - Agência Brasil)
Pé atrás Está tudo dominado, por enquanto! Só porque que o PT deve recuar na estratégia de manter um petista na presidência do Senado, o garantiria ao partido o controle das duas casas Legislativas federais e do Poder Executivo. A bancada petista de 12 senadores deve negociar, no entanto, um acordo com o PMDB de 19 senadores, caso Renan Calheiros (AL) não retorne mais ao cargo. Se Calheiros não voltar a dirigir o Senado, será realizada uma eleição exclusivamente para a presidência. Por enquanto, o acreano Tião Viana (PT) saboreia o cargo com reuniões e visitas. Ontem, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que jamais visitou Calheiros, foi cumprimentar o colega petista. Tião Viana foi ao Palácio do Planalto para uma visita protocolar ao presidente em exercício, José Alencar.
Arrumando as malas Enquanto se preocupava em trocar a residência oficial do Senado, no Lago Sul, por um apartamento
funcional, o senador Renan Calheiros foi informado que seis dos sete integrantes da Mesa concordaram com o encaminhamento de um quinto processo por quebra de decoro parlamentar contra ele. O único senador a se abster do voto foi Papaléo Paes (PSDB-AP). Neste novo processo, Calheiros é acusado de montar um esquema de espionagem contra os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO). O operador teria sido o ex-suplente de senador Francisco Escórcio, escudeiro de José Sarney (PMDB-AP). Na quinta-feira, o PSol deve protocolar uma sexta representação contra Renan Calheiros, desta vez por ter elaborado uma emenda parlamentar que teria facilitado repasse de R$ 280 mil a uma empresa fantasma.
Saindo na frente Senador pelo PMDB do Espírito Santo, Gerson Camata lançou, nesta segunda-feira, o nome de Pedro Simon para suceder o alagoano Renan Calheiros na presidência da Casa. Licenciado do cargo por quarenta e cinco dias, a contar da última quinta-feira, 11 de outubro, Calheiros pode não reassumir o comando do Senado. Camata lembrou, também, que o nome do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB) não está fora do páreo, mas o nome de Simon seria uma alternativa para recuperar a credibilidade perdida da Casa Legislativa.(Foto: ucho.info)
Parada dura Quem bem conhece os escaninhos do parlamento brasileiro sabe que o assunto da sucessão de Renan Calheiros não é algo tão fácil como sugere o senador Gerson Camata. A escolha do nome que poderá presidir o Senado, tão logo termine a licença de Renan Calheiros, passará quase que obrigatoriamente (90% de chance) pelo crivo do senador José Sarney (PMDB-AP), que goza da confiança do presidente Lula da Silva, do PT e de boa parte da oposição. Na verdade, Sarney, que já detectou alguns pontos de rejeição em relação à própria candidatura, gostaria de fazer da filha Roseana a sucessora de Calheiros. Para ilustrar a complexidade política do tema, é bom recordar a eleição para a presidência do Senado realizada em 20 de setembro de 2001, quando Fernando Henrique Cardoso ainda era o todo-poderoso. Então ministro da Integração Regional, Ramez Tebet foi chamado ao Senado para disputar a presidência contra o gaúcho José Fogaça, atual prefeito de Porto Alegre. Com os votos de quarenta e um senadores, Tebet venceu a disputa. E coube a José Sarney convocar Ramez Tebet.
Valsa do adeus O mais novo desgarrado do Democratas é o senador Adelmir Santana (DF), que desembarcou nessa segunda-feira no Partido da República, legenda que sucedeu o sempre polêmico Partido Liberal. A contínua deserção começa a preocupar os dirigentes do DEM, que já falam em jogo pesado do Palácio do Planalto para aprovar a CPMF no Senado. A debandada que atinge o DEM começou, tempos atrás, com a saída de Roseana Sarney (à época era PFL), que acabou abrigada no PMDB, partido do pai, José Sarney. Mais recentemente, deixaram o Democratas os senadores Edison Lobão (MA) – agora no PMDB – e Romeu Tuma (SP), que engrossa as fileiras do PTB. Isso tudo pode ser resultado do erro cometido por Jorge Bornhausen, que entregou a legenda aos novatos do partido. Resta saber quem irá apagar a luz do Democratas.
Pane na agenda Arlindo Chinaglia, o presidente da Câmara dos Deputados, por pouco não esqueceu de convocar os líderes dos partidos para uma reunião nesta manhã em seu gabinete. Chinaglia quer definir a pauta de votações para esta semana, dando prioridade ao projeto que cria quase 170 cargos de defensor público da União, uma antiga reivindicação do Judiciário. Na rápida conversa que manteve com este site, Chinaglia disse também que seu desejo é prosseguir com a votação da reforma política.
Problema novo O deputado-radialista Wladimir Costa (PMDB-PA) terá que responder a uma nova ação penal por injúria e difamação, desta vez proposta pelo o ex-senador Ademir Andrade (PSB-PA), que alega ter sido prejudicado com comentários do parlamentar no rádio e na televisão paraenses. O processo foi autorizado ontem, por unanimidade, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, que concordaram com a ministra-relatora Carmem Lúcia. A ministra do STF disse que as ofensas foram proferidas fora do contexto do mandato parlamentar, e por isso a imunidade parlamentar não poderia ter sido invocada.
Revirando o baú Em 2006, o mesmo STF autorizou uma queixa-crime proposta pelo ex-prefeito de Belém, Edmilson Brito Rodrigues, contra Wladimir Costa, por prática de crimes contra a honra. Dois anos antes,o parlamentar teria respondido a outra ação penal pela mesma acusação. O polêmico Wladimir Costa, que propôs uma CPI da Editora Abril e retirou sua assinatura no requerimento para a CPI dos Correios, trabalhou na Rede Brasil Amazônia de Televisão, onde comandava um programa “trash” chamado Comando Geral.
Sempre atrasado No Brasil, apenas 15% das crianças – a maioria filhos de pais ricos – têm acesso à educação infantil, porque não há uma política para o setor. As creches deveriam ser uma oportunidade aos mais pobres, mas não uma política para atender a todas as crianças. Esta é uma das conclusões do seminário sobre a educação no século 21, que ocorre na Câmara dos Deputados. O principal problema do modelo de educação de nível médio, segundo os especialistas, é que ele é único, quando em países mais desenvolvidos modelos são criados para atender às classes econômicas, ou até mesmo se o jovem quiser ingressar na universidade.
Sob nova direção
O Jornal de Brasília, o segundo em número de leitores do Distrito Federal, foi vendido novamente. Desta vez, o comprador é o empresário Marcos Pereira Lombardi, que tem empresas nos ramos de combustíveis e empreendimentos imobiliários. Ele comprou as ações do ex-governador Joaquim Roriz, que renunciou ao cargo de senador acusado de quebra de decoro parlamentar, e de Lurenço Rommel Pontes Peixoto, acusado de ser o principal mentor do esquema que fraudou licitações para hemoderivados do Ministério da Saúde. O golpe descoberto pela Polícia Federal na Operação Vampiro chegou a R$ 2 bilhões e teria envolvido 11 empresários e seis funcionários públicos. O novo dono do jornal também já foi acusado de crime contra a ordem econômica, em abril de 2005, e suspeito de fraudes em desapropriações envolvendo também diretores e ex-diretores da Terracap, em 2002.
Aluno aplicado Pensando bem, esse repentino apreço do presidente Lula por ditadores mais parece curso preparatório.
Manda quem pode (16/10/06)- A mudança de comportamento do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que depois dos ataques de Geraldo Alckmin adotou a fantasia de vítima da truculência das elites, tem nome e terra natal. Tudo não passou de uma bem pensada artimanha de Duda Mendonça, o marqueteiro soteropolitano que jamais deixou de monitorar o seu mais importante cliente. Quem pensa que Duda Mendonça deixou de emprestar sua criatividade ao Palácio do Planalto, engana-se com todas as letras. O marqueteiro, que recebeu parte dos honorários da campanha de 2002 no exterior, manda e desmanda na atual campanha. Os que assumiram oficialmente a campanha do candidato petista sabiam, desde o início, do acordo de coxia. E têm cumprido com empenho a cartilha baiana.
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