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Don Quixote paranaense aponta as mazelas da política nacional e quer a cadeira de Requião

Com um DNA político melhorado, Gustavo Fruet deixa de lado a fama conquistada na CPI dos Correios e se empenha na busca de uma solução para a crise aérea

 

(*) Ucho Haddad e Gilmar Corrêa

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O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) está numa relação de parlamentares pouco comuns para a atual realidade política brasileira. Afável, simpático e eficiente, Fruet freqüenta o noticiário nacional com desenvoltura. Filho de um tradicional político curitibano (Maurício Fruet), conhecido por suas frases de efeito, esse paranaense de gestos simples ficou conhecido a partir da sua atuação como sub-relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. O trabalho final foi elogiado, embora dos dezenove deputados envolvidos no “mensalão”, apenas três tenham sido cassados pelo Plenário da Câmara dos Deputados. Mas isso é uma outra história. Nessa entrevista concedida em seu gabinete no oitavo andar do Anexo IV da Câmara, Gustavo Fruet fala de sua nova missão como titular da CPI do Apagão Aéreo: “Há uma tragédia da má gestão”. Direto e rápido nas respostas, o deputado do PSDB comenta a reforma política (“Sou favorável ao voto facultativo”), e critica o PT. E diz que pretende ser candidato nas eleições majoritárias no Paraná. Quer concorrer a senador, mas se a oportunidade aparecer, não vai deixar de tentar suceder Roberto Requião.

ucho.info - Deputado, o que está acontecendo com a aviação brasileira?

Gustavo Fruet - Se der para resumir numa frase: a tragédia da má gestão. Após o acidente do ano passado, houve a série de desdobramentos e a divulgação de uma série de fatos e problemas que até então eram de conhecimento restrito de profissionais que atuam no setor aéreo brasileiro. Aberta a CPI (do Apagão Aéreo na Câmara) depois de muita resistência da base do governo que votou contra no Plenário e precisou de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, nós procuramos atuar em três frentes: as denúncias que em alguns casos estão sendo investigadas pela Procuradoria Geral da União, na infra-estrutura do setor, na questão orçamentária e a gestão. Passado esse período, algumas observações já podem ser feitas. Primeiro, há uma falta de coordenação para gerenciar a crise e de uma falta de coordenação de gestão do sistema aéreo brasileiro. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) foi criada em 2005, recebeu uma série de poderes que eram de incumbência da Aeronáutica, então vinculada diretamente à Presidência da República. Verificou-se uma disputa dentro da Infraero, ainda mal resolvida. Uma falta de autoridade do Ministério da Defesa. E uma reação ainda de uma parte da Aeronáutica com relação a essa transição para o controle civil, para uma agência civil.

ucho.info - Por que o governo, alertado dos problemas de infra-estrutura desde 2003, não tomou providências? E as investigações da CPI levam a que conclusão?

Gustavo Fruet - Mas só para completar: essa gestão de governo demonstra que não há comando único, há uma disputa entre Ministério da Fazenda, Aeronáutica e a Infraero. Estes setores em confronto com a Anac, que por muitas vezes acaba adotando uma posição de não-restrição. A impressão que se tem é que o governo ainda não tomou ou não conhece a devida importância desse setor. Em 2003, o Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil) se reuniu sob o comando do então ministro da Defesa José Viegas, determinou uma série de medidas que não foram implementadas. Nos últimos quatro anos se constata um corte de R$ 500 milhões...

ucho.info - Mas o ministro Guido Mantega (Fazenda) já disse que não faltaram recursos...

Gustavo Fruet - Faltou. R$ 500 milhões, entre a proposta apresentada pela Aeronáutica e o que foi efetivamente aprovado na Lei Orçamentária por parte do governo, não se refere a contingenciamento, se refere a proposta orçamentária. É praticamente o valor de investimentos de um ano na área de manutenção e segurança do sistema aéreo brasileiro.

ucho.info - A oposição também tinha conhecimento desse problema, mas ninguém se manifestou. E o problema somente veio à tona quando houve o acidente com o avião da Gol. Por que a oposição não denunciou o fato?

Gustavo Fruet - Já houve até comissões especiais que trataram do tema. Mas não ganhou prioridade na agenda pública. Isso é um fato, principalmente no Congresso Nacional. Precisou o acidente e depois uma série de ações por parte dos controladores de vôo e a reação a algumas iniciativas desses profissionais para que esse assunto ganhasse visibilidade e passasse a incorporar a agenda do Legislativo e uma cobrança do governo.
 
ucho.info - No acidente com o avião da Gol (em setembro do ano passado) o primeiro culpado, na agenda do governo, foram os pilotos americanos, depois os controladores. No acidente em São Paulo (Airbus da Tam) o governo sugere que o culpado principal é a companhia aérea. O governo que cria factóide tem culpa no acidente em Congonhas?

Gustavo Fruet - A iniciativa do governo sempre é defensiva e talvez um dos maiores exemplos, e o que vai ficar emblemático na história do país e desse governo, é o gesto do assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia. Qual a preocupação? Achar uma justificativa para isentar o governo de qualquer responsabilidade. A imagem que passou é de alguém comemorando e que há um indício de que houve falha mecânica na aeronave acidentada em Congonhas. É precipitado fazer uma afirmação agora de quem é a responsabilidade. Todo acidente é uma sucessão de fatos e para isso existe o Cenipa, órgão vinculado à Aeronáutica que tem pessoas preparadas para investigar esse tipo de acidente. É preciso esperar a investigação para ter melhor compreensão do episódio. Mesmo que ao final haja a responsabilização de equipamento ou de falha humana, isto não isenta a responsabilidade da União. Esse acidente ocorreu dez meses após o primeiro. Nesse período, muitos fatos vieram a público e muitas sugestões, em especial a restrição de vôos no Aeroporto de Congonhas, foram definitivas. Quer seja a restrição em dias de chuva, quer seja a restrição no número de pousos e decolagens...

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