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Com mandato tampão, Garibaldi Alves Filho tenta recuperar a imagem do Senado

Consciente, peemedebista terá de enfrentar as eleições municipais e inúmeras conversas com o Palácio do Planalto

 

(*) Gilmar Corrêa

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Mais transparência e trabalho. Estes são os principais objetivos do presidente do Senado Federal, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), no seu mandato tampão de um ano. O senador potiguar admite que o ambiente não é dos mais favoráveis, porque o clima entre a oposição e a base do governo promete esquentar. As votações podem ser prejudicadas também pelas eleições municipais de outubro, mas Garibaldi Alves adverte que os parlamentares precisam estar de olho na opinião pública. “Ela haverá de cobrar em plena campanha”, prevê.

Na entrevista que concedeu na quinta-feira, dia 31/01, o senador do Rio Grande do Norte disse que o sucesso para melhorar a imagem do Senado depende não só de votações, mas de um comportamento ético dos senadores. É um dos poucos parlamentares com uma história política que pode servir como exemplo. Jornalista e advogado, o ex-governador Garibaldi Alves está na política desde 1966. Ao completar 61 anos nesta segunda-feira, dia 4, Garibaldi Alves está satisfeito com sua carreira política.  “A vida política não poderia ter me reservado, graças a Deus, um coroamento melhor”.

Entrevista do Sábado - Os congressistas reclamam muito do excesso de Medidas Provisórias. Na Câmara, por exemplo, 20 MPs trancam neste momento a pauta de votação. O senhor tem alguma idéia de como pode ser diminuído a edição de MPs?

Garibaldi Alves Filho - Eu prefiro discutir com os líderes o que realmente pretendo fazer. O que eu posso adiantar é que meu objetivo é exatamente esse: fazer com que as Medidas Provisórias não tranquem a pauta do Senado e também da Câmara. Vou ter que ir ao encontro...

Entrevista do Sábado - Mas além de conversar com os líderes, o senhor vai negociar com o governo?

Garibaldi Alves - Eu pretendo, claro, conversar com o governo, porque é uma discussão que será muito, muito ampla para que ela tenha sucesso. Mas eu só posso partir para a negociação com o governo se o Congresso, eu e o deputado Chinaglia (Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara), estiver unido.

Entrevista do Sábado - É bem provável que a oposição retorne após o recesso bem mais atuante. Como o senhor vai gerenciar esse conflito iminente entre oposição e a base do governo?

Garibaldi Alves - O problema da oposição é do governo, não é meu. Apenas quando isso extrapolar essa discussão, quando se tornar uma discussão irracional, que venha a comprometer os debates efetivamente, é que eu poderei impedir. Eu acho que a oposição, se ela vem com essa disposição, como deverá vir, cabe ao governo se preparar para enfrentá-la e o governo municiar a sua bancada para que acusações e denúncias não fiquem sem respostas.

Entrevista do Sábado - O Senado Federal tem hoje mais de 200 matérias para serem votadas, o senhor já pensou numa dinâmica para agilizar o processo de votação dos projetos?

Garibaldi Alves - Vou abordar com os líderes esse problema, da celeridade da votação, que remete também às Medidas Provisórias que tem emperrado a pauta. Eu estou colocando o êxito de tudo isso nas mãos das lideranças, porque de fato a presidência da Casa só terá sucesso se conseguir contar com todas as lideranças.

Entrevista do Sábado - O senhor fala em agenda positiva, mas como se compõe essa agenda?

Garibaldi Alves - São propostas que ao longo desse ano vou apresentar, dependendo desse respaldo que acabei de dizer. Medidas em relação a projetos, em relação a tramitação de Medidas Provisórias, de PECs (Projetos de Emenda Constitucional), orçamento...Também não vamos ser tão ambiciosos assim para que não percamos de vista que não é fácil aprovar tudo isso ao mesmo tempo...

 

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(Fotos: Leopoldo Silva - Agência Senado)

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