Entrevista do Sábado - Tradicionalmente os números do governo não batem com os números da Comissão de Orçamento do Congresso. Isso acontece porque o governo costuma esconder receita?
Francisco Dornelles - Não, mas sempre no fundo prevalece os dados do
Congresso Nacional. Não é que o governo procura esconder, mas sempre procura esconder um pouquinho, porque gostaria de ter uma reserva pra depois destinar esses recursos através de Medida Provisória. Então esconde a receita. Isso tradicionalmente escondia no meu tempo e continua escondendo. Existe também essa defasagem do período em que se calcula a receita do ano.
Entrevista do Sábado - A partir da experiência que adquiriu ao longo dos anos com a máquina administrativa, onde o senhor acha que o governo poderia cortar sem prejudicar, por exemplo, os investimentos como o presidente Lula da Silva tem afirmado.
Francisco Dornelles - É um corte complexo, porque o governo tem uma rede social muito grande, que representa quase 3% do PIB (Produto Interno Bruto). Os investimentos têm reflexo muito grande sobre o crescimento da economia. Embora não seja da minha área, tem que se verificar algumas situações, como a grande quantidade de concursos que iriam ser realizados no início do ano que, certamente, foram adiados. Alguns aumentos (salariais) que havia compromisso, desde 2007, que agora não podem ser dados... eu acho que tem que ter um esforço do custeio.
Entrevista do Sábado - A oposição tem dito que tem ministério demais. Extinguir ministérios também ajudaria em reduzir custos?
Francisco Dornelles - Se você reunir todos esses ministérios num só e as despesas desse ministério for maior que os sete... o problema não é cortar ministério. Você tem que cortar custeio. E a gente tem que reconhecer que geralmente quando se cria um ministério ele sempre tem a tendência, normal na administração, de criar órgãos, secretarias, divisões... então o custeio tem que ser apertado.
Entrevista do Sábado - O presidente Lula fez uma reunião com os ministros e disse que é preciso atender melhor a base de sustentação do governo no Congresso. O senhor acredita que a base será atendida neste ano?
Francisco Dornelles - No regime Parlamentarista os ministros vêm
mensalmente ao Plenário, falar e discutir, como fazem os parlamentares. Os ministros deveriam ter melhor diálogo com os parlamentares, até para receber sugestões. Se você quiser no governo Lula dar uma sugestão ao ministro, você tem que escrever num jornal, porque eles não te atendem nem para você dar uma sugestão.
Entrevista do Sábado - Mas depois dessa reunião deve melhorar esse relacionamento?
Francisco Dornelles - Só o tempo dirá.
Entrevista do Sábado - Mas o senhor tem esperança?
Francisco Dornelles - Em alguns casos eu acredito que sim. Em outros, acho que cronicamente eles não sabem conviver com o parlamentar. Não sabem conviver num regime parlamentar.
Entrevista do Sábado - O relacionamento do PP com o governo, vai continuar o mesmo diante deste descaso com os parlamentares?
Francisco Dornelles - O partido tem um relacionamento muito bom com o presidente Lula, relacionamento excepcional com o ministro José Múcio (Relações Institucionais), o ministro Márcio Fortes (Cidades), o ministro Mantega (Guido Mantega, Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento)...
Entrevista do Sábado - O PP vai indicar chapa pura candidatos para as prefeituras nas principais cidades?
Francisco Dornelles - O diretório nacional orientou os diretórios regionaise municipais para eles decidirem como acharem melhor. A eleição municipal tem características muito próprias. Pontos de discórdia que existem no campo federal, podem não existir no município. De modo que a instrução é liberdade completa para os diretórios municipais. Nós estimularíamos, gostaríamos de ver, a candidatura própria na maior parte das cidades, mas a decisão é dos diretórios municipais.