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Entrevista do Sábado
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
 
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Continuação

 

Entrevista do Sábado - De acordo com seu próprio relato, morrer é uma questão de tempo. Em algum momento, desde as ameaças até hoje, o senhor contou com alguma proteção policial, oficial ou não?

Daniel Ponte – Sim, por um período tive escolta policial oficial. Mas a Polícia Federal, responsável pela minha proteção, suspendeu a escolta por ordem judicial. O mais estranho é que, contrariando o que determina a lei, o parecer para a suspensão da escolta foi elaborado antes do meu depoimento. O parecer é datado do dia 8 de janeiro, fui ouvido no dia 9 do mesmo mês. Ou seja, um dia depois. Já desapareceram documentos dentro da PF... De certo, até lá o crime tem influência.

Entrevista do Sábado - Desde a suspensão da escolta, como o senhor faz para se proteger da ação dos inimigos?

Daniel Ponte – Ficando preso em casa, saindo quase com a arma na mão e contado com alguns amigos de forma eventual.

Entrevista do Sábado - Qual a interpretação que o senhor dá à decisão da Polícia Federal de suspender a escolta policial? A Polícia Federal poderia entrar no caso, na esfera judicial, provando a necessidade da escolta?

Daniel Ponte – Só tenho uma palavra... “CLEPTOCRACIA”, pois minha morte vai deixar muitos bandidos em paz e com os bolsos mais cheios... No campo jurídico, como há interesse federal (fraude com recurso do SENASP) e violação a direitos fundamentais, cabe avocação do inquérito a pedido do Procurador-Geral da Republica. Deve ser destacado que a OEA cobrou resposta do Brasil e ainda não obteve resposta. (clique e confira documento da OEA)

Entrevista do SábadoTrata-se de uma denúncia grave. O senhor está dizendo que há corruptos na Polícia Federal?

Daniel Ponte – Há corruptos em todas as instituições, documentos desapareceram da PF-RJ, sendo que a advogada do Sindicato dos Médicos foi obrigada a restaurar os autos. A própria Polícia Federal prende os policiais federais. Tenho certeza que é uma minoria (ao contrário da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro - PCERJ), mas há corruptos, isso pode ser lido nos jornais.

Entrevista do Sábado - Alguma decisão política já foi tomada em relação ao caso?

Daniel Ponte – A única decisão política que tenho conhecimento é que estou prestes a ser demitido da PCERJ. Não por roubar, matar, tomar dinheiro do jogo do bicho, casas de prostituição, etc. Mas apenas por denunciar, com provas, a verdade. Sou acusado de ferir o código de ética policial. Toda organização tem seu código, e a Polícia Civil, como boa organização criminosa, não poderia ser diferente.

Entrevista do Sábado - Quem está efetivamente lhe apoiando?

Daniel Ponte – Ong’s de Direitos Humanos de fora do Brasil, a OEA (Organização dos Estados Americanos) e o Sindicato dos Médicos. Mesmo assim, todos têm muito medo. Para se ter uma idéia, até o CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) é inerte, pois Roger Vinicius (ex-diretor do IML) e Luiz Carlos Prestes Junior fazem parte do Conselho.

Entrevista do Sábado - Qual a reação dos políticos quando recebem suas denúncias?

Daniel Ponte – O deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS) tem dado apoio por meio de sua assessoria. Estou aguardando apoio do senador Jefferson Peres (PDT-AM). (Clique e confira a declaração de perseguição política)

Entrevista do Sábado - As Ong's de Direitos Humanos e a OEA  estão cobrando atitudes do governo Brasileiro. Em caso positivo, por que não agiram antes?

Daniel Ponte – Nunca pensei em sair do Brasil, nem passaporte tinha. Só procurei isso agora, pois as noticias de minha execução e da do Delegado Alexandre Neto se tornaram mais fortes. A “Lawyers Rights Watch Canada” é a ONG que esta apoiando com mais ênfase, mas há outras.

Entrevista do Sábado - O senhor se arrepende de ter feito as denúncias, sendo obrigado a pensar em deixar o país e receber ameaças de morte diuturnamente?

Daniel Ponte – Não, faria tudo novamente. Morro, mas não me curvo ao poder do crime.

 

Nascido e criado na cidade do Rio de Janeiro, delegado-ajunto da Delegacia Anti-Seqüestro e um dos mais experientes policiais fluminenses da atualidade, Antônio Teixeira Alexandre Neto, ou simplesmente Alexandre Neto, é um ser humano tão atento quanto irrequieto. Tendo passado pelos mais tradicionais colégios da cidade do Rio de Janeiro, Alexandre Neto optou pela carreira policial por influência de um tio, Caetano Maiolino ex-diretor do Departamento de Ordem Política e Social, o DOPS, e primeiro delegado de entorpecentes do estado.

Especialista em Direito Marítimo e policial desde 1986, ano em que foi aprovado no concurso para detetive de polícia, Alexandre Neto foi alvo de uma emboscada em setembro de 2007. Alvejado por nove balas de fuzil quando saía de sua casa, em Copacabana, Alexandre Neto, passou por cirurgia, mas não desistiu de apoiar o amigo Daniel Ponte e continuar denunciando a corrupção que toma conta da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Odiado por muitos dos envolvidos na bandalheira em que se se transformou a segurança pública no cartão posta do Brasil, Alexandre não se arrepende do que fez e faz. “Já conheci muitos oportunistas de segurança pública em nosso Estado”, enfatiza do delegado que sobreviveu ao ataque dos inimigos.

Entrevista do SábadoA partir de que momento o senhor decidiu dar apoio ao médico Daniel Fonte? Qual a razão?

Antônio Teixeira Alexandre Neto - O apoio ao Dr. Daniel decorreu da luta por melhores condições de trabalho que a Polícia Judiciária, como um todo, deve possuir para cumprir com sua função constitucional - apurar as infrações penais e sua autoria. Sem polícia técnica eficiente e eficaz não há Polícia Judiciária. "O cadáver fala." Foi isso que aprendemos na ACADEPOL (Academia de Polícia). Uma necropsia bem feita já é meio caminho andado para a elucidação de um homicídio, que para mim é o mais hediondo dos crimes.

Entrevista do SábadoJá era do seu conhecimento a extensão da corrupção no IML do Rio? Em caso positivo, desde quando?

Alexandre Neto - A corrupção em todos os setores da Polícia é fato público e notório, desde a época da ditadura militar. Naquela época a Polícia era política. Os amigos do Rei (leia-se "regime") podiam tudo. Hoje a polícia é dos políticos, ou seja: os amigos dos políticos tudo podem. A Polícia e a Fiscalização de tributos são os grandes financiadores de campanhas políticas. São as "caixinhas mágicas" que os políticos querem manipular (vide "escândalo do Propinoduto").

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