Clique sobre as imagens e confira
Entrevista do Sábado
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
 
home
edições anteriores
e-ditorial
entrevisa do sábado
resenha
e-xclusiva
q.i.
tribuna livre
prateleira eletrônica
uuuh!
página uh
boca maldita
parceiros
links úteis
anuncie
expediente
 
COLUNISTAS
Antonio Carlos Ferreira
Antonio Carlos Rayol
Claudio Tognolli
Eduardo Pimenta
Ipojuca Pontes
José Nêumanne Pinto
Marcelo Kahns
Maria Lúcia Victor Barbosa
Roberto Romano da Silva
Sandro Villar
Ucho Haddad
 
Clique na imagem acima e envie sua mensagem
.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Continuação

 

Entrevista do Sábado - Diante desta situação, o senhor acredita que o analfabetismo é uma ferramenta do continuísmo político?

Cristovam Buarque - Não. Eu não acho que seja por aí. Tem muita gente que acha. Seria uma visão muito conspirativa da História. Eu acho que há um desprezo mesmo. Não é deliberado manter o pobre analfabeto para dominá-lo. É simplesmente o desprezo à importância da alfabetização e da educação.

Entrevista do Sábado - Mas é um imediatismo político.

Cristovam Buarque - Não fazer é um imediatismo político. Imediatismo, porque faz o que dá voto. O Bolsa Família dá voto. A erradicação do analfabetismo não dá muito voto. Você quando recebe dinheiro, tem que receber todo mês, todo mês você lembra de quem lhe dá. Se você erradica o analfabetismo, só lembra no dia do diploma. Passado o diploma de alfabetizado, você já não tem mais essa gratidão. A gratidão permanente que eu vejo é a gratidão pelo lote, pela casa, esta é permanente. A outra é uma renda mensal.

Entrevista do Sábado - O controle escolar proposto no Bolsa Família funcionaria como uma ferramenta para erradicar o analfabetismo...

Cristovam Buarque - Tive diversos conflitos ao longo de um ano de ministério... quando eu disse no Jornal Nacional (TV Globo) de que não precisava do Fome Zero, bastava aumentar o valor do bolsa- escola...quando eu disse que precisava de R$ 20 bilhões a mais na Educação... Mas um dos conflitos se deu quando vi que o Bolsa Escola foi transformado em Bolsa Família, e aí sim percebi o desastre por três coisas. Primeiro: tirar o nome escola e botar família é tirar a preocupação da mãe da educação e colocar nela o sentimento de pobre. Quando recebia a Bolsa-Escola ela pensava: “Eu recebo essa bolsa porque meu filho estuda”. Quando ela recebe a Bolsa Família ela diz: “Eu recebo essa bolsa porque eu sou pobre”. Segundo: tirar do MEC (Ministério da Educação) e colocar no Ministério da Assistência Social. Aí mostrou que era outro projeto. Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente da República) quando levou a Bolsa-Escola do Distrito Federal para todo o Brasil, colocou no MEC. E terceiro: misturar a Bolsa-Escola com vale-alimentação, bolsa-gás... Aí misturou o educacional com o assistencial. O mais grave foi não ter investido em Educação, porque a escola ruim, mesmo com o Bolsa Escola, não resolve. O Bolsa Família não resolve de jeito nenhum.

Entrevista do Sábado - Em Nova York, por exemplo, busca-se na Educação o melhor desempenho, a produtividade, a competição. Aplicado no Brasil, seria uma das fórmulas para alterar a gravidade que permeia o setor educacional?

Cristovam Buarque - Só isso, não. No Brasil, o nível de formação e dedicação, por conta do baixo salário dos nossos professores, é tão baixo que, se você for dar uma premiação aos bons, você só vai dar a 2%, 3%. Ou você degrada a premiação dando a quase todo mundo, mesmo que não mereça, ou você dá a quem mereça e são poucos. E não adianta querer que os outros venham ganhar o prêmio, porque eles não tiveram formação, não se prepararam, já perderam a motivação e o salário deles é baixo. Tem que haver aumento salarial, aumento da exigência. Professor tem que ganhar muito bem e tem que ser a categoria mais exigida de todas. Sou favorável, sim, ao incentivo aos melhores.

Entrevista do Sábado - Porque as escolas públicas estão tão ruins?

Cristovam Buarque - Têm diversos níveis as explicações. Primeiro porque é para os pobres. No Brasil, tudo que é para o pobre é ruim e não é só educação, mas saúde, transporte público, água e esgoto. Segundo, os salários são baixos e as exigências são pequenas. O piloto, se não for preparado, é capaz de matar 200 pessoas. Por conta disso, a cada seis meses faz-se um exame para ver se ele está com saúde, para ver se ele bebe, se o coração está bom. Os professores matam a nação inteira e ninguém faz uma avaliação ao longo da sua vida profissional. E nem os sindicatos querem que se faça a avaliação. O sindicato de piloto aceita o exame de piloto. O sindicato de professor não aceita avaliação de professor. Para avaliar com resultados, tem que pagar bem, fazer concurso federal e tem que dar as condições de trabalho necessárias. O piloto é avaliado, mas o avião também. As escolas não são.

Entrevista do Sábado - O governo de Luiz Inácio Lula da Silva é avaliado por muitos como um bom governo, como pelos banqueiros. Onde o governo Lula está errando?

Cristovam Buarque - Se eu avalio o governo Lula com os outros governos da República brasileira, não digo que ele é um mau governo não. O Lula é um dos melhores presidentes que a gente já teve.

Entrevista do Sábado - Ele é um dos “menos ruins”?

Cristovam Buarque - Ele é um dos “menos ruins”. Agora todos são ruins sob o ponto de vista de um projeto nacional aglutinante socialmente, da consolidação de um desenvolvimento que assegure as mesmas chances para todos os brasileiros. A grande diferença entre Chávez (Hugo Chávez, presidente da Venezuela) e Lula é que Lula aglutinou, o Chávez dividiu com um projeto para os pobres. O Lula aglutinou cedendo aos ricos e dando algumas esmolas as pobres. Quando eu comparo Lula com o que a gente esperava dele, com as expectativas que ele criou, então aí ele é um péssimo presidente. O simples fato de comparar o Lula com os de antes, já mostra o fracasso dele. Na África do Sul, ninguém pergunta se Mandela (Nelson Mandela, presidente) foi melhor ou pior com os governos de antes. O Mandela foi o marco na História. É antes e depois dele. O Lula, eu esperava que fosse antes e depois dele, mas não é, porque é o presidente do mesmo velho ciclo brasileiro. A diferença é na cultura, da gente perceber que o pobre pode ser presidente e incompetente.

2

 

(Fotos: Terra e Agência Senado)

.
Clique na lupa e saiba tudo sobre alguns escândalos que abalaram as estruturas políticas do País.
Aqui, no Túnel do Tempo, você recorda o que de mais interessante ocorreu na política, no ano anterior.
Clique e confira as novidades e o que há de melhor na literatura, aqui na Prateleira Eletrônica.
Aqui você confere as últimas Dicas do Ucho, que traz sempre uma novidade sobre os mais variados segmentos.
Saiba quem são os parceiros do ucho.info, uma das colunas políticas mais lidas do País.
Anunciar no ucho.info é entrar em contato com milhares de leitores qualificados e formadores de opinião. Saiba mais.
© Copyright 2004-2007 - www.ucho.info - Todos os direitos reservados