Entrevista do Sábado –Por que tantos depoimentos foram repetidos?
Deputado Bispo Renato - Porque houve várias contradições entre os depoentes e estávamos querendo chegar a quem estava falando a
verdade. Especialmente o Helbert Gualberto. Percebemos que, o tempo todo, ele entrou em várias contradições e depois foi desmascarado por uma Comissão de Fiscalização [da Secretaria de Agricultura], nomeada no tempo em que lá estava. Ele sempre dizia que a Comissão de Fiscalização era responsável pela fiscalização in loco e deveria fazer o acompanhamento. Todavia, essa comissão disse que só funcionava no papel, que não fazia nada e quem era responsável pelo contrato na secretaria de Agricultura era o Helbert Gualberto. Ele tinha uma sala específica dentro da secretaria de Agricultura para atender os interesses da Construtora Gautama.
Entrevista do Sábado –O senhor disse que havia cinco previsões de indiciamento. Ele é uma delas? Quais são as outras?
Deputado Bispo Renato - Ele é uma delas. Nós ainda temos dois advogados, o Adão Ubirajara e o Julio Cavalcanti. E tem mais duas outras pessoas subordinadas a eles que só cooperaram para que as fraudes fossem executadas.
Entrevista do Sábado –Todas essas pessoas já foram ouvidas na CPI?
Deputado Bispo Renato - Já. O Júlio Cavalcanti vai ser novamente ouvido, logo no começo do ano. Porque, a nosso ver, ele prestou algumas informações que foram contraditadas pelas escutas da Polícia Federal.
Entrevista do Sábado –Por que o ex-deputado distrital Pedro Passos não foi convocado pela CPI, embora tenha sido um dos principais envolvidos no esquema de fraudes da Gautama no DF?
Deputado Bispo Renato – Ainda não. Ele está dentro daquele raciocínio de trabalho que eu disse a você. Na última etapa, com certeza, ele será ouvido.
Entrevista do Sábado –Ele é um dos possíveis indiciados?
Deputado Bispo Renato - Olha, pode ser. Mas não podemos adiantar isso porque ele foi um dos mentores da CPI da Gautama. Mas nós teremos que ouvi-lo primeiro, para que ele apresente sua defesa. Até pelo direito constitucional do contraditório.
Entrevista do Sábado –O corregedor do Distrito Federal, Roberto Giffoni, garantiu na CPI que a obra da Barragem do Rio Preto era irregular. Vários membros da Comissão de Fiscalização das obras repetiram a informação, alegando que não analisaram o pedido de licitação por falta de tempo. O senhor mesmo já declarou que "não há nada de regular nesse contrato" e que "a farsa foi desmontada". O que o relatório parcial, entregue na semana passada, diz a respeito das supostas fraudes?
Deputado Bispo Renato - Tudo aponta para que, em todo o tempo, uma completa irregularidade. A começar da própria licitação. A licitação de uma
obra grande como essa da Barragem do Rio Preto envolve duas partes. A primeira era a contratação do projeto básico e todo o levantamento topográfico, o que definiria a área a ser inundada, essa é a uma parte. A segunda era a própria obra. E tanto na contratação básica quanto na licitação da própria obra houve várias irregularidades. O que dava margem para esta obra ser superfaturada. E o que era para custar R$ 146 milhões poderia chegar a R$ 500 ou R$ 600 milhões. E ficaram abertos vários pontos no edital de licitação, para que depois fossem requisitados os aditivos contratuais e a obra fosse superfaturada.
Entrevista do Sábado –O que o "relatório do presidente", que o senhor pretende entregar, irá afirmar sobre isso?
Deputado Bispo Renato - Esse relatório parcial é o nosso relatório. É o relatório da minha equipe técnica. É o mesmo. É diferente do relatório do próprio relator, que é o deputado Brunelli (Júnior, do Democratas). O que agora estou apontando são apenas as contradições. Os depoimentos têm a ver com a obra e, também, com o envolvimento de políticos com representantes da Gautama. Por enquanto, nesse primeiro relatório, não aponto os culpados, aponto apenas as falhas.
Entrevista do Sábado –Recentemente, o senhor declarou que a comissão poderá ser convocada em janeiro por causa de "fatos novos". Isto refere-se a gravações de um dos depoentes, que teria mentido à CPI. Qual depoente? Hebert Gualberto (responsável pelos contratos entre a CPI da Gautama e o GDF)?
Deputado Bispo Renato – Não, pelo menos por enquanto. Mas a nossa equipe vai trabalhar em janeiro. Dividimos em duas etapas com uma parte nos primeiros quinze dias do mês e outra nos outros restantes. Assim, nas férias a CPI da Gautama não vai parar de trabalhar, mesmo com o recesso da Câmara Legislativa. O caso do depoente que terá de voltar é de uma terceira pessoa, que até por questão de sigilo do processo não podemos revelar o nome por enquanto. Mas a Polícia Federal, nas suas gravações, o detecta pedindo dinheiro aos empreiteiros. Ele disse para nós que nunca recebeu nada da empresa, mas depois as gravações o apontam exigindo o dinheiro.
Entrevista do Sábado –O foco da CPI tem sido os responsáveis pelo processo de licitação. Dentre os corruptores, quem a CPI irá ouvir ou indiciar nesse esquema de fraudes?
Deputado Bispo Renato - É o próximo passo. Iremos ouvir os empreiteiros não só da Gautama. Nós temos a NCA, Hidrosfera Topocart, Itafarma. Vamos ouvir várias empreiteiras.