ucho.info - O senhor acha que o governo gasta mal?
Alvaro Dias - O grande problema é que o governo arrecada muito e gasta
pessimamente. As despesas correntes do governo crescem assustadoramente. O crescimento das despesas do governo é o equivalente ao dobro do que cresce o Produto Interno Bruto (PIB). Neste período Lula (2003-2007) praticamente quadruplicou as despesas do governo com o custeio da máquina pública. É evidente que não há modelo tributário que possa satisfazer o governo, se não adotar mecanismos de controle dos gastos públicos. A redução das despesas correntes é indispensável para que se encontre espaço para redução da carga tributária.
ucho.info - A oposição é ineficaz para denunciar eventuais mazelas do governo ou o governo é extremamente eficiente no populismo?
Alvaro Dias - As duas coisas. Em determinado momento, todos sabem, principalmente o ucho.info, que defendi o impeachment do presidente Lula
em agosto de 2005, no momento em que o presidente atingiu a sua mais baixa popularidade. As razões sobravam, os elementos eram consistentes que justificavam a abertura de impeachment. Eu encaminhei em duas oportunidades, tanto em voto em separado na CPMI dos Correios e depois na CPMI dos Bingos, propondo o impeachment do presidente. Fiquei solitário na defesa da tese. Acho que foi um equívoco histórico. Nós não cumprimos o nosso dever em relação ao combate implacável à corrupção. Acabou prevalecendo dois pesos e duas medidas, porque no caso Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello) as razões justificavam, mas não eram tão soberbas como no caso Lula. O presidente se recuperou, porque faz um governo assistencialista, insistindo muito em alguns programas que oferecem benefício direto, atingindo mais da metade da população. É uma espécie de corrupção eleitoral oficializada. Há um aparelhamento do Estado com recursos públicos.
ucho.info - O senhor acredita que um terceiro mandato pode ser algo concreto?
Alvaro Dias - Não há essa possibilidade. É evidente que os áulicos, aqueles que vivem à sombra do poder se beneficiando dele, devem alimentar esse tipo de sonho. Mas é um sonho surrealista, que não tem nenhuma compatibilidade com o estágio democrático que o Brasil vive. Não há nenhuma possibilidade de superar sequer as barreiras do Senado Federal.
ucho.info - Os tucanos estão se preparando para as eleições de 2010, e aí não é somente a questão de nomes, mas de reassumir o governo?
Alvaro Dias - O partido vem realizando seminários em várias capitais
sobre vários temas que têm por objetivo reciclar a proposta partidária. Nós cometemos alguns erros na eleição passada, algumas questões não ficaram muito claras. Algumas teses não puderam ser sustentadas durante a campanha eleitoral. O partido não teve discurso adequado para o momento. Esses seminários são uma alternativa concreta que o partido está oferecendo como proposta de governo.
ucho.info - O senhor é candidato ao governo do Estado do Paraná?
Alvaro Dias - Acho cedo. Eu pretendo fazer uma avaliação daqui a um
ano e meio no estado, exatamente dentro dos parâmetros de respeito à opinião pública. O quadro político do Paraná se altera agora (2008) e naturalmente nós vamos fazer uma avaliação. Neste momento é muito cedo e passa a idéia para a população de que nós só nos preocupamos com nossos mandatos. Nos elegemos e já pensamos no próximo, isso fica mal.
ucho.info - Como o senhor avalia o governo de Roberto Requião?
Alvaro Dias - Eu prefiro não avaliar, porque eu acho que a minha missão é avaliar o governo Lula, como senador. Para avaliar o governo Requião nós temos os deputados estaduais. No primeiro mandato do governador, em função de que ele postulava a reeleição, eu até que fazia avaliações. Mas agora, como ele vai encerrar, eu creio que não tenha necessidade de fazer avaliação. Fica a juízo da própria população e àqueles que estão lá no dia-a-dia, no contato com as coisas do governo estadual.