Paulista da cidade de Quatá, o senador Alvaro Fernandes Dias (PSDB) é
um dos mais atuantes parlamentares do Congresso Nacional. Governador pelo Paraná, entre 1987 e 1991, Alvaro Dias gostaria de voltar a comandar outra vez o Estado, mas diz que esse é um assunto para depois. Por hora, acredita que sua missão é fiscalizar o governo do presidente da República. Em 2005, o senador pelo Paraná solicitou por duas vezes o impeachment de Luiz Inácio Lula da Silva, mas acabou abandonado pela própria oposição. “Fiquei solitário na defesa da tese. Acho que foi um equívoco histórico”, lamenta.
Na entrevista que concedeu na quinta-feira (06) em seu gabinete, no Senado Federal, Alvaro Dias não declinou seu voto sobre o pedido de cassação do mandato parlamentar do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de pagar a pensão de uma filha com a jornalista Mônica Veloso com dinheiro de empreiteiras. Mas deu a pista como será seu voto na sessão secreta da quarta-feira, dia 12. “Ou se preserva o parlamentar, ou nós corremos o risco de cometer uma injustiça em relação ao parlamentar para preservar a instituição”.
ucho.info - Começo com uma pergunta que todos fazem neste momento: o senhor arrisca algum placar na votação da sessão secreta que dá um veredicto no caso Renan Calheiros?
Alvaro Dias - Difícil. O que ocorreu no Conselho de Ética pode não ocorrer na votação secreta. A votação secreta é conhecida como uma atração de uma tentação à traição. Atrás da covardia de um voto secreto é evidente, fica difícil você fazer uma...
ucho.info - Não daria nem mesmo para fazer uma previsão sobre como se comportarão as bancadas do Democratas e do PSDB?
Alvaro Dias - O voto secreto impede qualquer possibilidade de avaliação sobre o comportamento das pessoas. É por isso que eu, pessoalmente, condeno o voto secreto quando se trata de julgamento de natureza ética. É claro que cria constrangimento, mas a população tem o direito de fiscalizar o seu representante. Nós estamos subtraindo esse direito da população ao mantermos o voto secreto. Por isso eu tenho receio de que uma decisão secreta possa afrontar a sociedade do que ela exige hoje.
ucho.info - Caso Renan Calheiros não seja cassado, como fica a situação dele diante dos companheiros. Já está se pensando nisso?
Alvaro Dias - O nosso partido não tratou do assunto, não estabeleceu
nenhuma estratégia. É claro que a situação do senador criará um ambiente de constrangimento em relação àqueles que atuaram mais fortemente pela sua cassação. De outro lado poderá significar uma frustração para a população, porque ela está cansada de acompanhar os escândalos de corrupção. Isso torna a população cada vez mais exigente em relação ao comportamento parlamentar, o que me leva a defender uma posição institucional e não pessoal. Deve prevalecer esse sentimento de preservar a instituição como essencial no Estado Democrático de Direito, sendo superior, evidentemente, a todos nós parlamentares.
ucho.info - Então, Renan Calheiros não só deixou a ele próprio numa encruzilhada como também a instituição do Senado?
Alvaro Dias - Eu creio que uma afronta ao desejo maior da população significará um desgaste irreparável ao Senado Federal. Diria que o Senado vai envelhecer muito. Infelizmente, a opção é essa: ou se preserva o parlamentar, ou nós corremos o risco de cometer uma injustiça em relação ao parlamentar para preservar a instituição.