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COLUNISTAS

Ipojuca Pontes
José Carlos Graça Wagner
Marcelo Kahns
Sandro Villar

 

Masp

(*) Marcelo Kahns

 

A primeira coisa a ser feita em relação ao MASP é mandar toda a atual diretoria para o espaço. Ela é a responsável pela deterioração e esculhambação do maior museu da cidade e de sua coleção sem paralelo.

Quando o arquiteto francês Jean Nouvel esteve em São Paulo, por ocasião de uma exposição com suas obras – ele é indiscutivelmente um dos grandes arquitetos do século XX – ficou horrorizado com o que estava se passando com o museu. E perguntava, indignado, porque ninguém se manifestava ou fazia algo para devolver o museu ao seu estado de antes.

Como a comunidade artística paulistana é algo saído de um conto da carochinha e os administradores da cultura local são tão inócuos e inodoros como sói ser possível em vilarejos do quinto mundo, é claro que o destino desse maravilhoso museu não poderia ser outro. Ele apenas acompanha a decadência das gentes e das instituições locais.

Não são mega exposições, nem contratações no estrangeiro, nem revista, nem nada disso que irá salvar o MASP: o que falta é pouca vergonha de todos aqueles que poderiam fazer algo por ele, a começar pelos seus responsáveis.

O legado de Lina e Pietro Bardi deveria ser retirado por inteiro do Trianon, onde está implantado e mandado para uma cidade à sua altura. Piratininga definitivamente não faz jus a uma jóia desse quilate. Os bugres que aqui se encontram merecem mais um shopping e férias em “Maiami”, que é a única coisa que entendem.

Por aqui não se evolui em matéria de cidadania ou de respeito por aqueles que tem a infelicidade de viver nesta cidade, ao contrário, aqui tudo se dissolve no ar, a começar pelas realizações dos gênios que por aqui passaram – e que foram muitos.

O MASP é um museu construído em um espaço público e que pertence aos habitantes da cidade e ao mundo inteiro – ninguém tem o direito, por ganância ou por oportunismo, de acabar com um patrimônio que é de todos.

O primeiro passo é limpar a casa, invocar os espíritos de Pietro e Lina e começar a administrar o museu com criatividade, honestidade e coragem, artigos em falta na avenida Paulista há quase uma década.

 

(*) Marcelo Kahns, 55, paulistano, é jornalista.

 

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