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(*) Marcelo Kahns
A primeira coisa a ser feita em relação ao MASP é mandar toda a atual diretoria para o espaço. Ela é a responsável pela deterioração e esculhambação do maior museu da cidade e de sua coleção sem paralelo.
Quando o arquiteto francês Jean Nouvel esteve em São Paulo, por ocasião de uma exposição com suas obras ele é indiscutivelmente um dos grandes arquitetos do século XX ficou horrorizado com o que estava se passando com o museu. E perguntava, indignado, porque ninguém se manifestava ou fazia algo para devolver o museu ao seu estado de antes.
Como a comunidade artística paulistana é algo saído de um conto da carochinha e os administradores da cultura local são tão inócuos e inodoros como sói ser possível em vilarejos do quinto mundo, é claro que o destino desse maravilhoso museu não poderia ser outro. Ele apenas acompanha a decadência das gentes e das instituições locais.
Não são mega exposições, nem contratações no estrangeiro, nem revista, nem nada disso que irá salvar o MASP: o que falta é pouca vergonha de todos aqueles que poderiam fazer algo por ele, a começar pelos seus responsáveis.
O legado de Lina e Pietro Bardi deveria ser retirado por inteiro do Trianon, onde está implantado e mandado para uma cidade à sua altura. Piratininga definitivamente não faz jus a uma jóia desse quilate. Os bugres que aqui se encontram merecem mais um shopping e férias em Maiami, que é a única coisa que entendem.
Por aqui não se evolui em matéria de cidadania ou de respeito por aqueles que tem a infelicidade de viver nesta cidade, ao contrário, aqui tudo se dissolve no ar, a começar pelas realizações dos gênios que por aqui passaram e que foram muitos.
O MASP é um museu construído em um espaço público e que pertence aos habitantes da cidade e ao mundo inteiro ninguém tem o direito, por ganância ou por oportunismo, de acabar com um patrimônio que é de todos.
O primeiro passo é limpar a casa, invocar os espíritos de Pietro e Lina e começar a administrar o museu com criatividade, honestidade e coragem, artigos em falta na avenida Paulista há quase uma década.
(*) Marcelo Kahns, 55, paulistano, é jornalista.
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