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ano 4 - número 910 - quarta-feira, 6 de julho de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Mesmo sendo casto como gelo e puro como a neve, ninguém está livre da calúnia.

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Cortando as asas
Acusado de ser o operador do chamado Mensalão, o publicitário Marcos Valério, dono das agências SMP&B e DNA, depõe hoje na CPMI dos Correios, protegido por um habeas corpus concedido pela ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal. Pressionado e visivelmente abalado, Marcos Valério tem mantido conversas ásperas com integrantes da alta cúpula petista, a quem tem manifestado interesse de deixar o Brasil juntamente com a família. Assim, não será novidade, durante a audiência na CPI dos Correios, se parlamentares solicitarem o passaporte do publicitário.

Tudo combinado?
A entrevista com Fernanda Karina Somaggio, em que a ex-secretária de Marcos Valério discorre sobre o envolvimento do publicitário mineiro com o líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba, estaria pronta há mais de quinze dias. Borba, que por acertos partidários indicou o nome de Paulo Lustosa para o Ministério das Comunicações, viu suas ambições políticas ruírem com a veiculação da entrevista pela Rede Globo. O indicado pelo presidente Lula para substituir o peemedebista Eunício Oliveira é o senador Hélio Costa, do PMDB mineiro, ex-funcionário da Vênus Platinada. Mas são apenas coincidências.

Fio trocado
Não é de hoje, José Genoíno, ainda presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, se auto-intitula regimentalista. Considerando-se que regimentalista é aquele que segue o regimento de maneira ortodoxa, e tal vernáculo significa um conjunto de normas impostas ou consentidas, assinar um contrato de empréstimo bancário em branco, no valor de pouco mais de R$ 2,5 milhões, ciente de que não há dinheiro para honrar o compromisso, não é atitude de quem segue qualquer tipo de regimento, por mais espúrio que seja tal conjunto de obrigações. Assim, resta concluir que ou Genoíno é incompetente, ou comunga no regimento de Delúbio Soares e Marcos Valério.

Norte magnético
Tão culpado quanto aqueles que com tranqüilidade e firmeza acusa, Roberto Jefferson se transformou em uma espécie de bússola do presidente Lula no quesito demissões. Após receber o apoio do presidente Lula, que declarou que a Jefferson entregaria um cheque assinado e em branco, o deputado fluminenses pautou as principais demissões e afastamentos da corte luliana. A primeira vítima foi José Dirceu, que inesperadamente deixou a Casa Civil. Na seqüência caíram os diretores de Furnas, o tesoureiro e o secretário-geral do PT, Delúbio Soares e Silvio Pereira, respectivamente. Ainda ontem, Jefferson patrocinou o afastamento do deputado federal José Borba da liderança do PMDB na Câmara, além de ter oferecido a Marcos Valério a maior e mais ardente fogueira que se tem notícia. Mesmo sem apresentar provas de qualquer natureza, Jefferson dá sinais de que goza da confiança do presidente Lula, pois Walfrido dos Mares Guia, integrante do PTB, continua como ministro do Turismo.

Fora do tom
Submetendo-se a aulas de canto desde abril de 2004, o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) é muito mais afinado quando denuncia, mesmo que na maioria das vezes não exiba provas documentais. Entrevistado pelo apresentador Jô Soares, Jefferson, ao final da entrevista, tentou, sem muito sucesso, entoar a música Nervos de Aço, de Lupicínio Rodrigues, causadora indireta do corte que ostenta no lado esquerdo da face. Durante a entrevista, Roberto Jefferson declarou o que noticiamos anteriormente. O caso do mensalão ou qualquer outra prática de corrupção no governo Lula está diretamente ligada ao brutal e indecifrável assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Piada de encomenda
O Banco Rural publica hoje nota nos principais jornais brasileiros, tentando justificar o envolvimento da instituição nos escândalos de corrupção que brotam do governo Lula. De acordo com a nota, a responsabilidade pelo relacionamento de Marcos Valério com o Rural coube a José Augusto Dumont, falecido em abril de 2004 e até então principal executivo do banco. O conteúdo pífio e comprometedor da nota e a participação histórica do Rural em escândalos governamentais (Collor, Banestado e Delúbio-Valério) podem levar a instituição ao descrédito, quiçá à bancarrota. E mais: bailarina clássica por vocação e atual presidente do Banco Rural, Kátia Rabello deve ser convocada nos próximos dias para depor na CPMI dos Correios.

Até na terrinha
Senador pelo Mato Grosso do Sul e presidente da CPMI dos Correios, o petista Delcídio Amaral, que tem desagradado ao Palácio do Planalto e ao próprio PT, parece estar vivendo momentos de vedetismo explícito. Não bastasse sua página eletrônica oficial (www.delcidio.com.br), o senador sul-mato-grossense criou o site direcionado à CPMI dos Correios, o www.cpmidoscorreios.org.br. Aproveitando a sigla do Partido dos Trabalhadores (PT), Delcidio registrou, também, o domínio www.delcidio.com.pt, em Portugal. A página dedicada à Comissão Parlamentar e a com extensão “pt” estão registradas sob a responsabilidade de José Eduardo Marzagão, sendo que a primeira é de propriedade de uma organização de nome Instituto Morada dos Azulejos, com sede em Brasília. Aos senadores é vedada a propriedade de qualquer tipo de negócio no exterior, desde que não seja declarado ao Senado. Mesmo que virtual, um domínio da rede mundial de computadores é considerado propriedade e pode levar o senador Delcídio Amaral a certos constrangimentos.

Fim da farra
O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) apresenta hoje requerimento para suspender os pagamentos à agência SMP&B e a imediata revisão do contrato de publicidade com a Câmara dos Deputados. A suspeita maior recai sobre as ligações entre o publicitário Marcos Valério e Luiz Costa Pinto, assessor de imprensa do ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), em cuja gestão ocorreu um dos maiores gastos com publicidade da história do parlamento brasileiro. Até onde se sabe, a Câmara dos Deputados não precisa, em hipótese alguma, de qualquer tipo de divulgação, especialmente quando parlamentares vendem os mandatos conquistados nas urnas para governo ineficientes. E João Paulo Cunha já engrossa a lista dos que devem ser cassados.

Caneta amiga
Nos corredores da Câmara o comentário é um só. A nota oficial atribuída ao deputado José Borba (PR), líder do PMDB na Câmara, teria sido escrita por seu amigo de fé e irmão camarada José Janene, deputado federal pelo PP paranaense. Se Janene realmente funcionou como ghost writer de Borba, alguns de seus vícios redacionais foram facilmente identificados. O que despertou a atenção dos intrigantes de plantão foi o uso do vernáculo numerário.

Família Metralha
Há dias, em Brasília, durante reunião na liderança de um partido político que integra a base de apoio ao governo Lula, um parlamentar, na tentativa de acalmar seus pares, disparou: fiquem tranqüilos, pois minha família é especializada, há quatrocentos anos, em roubar caravanas. Os ouvintes, já assustados com a onda de caça às bruxas que invadiu o Congresso Nacional, ficaram na dúvida entre rir e chorar.

Chumbo trocado
Sumido depois que deixou a Casa Civil, o novamente deputado José Dirceu (PT-SP) tem se movimentado nos bastidores para, segundo alguns parlamentares, dar o troco naqueles que arquitetaram sua derrocada. O caso da empresa Globalprev, que acabou tendo cancelado um contrato com o fundo de pensão da Petrobras, estaria sendo atribuído ao ex-comissário palaciano. Até 2002, a rebatizada Globalprev ostentava o nome Gushiken e Associados. Os ex-sócios do ministro Luiz Gushiken preferiram não comentar o caso. Com ou sem comentários, o fato é que se Gushiken derrubou Dirceu, este pode tranqüilamente ejetar o samurai do Palácio do Planalto. E mais: José Dirceu deve ser um dos principais alvos da CPI dos Bingos, podendo, inclusive, ter seu mandato cassado.

Pente fino
Na homeopática onda de escândalos que tomou conta da capital federal, novos imbróglios devem surgir nos próximos dias. Deputados da oposição já se movimentam para descobrir quem financiou o almoço que o presidente Lula ofereceu a jornalistas, em Brasília, em 2004. Na mesma linha de raciocínio, a ida de vários políticos a Belo Horizonte, no dia 2 de junho de 2004, quando a seleção brasileira enfrentou arqui-rival Argentina, deverá ser investigada. À época, o competente jornalista Jorge Kajuru criticou a maciça presença de políticos na partida, o que lhe custou o afastamento imediato do programa Esporte Total e, dias depois, sua demissão da TV Bandeirantes.

Coisa de doido
Abusar do sensacionalismo faz parte da cultura política brasileira. Derrotada consecutiva e vergonhosamente pelos traficantes cariocas, a polícia do Rio poderá contar, em breve, com uma torre de vinte metros de altura, que será instalada no a Ilha dos Macacos, no Complexo da Maré. A idéia é permitir aos PM's a possibilidade de monitorar as favelas de cima para baixo, o que até então vinha sendo realizado no sentido inverso. Para reforçar a construção que consumirá R$ 200 mil, as autoridades envolvidas na chamada Segurança Pública decidiram construir um muro de dois metros de altura ao redor da torre. Como se uma mureta qualquer intimidasse bandidos que contam, inclusive, com lançadores de torpedos. Coisas fantasiosas do governo do casal Molequinho, quer dizer, Garotinho.

Socorro, socorro!
Ainda a insegurança... Na madrugada de domingo para segunda, uma viatura da Polícia Militar paulista foi acionada às pressas para atender um chamado na região dos Jardins, zona nobre da capital paulista. Os policiais, acompanhados do reclamante, foram obrigados a solucionar o latido excessivo do cachorro do vizinho. Como se a Paulicéia Desvairada fosse um oásis incrustado no universo da insegurança, uma viatura policial se presta a dirimir entreveros de vizinhos. A não ser que o governador Geraldo Alckmin tenha dito que a polícia paulista deve ser boa pra cachorro.

Fábula às avessas
Pensando bem, o Brasil descobriu no meio dos ratos um Borba que não é o gato.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

O presidente Lula continua ignorando as estripulias do PMDB. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do País

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "As chiques e interesseiras entranhas da hipocrisia" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Nós, os filhos da mãe" - por Ucho Haddad

Q.I.: "Há um golpe no céu do Brasil" - por Petrônio Souza Gonçalves

Tribuna Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Namoro de encomenda
A mais nova especulação do Congresso tem a sucessão paulistana como alvo principal. Depois que o PT percebeu que a reeleição de Marta Suplicy não era favas contadas, optou por saber o motivo e descobriu que o mais incômodo ingrediente do alto índice de rejeição da prefeita ainda reside na separação do senador Eduardo Suplicy. Exercendo um conservadorismo que lhe é peculiar, a população paulistana não digeriu o novo casamento da prefeita, tratando, pelo menos no pensamento, Eduardo Suplicy como coitadinho. A partir de então, o PT pressionou para que Suplicy colocasse nas ruas o seu romance com Mônica Dallari, com o claro objetivo de minimizar a rejeição da alcaidessa paulistana, ao passar a imagem de que o senador petista se ajeitou emocionalmente. E o tiro saiu pela culatra. Mônica Dallari não quer saber de excesso de exposição e muito menos quer ser usada durante a campanha. (06/07/04)

Editora Senac São Paulo

Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

Dica do Ucho

Tudo da Lua – Em tempos de instabilidades políticas é comum dizer que os representantes do povo andam no mundo da Lua. Antes de achincalhar a dignidade do satélite natural da Terra, o melhor é conhecer um pouco mais sobre o astro que tanto encanta e curiosidade desperta. Designer de reconhecida notoriedade, Mari Pini, filha do saudoso Aldo Pini – criador da editora que levou o nome da família – decidiu que a Lua seria o seu segundo mundo. Visitar o site Tudo da Lua é parada obrigatória para aqueles que querem aprender um pouco sobre as coisas que acontecem no reino de São Jorge e seu folclórico dragão. www.tudodalua.com.br

CPI Neles

Clique na imagem e confira as últimas notícias e informações das Comissões Parlamentares de Inquérito

www.cpineles.com.br

Vox Libre

Clique na foto e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol

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