| Bando de malucos
Como se trabalhasse a ponto de ter patrocinado uma sensível e radical mudança no Brasil, a trupe palaciana parte para mais uma das conhecidas compras. De acordo com o processo de licitação número 00140.000178/2005-79, o gabinete presidencial será recheado com R$ 292.985,18 de material de papelaria. Da modesta lista de 114 itens constam 150 apontadores de lápis, 2.200 borrachas, 26.500 canetas esferográficas, 6.000 lápis preto, 200 lápis borracha, 2.900 caixas de clipes, 400 tubos de cola do tipo Super Bonder, 3.850 tubos de cola, 300 estiletes, 660 grampeadores e 9.800 pilhas alcalinas. E você, meu caro leitor, comece a economizar um pouco do seu suado e rico dinheirinho para comprar o material escolar do seu filho, em 2006.
Fingindo de morto
Quando de seu depoimento à CPMI dos Correios, Maurício Marinho disse com todas as letras que vários políticos se beneficiavam com as agências franqueadas. Para quem conhece o submundo do negócio postal, imediatamente conclui que implícito estava nas palavras de Marinho o nome do deputado distrital Gim Argello (foto), que desde março deste ano integra os quadros do PTB de Roberto Jefferson. Ex-presidente da Assembléia Distrital de Brasília, Argello começou a turbinar seu patrimônio pessoal quando emplacou sua primeira agência franqueada dos Correios, em Taquatinga. Tempos depois, Gim Argello partiu para sua segunda agência postal, desta vez no Setor Comercial Sul de Brasília, região que muitos já apelidaram de filé. Os mimos foram conseguidos graças à alma caridosa e desinteressada de Jânio Pohren, que assumiu a presidência da estatal depois que o vídeo da propina veio à tona. (Foto: Zuleika de Souza - Correio Braziliense)
Raposa no galinheiro
Guindado à presidência dos Correios por indicação do ministro das Comunicações, Jânio Pohren contou por mais de quinze anos com a ajuda de Fernando Godoy, que sempre exerceu a função de adjunto do atual presidente da instituição. O mais intrigante é que o ministro Eunício Oliveira acabou indicando alguém que teve como estafeta um dos acusados no escândalo dos Correios e que está sendo investigado pela CPMI. De acordo com as declarações de Maurício Marinho, Godoy faria parte do esquema de corrupção da estatal. Interessante, para não dizer estranho.
Truque do bom
Se os deputados e senadores que integram a CPMI dos Correios querem mesmo chegar às últimas conseqüências, bom seria se alguém explicasse como funciona o esquema das máquinas de franquear, que quase sempre à sextas-feiras apresentam defeitos. Por conta de uma assistência técnica que só aparece no início da semana, a diretoria dos Correios sempre autoriza que o franqueado abra a máquina e quebre o lacre, o que faz com que o equipamento funcione sem nenhum controle. Há quem garanta que o esquema é estratosfericamente lucrativo, pois é o mesmo que emitir papel moeda sem controle. E se os parlamentares não souberem quem convocar para as devidas explicações, Gim Argello, Fernando Godoy e Jânio Pohren podem ajudar. Ou será que não?
Fogueira de Ciccilla
Faltando poucos dias para deixar o comando da Procuradoria Geral da República, o procurador Cláudio Fonteles pediu a quebra do sigilo bancário do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (foto). É preciso lembrar que Fonteles, meses atrás, fez uma rápida viagem ao arquipélago de Cayman, de onde trouxe alguns documentos. Há pouco mais de um mês, Henrique Meirelles manteve um encontro semi-secreto em uma churrascaria de Brasília, ocasião em que trocou confidências negociais com o emissário de um conhecido banqueiro. A coluna teve acesso aos documentos relativos ao imbróglio que envolve o presidente do BC, e dizer que se trata de um barril de nitroglicerina é um elogio de coroinha de igreja. (Foto: Terra)
Fio desencapado
O desgaste da saída de José Dirceu do governo não apenas abalou as relações entre o agora deputado petista e o presidente Lula, mas fez com que o ex-ocupante da Casa Civil refletisse sobre a eleição de 2006. Para amigos mais íntimos José Dirceu tem dito, com certa insistência, que o presidente está fora da realidade, sendo quase impossível sua reeleição. Ora, se o dono da bola já acha que o jogo está praticamente perdido, o melhor a se fazer é sentar e esperar. A não ser que Lula venha com uma reviravolta no melhor estilo Hugo Chávez, certo de que o brasileiro está pronto para receber a notícia que Fidel Castro foi clonado. Tem cheiro de rum no ar!
Olho da rua
Um dos mais respeitados juristas do País, que já freqüentou com intimidade as mais estritas esferas do poder, revelou que nessa confusão que domina o governo Lula, a cassação do deputado José Dirceu é tão inevitável quanto irreversível. Como antecipou a coluna, um grupo de parlamentares estava reunido no momento do discurso de despedida do então ministro-chefe da Casa Civil, tratando exatamente deste assunto. Ao editor revelaram que o pedido estava praticamente pronto, faltando apenas alguns detalhes para a formalização. Ou seja, o último mandato de José Dirceu pode acabar se transformando em um cometa ou, até mesmo, em uma estrela cadente. Vem aí, o Cometa Pedro Caroço!
Saia justa
No último sábado, o presidente do PT, José Genoíno, e o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), almoçavam na churrascaria Montana Grill, em São Paulo. Um pouco acabrunhados por conta da enxurrada de denúncias, Genoíno e Chinaglia (foto) evitaram se expor, mas foram pegos de surpresa no momento em que deixavam o local. Ao verem os petistas, dois ousados clientes do restaurante resolveram gritar olha o mensalão. Chinaglia e Genoíno foram tirar satisfações, mas foram convidados a se juntar aos indignados. Visivelmente transtornado, Arlindo Chinaglia começou a questionar um dos clientes, o qual prontamente lhe disse: se tem alguém aqui que deve responder alguma coisa é o senhor. Pode começar. Genoíno e o deputado começaram, então, a desfiar um rosário de balelas, sem convencer. O que ficou claro para os clientes, leitores da coluna, é que o medo de ambos era que o olha o mensalão tomasse conta da churrascaria. (Foto: Diário do Comércio)
Nababo populista
Longe de ser um representante do povo e presidir um partido político como tal, José Genoíno, já na porta do restaurante, conversava com Arlindo Chinaglia enquanto seu veículo não chegava. Finda a conversa, Genoíno embarcou em um veículo blindado com motorista. Ora, se o PT nada deve e os petistas não têm porque temer, carro blindado é um brutal desperdício de dinheiro. Do contrário, é porque a culpa no cartório é maior do que muitos imaginam. Olha o mensalão!
Orelha em pé
A arapongagem planaltina parece estar vivendo momentos de glória, se é que assim pode ser rotulado o período brasiliense de escutas clandestinas. O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) solicitou uma varredura telefônica em seu gabinete. Eleito pela décima primeira vez como um dos melhores e mais atuantes parlamentares do Congresso Nacional, Hauly tem sido uma espécie de pedra no sapato do Palácio do Planalto. Pode até parecer estranho que tal situação ocorra em plena democracia, mas, no início do governo Lula, um graduado assessor palaciano que serviu na Casa Civil não se fez de rogado para, sob o efeito daquela água que pássaro não bebe, dizer que grampeava políticos a mando do chefe.
Todos juntos
Depois que seu assessor, João Carlos Genú, foi acusado de ser um dos operadores do polêmico mensalão, o deputado José Janene (PP-PR), líder do partido na Câmara, passou a fazer parte do time de políticos que está na linha de tiro. Nome fácil e freqüente nas denúncias de Roberto Jefferson, Janene corre um sério risco de ser banido da vida política por alguns longos anos. O parlamentar paranaense estaria dizendo nos bastidores do poder, a quem quiser ouvir, que se ele rodar, o presidente Lula vai junto. Ou seja, o discurso de que Lula não sabia do mensalão pode ser mais uma história da Carochinha.
Cardápio indigesto
Quem, dia desses, participou de um jantar na Granja do Canguiri, residência oficial nas cercanias de Curitiba, saiu de lá para a farmácia à procura de medicamento para azia política. Depois de camarões e vinhos argentinos, os convidados de Roberto Requião – Paulo Bernardo, Jorge Sameck e Natálio Stica, entre outros - foram obrigados a ouvir um programa de rádio de quinta, que o governador paranaense exibia com certa dose de orgulho. O programete trazia uma pesquisa eleitoral de encomenda, onde o nome de Requião aparecia com larga vantagem para a eleição de 2006, sem que o nome de alguns dos convidados fosse citado uma única vez. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o diretor de Itaipu, Jorge Sameck, pré-candidatos ao governo do Paraná, saíram do encontro enfurecidos, com azia política para dar e vender.

Prato frio
Presos pela Operação Cevada da Polícia Federal, sob a acusação de sonegação fiscal, os donos da cervejaria Schincariol estão emocionalmente abalados, segundo informações de uma fonte ligada à família. O constrangimento a que foram submetidos foi tamanho, que muitos dos que integram o clã de cervejeiros já pensam em dar o troco na concorrência, que nos bastidores está sendo acusada de ter bancado a operação policial. E a vingança será vender o complexo Schincariol, com marca e tudo, para um concorrente internacional e de peso. Levando-se em conta que para o governo Lula sonegar é crime e dá cadeia antes da condenação, os donos de uma certa emissora de televisão já deveriam estar contemplando o nascer do sol geometricamente diferente, poi snão recolhem o Fundo de Garantia descontado dos funcionários. E agora, presidente, qual é a desculpa?
Boa idéia?
Tendo o jornalista ianque Larry Rohter, que escreveu sobre os goles extras do presidente Lula, como fonte de inspiração, o Planalto decidiu que as estripulias tributárias do setor de bebidas alcoólicas poderiam render fatos positivos para um governo tão negativo. No rastro da Operação Cevada, que centrou suas ações na Schincariol, a Polícia Federal estaria programando uma ação semelhante contra uma das maiores fabricantes de aguardente do país, localizada no interior paulista. Há quem diga que a contagem regressiva está em andamento, e que o número de partida foi 51.
Bota mais uma
Pensando bem, depois que os bebericos presidenciais viraram notícia, prender dono de alambique é auto-flagelo.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Como estaria vivendo a família do sub-tenente Alcir José Tomasi, morto enquanto fazia a escolta de Sandro Luiz, filho de Lula? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do País



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"As chiques e interesseiras entranhas da hipocrisia"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós, os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"Há um golpe no céu do Brasil" -
por Petrônio Souza Gonçalves
Tribuna
Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
O que é isso companheiro?
Noticiado por esta coluna com exclusividade e antecedência, o caso da liberação de R$ 1 milhão ao hospital de José Alcindo Gil, amigo do ministro José Dirceu desde os tempos da ditadura, acabou ganhando as páginas do jornal Folha de São Paulo. O principal e mais escandaloso detalhe da operação de favorecimento acabou sendo esquecido. A entidade que administra o hospital e beneficiária da verba, foi criada no dia 31 de dezembro de 2003, sendo que a liberação aconteceu no dia 30, ou seja, um dia antes de estar legalmente constituída. No mínimo é um prato cheio para o Ministério Público. (28/06/04)


Vox Libre

Clique na foto e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol


Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br


Dica do Ucho
Tudo da Lua – Em tempos de instabilidades políticas é comum dizer que os representantes do povo andam no mundo da Lua. Antes de achincalhar a dignidade do satélite natural da Terra, o melhor é conhecer um pouco mais sobre o astro que tanto encanta e curiosidade desperta. Designer de reconhecida notoriedade, Mari Pini, filha do saudoso Aldo Pini – criador da editora que levou o nome da família – decidiu que a Lua seria o seu segundo mundo. Visitar o site Tudo da Lua é parada obrigatória para aqueles que querem aprender um pouco sobre as coisas que acontecem no reino de São Jorge e seu folclórico dragão. www.tudodalua.com.br


CPI Neles
Clique na imagem e confira as últimas notícias e informações das Comissões Parlamentares de Inquérito

www.cpineles.com.br
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