| Cartão vermelho
A demissão do ministro José Dirceu, tida como certa desde as denúncias proferidas por Roberto Jefferson e anunciada no início da noite desta quinta-feira, é, além de uma enorme dose de alívio ao povo brasileiro, o resultado imediato de uma conspiração política que teve em Luiz Gushiken o seu nascedouro. Abusando do proselitismo, como sempre, Dirceu disse que deixa a Casa Civil de cabeça em pé, mas não é assim que adversários e analistas políticos interpretam a situação Para muitos, José Dirceu deixa o Palácio do Planalto pela mesma porta que utilizará para regressar à Câmara dos Deputados. A dos fundos.
Cruz credo
A arrogância do ex-ministro e agora deputado José Dirceu não causou surpresa alguma. Dirceu disse, em determinado ponto de seu discurso de despedida, em “meu governo” e mais à frente em vou continuar governando. Suas palavras mostraram de forma clara e inquestionável quem efetivamente mandava no País, a ponto de o presidente Lula não ter comparecido à cerimônia do adeus. Para o seu lugar alguns nomes estão contados dentro do próprio Partido dos Trabalhadores, como o de João Paulo Cunha (PT-SP), Marcelo Deda (prefeito de Aracaju) e Jorge Vianna (governador do Acre). Por fora e com grandes chances de ser o novo chefe da Casa Civil está o ministro Márcio Thomas Bastos, ministro da Justiça.
De corpo e alma
Durante longos meses ouviu-se falar que José Dirceu era a alma do governo Lula. Anunciada sua demissão, é possível concluir que o governo Lula a partir de agora ficará inanimado. Por outro lado, não se pode esquecer que durante anos José Dirceu reiterou que Lula era a emoção do PT, enquanto ele (Dirceu) era a emoção. Ora, se a razão foi embora, é porque o governo Lula será, daqui por diante, irracional, o que em hipótese alguma significa que até agora não tenha sido. Traduzindo, ou José Dirceu é desvairado, ou Lula foi até então um fantoche na mão de Dirceu.
Sob encomenda
Há quem garanta, com enorme dose de certeza, que nos mais imperceptíveis detalhes é que se encontram as verdades da vida. Ciente da eficiência da tese em questão, o Palácio do Planalto não perdeu tempo e tratou de minimizar sua difícil situação na Câmara, especialmente nas comissões que há dias se ocupam das denúncias de Roberto Jefferson. Na quarta-feira, Lula convidou o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), presidente da Comissão de Ética da Câmara, para participar da cerimônia de assinatura da MP do Bem, no Palácio do Planalto, sentando-se na primeira fila. Ontem, na cerimônia de lançamento do Fundo Nacional da Habitação, Lula contou com a presença do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, que esteve o tempo todo ao lado de Jorge Mattoso, presidente da Caixa.
Armação ilimitada
Tendo detectado que o calcanhar de Aquiles da reeleição do presidente Lula está, por incrível que pareça, em São Paulo, o Palácio do Planalto já se antecipou e contratou profissionais renomados para reverter a situação. Os artífices do impossível, sob o comando do samurai Luiz Gushiken, são Ivan Guimarães e Santa Rosa (Petrobras), além de uma agência de propaganda americana com filial no Brasil, contratada para executar as criações da tríade.
Fica devendo
Um dia antes do anúncio da demissão de José Dirceu, o presidente do PT, José Genoíno, disse não haver problemas no fato de integrantes do partido contatarem empresários, pois os encontros serviam para discutir política e não para realizar negócios. Se for verdade o que Genoíno afirma, José Dirceu deixa a Casa Civil sem explicar os motivos que levaram o empresário Carlos Augusto Montenegro (leia-se Ibope) a lhe pedir ajuda. No dia em que uma cópia da carta da Casa Civil ao empresário Montenegro aterrissou na Comissão de Defesa do Consumidor, os parlamentares petistas pareciam cair do céu e pedir para que o documento, atualmente em posse do editor, não fosse apresentado. Clique e confira detalhes do documento.
Passando chapéu
No meio da maior crise política do governo do PT, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, disse nos bastidores que a governabilidade que o presidente Lula tanto busca passa obrigatoriamente pela participação do PMDB no governo. Lula tem prometido, sem cumprir, uma maior participação do PMDB, mas desde 2004 tem ficado apenas e tão somente na promessa. Agora, com a crise instalada e a necessidade premente de encontrar uma saída honrosa para José Dirceu, é provável que Lula atenda aos interesses do PMDB.
Colchão de faquir
Ainda o PMDB... É importante considerar que 2006 é um ano eleitoral e que qualquer partido político só aceitaria ingressar em um governo problemático, no âmbito político e administrativo, apenas se tivesse nas mangas uma solução milagrosa. Do contrário, seria um suicídio político, pois a credibilidade do presidente Lula, em queda há muito tempo, não é endosso para aqueles que ensejam a reeleição. A não ser que uma maior participação no governo seja para fazer caixa, única e exclusivamente.
Vingança maligna
Cansado de esperar as promessas de Lula se transformarem em realidade, o senador José Sarney (PMDB-AP) achou por bem se afastar da linha de tiro em que se transformou o imbróglio protagonizado por Roberto Jefferson. O senador amapaense, que na verdade vive no Maranhão, viajou para o exterior, não sem antes deixar um recado ambicioso ao presidente Lula. Sarney, ainda magoado com a não entrega de um ministério à filha Roseana, quer, agora, irrisórios oito ministérios.
Tudo combinado
A chapa branca que o Palácio do Planalto impôs à CPMI dos Correios pode acabar custando caro. A oposição já se articula para convocar para depor o especialista em informática Haroldo Jacobowski. Curitibano, Jacobowski deixou a capital paranaense para viver em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na mesma época em que Antonio Palocci Filho administrava a cidade. Tendo assessorado o atual ministro da Fazenda na prefeitura de Ribeirão, Jacobowski saiu da chamada Califórnia Brasileira para se dedicar à informatização das prefeituras do PT pelo Brasil afora. Para complicar ainda mais, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apresentou requerimento à CPMI dos Correios para convocar o ex-assessor Waldomiro Diniz.
Dois em um
Dois conhecidos representantes da política cearense preferiram a distância durante as turbulências brasilienses, patrocinadas pelas acusações de Roberto Jefferson. Tasso Jereissati, senador pelo PSDB, e Ciro Gomes, ministro da Integração Nacional, estiveram viajaram para o exterior, a exemplo do que fez o ex-presidente Sarney, que preferiu sair do quase permanente estado de evidência. Tasso esteve em Paris, onde acompanhou a viúva de Roberto Marinho, Lilly Marinho, em uma homenagem, enquanto Ciro Gomes voava para a terra do Tio Sam. Tasso pretendia esticar o final de semana na Cidade Luz, mas foi chamado às pressas à Brasília pela cúpula do tucanato . Mesmo em continentes opostos, Tasso Jereissati e Ciro Gomes estão unidos em um único propósito. Pelo pífio desempenho de Lúcio Alcântara à frente do governo do ceará, ambos, Tasso e Ciro, querem ver Patrícia Gomes governadora.
Absolutamente precisa
Muito antes de deixar o Brasil estupefato com sua eloqüência centrada e cristalina – o que não significa que tenha proferido apenas verdades – o deputado Roberto Jefferson foi analisado durante o seu calvário pela psicanalista Anna Verônica Mautner, que, mesmo à distância e sem conhecê-lo, conseguiu decifrar o enigma de tanta segurança em seu depoimento. Anna Verônica relata toda a sua impressão no artigo JEFFERSON E SUA RESPIRAÇÃO, que pode ser conferido no Taste, página eletrônica comandada pelo jornalista Marcelo Kahns, um dos últimos redutos da cultura refinada deste nosso Brasil. Clique e confira o artigo da psicanalista Anna Verônica Mautner.

Fora de hora
O oportunismo político muitas vezes ultrapassa os limites do bom senso. Ocupando o horário político que tem direito, o PSDB invadiu as telinhas e desfilou todas as proezas dos tucanos que sonham em enfrentar o presidente Lula em 2006. De Aécio Neves a Tasso Jereissati, passando pelo governador Geraldo Alckmin, foi um verdadeiro show de soluções, que nem sempre saem do papel. Alckmin, a exemplo dos concorrentes, não se fez de rogado e mostrou seus acertos, horas depois do assassinato de um comerciante da capital paulista, baleado à porta da própria casa. A vítima, para azar do governador, residia exatamente ao lado da casa do delegado-geral de São Paulo, Marco Antonio Desgualdo. Governador, ao que se sabe, Vossa Excelência foi eleita sob a égide da promessa de solucionar os problemas do estado, e não para bravatear aos quatro cantos, de olho em 2006.
Deu a louca
A rebelião ocorrida esta semana no presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, foi, segundo as autoridades do governo, resultado de um desacerto interno entre os presos. O que se sabe é que o movimento tinha como objetivo a fuga de alguns dos mais perigosos criminosos do País, que planejavam resgatar diversos presos recolhidos ao presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, também em São Paulo. No plano da bandidagem constava como meta prioritária a libertação de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e do seqüestrador chileno Mauricio Hérnandez Norambuena, responsável maior pelo seqüestro do publicitário Washington Olivetto. Com uma carga tributária no mínimo escorchante, a diuturna articulação de facções criminosas dentro dos presídios é um tapa na cara do Brasil. Com a palavra o governador Geraldo Alckmin e o secretário de Administração Penitenciária Nagashi Furukawa.
Ter ou não ter
Pensando bem, se o governo Lula ficou inanimado, é porque o desalmado decidiu partir.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Benedita da Silva, ex-ministra de Lula, não saiu em defesa do companheiro. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós, os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Mais uma vez
Quando do imbróglio envolvendo a custódia prisional do mega-traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) garantiu que o governo construiria, em tempo recorde, cinco presídios federais em algumas unidades da federação. Passado mais de um ano, um tijolo sequer foi comprado. Agora, diante da escalada da violência e do aumento da insolubilidade carcerária, Thomaz Bastos requentou o discurso do passado e garantiu que o governo Lula vai construir seis presídios federais. Por isso, caro leitor, puxe a cadeira e sente-se. (17/06/04)


Vox Libre

Clique na foto e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol


Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br


Dica do Ucho
Tudo da Lua – Em tempos de instabilidades políticas é comum dizer que os representantes do povo andam no mundo da Lua. Antes de achincalhar a dignidade do satélite natural da Terra, o melhor é conhecer um pouco mais sobre o astro que tanto encanta e curiosidade desperta. Designer de reconhecida notoriedade, Mari Pini, filha do saudoso Aldo Pini – criador da editora que levou o nome da família – decidiu que a Lua seria o seu segundo mundo. Visitar o site Tudo da Lua é parada obrigatória para aqueles que querem aprender um pouco sobre as coisas que acontecem no reino de São Jorge e seu folclórico dragão. www.tudodalua.com.br

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