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uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 899 - quinta-feira, 16 de junho de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Nas asas do tempo, a tristeza voa.

Jean de La Fontaine

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Mais um
Preso por envolvimento no assassinato do jornalista Tim Lopes (foto), o traficante Cláudio Orlando do Nascimento, o Ratinho, foi condenado pela Justiça fluminense a vinte e três anos e seis meses de prisão em regime fechado. Ratinho, em parceria com outros comparsas, agiu sob o comando do também traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco. No trajeto entre a delegacia e o presídio de Bangu I, por ocasião de sua prisão, Ratinho, com a sordidez que lhe é peculiar, disse que teve o prazer de acender um cigarro nas cinzas dos restos da vítima. O bando de Elias Maluco não apenas interrompeu a vida de um jornalista, mas matou um ser humano sem precedentes, que vivia dentro de um dos maiores repórteres investigativos do País. Executou o Arcanjo que vivia dentro do Tim, e o Tim que brotou de dentro do Arcanjo. Interrompeu-lhe a vida, mas não ceifou o seu ideal. (Foto: impunidad.com)

Seguindo a pegada
Autoridades policiais já descobriram os nomes dos mandantes e dos operadores dos grampos telefônicos que atingem diretamente o editor da coluna. Sob o manto da probidade, os Sherlocks tupiniquins são monitorados diuturnamente pela polícia, sendo uma mera questão de tempo a deflagração de uma ação policial à altura. Integrantes do Ministério Público também acompanham o caso, mas quando os nomes dos envolvidos vierem à tona, o Brasil certamente saberá quem é quem nesse País.

Pelo ralo
Para convencer a opinião pública que tudo o que falam do governo Lula é uma enorme mentira, o Palácio do Planalto optou por bravatear por todos os cantos. Emissoras de rádio e televisão estão sendo entupidas com propagandas oficiais, a exemplo do que ocorre com o material publicitário do BNDES. O banco comandado por Guido Mantega tem anunciado em veículos nada segmentados, induzindo o já despreparado contribuinte a erro. Quem ouve que as taxas do BNDES são as menores do País e que o cartão do banco permite contrair empréstimos para pagamento em até três anos para pagar, logo sai procurando uma agência da instituição. Resumindo, o governo Lula está torrando o dinheiro público, para fazer do cidadão um verdadeiro cachorro faminto que baba diante das convidativas máquinas de assar frango, normalmente colocadas à porta de uma padaria qualquer. Pobre Brasil!

Enganação palaciana
Como se nada tivesse acontecido durante a audiência na Comissão de Ética da Câmara, o presidente Lula deu seguimento à sua agenda, participando de cerimônia no Palácio do Planalto, onde assinou o que chamou de MP do bem. Na verdade, trata-se mais uma Medida Provisória que irá atravancar a pauta do legislativo, composta de sete medidas de desoneração tributária e que beneficia principalmente o setor produtivo brasileiro. Depois do bombástico depoimento de Roberto Jefferson, o presidente Lula vai participar até de festa de batizado.

Magdas políticas
Passadas as primeiras horas depois da hecatombe discursiva do deputado Roberto Jefferson, a política brasileira acordou de ressaca, mas cautelosa. Presidenciáveis como Geraldo Alckmin, César Maia, José Serra, Anthony Garotinho, Aécio Neves e até mesmo FHC preferiram o ostracismo a qualquer crítica mais apimentada na direção do PT palaciano. Mesmo que o presidente Lula tenha sido poupado nas declarações de Jefferson, seus possíveis adversários temem retaliações futuras, especialmente porque estão à frente de estados e municípios que apresentam as mais distintas e numerosas mazelas. O Imperador do Rio, César Maia, é a prova viva de que o silêncio é a melhor receita. Ou seja, na política, quem tem, tem medo.

Tudo de novo
Por mais que Roberto Jefferson tenha falado ao povo brasileiro, e não à Comissão de Ética, é preciso considerar que o parlamentar está entre a cruz e a caldeira. Dúvidas não existem sobre a necessidade de se passar o Brasil a limpo, mas o parlamento brasileiro não irá se sacrificar para salvar a pele de Jefferson. O fato de deputados serem movidos a mesadas espúrias pode ter reflexos inimagináveis nas eleições de 2006. A história tem mostrado que, a cada quatro anos, metade do contingente da Câmara se renova nas urnas. Ciente de que o combustível parlamentar é o dinheiro sujo, o eleitor pode acabar renovando muito mais. O melhor é esperar.

Passando a régua
Ao ratificar o conteúdo das entrevistas concedidas à competente jornalista Renata Loprete, da Folha de São Paulo, Roberto Jefferson colocou na linha de tiro, em posição de destaque, o PP e o PL. Eleito para a presidência da Câmara como a terceira via das inúmeras candidaturas que existiam à época, Severino Cavalcanti sequer comentou o assunto de seu partido, o PP, ter sido jogado no mar de lama de Jefferson. Severino deve inúmeras explicações à sociedade, pois foi com o dinheiro público que o parlamentar cruzou o Brasil a bordo de aviões oficiais, ganhando fama e notoriedade da noite para o dia. Por outro lado, é de se estranhar o silêncio interesseiro do vice-presidente José Alencar, espécie de cangalha do Partido Liberal.

Sumiu por quê?
Se os integrantes da CPMI dos Correios ou do Mensalão optarem por um aprofundamento das investigações, vai acontecer o que o presidente Lula disse dias atrás: não sobrará pedra sobre pedra. Muitos dos parlamentares que freqüentemente surgiam na mídia, agora adotam um modelo comportamental low profile, como se o eleitor acreditasse que cada um deles é uma ode à humildade e à devoção patriótica. Assim, caso não prevaleça o corporativismo durante os trabalhos das CPI's, como aconteceu na do Banestado, desnecessária será a realização da tal reforma política, pois o povo saberá fazê-la nas urnas, logo em 2006.

Chapa branca
Em uma atitude prudente, por conta da suposta culpa que tem, mas escandalosa no que tange o espírito democrático, o Palácio do Planalto conseguiu dominar a CPMI dos Correios, indicando o presidente, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). É bom lembrar que, até semanas atrás, Serraglio era candidato a ocupar uma vaga de ministro no Tribunal de Contas da União, tendo contado com o apoio do ministro José Dirceu em sua campanha. Para se aliar a Dirceu a empreitada, Osmar Serraglio assumiu o compromisso de transferir a José Carlos Becker de Oliveira, o Zeca do Dirceu, prefeito e Cruzeiro do Oeste, toda a sua base eleitoral. Por outro lado, há quem garanta que Serraglio pode acabar se transformando no Benito Gama do presidente Lula.

Pé-de-cabra
A Operação Cevada da Polícia Federal, que prendeu vários executivos da cervejaria Schincariol, resultou de uma longa e intrincada investigação, onde os proprietários da empresa são acusados de sonegar pouco mais de R$ 1 bilhão nos últimos anos, de acordo com informações judiciais. Nas operações de busca, a PF encontrou um documento absolutamente comprometedor, em que um empresário do setor de comunicação tentava extorquir R$ 1 milhão dos donos da empresa. Deflagrada no momento em que o governo Lula passa por uma séria crise política e de credibilidade, a operação pode fazer parte da agenda positiva que o Planalto tanto insiste em falar.

Efeito cascata
Ainda vivendo os reflexos do depoimento prestado á Comissão de Ética da Câmara, o deputado Roberto Jefferson tem recebido as mais diversas manifestações. Ontem, no gabinete de Roberto Jefferson, chegou um fax de um eleitor do Mato Grosso do Sul que, após se identificar com todos os números de documentos, disse estar disposto a revelar na Câmara dos Deputados os detalhes do mensalão pago pelo governador Zeca do PT, do Mato Grosso do Sul. E agora?

Culpado da vez
Como os mensalões estão em voga nos corredores do Congresso Nacional, a quarta-feira foi dedicada às mais variadas especulações sobre o assunto. No meio da tarde, surgiu a informação de que o próximo escândalo de mensalões estaria diretamente ligado ao governador de fato do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Outro político que já começa a sofrer com o tema é ninguém menos que Roberto Requião. Resumindo, o brasileiro ainda vai chegar à conclusão de que a maioria dos políticos ditos geniais não passa de um bando de bons pagadores.

Família unida
Quem, por um acidente de percurso, acabar visitando o Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense, não deve se assustar com o clima familiar que reina por lá. Demasiadamente probo quando está no palanque e com microfone em punho, o governador Roberto Requião acaba de nomear mais um parente para assumir um cargo em seu governo. Trata-se de Danielle de Mello e Silva, sua sobrinha, diretora financeira da Secretaria de Estado da Saúde. Fingindo desconhecer o estrito significado da palavra nepotismo, Requião já empregou no governo dois sobrinhos, três irmãos, a esposa e um primo, além de uma caravana de apadrinhados.

Machado na mão
Em mais uma ação de combate à extração e comercialização de madeira ilegal, a polícia do Paraná prendeu seis caminhões com madeira retirada da fazenda da Araupel. No local, os policiais encontraram uma enorme quantidade de madeira já cortada por invasores do MST, suficiente para lotar uma centena de carretas. Enquanto isso, a ministra Marina silva se preocupa em desenvolver factóides ambientalistas, como os parques de reserva ambiental que serão criados no interior do Paraná.

Pólos opostos
Pensando bem, se Garotinho se enveredou pelo mensalão, será a primeira vez que o “inho” se entende politicamente com o “ão”.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Muitos dos ministros do governo Lula estão inexplicavelmente calados. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Nós, os filhos da mãe" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Morrendo na praia
Durante a sua participação na 11ª Unctad, ontem, o presidente Lula lembrou que, juntamente com Jacques Chirac, Ricardo Lagos e Kofi Annan, criou um grupo de trabalho que busca soluções de financiamento para o combate à fome. Uma das propostas defendidas pelo presidente Lula é a taxação de operações financeiras realizadas em paraísos fiscais. O presidente sabe que sua proposta beira o inviável, uma vez que obrigaria seria necessária uma série de mudanças nas legislações de países que vivem exclusivamente do setor financeiro. Mesmo assim, Lula quer criar o purgatório fiscal. (16/06/04)

Vox Libre

Clique na foto e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol

Editora Senac São Paulo

Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

Dica do Ucho

Tudo da Lua – Em tempos de instabilidades políticas é comum dizer que os representantes do povo andam no mundo da Lua. Antes de achincalhar a dignidade do satélite natural da Terra, o melhor é conhecer um pouco mais sobre o astro que tanto encanta e curiosidade desperta. Designer de reconhecida notoriedade, Mari Pini, filha do saudoso Aldo Pini – criador da editora que levou o nome da família – decidiu que a Lua seria o seu segundo mundo. Visitar o site Tudo da Lua é parada obrigatória para aqueles que querem aprender um pouco sobre as coisas que acontecem no reino de São Jorge e seu folclórico dragão. www.tudodalua.com.br

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