| Balão de ensaio
Depois de se render à instalação da CPI dos Correios, o que vai obrigar o PT e o Palácio do Planalto às mais esdrúxulas e bisonhas manobras no Congresso, o presidente Lula defendeu a reforma política, dizendo que em no máximo quarenta e cinco dias um projeto sobre o assunto estará sendo encaminhado ao Congresso. Trata-se de uma cortina de fumaça protagonizada pela equipe palaciana, pois falar em reforma política quando o País está tomado por denúncias de corrupção é uma falta de sensibilidade sem precedentes ou, quem sabe, um oportunismo descarado. Diante de toda a lama que emergiu dos bastidores do poder, o melhor a se fazer é defender uma reforma da política.
Pulando fora
Durante entrevista coletiva na sede do PT, em São Paulo, o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, acusado de ser o responsável pelo pagamento do mensalão , enfrentou por várias vezes momentos difíceis, no melhor estilo saia justa. A insistência condimentada de alguns jornalistas, que vez por outra cobravam com veemência as respostas não dadas, obrigou o presidente do PT, José Genoíno, a suspender a coletiva repentinamente, para que o plano traçado pelo partido não desmoronasse. Ora, se o Palácio do Planalto e o PT dizem não temer uma CPI, algum motivo maior existe para não enfrentar uma entrevista coletiva. Resumindo, só mesmo Roberto Jefferson deve saber.
Anjo de ocasião
Logo de início, Delúbio Soares abusou de algumas frases de efeito, na tentativa de confundir ainda mais o já complicado imbróglio do mensalão . No rastro das palavras do deputado Waldemar Costa Neto (PL-SP), que falou em chantagem por parte de Roberto Jefferson, os petistas presentes à coletiva de imprensa não pensaram muito e embarcaram na tese do presidente do PL. No contraponto, o mesmo Waldemar Costa Neto declarou, ontem, que integrantes da cúpula do PL conversaram com petistas palacianos sobre uma ajuda financeira ao partido. Mas, segundo o parlamentar paulista, não existiu nenhum pagamento depois do acerto. Inocente é aquele que imaginou que logo o presidente do PL admitiria o propinoduto planaltino.
Fio trocado
Delúbio Soares, que reclamou do excesso de exposição proporcionado pelas notícias publicadas na imprensa, disse, em certo momento, que o PT não se rende e não se vende. De fato o tesoureiro petista tem razão, pois o Partido dos Trabalhadores não se vende. Simplesmente compra, para depois negar que comprou. E mais: quando se vende, não se entrega.
O próximo, por favor
É verdade que as denúncias de corrupção nos Correios devem ser investigadas a fundo, mas outros órgãos do governo não podem passar impunes. A Eletronuclear, por exemplo, cujo presidente é Flávio Martinez – irmão do finado manda-chuva do PTB -, aparece na lista de clientes da corretora de seguros Assurê, de propriedade Henrique Brandão, citado no escândalo dos Correios. E mais: a Eletronuclear teria contratado, a mando de Martinez, um polpudo seguro com a intermediação da Assurê. Coisas que só os doutos representantes do povo fazem, mas não são capazes de explicar.
Mister Z
Aparentemente controlado, Delúbio Soares mais parecia um monumento à probidade durante suas declarações, na sede do PT. Se o PT, como o próprio Delúbio afirmou, não se rende e não se vende, alguém deveria explicar os motivos que levaram o tesoureiro do PT a suplicar para que um correligionário não incomodasse o empreiteiro Zuleido Soares Veras, o Mister Z. Assíduo freqüentador dos escaninhos do poder, Zuleido Veras já serviu de cala-boca em acaloradas discussões verbais no Senado, especialmente entre Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros. Certa feita, ACM interrompeu um discurso do senador alagoano, lembrando-o que quem bem conhecia sua vida (a de Renan) era Zuleido Veras. E como se mágica fosse, Renan Calheiros optou por misterioso silêncio. No mínimo estranho esse tal Mister Z.
Missa encomendada
No submundo freqüentado pela turma de Guttenberg volta a circular, com certa insistência, a possibilidade de uma conhecida revista semanal de economia e negócios produzir matéria difamatória contra o editor da coluna, como forma de intimidação por notícias verdadeiras aqui publicadas. É preciso lembrar que, mesmo existindo a tentativa de ressuscitar a censura que imperou nos anos de chumbo, nada impedirá a livre manifestação do pensamento, garantida no artigo 5º da Constituição federal. De mais a mais, causa espécie o fato de os que se sentem ofendidos e vilipendiados por matérias jornalísticas tidas como levianas, adotarem medidas idênticas apenas para servir seus senhores.
Ponto de bala
O editor da coluna espera o andamento das CPI's que irão investigar as denúncias de corrupção no governo Lula, para ser chamado a depor em alguma das comissões. Um explosivo documento, que já está nas mãos de autoridades de grosso calibre, pode, sem dúvida alguma, colocar o País de pernas para o ar. Na reviravolta, pelos ares irão notáveis e importantes figuras da área econômica do governo, além de banqueiros e profissionais de comunicação. Tudo porque decidiram fazer um truque de arrepiar, como se todos fossem angelicais coroinhas de igreja. Os poucos que tiveram acesso ao documento garantem que nem mesmo São Daniel seria capaz de um milagre.
Faxina geral
Senador pelo PMDB gaúcho, Pedro Simon está certo de que o presidente Lula deveria, no atual momento de crise, promover um choque ético, demitindo imediatamente todos aqueles que apresentam alguma dúvida ética. O discurso de Pedro Simon tinha um endereço certo, na verdade, dois. O senador pede a demissão de Romero Jucá, ministro da Previdência, e de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. No que tange a Henrique Meirelles, demiti-lo, por bem ou por mal, não exige esforço tão hercúleo. Basta que alguém decida revelar o conteúdo da conversa que pautou um almoço em uma churrascaria de Brasília. E se o assunto vier à tona como manda o figurino, não restará pedra sobre pedra.
Maior abandonado
Candidato a permanecer na reitoria da Universidade Federal do Paraná e sonhando com a carreira política – assunto que aprendeu com Ângelo Vanhoni -, Carlos Moreira vai para a campanha pela reeleição com as asas quebradas. No melhor estilo Don Juan, Moreira compareceu a um encontro de reitores de universidades, em Brasília, acompanhado por uma fogosa e estridente amiga. Certo de que tudo estava sob controle, o reitor jamais imaginou ser flagrado pela matriz , enquanto se refestelava com a filial , em um hotel da capital federal. Ao retornar a Curitiba, Carlos Moreira teve uma enorme e desagradável surpresa. A garrafa de vinho que regou a festa de Baco, em Brasília, estava vazia e embalada em um saco plástico, para proteger as impressões digitais. De quebra, foi obrigado a ouvir os urros desejosos da companheira, no equipamento de som da própria casa. Findo o vexame, fez as malinhas e saiu.
Fim da farra
Se aprovado Projeto de Lei de autoria do deputado Wladimir Moka (PMDB-MS), os usuários de telefones celulares poderão cancelar os contratos com as operadoras em casos de roubo, furto ou extravio do respectivo aparelho. A proposta de Moka prevê que ao assinante não caberá nenhuma despesa decorrente do cancelamento, sendo que os débitos referentes ao contrato serão automaticamente quitados. Nos planos de fidelização, são fornecidos aparelhos a preços irrisórios, mas, quando ocorre o furto do equipamento, o consumidor é obrigado a continuar pagando à prestadora a assinatura mensal do serviço, declarou o deputado Wladimir Moka.
Dinheiro a rodo
Enquanto o brasileiro peleja para sobreviver, a Caixa Econômica Federal torra o dinheiro do contribuinte em patrocínios irresponsáveis. Para se ter uma idéia, a Caixa, sob as ordens do presidente Jorge Mattoso – faz parte da quota de Marta Suplicy -, liberou a bagatela de R$ 301.872,45 para financiar apresentações de Sá, Rodrix e Guarabira, no Paraná. Não se pode contestar o talento dos três, mas financiar shows com dinheiro público, enquanto muitos brasileiros morrem de fome ou dormem ao relento ou sob pontes, é um típico caso de polícia. A não ser que seja este o modus operandi de um governo popular, que acredita piamente na tese medieval do pão e circo. Enfim...
Uso exclusivo
Encerrados os devaneios elegantes por conta da inauguração das novas instalações da Daslu, butique paulistana freqüentada por descolados e poderosos de todos os tons, a verdade começa a surgir. No final de semana, quando os clientes têm mais tempo disponível, a bandidagem fez a festa nos arredores da butique, o que já era de se esperar. Clientes que estacionaram o carro um pouco distante do local, foram obrigados a voltar de carona em carros blindados, tamanha era a desenvoltura dos criminosos que agem na região. Ou seja, as cercanias da Daslu só foi um local seguro durante a visita do governador Geraldo Alckmin.
Dinheiro volátil
Continua o impasse sobre a renúncia do presidente boliviano, Carlos Mesa, que pela segunda vez em pouco mais de três meses tenta deixar o governo. A Bolívia está economicamente parada, por conta das manifestações populares, o que certamente causará prejuízos ao Brasil. A Petrobras, que investiu verdadeira fortuna no setor de gás, pode, dependendo de quem vier a substituir Mesa, enfrentar problemas para recuperar o investimento. O brasileiro, que já se acostumou às andanças benevolentes do presidente Lula, pode ir se preparando para mais um possível prejuízo.
Querubins barrocos
Pensando bem, depois de meses atacando com o mensalão, os petistas concluíram que a melhor defesa é o ataque.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
As denúncias contra o ministro Romero Jucá adormeceram a mando de alguém. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós, os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Carta marcada
A agência de turismo Perfil, que certamente irá abocanhar a conta do ministério do Turismo, tem muito mais motivos para vencer qualquer concorrência em tal ministério do que a vã filosofia imagina. Um dos proprietários da quase vencedora agência seria ninguém menos que um reconhecido, mas calado, ministro, que em um passado recente era cliente contumaz de garotas de programa. Ora, se os mares do turismo também estão enlameados, é bom que alguém nos sirva de guia. (09/06/04)


Vox Libre

Clique na foto e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol


Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

Dica do Ucho
Tudo da Lua – Em tempos de instabilidades políticas é comum dizer que os representantes do povo andam no mundo da Lua. Antes de achincalhar a dignidade do satélite natural da Terra, o melhor é conhecer um pouco mais sobre o astro que tanto encanta e curiosidade desperta. Designer de reconhecida notoriedade, Mari Pini, filha do saudoso Aldo Pini – criador da editora que levou o nome da família – decidiu que a Lua seria o seu segundo mundo. Visitar o site Tudo da Lua é parada obrigatória para aqueles que querem aprender um pouco sobre as coisas que acontecem no reino de São Jorge e seu folclórico dragão. www.tudodalua.com.br

|