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ano 4 - número 892 - terça-feira, 07 de junho de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Cada um é ortodoxo a respeito de si mesmo.

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Rastilho de pólvora
De efeito continuado e explosivo, as declarações do deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente nacional do PTB, tomaram conta das conversas política no dia de ontem. Acusado pelo parlamentar, o PT negou de forma nada convincente as acusações, prometendo, inclusive, ir à Justiça se necessário. O presidente do partido, José Genoíno, que pode neste episódio ter decretado o fim de sua carreira política, irritou-se ao ser perguntado se, a exemplo do presidente Lula, não choraria por conta das denúncias. Longe dos microfones, Genoíno disse, visivelmente irritado, que o fato de Lula ter chorado ao saber do mensalão é mais uma intriga da oposição. É preciso lembrar a José Genoíno que Lula é um chorão compulsivo, tendo derramado lágrimas desde que chegou ao Planalto. E mais: quando da cerimônia de sua diplomação, Lula foi obrigado a pedir dois lenços emprestados, tamanha foi sua choradeira.

Começo do fim
O clima que impera no reino de Dom Lula I é tão triste e degradante, que até mesmo alguns ministros do Supremo Tribunal Federal já admitem que um processo de impeachment é jurídica e perfeitamente viável. Por outro lado, causa espécie o fato de a oposição, que tenta faturar politicamente com o imbróglio, nada ter feito até agora em relação a uma mobilização popular. Como antecipação responsável dos fatos sempre foi um dos pilares desta coluna, fica, desde já, convocada uma reedição do movimento que, ao tomar as ruas, ajudou a sacar Fernando Collor do poder. Vem aí os Caras Pintadas, a Missão!

Implosão palaciana
Quando as denúncias de Roberto Jefferson atingiram as estruturas petistas e palacianas, o PT começou o revide com o discurso da falta de decoro parlamentar. Para os petistas, se Roberto Jefferson não provar o que declarou, um pedido de cassação de seu mandato é inevitável. Porém, os mesmos petistas não admitem, nem mesmo em sonho, a hipótese de tudo o que foi dito ser verdade, além de passível de comprovação, o que exigiria do Congresso um profundo corte na própria carne, cassando os mandatos de todos os parlamentares que receberam o mensalão do governo do presidente Lula. No contraponto, é preciso descobrir de onde saiu tanto dinheiro para sustentar um grupo de vendilhões que, diante de câmeras e microfones posam de vestais e dizem defender os interesses do povo brasileiro. Com uma mesada extra de R$ 30 mil, resta saber que povo esses doutos senhores representam.

Salvando a pele
Poupar o presidente Lula no meio do tiroteio político é uma tentativa de garantir que o PT palaciano não perderá o status que conquistou dentro do universo da esquerda mundial. Para tal o PT alega que o presidente Lula desconhecia a prática do mensalão , o que não deixa de ser uma enorme e deslavada verdade. Lula não apenas foi informado pelo deputado Roberto Jefferson, como soube do assunto através de denúncias do governador de Goiás, Marconi Perillo, e pelo ex-ministro das Comunicações e deputado federal Miro Teixeira. Para o ex-ministro, que deixou o governo Lula em meio à primeira crise ministerial, muito mais podridão existe nos corredores do poder, o que poderia levá-lo a ser interpelado judicialmente por não ter comunicado o fato às autoridades.

Omissão traiçoeira
Igual postura teve o ministro Ciro Gomes (Integração Nacional), que disse ter ouvido do deputado Roberto Jefferson as denúncias que ora ganham expressão, mas não levou o assunto ao conhecimento do presidente Lula por achar as denúncias inconsistentes. Dizer que uma reles suspeita não pode convergir para medidas drásticas e irreversíveis é uma balela sem precedentes, pois o então deputado federal André Luiz foi cassado por valores muito menores e por suspeitas. Foi a palavra de um contra outro, reforçadas por um laudo pericial do competente foneticista Ricardo Molina. No contraponto, o filho do Atleta do Século, Pelé, foi preso apenas porque as autoridades policiais reuniram suspeitas de seu suposto envolvimento com traficantes. Na democracia, até onde se sabe, todos, sem distinção de qualquer natureza, são literalmente iguais perante a lei.

Emprego garantido
Como se nada estivesse acontecendo em seu d'ouro reino, o presidente Lula participou, ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, do lançamento de um programa de crédito que vai financiar máquinas de costura para as mulheres que fazem da linha e da tesoura o seu ganha pão. Chega a ser um ato de irresponsabilidade um cidadão esperar algo consistente de um governante que faz do financiamento de uma máquina de costura um fato positivo, torrando verdadeira fortuna em um evento sem expressão alguma. A não ser que as costureiras do Lula vão prestar serviços à butique Daslu, que obteve um empréstimo do BNDES de R$ 30 milhões, ou se serão contratadas para costurar embornais para Delúbio Soares, o tesoureiro petista. Para quem não se lembra, Delúbio, ao acertar a compra de uma fazenda em Goiás, disse ao antigo proprietário que o pagamento seria feito em dinheiro vivo. No dia da finalização do negócio, o caixa-forte do PT apareceu carregando um embornal recheado de dinheiro. Em um país minimamente sério, a Receita Federal já teria entrado em ação.

Milagres oportunistas
Todo escândalo de grandes proporções sempre desvia a atenção da opinião pública, beneficiando, direta ou indiretamente, os que estão na linha de tiro de imbróglios de menor expressão. Verdade ou não, o fato é que a negociata que supostamente transferiu à Telecom Itália o controle da Brasil Telecom conquistou um rápido e passageiro ostracismo. Há quem diga, inclusive, que as preces foram tão grandes e consistentes que, sensibilizado, São Daniel decidiu atender aos pedidos dos fiéis. Assim, espera-se uma enorme romaria no templo de São Daniel, o padroeiro das Ilhas Cayman e protetor dos mágicos e ilusionistas de plantão.

Água sanitária
Se, a exemplo do que disse o ex-ministro Miro Teixeira, a podridão que impera no governo Lula é muito maior, alguma explicação deve existir para o silêncio contínuo do comissário José Dirceu. Ministro-chefe da Casa Civil, Dirceu garantiu, com todas as letras, que falaria sobre o caso Waldomiro Diniz em no máximo trinta dias. Um ano depois, José Dirceu sequer abriu a boca para comentar o assunto. Por outro lado, a amizade de Dirceu com o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, redundou em uma carta endereçada à Casa Civil, onde o empresário das pesquisas de opinião pedia ao amigo para que intercedesse para manter a cirurgia gramatical ocorrida no artigo 1.361 do Novo Código Civil. A ilegal e escandalosa mudança no texto do artigo, que segundo informações obtidas pela coluna custou muito dinheiro, tem proporcionado aos bancos e ao próprio Montenegro a possibilidade de amealhar diuturnamente verdadeiras fortunas, tiradas ilegalmente do bolso do consumidor. Antes que o governo Lula acabe, bom seria que alguém tomasse uma providência e exigisse de José Dirceu e Carlos Augusto Montenegro alguma explicação.

Operação do contra
A indústria de dossiês, que normalmente ressuscita em períodos eleitorais, parece que despertou muito antes do esperado. Os escândalos atuais, que fragilizam um sem fim de candidatos, colocou em alerta a arapongagem tupiniquim, que ainda vivia sob as expensas do que foi arrecadado nas últimas eleições municipais. Muitos possíveis candidatos aos mais distintos cargos eletivos estão sendo monitorados ininterruptamente, alvo das armadilhas eletrônicas mais diversas. Há dias, o editor da coluna teve acesso a uma farta e oficiosa documentação que coloca na linha de tiro um dos mais expressivos representantes do meio empresarial. E por falar em dossiê, Silvio Pereira e Delúbio Soares devem uma explicação sobre os motivos que levaram alguns ilustres companheiros a querer pagar até US$ 600 mil por um dossiê contra José Serra, à época da sucessão paulistana. Não é que Serra tenha vocações canônicas, muito pelo contrário, mas os petistas não saem às ruas em batinas.

Garoto-propaganda
A badalação irresponsável em que se transformou o início das operações da nova sede da Daslu contou, inclusive, com a presença do governador paulista, Geraldo Alckmin, que foi ao local para prestigiar a filha Sophia, funcionária do templo de consumo de descolados e poderosos. Alckmin está sendo enredado em uma estratégia de marketing que nem de longe coaduna com suas pretensões políticas, além de contrariar todo o discurso populista que a maioria dos políticos tem. Ter ido à inauguração poderá render ao governador paulista alguns dissabores políticos, principalmente se sua presença no evento for explorada politicamente. Alckmin, ao que se sabe, foi eleito para comandar o maior e mais rico estado brasileiro e não para atuar como mestre de cerimônias de loja de Laurinhas.

Mugido forte
Pode até parecer uma desnecessária redundância, mas uma vaca acabou sendo o pomo da discórdia em uma churrascaria da capital paulista. Arrematada por R$ 400 mil em um leilão, a vaca, que fazia parte do plantel do empresário Jonas Barcelos, foi parar nas mãos da família Iglesias, controladora dos reconhecidos e inigualáveis restaurantes Rubayat. Os sócios dos Iglesias no Figueira Rubayat – uma das mais badaladas churrascarias da Paulicéia Desvairada – continuam não apenas sem entender as razões da compra, mas aguardando soluções imediatas para pendências financeiras de lado a lado. Ou seja, o boi, que depois de sacrificado vê a própria carne virar de vaca, perdeu mais um lugar para o exemplar feminino da raça. Em outras palavras, tem vaca na linha.

Atenção, gravando!
O mais novo truque do mundo dos negócios passa irresponsavelmente pela seara dos CDs, DVDs e fitas VHS. Apresentando, nos últimos tempos, movimento muito acima do normal, o setor anda desatento em relação aos detalhes das quase imperceptíveis fusões e aquisições. Os grandes estúdios de cinema, que têm no Brasil seus braços operacionais, podem cair na esparrela de uma empresa espanhola que, aos brados, tem anunciado investimentos milionários na fabricação de DVDs regraváveis, o que coloca em situação crítica as empresas duplicadoras de VHS. O fato é que ainda existem instalados no país mais de 29 milhões de aparelhos de VHS, a conhecida fita de vídeo, e os pára-quedistas empresariais que despencam na Zona Franca de Manaus querem esquecer o assunto e sair atrás de incentivos. Em outras palavras, se os espanhóis querem ver o seu vídeo-cassete no lixo, é porque muito antes alguém será obrigado a assistir um filme de terror.

Simplesmente deplorável
A Tam, que pretensamente sempre abusou da tese do politicamente correto, agora se vale da condição de um funcionário portador de necessidades especiais para driblar as quase intermináveis filas dos bancos. Na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde as principais companhias aéreas brasileiras mantêm postos avançados de atendimento, a Tam tem em seu quadro de funcionários um simpático e bem quisto portador de necessidades especiais, que não apenas conquistou a simpatia de todos que freqüentam a Casa legislativa, como é senhor de uma competência pouco reconhecida pela empresa. A Tam, que deveria deixar o funcionário exercitar os seus conhecimentos de turismo em outro departamento da companhia, utiliza-o como fator de agilização no pagamento de suas contas na agência do Banco do Brasil localizada na Câmara. É preciso lembrar que o portador de necessidades especiais é o funcionário e não a Tam, a qual, quando algo de especial necessita, sempre recorre ao comissário José Dirceu. E se a companhia negar o fato, um séqüito de testemunhas já se dispôs a testemunhar a favor da coluna.

Pelos ares
Ainda a insana aviação brasileira... A Gol, comandada pela família Constantino, opta pela incongruência na aplicação das normas e procedimentos. Ao embarcar, o passageiro não pode, em hipótese alguma, levar a bordo uma bagagem pesando mais de oito quilos, mas apenas duas de quatro. Tão bisonho e tacanho preciosismo cai por terra quando a empresa permite o embarque de um menor sem a companhia do. Ou seja, você, meu caro leitor, se optar pela Gol, saiba que sua sensação será sempre de estar na marca do pênalti.

Sonho de consumo
Pensando bem, se os ícones consumistas de Collor foram as gravatas Hermes e os relógios Breitilling, os de Itamar o Fusca e o pão de queijo, os de FHC os vinhos na fazenda Córrego da Ponte, os de Lula só podem ser o mensalão e o embornal. E o primeiro bem guardado dentro do segundo, claro!

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

O presidente Lula, diante de um escândalo, chora como se roubalheiras fosses dignas de lágrimas. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Nós, os filhos da mãe" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Mais uma vez
Vítima do patrulhamento ideológico das autoridades, o jornalista esportivo Jorge Kajuru acabou sendo sacado da programação da Rede Bandeirantes, depois que comentou, corretamente, o fato de milhares de políticos e autoridades terem sido convidados para assistir ao jogo entre as seleções do Brasil e da Argentina, no Mineirão, em Belo Horizonte. Gente, nunca vi tanto carro de autoridade chegando ao Mineirão. São quase 10 mil convidados do Brasil inteiro, naturalmente com ingresso garantido. E o povo? O povo só teve acesso a 42 mil ingressos, caríssimos , disse o jornalista durante transmissão ao vivo de Belo Horizonte. Depois do intervalo, Kajuru foi substituído por outro apresentador. É preciso lembrar que a Bandeirantes é uma ávida candidata ao empréstimo que será liberado pelo BNDES, batizado de Proer da mídia. (07/06/04)

Vox Libre

Clique na foto e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol

Editora Senac São Paulo

Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

Dica do Ucho

Tudo da Lua – Em tempos de instabilidades políticas é comum dizer que os representantes do povo andam no mundo da Lua. Antes de achincalhar a dignidade do satélite natural da Terra, o melhor é conhecer um pouco mais sobre o astro que tanto encanta e curiosidade desperta. Designer de reconhecida notoriedade, Mari Pini, filha do saudoso Aldo Pini – criador da editora que levou o nome da família – decidiu que a Lua seria o seu segundo mundo. Visitar o site Tudo da Lua é parada obrigatória para aqueles que querem aprender um pouco sobre as coisas que acontecem no reino de São Jorge e seu folclórico dragão. www.tudodalua.com.br

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