| Quem
te viu
Alguma coisa acontece nos domínios lulianos.
Dando seqüência às esdrúxulas e inexplicáveis
compras palacianas, o gabinete do presidente Lula desta vez
decidiu inovar nas aquisições. O processo de licitação
nº 00140.000088/2005-88 vai rechear o Palácio do
Planalto com 38 novos aparelhos de ar condicionado, a um custo
total de R$ 91.180,00. Outro processo irá entupir o gabinete
de Lula com 23 camas do tipo beliche. Querer justificar as compras
parece quase impossível, da mesma maneira que injustificável
é o fato de muitos brasileiros dormirem na rua e som
um calor insuportável. Com a palavra o presidente do
povo, o Doutor Honoris Causa Luiz Inácio Lula da Silva.
Parada
dura
A queda do ritmo de crescimento da economia e a correspondente
redução de emprego devem pautar os discursos oposicionistas
daqui por diante. Depois de prometer, durante a campanha presidencial,
a criação de dez milhões de novos postos
de trabalho, o presidente Lula se enveredou pelo discurso que
a economia brasileira decolava, pela primeira vez, para um vôo
de águia, enquanto os mais céticos apostavam em
vôo de galinha, como forma de profetizar o que ora experimentam
os brasileiros. Se o escândalo dos Correios pode não
proporcionar ao governo Lula os mesmo ares que antecederam o
impeachment de Fernando Collor, a fragilidade da economia brasileira
pode do presidente uma espécie de versão avermelhada
de José Sarney. Socorro!
Sem
lenço
Protestando diante do Palácio do Planalto por melhores
salários para os maridos, as esposas dos militares foram
impedidas de continuar a manifestação pela segurança
presidencial. Os truculentos integrantes da tropa que garante
a integridade do presidente Lula entraram em ação
tão logo o grupo de mulheres se aproximou do espelho
d`água que circunda o Planalto. As esposas dos militares
pretendiam conversar com o presidente Lula ou algum de seus
representantes, mas o sonho acabou virando um frustrante pesadelo.
E o senador Paulo Octávio (PFL-DF), que entupiu as barracas
do acampamento montado pela esposas dos militares com material
político, sequer deu as caras. Assim, resta concluir
que nem mesmo as pregações evangélicas
da igreja Sara Nossa Terra têm surtido efeito imediato
no pensamento do senador.
Vingança
maligna
Inconformado com a decisão do senador Eduardo Suplicy,
que assinou o requerimento para a criação da CPI
dos Correios, o presidente Lula determinou que sua tropa de
choque no Congresso provoque uma verdadeira imolação
do parlamentar paulista. Lula, que interpretou o ato de Suplicy
como traição, pode acabar experimentando mais
um tiro pela culatra. Suplicy goza de muito prestígio
junto aos eleitores, cuja maioria não se encontra nas
hostes petistas, mas na elite paulistana que quer, de alguma
maneira, contestar o sistema. Agindo assim, o presidente Lula
estará contribuindo com a reeleição de
Eduardo Suplicy, que já auferiu lucros com as puladas
de cerca da ex-mulher. Ou seja, nem toda dor de cabeça
significa prejuízo imediato.
Cigarrinho
do capeta
O ministro Gilberto Gil, que teria acertado em cheio se continuasse
apenas cantando, pode ser a mais nova pedra no sapato do governo
Lula. Depois de muito espernear por falta de verba, Gil, que
promete mais do que cumpre, declarou que deixou de usar maconha
aos cinqüenta anos de idade. Para minimizar as conseqüências
da declaração de Gil, o Planalto colocou o ministro
Humberto Costa (Saúde) em campo, que defendeu a descriminalização
dos usuários da droga, mas não a sua legalização.
Costa, para salvar a própria pele, disse que diferentemente
do ministro Gilberto Gil, nunca fez uso de qualquer tipo de
droga. O que teria sido desnecessário, pois não
existe vício maior do que transformar a Saúde
em uma droga incontestável e lutar para permanecer no
cargo.
Pelos
ares
Faltando pouco mais de um ano para a disputa presidencial, os
adversários do presidente Lula começam a se mexer
nos bastidores, com especial atenção para a reanimação
dos escândalos que marcaram a passagem petista pelo poder.
Entre os assuntos que maior interesse despertam estão
o caso Celso Daniel e o imbróglio dos bingos, que serviram
de moldura para Luiz Inácio Lula da Silva, seja como
candidato, seja como presidente. No rastro dos escândalos,
podem surgir todas as manobras financeiras da Itaipu Binacional,
que sob o comando de Jorge Sameck – é amigo íntimo
do presidente Lula – não fugiu à regra dos
governos anteriores. Tem funcionado como cornucópia petista,
pois as contas da binacional estão livres das garras
do Tribunal de Contas da União.
Mão
amiga
Por mais que a tese da CPI dos Correios venha dominando o cenário
político nacional, situação obrigou o presidente
Lula a deixar de governar para evitar uma catástrofe
política, o melhor que poderia acontecer para a oposição
seria o naufrágio das investigações, levando-se
em conta que o Palácio do Planalto poderia arrastar o
assunto até quando bem entendesse. Diferentemente da
Justiça, que na dúvida opta por beneficiar o réu,
nesse caso o maior prejudicado, em caso de dúvida, seria
o presidente Lula. Em outras palavras, pode ser que a oposição
nem queira que a CPI vá adiante.
Arapuca
política
A disputa interna do PSDB, que de início tem quatro presidenciáveis,
pode levar o partido a um desgaste sem precedentes, ou o ex-presidente
FHC está por trás da operação para
inviabilizar os companheiros de partido. Nos últimos
dias, Tasso Jereissati, Aécio Neves, Geraldo Alckmin
e José Serra têm aparecido nos programas políticos
do partido, exalando suas proezas político-administrativas.
Alckmin, por exemplo, pode vir a sofrer o mesmo desgaste experimentado
pelo prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), que
por antecipar sua candidatura à Presidência da
República acabou caindo em uma armadilha montada pelo
Palácio do Planalto, que fez do caos da Saúde
carioca uma plataforma eleitoral. Não é que a
Saúde no resto do país seja uma maravilha, mas
quem tem a máquina nas mãos faz o que bem entender.
E os tucanos que se cuidem.
Dada
a largada
Zulaiê Cobra Ribeiro, deputada federal pelo PSDB paulista,
já está de olho em 2006. E não esconde
de ninguém que, sem nenhum problema ou constrangimento,
disputaria uma vaga no Senado, mesmo que seu adversário
seja o atual senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Caso as intenções
políticas de Zulaiê Cobra se tornem realidade,
Suplicy terá muito trabalho para se reeleger. O PT palaciano
vem promovendo uma lenta fritura do senador paulista, que tem
exercido sua coerência e lealdade ao eleitorado ao contestar
o Palácio do Planalto, quando necessário. A seu
favor, Suplicy tem a antipatia do ministro José Dirceu,
um de seus fidagais inimigos, além de ter sido usado
e humilhado pela ex-mulher, Marta Suplicy.
Dia
sim, dia não
Ontem, mais uma vez, a Febem atravancou o cotidiano do governador
Geraldo Alckmin. A unidade Tatuapé da instituição
foi palco da trigésima primeira rebelião do ano,
o que denota um total descontrole do Estado na recuperação
de menores infratores. Por outro lado, Alckmin insiste em fazer
política com assunto tão grave e polêmico,
mantendo no comando da Febem pessoas inexperientes, nomeadas
exclusivamente pelo famoso Q.I., ou, quem indicou. Se a recuperação
dos infratores juvenis requer atenção, preocupa
o fato do Estado não investir em programas que evitem
o ingresso de menores no mundo do crime. Até porque,
como sabiamente explicita o ditado, a necessidade não
tem limite.
Memória
curta
Esquecido o transtorno causado pela última enchente que
fez submergir a maior cidade do País, São Paulo,
as autoridades diretamente responsáveis pela tragédia
retomaram a normalidade de suas vidas. José Serra e Geraldo
Alckmin, que trocaram farpas nos bastidores enquanto decidiam
de quem era a culpa, agora posam de bons moços nos programas
do PSDB, como se os prejuízos causados aos munícipes
tivessem evaporado. É verdade que todos sabem que tucanos
são bons de bico, mas que têm a cara-de-pau é
novidade.
Vale
tudo
O Detran-RJ, que à época do ex-presidente
Hugo Leal já era uma verdadeira balburdia, o que não
impedia que fosse uma d`oura cornucópia, agora se transformou
em verdadeira baderna. Os usuários são submetidos
às mais vexatórias situações, sendo
obrigados a peregrinar por inúmeros guichês até
solucionar um simples problema. À porta da instituição
que Anthony Garotinho transformou em um cabide empregatício
para seus diletos e espertos amigos, um sem fim de despachantes
tem no bolso do colete a solução que tanto procuram
os fluminenses. No departamento de liberação de
veículos roubados, a confusão é tão
grande, que não há que não se espante com
a situação. Resumindo, o governador de fato Anthony
Garotinho, que, entre outras obrigações, deveria
facilitar a vida do contribuinte, obriga o cidadão a
enfrentar filas e burocracia, como prêmio de uma segurança
pública que só funciona às vésperas
das eleições. Enfim, resta admitir que o Rio de
Janeiro é o playground do casal Molequinho, quer dizer,
Garotinho.
Pedágio
forçado
No centro do Rio de Janeiro, mais precisamente nas avenidas
Rio Branco e Getúlio Vargas, as vans que fazem lotação
e que circulam pela região exibem no pára-brisa,
não é de hoje, um adesivo no mínimo bisonho.
Trata-se de uma senha criada por policiais corruptos que agem
nas cercanias, para que os motoristas tenham a permissão
(sic) para a subida e descida de passageiros em locais não
permitidos. A benesse, que custa aos motoristas a bagatela de
R$ 10 semanais, é paga à luz do dia e sem constrangimento
algum. E não paga para ver. Com a palavra, o Imperador
do Rio, César Maia.
Tô
nem aí!
Continua causando espécie e indignação
o silêncio adotado pelo governador do Paraná, Roberto
Requião, desde a prisão do tenente-coronel Valdir
Copetti Neves, acusado de comandar uma força de segurança
que vinha prestando serviços a fazendeiros paranaenses.
Copetti Neves, em depoimento na Assembléia Legislativa
do Paraná, fez pesadas e comprometedoras acusações
contra os secretários Luiz Fernando Delazari (Segurança
Pública) e Padre Roque Zimermann (Trabalho). E se o silêncio
requiniano não for reflexo dos bons vinhos patrocinados
pelos endinheirados amigos, é porque o Gardenal tem cumprido
o que a bula promete.
Alma
do negócio
Pensando bem, os corruptos do PT mais parecem uma certa marca
de televisores. Têm garantia até a Copa de 2006.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
A misteriosa morte do ex-prefeito de Campinas, Toninho
do PT, caiu no esquecimento. Por quê? Afinal, perguntar
não ofende...


O
melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique
na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas
políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A Chicago de Al Capone e o Rio de São
Daniel" - por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós,
os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Mães a granel"
- por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Indo
às compras
Na
onda do consumismo palaciano, duas novas compras deixam os
brasileiros estarrecidos. O processo de licitação
número 00040.000127/2004-94 vai rechear o gabinete
presidencial com 54.720 garrafas (82.080 litros) de água
mineral fluoretada e radioativa, 5.584 garrafões (111.680
litros) de água mineral hipotermal, 1.480 copos (296
litros) de água potável e 384 garrafas de água
tônica. O processo de licitação número
00140.000605/2003-57 certamente fará a alegria de qualquer
dono de gráfica ou papelaria. Entre os itens a serem
adquiridos constam nada menos que 529 mil envelopes para o
gabinete do presidente Lula. Enfim, tem gente morrendo de
sede ou decidiram envelopar o país. (31/05/04)


Vox Libre
Clique
na foto e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info
e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol


Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores
favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne
exemplos de ação social reconhecidos dentro
e fora do país. Ela é retratada por sua própria
gente e captada pela câmera de André Cypriano,
conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado
pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas
- Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista
contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões
Urbanas é um tributo ao talento e à
competência, ingredientes raros na nova safra musical
brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela,
Cartão Postal e Grupo de Risco,
de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD
tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na
consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só
Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões
Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

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