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ano 4 - número 888 - quarta-feira, 01 de junho de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”

Oscar Wilde

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Alguma coisa acontece nos domínios lulianos. Dando seqüência às esdrúxulas e inexplicáveis compras palacianas, o gabinete do presidente Lula desta vez decidiu inovar nas aquisições. O processo de licitação nº 00140.000088/2005-88 vai rechear o Palácio do Planalto com 38 novos aparelhos de ar condicionado, a um custo total de R$ 91.180,00. Outro processo irá entupir o gabinete de Lula com 23 camas do tipo beliche. Querer justificar as compras parece quase impossível, da mesma maneira que injustificável é o fato de muitos brasileiros dormirem na rua e som um calor insuportável. Com a palavra o presidente do povo, o Doutor Honoris Causa Luiz Inácio Lula da Silva.

Parada dura
A queda do ritmo de crescimento da economia e a correspondente redução de emprego devem pautar os discursos oposicionistas daqui por diante. Depois de prometer, durante a campanha presidencial, a criação de dez milhões de novos postos de trabalho, o presidente Lula se enveredou pelo discurso que a economia brasileira decolava, pela primeira vez, para um vôo de águia, enquanto os mais céticos apostavam em vôo de galinha, como forma de profetizar o que ora experimentam os brasileiros. Se o escândalo dos Correios pode não proporcionar ao governo Lula os mesmo ares que antecederam o impeachment de Fernando Collor, a fragilidade da economia brasileira pode do presidente uma espécie de versão avermelhada de José Sarney. Socorro!

Sem lenço
Protestando diante do Palácio do Planalto por melhores salários para os maridos, as esposas dos militares foram impedidas de continuar a manifestação pela segurança presidencial. Os truculentos integrantes da tropa que garante a integridade do presidente Lula entraram em ação tão logo o grupo de mulheres se aproximou do espelho d`água que circunda o Planalto. As esposas dos militares pretendiam conversar com o presidente Lula ou algum de seus representantes, mas o sonho acabou virando um frustrante pesadelo. E o senador Paulo Octávio (PFL-DF), que entupiu as barracas do acampamento montado pela esposas dos militares com material político, sequer deu as caras. Assim, resta concluir que nem mesmo as pregações evangélicas da igreja Sara Nossa Terra têm surtido efeito imediato no pensamento do senador.

Vingança maligna
Inconformado com a decisão do senador Eduardo Suplicy, que assinou o requerimento para a criação da CPI dos Correios, o presidente Lula determinou que sua tropa de choque no Congresso provoque uma verdadeira imolação do parlamentar paulista. Lula, que interpretou o ato de Suplicy como traição, pode acabar experimentando mais um tiro pela culatra. Suplicy goza de muito prestígio junto aos eleitores, cuja maioria não se encontra nas hostes petistas, mas na elite paulistana que quer, de alguma maneira, contestar o sistema. Agindo assim, o presidente Lula estará contribuindo com a reeleição de Eduardo Suplicy, que já auferiu lucros com as puladas de cerca da ex-mulher. Ou seja, nem toda dor de cabeça significa prejuízo imediato.

Cigarrinho do capeta
O ministro Gilberto Gil, que teria acertado em cheio se continuasse apenas cantando, pode ser a mais nova pedra no sapato do governo Lula. Depois de muito espernear por falta de verba, Gil, que promete mais do que cumpre, declarou que deixou de usar maconha aos cinqüenta anos de idade. Para minimizar as conseqüências da declaração de Gil, o Planalto colocou o ministro Humberto Costa (Saúde) em campo, que defendeu a descriminalização dos usuários da droga, mas não a sua legalização. Costa, para salvar a própria pele, disse que diferentemente do ministro Gilberto Gil, nunca fez uso de qualquer tipo de droga. O que teria sido desnecessário, pois não existe vício maior do que transformar a Saúde em uma droga incontestável e lutar para permanecer no cargo.

Pelos ares
Faltando pouco mais de um ano para a disputa presidencial, os adversários do presidente Lula começam a se mexer nos bastidores, com especial atenção para a reanimação dos escândalos que marcaram a passagem petista pelo poder. Entre os assuntos que maior interesse despertam estão o caso Celso Daniel e o imbróglio dos bingos, que serviram de moldura para Luiz Inácio Lula da Silva, seja como candidato, seja como presidente. No rastro dos escândalos, podem surgir todas as manobras financeiras da Itaipu Binacional, que sob o comando de Jorge Sameck – é amigo íntimo do presidente Lula – não fugiu à regra dos governos anteriores. Tem funcionado como cornucópia petista, pois as contas da binacional estão livres das garras do Tribunal de Contas da União.

Mão amiga
Por mais que a tese da CPI dos Correios venha dominando o cenário político nacional, situação obrigou o presidente Lula a deixar de governar para evitar uma catástrofe política, o melhor que poderia acontecer para a oposição seria o naufrágio das investigações, levando-se em conta que o Palácio do Planalto poderia arrastar o assunto até quando bem entendesse. Diferentemente da Justiça, que na dúvida opta por beneficiar o réu, nesse caso o maior prejudicado, em caso de dúvida, seria o presidente Lula. Em outras palavras, pode ser que a oposição nem queira que a CPI vá adiante.

Arapuca política
A disputa interna do PSDB, que de início tem quatro presidenciáveis, pode levar o partido a um desgaste sem precedentes, ou o ex-presidente FHC está por trás da operação para inviabilizar os companheiros de partido. Nos últimos dias, Tasso Jereissati, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra têm aparecido nos programas políticos do partido, exalando suas proezas político-administrativas. Alckmin, por exemplo, pode vir a sofrer o mesmo desgaste experimentado pelo prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), que por antecipar sua candidatura à Presidência da República acabou caindo em uma armadilha montada pelo Palácio do Planalto, que fez do caos da Saúde carioca uma plataforma eleitoral. Não é que a Saúde no resto do país seja uma maravilha, mas quem tem a máquina nas mãos faz o que bem entender. E os tucanos que se cuidem.

Dada a largada
Zulaiê Cobra Ribeiro, deputada federal pelo PSDB paulista, já está de olho em 2006. E não esconde de ninguém que, sem nenhum problema ou constrangimento, disputaria uma vaga no Senado, mesmo que seu adversário seja o atual senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Caso as intenções políticas de Zulaiê Cobra se tornem realidade, Suplicy terá muito trabalho para se reeleger. O PT palaciano vem promovendo uma lenta fritura do senador paulista, que tem exercido sua coerência e lealdade ao eleitorado ao contestar o Palácio do Planalto, quando necessário. A seu favor, Suplicy tem a antipatia do ministro José Dirceu, um de seus fidagais inimigos, além de ter sido usado e humilhado pela ex-mulher, Marta Suplicy.

Dia sim, dia não
Ontem, mais uma vez, a Febem atravancou o cotidiano do governador Geraldo Alckmin. A unidade Tatuapé da instituição foi palco da trigésima primeira rebelião do ano, o que denota um total descontrole do Estado na recuperação de menores infratores. Por outro lado, Alckmin insiste em fazer política com assunto tão grave e polêmico, mantendo no comando da Febem pessoas inexperientes, nomeadas exclusivamente pelo famoso Q.I., ou, quem indicou. Se a recuperação dos infratores juvenis requer atenção, preocupa o fato do Estado não investir em programas que evitem o ingresso de menores no mundo do crime. Até porque, como sabiamente explicita o ditado, a necessidade não tem limite.

Memória curta
Esquecido o transtorno causado pela última enchente que fez submergir a maior cidade do País, São Paulo, as autoridades diretamente responsáveis pela tragédia retomaram a normalidade de suas vidas. José Serra e Geraldo Alckmin, que trocaram farpas nos bastidores enquanto decidiam de quem era a culpa, agora posam de bons moços nos programas do PSDB, como se os prejuízos causados aos munícipes tivessem evaporado. É verdade que todos sabem que tucanos são bons de bico, mas que têm a cara-de-pau é novidade.

Vale tudo
O Detran-RJ, que à época do ex-presidente Hugo Leal já era uma verdadeira balburdia, o que não impedia que fosse uma d`oura cornucópia, agora se transformou em verdadeira baderna. Os usuários são submetidos às mais vexatórias situações, sendo obrigados a peregrinar por inúmeros guichês até solucionar um simples problema. À porta da instituição que Anthony Garotinho transformou em um cabide empregatício para seus diletos e espertos amigos, um sem fim de despachantes tem no bolso do colete a solução que tanto procuram os fluminenses. No departamento de liberação de veículos roubados, a confusão é tão grande, que não há que não se espante com a situação. Resumindo, o governador de fato Anthony Garotinho, que, entre outras obrigações, deveria facilitar a vida do contribuinte, obriga o cidadão a enfrentar filas e burocracia, como prêmio de uma segurança pública que só funciona às vésperas das eleições. Enfim, resta admitir que o Rio de Janeiro é o playground do casal Molequinho, quer dizer, Garotinho.

Pedágio forçado
No centro do Rio de Janeiro, mais precisamente nas avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas, as vans que fazem lotação e que circulam pela região exibem no pára-brisa, não é de hoje, um adesivo no mínimo bisonho. Trata-se de uma senha criada por policiais corruptos que agem nas cercanias, para que os motoristas tenham a permissão (sic) para a subida e descida de passageiros em locais não permitidos. A benesse, que custa aos motoristas a bagatela de R$ 10 semanais, é paga à luz do dia e sem constrangimento algum. E não paga para ver. Com a palavra, o Imperador do Rio, César Maia.

Tô nem aí!
Continua causando espécie e indignação o silêncio adotado pelo governador do Paraná, Roberto Requião, desde a prisão do tenente-coronel Valdir Copetti Neves, acusado de comandar uma força de segurança que vinha prestando serviços a fazendeiros paranaenses. Copetti Neves, em depoimento na Assembléia Legislativa do Paraná, fez pesadas e comprometedoras acusações contra os secretários Luiz Fernando Delazari (Segurança Pública) e Padre Roque Zimermann (Trabalho). E se o silêncio requiniano não for reflexo dos bons vinhos patrocinados pelos endinheirados amigos, é porque o Gardenal tem cumprido o que a bula promete.

Alma do negócio
Pensando bem, os corruptos do PT mais parecem uma certa marca de televisores. Têm garantia até a Copa de 2006.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

A misteriosa morte do ex-prefeito de Campinas, Toninho do PT, caiu no esquecimento. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Nós, os filhos da mãe" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Indo às compras
Na onda do consumismo palaciano, duas novas compras deixam os brasileiros estarrecidos. O processo de licitação número 00040.000127/2004-94 vai rechear o gabinete presidencial com 54.720 garrafas (82.080 litros) de água mineral fluoretada e radioativa, 5.584 garrafões (111.680 litros) de água mineral hipotermal, 1.480 copos (296 litros) de água potável e 384 garrafas de água tônica. O processo de licitação número 00140.000605/2003-57 certamente fará a alegria de qualquer dono de gráfica ou papelaria. Entre os itens a serem adquiridos constam nada menos que 529 mil envelopes para o gabinete do presidente Lula. Enfim, tem gente morrendo de sede ou decidiram envelopar o país. (31/05/04)

Vox Libre

Clique na foto e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol

Editora Senac São Paulo

Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

 

 

 

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