!
uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 887 - terça-feira, 31 de maio de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

“O bravo não é quem não sente medo, mas quem vence esse medo.”

Nelson Mandela

colunas anteriores
e-ditorial
entrevista do sábado
resenha
e-xclusiva
q.i.
tribuna livre
prateleira eletrônica
uuuh!
página uh!
boca maldita
parceiros
anuncie
expediente

COLUNISTAS

Antonio Carlos Ferreira
Antonio Carlos Rayol
Claudio Tognolli
Ipojuca Pontes
José Nêumanne Pinto
Marcelo Kahns
Roberto Romano da Silva
Sandro Villar

O Brasil e as Relações Internacionais

Santa Catarina em Brasília

ESCREVA PARA O UCHO

Receba em seu
e-mail os principais destaques do dia


Nome:

E-mail:

  

Parceiros

Por muito menos
Embalado pela vitória nas urnas, Luiz Inácio Lula da Silva, antes da posse, simplesmente ratificou o que prometera no palanque, para, tempos depois, cair em uma escandalosa contradição. Agora, de volta de sua viagem à Ásia, Lula se dedica a evitar que a CPI dos Correios limite-se apenas a investigar os escândalos da estatal, como se essa fosse uma de suas bandeiras eleitorais. Na verdade, o receio do presidente petista, assim como de seus diletos companheiros, é que as mazelas do PT venham à tona, comprometendo sua reeleição em 2006. É preciso lembrar que por muito menos, mais precisamente por um Fiat Elba, Fernando Collor de Mello deu adeus às benesses palacianas. Difícil é entender o que separa as duas situações, pois se à época de Collor existiam os cara-pintadas, hoje existem os caras sem vergonha. Enfim...

Abafando a crise
Assustado com a repercussão do escândalo de corrupção nos Correios, o presidente Lula determinou uma mudança nas futuras compras da administração federal, especialmente em relação à aquisição de bens quantificáveis, como veículos, cadeiras, cadernos, livros e computadores. A nova modalidade de compra, instituída por decreto presidencial, deverá utilizar pregões eletrônicos, sendo que seu objetivo maior não é otimizar o dinheiro do contribuinte, mas criar um engodo conceitual que mostre à população que o governo Lula combate a corrupção. Bom seria que o presidente Lula viesse a público e explicasse as razões que o levaram a comprar 2 mil latas de cerveja em um final de semana, sem contar os 20 roupões em puro algodão egípcio que há muito recheiam o guarda-roupa presidencial.

Estouro da boiada
Tendo a eleição de 2006 como pano de fundo, a oposição tem se dedicado a atazanar a vida do PT palaciano, ressuscitando em diversas frentes os assuntos que mais incomodam os companheiros do presidente Lula. Depois de vislumbrar a possibilidade de ressuscitar o caso Waldomiro Diniz, os oposicionistas encontraram no imbróglio em que se transformou a misteriosa morte de Celso Daniel a oportunidade ideal para fazer do PT uma barata tonta. E não há, dentro do partido do presidente Lula, quem seja capaz de impedir, mesmo que cargos sejam distribuídos aos borbotões. Assim, o Brasil corre o sério risco de passar a limpo quinhentos anos de história em alguns míseros meses. Resta esperar para saber se os políticos estão dizendo a verdade ou se apenas desejam tumultuar o processo sucessório.

Doutor Promessa
Quando os discursos oficiais apontam para uma sensível, porém invisível, melhora do quadro da economia brasileira, a primeira idéia que vem à cabeça é que desemprego é algo que inexiste. Um concurso para garis no Rio de Janeiro atingiu a incrível marca de 385.119 mil inscritos, o que equivale a 320,9 candidatos para cada uma das 1.200 vagas. Cada gari aprovado no concurso deverá receber R$ 475 mensais. Ou existe muito mais lixo do que se imagina, ou tem muito mais gente querendo deixar de lado uma vida que é um lixo. Com a palavra, o senhor que prometeu criar dez milhões de empregos.

Silêncio estranho
Repousa no Supremo Tribunal Federal, há mais de trinta dias, mandato de segurança impetrado pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), que ainda acredita na possibilidade de instalar a CPI dos Bingos. Caso a decisão do STF seja pela instalação da Comissão, o Palácio do Planalto terá mais um incêndio para apagar, pois qualquer investigação, por mais superficial que seja, certamente irá apanhar o inocente (sic) Waldomiro Diniz. E mais: depois que o escândalo de Waldomiro veio à tona, o ministro José Dirceu (Casa Civil) garantiu que falaria sobre o assunto em trinta dias. Até agora nada.

Ouvidos atentos
O ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) terá, nos próximos dias, a bancada nordestina da Câmara dos Deputados como platéia. Os parlamentares nordestinos querem do ministro explicações sobre balanço das ações do ministério para o Nordeste; ações para minimizar os problemas causados pela estiagem; e balanço sobre as ações voltadas para o desenvolvimento regional que atendem o Nordeste brasileiro. Falar, como sempre, é extremamente fácil, mas difícil mesmo será convencer.

Soltando a voz
Depois de enfrentar agruras das mais diversas, por conta da prisão absolutamente legal do marqueteiro Duda Mendonça, o Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol acaba de lançar um blog, onde assuntos de interesse do Brasil e dos brasileiros são discutidos de forma clara e pertinente. Rayol, em companhia do delegado Lorenzo Pompílio da Hora, responde a oito sindicâncias na Polícia Federal, muitas delas instauradas depois da entrevista concedida ao editor da coluna. Quem quiser conferir o talento e a clareza do pensamento do delegado Rayol deve acessar http://voxlibre.blogspot.com. Vale a pena!

Entrou areia
O sonho da Telecom Itália de açambarcar a Brasil Telecom deve mesmo continuar. A juíza da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decidiu, nesta segunda-feira, tornar sem efeito o acordo firmado entre a Telecom Itália e o Banco das Opportunidades, o que dava supostamente ao grupo empresarial italiano o direito de retomar o comando da empresa brasileira de telefonia. Para tal, os italianos depositaram em uma conta vinculada a fortuna de 341 milhões de euros, que ninguém consegue por as mãos. Há quem garanta que no último remendo realizado nos documentos do acordo haveria uma cláusula que impediria a Telecom Itália de vender a operadora brasileira a empresas do setor, o que denota que São Daniel continua com seus milagres esdrúxulos.

Fala que eu te escuto
Grampos telefônicos passaram a ser a coqueluche do cotidiano da bisbilhotice. Em São Paulo, escutar o que os inimigos falam ao celular não é tarefa para remediados financeiramente. Para se ter uma idéia, existe uma tabela de preços para os serviços prestados pelo período de quinze dias. Para telefones da operadora Vivo, o interessado deve desembolsar a bagatela de US$ 3.800,00. Já para os telefones das operadoras Claro e Tim o preço é de US$ 5.800,00. Em outras palavras, a versão moderna daquela velha fofoqueira de plantão é brincadeira para poucos e bons.

Batendo carteira
A famigerada Taxa de Abertura de Crédito, criada ilegalmente para saciar o apetite dos bancos, parece ter desembarcado definitivamente nos domínios do Banco do Brasil. Cobrada principalmente em contratos de financiamento de veículos, a TAC varia de acordo com cada instituição financeira, o que mostra de forma clara que se trata de mais um engodo para prejudicar o já prejudicado consumidor brasileiro. O Banco do Brasil decidiu cobrar de um cliente a fortuna de R$ 400 pela abertura de crédito. O descaramento é tamanho, que os contratos de financiamento, que raramente chegam às mãos do consumidor, têm um espaço exclusivo para a referida taxa, como se fosse uma majestade.

Perdendo o gás
Enquanto encomenda manifestações políticas a seu favor, em Campos, no Rio de Janeiro, o governador de fato Anthony Garotinho, juntamente com sua Rosângela, têm conferido o crescimento das ações judiciais contra a Companhia Estadual de Gás, a CEG. A empresa, que anunciou com certo alarde o fornecimento de gás natural, tem cobrado a tarifa mínima explicitada na lei, mesmo que nenhuma grama do produto tenha chegado até a casa dos consumidores. Muitos deles, depois de meses de cobranças indevidas, decidiram protestar nos tribunais. Por outro lado, como o assunto é gás, Garotinho tem aparecido com muito gás em seu sabático programa de televisão, onde prega o contrário daquilo que faz diariamente. Em outras palavras, o Rio, que continua lindo, está nas mãos de Anthony Molequinho.

Barril de pólvora
Como se vivesse um contínuo inferno astral, o governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, enfrentou ontem mais uma rebelião na Fundação do Bem Estar do Menor, a Febem. A trigésima rebelião do ano deixa evidente que fazer política, quiçá não seja politicagem, com assunto tão sério não é a melhor receita. Alckmin, se realmente ainda sonha em chegar ao Palácio do Planalto, deve se mexer o mais rápido possível. Pois, entre gravações de corrupção nos Correios e cenas de tortura na Febem, a segunda hipótese causa maior impacto e conseqüente derrota nas urnas. De mais a mais, o problema não está na Febem, mas nas razões que levam os menores a delinqüir.

Bonito, hein?
O polêmico e rumoroso caso da Castelinho, em que integrantes de facções criminosas foram metralhados indiscriminadamente em uma estrada paulista, nem bem aterrissou na esfera federal, onde será julgado, e o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, terá de enfrentar a Procuradoria Geral da Justiça, que o investiga sobre abuso de poder. Saulo de Castro, valendo-se do status de secretário estadual, acionou um grupo de elite da Polícia Civil paulista, para desobstruir um congestionamento em uma das ruas de São Paulo, que o impedia de chegar ao local de um compromisso. No final da operação, o dono de um restaurante e um manobrista acabaram presos e, sob os mais diversos constrangimentos, levados à delegacia em um veículo policial. É preciso lembrar que ninguém nasce secretário, mas apenas está, sendo que o cargo não confere a quem quer que seja o direito de ser melhor que o contribuinte, que enfrenta engarrafamentos intermináveis. E se a polícia serve para liberar o trânsito para o secretário Saulo de Castro, é porque não tem mais o que fazer. Com a palavra o governador Geraldo Alckmin.

Apertem os cintos
Quem, por um descuido qualquer, telefona para o Serviço de Atendimento ao Cliente da Gol, percebe que a companhia aérea comandada por Constantino de Oliveira Júnior não dá bola aos quesitos de seguranças adotados em todo o planeta. No último domingo, uma leitora da coluna, ao tentar reservar um lugar, ouviu do atendente que a saída de emergência é reservado a pessoas idosas, grávidas e com algum tipo de deficiência física. Ou seja, pessoas sem condições de auxiliar os passageiros em caso de acidente. Em outras palavras, quem viaja pela Gol pode, por uma falta de sorte qualquer, acabar na marca do pênalti.

Mãos à obra
Pensando bem, Lula, que jamais foi um fervoroso da labuta, agora se empenha para abafar os escândalos daqueles que deveriam estar fazendo o que o presidente nunca gostou de fazer.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Nào se fala mais no "Bônus do Garotinho", inventado na campanha presidencial. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Nós, os filhos da mãe" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Indo às compras
Na onda do consumismo palaciano, duas novas compras deixam os brasileiros estarrecidos. O processo de licitação número 00040.000127/2004-94 vai rechear o gabinete presidencial com 54.720 garrafas (82.080 litros) de água mineral fluoretada e radioativa, 5.584 garrafões (111.680 litros) de água mineral hipotermal, 1.480 copos (296 litros) de água potável e 384 garrafas de água tônica. O processo de licitação número 00140.000605/2003-57 certamente fará a alegria de qualquer dono de gráfica ou papelaria. Entre os itens a serem adquiridos constam nada menos que 529 mil envelopes para o gabinete do presidente Lula. Enfim, tem gente morrendo de sede ou decidiram envelopar o país. (31/05/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

ucho.info - copyright 2004 - 2005