| Por
muito menos
Embalado pela vitória nas urnas,
Luiz Inácio Lula da Silva, antes da posse, simplesmente
ratificou o que prometera no palanque, para, tempos depois,
cair em uma escandalosa contradição. Agora, de
volta de sua viagem à Ásia, Lula se dedica a evitar
que a CPI dos Correios limite-se apenas a investigar os escândalos
da estatal, como se essa fosse uma de suas bandeiras eleitorais.
Na verdade, o receio do presidente petista, assim como de seus
diletos companheiros, é que as mazelas do PT venham à
tona, comprometendo sua reeleição em 2006. É
preciso lembrar que por muito menos, mais precisamente por um
Fiat Elba, Fernando Collor de Mello deu adeus às benesses
palacianas. Difícil é entender o que separa as
duas situações, pois se à época
de Collor existiam os cara-pintadas, hoje existem os caras sem
vergonha. Enfim...
Abafando
a crise
Assustado com a repercussão do
escândalo de corrupção nos Correios, o presidente
Lula determinou uma mudança nas futuras compras da administração
federal, especialmente em relação à aquisição
de bens quantificáveis, como veículos, cadeiras,
cadernos, livros e computadores. A nova modalidade de compra,
instituída por decreto presidencial, deverá utilizar
pregões eletrônicos, sendo que seu objetivo maior
não é otimizar o dinheiro do contribuinte, mas
criar um engodo conceitual que mostre à população
que o governo Lula combate a corrupção. Bom seria
que o presidente Lula viesse a público e explicasse as
razões que o levaram a comprar 2 mil latas de cerveja
em um final de semana, sem contar os 20 roupões em puro
algodão egípcio que há muito recheiam o
guarda-roupa presidencial.
Estouro
da boiada
Tendo a eleição de 2006
como pano de fundo, a oposição tem se dedicado
a atazanar a vida do PT palaciano, ressuscitando em diversas
frentes os assuntos que mais incomodam os companheiros do presidente
Lula. Depois de vislumbrar a possibilidade de ressuscitar o
caso Waldomiro Diniz, os oposicionistas encontraram no imbróglio
em que se transformou a misteriosa morte de Celso Daniel a oportunidade
ideal para fazer do PT uma barata tonta. E não há,
dentro do partido do presidente Lula, quem seja capaz de impedir,
mesmo que cargos sejam distribuídos aos borbotões.
Assim, o Brasil corre o sério risco de passar a limpo
quinhentos anos de história em alguns míseros
meses. Resta esperar para saber se os políticos estão
dizendo a verdade ou se apenas desejam tumultuar o processo
sucessório.
Doutor
Promessa
Quando
os discursos oficiais apontam para uma sensível, porém
invisível, melhora do quadro da economia brasileira,
a primeira idéia que vem à cabeça é
que desemprego é algo que inexiste. Um concurso para
garis no Rio de Janeiro atingiu a incrível marca de 385.119
mil inscritos, o que equivale a 320,9 candidatos para cada uma
das 1.200 vagas. Cada gari aprovado no concurso deverá
receber R$ 475 mensais. Ou existe muito mais lixo do que se
imagina, ou tem muito mais gente querendo deixar de lado uma
vida que é um lixo. Com a palavra, o senhor que prometeu
criar dez milhões de empregos.
Silêncio
estranho
Repousa no Supremo Tribunal Federal, há
mais de trinta dias, mandato de segurança impetrado pelo
senador Pedro Simon (PMDB-RS), que ainda acredita na possibilidade
de instalar a CPI dos Bingos. Caso a decisão do STF seja
pela instalação da Comissão, o Palácio
do Planalto terá mais um incêndio para apagar,
pois qualquer investigação, por mais superficial
que seja, certamente irá apanhar o inocente (sic) Waldomiro
Diniz. E mais: depois que o escândalo de Waldomiro veio
à tona, o ministro José Dirceu (Casa Civil) garantiu
que falaria sobre o assunto em trinta dias. Até agora
nada.
Ouvidos
atentos
O ministro Ciro Gomes (Integração
Nacional) terá, nos próximos dias, a bancada nordestina
da Câmara dos Deputados como platéia. Os parlamentares
nordestinos querem do ministro explicações sobre
balanço das ações do ministério
para o Nordeste; ações para minimizar os problemas
causados pela estiagem; e balanço sobre as ações
voltadas para o desenvolvimento regional que atendem o Nordeste
brasileiro. Falar, como sempre, é extremamente fácil,
mas difícil mesmo será convencer.
Soltando
a voz
Depois de enfrentar agruras das mais diversas, por conta da
prisão absolutamente legal do marqueteiro Duda Mendonça,
o Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol acaba
de lançar um blog, onde assuntos de interesse do Brasil
e dos brasileiros são discutidos de forma clara e pertinente.
Rayol, em companhia do delegado Lorenzo Pompílio da Hora,
responde a oito sindicâncias na Polícia Federal,
muitas delas instauradas depois da entrevista concedida ao editor
da coluna. Quem quiser conferir o talento e a clareza do pensamento
do delegado Rayol deve acessar http://voxlibre.blogspot.com.
Vale a pena!
Entrou
areia
O sonho da Telecom Itália de açambarcar
a Brasil Telecom deve mesmo continuar. A juíza da 2ª
Vara Empresarial do Rio de Janeiro decidiu, nesta segunda-feira,
tornar sem efeito o acordo firmado entre a Telecom Itália
e o Banco das Opportunidades, o que dava supostamente ao grupo
empresarial italiano o direito de retomar o comando da empresa
brasileira de telefonia. Para tal, os italianos depositaram
em uma conta vinculada a fortuna de 341 milhões de euros,
que ninguém consegue por as mãos. Há quem
garanta que no último remendo realizado nos documentos
do acordo haveria uma cláusula que impediria a Telecom
Itália de vender a operadora brasileira a empresas do
setor, o que denota que São Daniel continua com seus
milagres esdrúxulos.
Fala
que eu te escuto
Grampos telefônicos passaram a ser
a coqueluche do cotidiano da bisbilhotice. Em São Paulo,
escutar o que os inimigos falam ao celular não é
tarefa para remediados financeiramente. Para se ter uma idéia,
existe uma tabela de preços para os serviços prestados
pelo período de quinze dias. Para telefones da operadora
Vivo, o interessado deve desembolsar a bagatela de US$ 3.800,00.
Já para os telefones das operadoras Claro e Tim o preço
é de US$ 5.800,00. Em outras palavras, a versão
moderna daquela velha fofoqueira de plantão é
brincadeira para poucos e bons.
Batendo
carteira
A
famigerada Taxa de Abertura de Crédito, criada ilegalmente
para saciar o apetite dos bancos, parece ter desembarcado definitivamente
nos domínios do Banco do Brasil. Cobrada principalmente
em contratos de financiamento de veículos, a TAC varia
de acordo com cada instituição financeira, o que
mostra de forma clara que se trata de mais um engodo para prejudicar
o já prejudicado consumidor brasileiro. O Banco do Brasil
decidiu cobrar de um cliente a fortuna de R$ 400 pela abertura
de crédito. O descaramento é tamanho, que os contratos
de financiamento, que raramente chegam às mãos
do consumidor, têm um espaço exclusivo para a referida
taxa, como se fosse uma majestade.
Perdendo
o gás
Enquanto encomenda manifestações
políticas a seu favor, em Campos, no Rio de Janeiro,
o governador de fato Anthony Garotinho, juntamente com sua Rosângela,
têm conferido o crescimento das ações judiciais
contra a Companhia Estadual de Gás, a CEG. A empresa,
que anunciou com certo alarde o fornecimento de gás natural,
tem cobrado a tarifa mínima explicitada na lei, mesmo
que nenhuma grama do produto tenha chegado até a casa
dos consumidores. Muitos deles, depois de meses de cobranças
indevidas, decidiram protestar nos tribunais. Por outro lado,
como o assunto é gás, Garotinho tem aparecido
com muito gás em seu sabático programa de televisão,
onde prega o contrário daquilo que faz diariamente. Em
outras palavras, o Rio, que continua lindo, está nas
mãos de Anthony Molequinho.
Barril
de pólvora
Como se vivesse um contínuo
inferno astral, o governo de São Paulo, Geraldo Alckmin,
enfrentou ontem mais uma rebelião na Fundação
do Bem Estar do Menor, a Febem. A trigésima rebelião
do ano deixa evidente que fazer política, quiçá
não seja politicagem, com assunto tão sério
não é a melhor receita. Alckmin, se realmente
ainda sonha em chegar ao Palácio do Planalto, deve se
mexer o mais rápido possível. Pois, entre gravações
de corrupção nos Correios e cenas de tortura na
Febem, a segunda hipótese causa maior impacto e conseqüente
derrota nas urnas. De mais a mais, o problema não está
na Febem, mas nas razões que levam os menores a delinqüir.
Bonito,
hein?
O polêmico e rumoroso caso da Castelinho,
em que integrantes de facções criminosas foram
metralhados indiscriminadamente em uma estrada paulista, nem
bem aterrissou na esfera federal, onde será julgado,
e o secretário de Segurança Pública de
São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, terá de
enfrentar a Procuradoria Geral da Justiça, que o investiga
sobre abuso de poder. Saulo de Castro, valendo-se do status
de secretário estadual, acionou um grupo de elite da
Polícia Civil paulista, para desobstruir um congestionamento
em uma das ruas de São Paulo, que o impedia de chegar
ao local de um compromisso. No final da operação,
o dono de um restaurante e um manobrista acabaram presos e,
sob os mais diversos constrangimentos, levados à delegacia
em um veículo policial. É preciso lembrar que
ninguém nasce secretário, mas apenas está,
sendo que o cargo não confere a quem quer que seja o
direito de ser melhor que o contribuinte, que enfrenta engarrafamentos
intermináveis. E se a polícia serve para liberar
o trânsito para o secretário Saulo de Castro, é
porque não tem mais o que fazer. Com a palavra o governador
Geraldo Alckmin.
Apertem
os cintos
Quem, por um descuido qualquer, telefona
para o Serviço de Atendimento ao Cliente da Gol, percebe
que a companhia aérea comandada por Constantino de Oliveira
Júnior não dá bola aos quesitos de seguranças
adotados em todo o planeta. No último domingo, uma leitora
da coluna, ao tentar reservar um lugar, ouviu do atendente que
a saída de emergência é reservado a pessoas
idosas, grávidas e com algum tipo de deficiência
física. Ou seja, pessoas sem condições
de auxiliar os passageiros em caso de acidente. Em outras palavras,
quem viaja pela Gol pode, por uma falta de sorte qualquer, acabar
na marca do pênalti.
Mãos
à obra
Pensando bem, Lula, que jamais foi um
fervoroso da labuta, agora se empenha para abafar os escândalos
daqueles que deveriam estar fazendo o que o presidente nunca
gostou de fazer.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Nào se fala mais no "Bônus do Garotinho",
inventado na campanha presidencial. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós, os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Indo
às compras
Na onda do consumismo palaciano, duas
novas compras deixam os brasileiros estarrecidos. O processo
de licitação número 00040.000127/2004-94
vai rechear o gabinete presidencial com 54.720 garrafas (82.080
litros) de água mineral fluoretada e radioativa, 5.584
garrafões (111.680 litros) de água mineral hipotermal,
1.480 copos (296 litros) de água potável e 384
garrafas de água tônica. O processo de licitação
número 00140.000605/2003-57 certamente fará
a alegria de qualquer dono de gráfica ou papelaria.
Entre os itens a serem adquiridos constam nada menos que 529
mil envelopes para o gabinete do presidente Lula. Enfim, tem
gente morrendo de sede ou decidiram envelopar o país.
(31/05/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br
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