| Missa encomendada
Lamentavelmente, o Brasil ainda continua nas mãos de uma minoria que, achando-se acima do bem e do mal, pensa ser dona do mundo. Há dias, um almoço no elegante edifício Plaza Iguatemi, em frente ao mais chique e badalado shopping da cidade de São Paulo, o Iguatemi, reuniu duas figuras que decidiram o futuro do editor da coluna. Incomodados com as notícias aqui publicadas, ambos, um banqueiro e um profissional da área de comunicação, traçaram os planos para calar uma das mais lidas colunas do país. A estratégia, que também deve atingir o conceituado e correto jornalista Mino Carta (Carta Capital), resume-se a uma série de intimidações, dentre as quais estaria o uso indevido da polícia paulista. As ações, que lembram os anos de chumbo da ditadura, contam com a atuação de arapongas que monitoram a casa do editor diuturnamente, além da residência de seus familiares, que têm sofrido nos últimos dias as mais variadas formas de intimidação. De quebra, os protagonistas do rega-bofe terrorista decidiram que o assunto vai rechear as páginas de uma conhecida revista de economia e negócios. O assunto já chegou ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, onde pessoas muito próximas ao governador já monitoram o caso.
Boca no trombone
No contraponto da ação desses saltimbancos da honra alheia, que agem como se fossem capatazes de Adolf Hitler, o andamento da operação já foi comunicado ao Ministério Público Federal, à Comissão de Direitos Humanos da OAB, à Associação Brasileira de Imprensa, à Associação dos Juízes Para a Democracia e à organização não-governamental Ministério Público Democrático. Para engrossar a lista dos que monitoram os protagonistas do ataque, a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal estão atentas a cada novo passo da dupla de irresponsáveis, que tem se valido de grampos telefônicos, monitoração fotográfica e outros procedimentos típicos de próceres de camelô. E mais: vários senadores e deputados federais, que acompanham diariamente esta coluna, já foram informados do andamento da operação. Mesmo assim, independentemente do que venha a acontecer, enfrentarei tudo com a maior dignidade possível. Quando um jornalista incomoda, o banqueiro solta a polícia.
Explosão à distância
A Polícia Federal espera revelar, nos próximos dias, o nome do verdadeiro dono de uma empresa off-shore, com sede em um paraíso fiscal caribenho, que no Brasil vem exibindo um pauperismo de cortar corações. O espertalhão, que vez por outra ataca de troca-letras, usou a empresa para receber os honorários relativos aos serviços que presta a certos gênios do mal, que continuamente tentam transformar o Brasil em uma verdadeira lata de lixo. Enfrentá-los é muito mais do que uma obrigação,é um ato de patriotismo.
Melhor assim
Invejosos e incompetentes, desafetos sempre tentaram sacrificar-me por conta de exercer o jornalismo sem diploma, mas diante do que alguns diplomados têm feito nos últimos tempos, vendendo a própria consciência ao primeiro oportunista que aparece, o diploma parece mesmo desnecessário. Além de ser um impropério, o jabá – nome que se dá às reportagens pagas -, é um implacável punhal na dignidade popular. Assim, nem mesmo aqueles que se escondem em paraísos fiscais dormem o sono dos justos. Até porque, uma consciência suja é o mais irritante dos despertadores.
Esqueleto de armário
Mais uma reviravolta no caso Celso Daniel tem tirado o sono dos ocupantes do Palácio do Planalto. O promotor Roberto Wider Filho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – Gaeco, informou que a o assassinato do ex-prefeito de Santo André pode ter sido motivado pela existência de um bombástico e comprometedor dossiê. De acordo com Wider Filho, o conjunto de conjunto de documentos, que Celso Daniel guardava a sete chaves, continha informações sobre um terrível esquema de corrupção na mais elegante cidade do ABC paulista. A partir dessa informação, o Ministério Público paulista deverá ouvir o ex-secretário municipal de Santo André, Gilberto Carvalho, atual secretário particular do presidente Lula. Vale lembrar que, em janeiro de 2004, após divulgar com exclusividade as escutas telefônicas do caso, a coluna foi tirada do ar, em mais uma atitude truculenta e ditatorial em um país que, segundo consta, é uma democracia. Clique e ouça as escutas telefônicas do caso que ainda atormenta o Palácio do Planalto.
Pernas para o ar
Repousa em uma das mesas da Procuradoria Geral da República, em Brasília, um documento que pode se causar uma verdadeira hecatombe política. Contendo troca de informações entre duas conhecidas figuras do cenário político-empresarial, o documento pode ser a peça que faltava para fechar o quebra-cabeça em que se transformou uma investigação sobre sonegação fiscal e evasão de divisas que começou há tempo. A coluna teve acesso ao conteúdo do documento, e sua revelação, que pode ocorrer a qualquer momento, certamente colocará o governo Lula de cabeça para baixo. Resta esperar, pois tudo acontece na hora mais adequada. De mais a mais, vingança, como dizem os mais experientes, é um prato que se come frio.
Morrendo na praia
Por mais que o esforço da tropa de choque do governo Lula tenha chegado ao ápice, a CPI dos Correios deve ser instalada ainda hoje. A Comissão irá investigar as denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), que, de acordo com um dos acusados, o beneficiário final da cobrança de propinas era o deputado federal e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ). A preocupação da bancada governista no Congresso é, como sempre foi, que as investigações acabem resvalando em figuras ilustres do Partido dos Trabalhadores, como Silvio Pereira e Delúbio Soares, ambos com livre acesso aos cofres petistas.
Recuo total
Depois de se passar por vítima, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) determinou aos seus comandados que desistissem de entregar os cargos, permanecendo no governo Lula. De igual maneira e atendendo os pedidos disparados pelo Planalto, Jefferson pediu aos parlamentares do PTB que retirassem suas assinaturas do pedido de criação da CPI dos Correios. Roberto Jefferson embarcou na cantilena da entourage presidencial, que agora pretende administrar o andamento da CPI com pressões e distribuição de cargos no primeiro escalão do governo. Só não vale dizer que a suposta extorsão praticada pelos detentores da fita parecia ser um blefe.
Tiro ao alvo
Diante de todos os salamaleques disparados durante o estica e puxa em que se transformou a criação da CPI dos Correios, o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) saiu-se bem ao comentar a atitude dos aliados do governo Lula que tentavam banalizar a cobrança de propinas. Se propina for pagamento de consultoria, PC Farias deveria ser homenageado como patrono desta nova confraria inaugurada no governo Lula. Já o juiz Lalau seria o consultor emérito deste pessoal, disparou Hauly.
Juízo quase final
Quase três anos depois da morte do jornalista Tim Lopes (foto), desaparecido na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, em 2 de junho de 2002, o 1º Tribunal do Júri do Rio condenou, hoje, o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, a vinte e oito anos e seis meses de prisão em regime fechado. Responsável pela morte do jornalista, Elias Maluco preferiu permanecer em silêncio, alegando que seus advogados o representariam. Como os defensores do traficante dispensaram as testemunhas de defesa, o julgamento, que estava previsto para durar três dias, terminou depois de quinze horas. O caso pode ter sido encerrado com a decisão da Justiça, mas a dor permanece. Valeu Tim! (Foto: álbum de família)
Gênio da lâmpada
Na manhã de ontem, a Cidade Maravilhosa simplesmente parou. A transferência de Elias Maluco da penitenciária para as dependências do 1º Tribunal do Júri, no centro do Rio, onde foi julgado pela morte do jornalista Tim Lopes, causou um congestionamento jamais visto na cidade. Milhares de pessoas não conseguiram chegar ao local de trabalho, enquanto passageiros que deveriam embarcar no aeroporto Santos Dumont simplesmente desistiram ou perderam seus vôos. Teria sido muito mais inteligente, barato e seguro transferir o traficante a bordo de um helicóptero, a exemplo do tratamento dispensado ao também traficante Fernadinho Beira-Mar. A população paga para ser refém da insegurança pública, mas acaba sendo tolhida em seus direitos por conta do julgamento de um traficante. Resumindo, o Rio de Janeiro foi transformado em um playground da incompetência do casal Garotinho.
Engolindo seco
O Senado aprovou, ontem, a indicação de Alexandre de Moraes, ex-secretário de Justiça e ex-presidente da Febem-SP, para assumir uma vaga no Conselho Nacional de Justiça. Na última semana o nome de Alexandre Moraes foi rejeitado, por conta de uma operação comandada pelo senador Aloízio Mercadante (PT-SP). Ontem, antes da sessão secreta que aprovou por 48 votos a 7 o nome do ex-secretário de Justiça, os senadores referendaram um requerimento do senador Romeu Tuma (PFL-SP), que anulou a sessão da última semana, mas acabou rasgando o regimento interna da Casa. Na briga entre governo e oposição, que se alastrou pelo Congresso, o Palácio do Planalto vem levando a pior, depois que o presidente Lula cometeu a infantilidade de cochilar e permitir que os oposicionistas invadissem a sua área. De lá para cá, tem sido um verdadeiro passeio.
Pela culatra
A semana vindoura promete agitações das mais variadas no parlamento brasileiro. A base governista pretende pressionar a instalação da CPI do Setor Elétrico, criada depois que o presidente Lula afirmou ter sido informado sobre corrupção no governo FHC. Os aliados do governo não estão inteiramente convencidos sobre o poder de fogo da CPI, pois acreditam que a reboque poderá vir as estripulias da Itaipu Binacional, verdadeira usina de geração de desmandos petistas. Quem conhece os escaninhos de Itaipu, sabe que não será difícil, até mesmo para o mais inocente e novato parlamentar, encontrar pelo menos um pelo no ovo da usina.
Barco a remo
A chuva que caiu ontem sobre a capital paulista, submergiu a maior cidade do país e da América Latina. Impermeabilizada ao longo dos anos, São Paulo não mais suporta qualquer manifestação da natureza, especialmente as que são acompanhadas por qualquer quantidade de água. No momento mais crítico do caos que tomou conta da cidade, os congestionamentos somavam quase duzentos quilômetros. Já na Cidade Maravilhosa, a chuva também não deu trégua. No Leme, zona sul do Rio de Janeiro, nenhum quiosque de praia suportou a chuva e os fortes ventos. Pela manhã, os freqüentadores dos charmosos calçadões cariocas exibiam considerável dose de espanto diante do que viam. E há quem diga que o fim do mundo ainda está longe.
Vai e volta
Pensando bem, as declarações de Roberto Jefferson são como carta registrada. Tem a garantia de entrega, mas pode ser devolvida ao remetente.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Já não se fala mais na ilegalidade das casas de bingo. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós, os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
De novo
Sem perder a velha e conhecida performance verborrágica, o presidente Lula acabou cometendo mais uma gafe, desta vez na China. O presidente disse, em palestra a empresários brasileiros e chineses, que a China é um shopping de oportunidades . Caso a analogia presidencial tenha um quase imperceptível fio de lógica, sem deixar de ser enfadonha, é preciso reconhecer que o Brasil tem mostrado ser uma verdadeira feira livre de corrupção. (25/05/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br
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