| Caiu a casa
Depois de conversar por mais de uma hora com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, o deputado Paulo Delgado (PT-MG) foi a um almoço na Embaixada da Itália, onde encontrou com alguns companheiros de parlamento. O grupo, que além do petista contava com os deputados Pauderney Avelino (PFL-AM), Gustavo Fruet (PSDB-PR), Francisco Turra (PP-RS) e Edson Andrino (PMDB-SC), discutia o clima de pessimismo que tomou conta do governo Lula, sendo que todos foram unânimes ao afirmar que o momento atual lembra, e muito, o período que antecedeu o impeachment do presidente Collor. Por outro lado, não é difícil encontrar, nos corredores da Câmara, quem não pergunte se o governo Lula chega até o fim.
Farda suspeita
Ao mesmo tempo em que crescem as possibilidades de instalação da CPI dos Correios, que vai investigar o esquema de propina que supostamente beneficiava integrantes do PTB, aumentam as especulações em torno dos nomes dos que produziram as gravações. Oficial da Polícia Militar do Distrito federal e conhecido araponga com escritório no terceiro andar do edifício Varig, em Brasília, o coronel Fortuna vem sendo apontado como responsável pelas gravações. Sócio do Clube Naval do Rio de Janeiro, o segundo araponga do imbróglio é ninguém menos que o coronel Molina. Pelas proporções que o caso pode atingir, já há quem aposte que este pode ser uma versão verde-amarela do caso Kroll.
Fora da lei
O encontro do presidente Lula com o MST mostrou de forma clara quem verdadeiramente tem prioridade no Brasil, mesmo que a legislação garanta que todos são absolutamente iguais. No encontro, Lula garantiu aos sem terra que os índices que determinam a improdutividade de uma propriedade rural seriam alterados para cima, o que contribuirá para que o imbróglio sobre a reforma agrária aumente, além de entupir os escaninhos da Justiça, já cansada de tentar solucionar os entreveros relacionados à terra. Por outro lado, as esposas dos militares, que durante a semana da Cúpula de Brasília acamparam na Esplanada dos Ministérios para protestar contra os baixos soldos, não foram recebidas por quem quer que seja, além de serem retiradas do local. Ou seja, a neo-vermelhidão tupiniquim é de assustar.
E agora Gil?
O anúncio do desembarque do PV da base aliada foi um duro golpe no Palácio do Planalto, que vinha encontrando dificuldades para evitar a instalação da CPI dos Correios. Representante do PV no governo Lula, o ministro e dublê de cantor Gilberto Gil passa a viver momentos de constrangimento, pois o melhor a fazer seria colocar o cargo à disposição. E se não o fizer, é porque Gil tem absoluta certeza de que Lula pensa que governar o Brasil é como bumbum de bebê.
Bonde perdido
O que mais se fala nos últimos tempos é que o caos produzido pelo governo Lula está diretamente ligado à incompetência e à falta de quadros do partido, situações que poderiam ter sido minimizadas depois de quase dois anos e meio de contato com o poder. Na última quarta-feira, um dia após o governo ter sido derrotado na eleição do novo ministro do Tribunal de Contas da União, o TCU, o eleito, Augusto Nardes , recebeu em seu gabinete uma correspondência assinada pelo deputado e ex-líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), pedindo apoio à candidatura de José Pimentel, candidato do Planalto. Ora, o primeiro erro está em pedir apoio ao adversário, mas há quem enxergue que se tratou de um gesto de ousadia. O segundo e mais comprometedor é fazer campanha depois do fim das eleições. Imagine se esse tal Luizinho não fosse Professor.
Acelera Agnelo!
Na última quarta-feira, perto do meio-dia, o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, a bordo do Omega a quem tem direito de usar, permitiu que o motorista do ministério mostrasse a quem quisesse ver suas habilidades esportivas ao volante. Na saída do aeroporto, onde a velocidade máxima permitida é 60 Km por hora, o carro do ministro trafegava em velocidade superior a 80 km horários. Passado o balão que antecede a avenida de acesso ao aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, o motorista do ministro resolveu acelerar, e o carro ultrapassou a marca dos 100 km por hora. Tirante a irresponsabilidade, do ministro e do motorista, pode-se dizer que se tratava de um rally, pois o governo Lula é um misto de lama e buracos.
Ficou pequeno
Depois de quase dez meses de idas e vindas, o requerimento do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que solicitou a realização de audiência pública para o caso Kroll, foi aprovado sob muita pressão. A liderança do governo na Câmara dos Deputados entrou em ação bem antes, insistindo pra que o parlamentar paranaense desistisse do pedido. Chega a ser inadmissível pensar que o governo Lula despachou sua tropa de choque para tentar salvar a Kroll e o banqueiro opportunista, o DVD, sendo que nos EUA, mais precisamente em Nova York, o escândalo da empresa de espionagem, causo uma enorme perplexidade, como causa até hoje. A não ser que o presidente Lula tenha se divertido com seus assessores sendo bisbilhotados por um irresponsável que, por estar à frente de um banco de investimentos, tem certeza de que é o dono do mundo.
Fala que eu te escuto
A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, que vai escarafunchar o escândalo Kroll, deverá convidar para prestar depoimento o presidente da Anatel, cujo convite pode ter sido o resultado de uma armação do governo Lula, que tenta infernizar a vida das agências reguladoras. De resto, a Comissão quer ouvir a ex-presidente da Brasil Telecom, a executiva Carla Cicco, responsável pela contratação da empresa de espionagem, o Senhor Opportunidade, além de representantes do Citibank, da Kroll e da Telecom Italia. No caso do grupo italiano, o caso pode complicar ainda mais, pois registros telefônicos podem vir à tona, revelando ações inusitadas de seus representantes no Brasil.
Mãos para trás
Nos últimos dias, colunas eletrônicas e blogs dos mais variados têm trazido comentários reportagem da revista Veja, a qual trata das recentes estripulias da Kroll e seus verdadeiros mandantes, cuja espionagem resvalou em integrantes do governo Lula. Os que defendem o polêmico e opportunista banqueiro DVD tentam se fazer de vítimas, quando, na verdade, as vítimas são aqueles que o atacam. Ninguém, em sã consciência, planejaria o seqüestro de alguém pelo simples motivo de diversão, e muito menos contrataria um agente do serviço secreto israelense para perseguir e ameaçar jornalistas que apenas divulgam a verdade. Como o que até então foi divulgado não passa da mais pura expressão da verdade, em um país minimamente sério este tal de DVD ou Lord Vader – é assim que o opportunista gosta de ser chamado – já estaria contemplando o nascer do sol de forma geometricamente distinta.
Vergonha nacional
Como noticiamos ontem, o mais novo devoto de São Daniel, o santo protetor das Ilhas Cayman, é o senador Cristóvam Buarque (PT-DF), que para não ter a imagem arranhada aciona seus coroinhas parlamentares. Para tentar evitar qualquer tipo de constrangimento ao banqueiro DVD, Buarque tem se valido dos préstimos do deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), que diz ser amigo de um dos sócios do banqueiro opportunista. É verdade que todo cidadão é livre para agir e pensar como quiser, pelo menos é o que garante a Constituição, mas certamente os eleitores de Lupion não ficariam contentes se soubessem que o eleito tem se esforçado para garantir a tranqüilidade de um irresponsável que descumpre as leis, para não dizer coisas piores. Com a palavra o deputado Abelardo Lupion.
Calor nos pés
Quando surgiu em público, pela primeira vez, usando terno e sapatos sem meia, Amador Aguiar, ex-comandante do gigante Bradesco, causou furor e décadas de comentários. Anos mais tarde, é possível perceber que Amador não apenas ditou moda, como fez escola. Na última quarta-feira, durante audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao crime Organizado, quando foram ouvidos os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora – responsáveis pela prisão de Duda Mendonça em uma rinha de galos –, o deputado João Campos (PSDB-GO), que presidiu a sessão, parecia, a exemplo do que mostra o detalhe abaixo, estar com calor nos pés. Melhor assim, pois de pé frio o Brasil já está cheio. (Foto: Agência Fenapef)
 Bom da boca
Quem tem gravitado na área econômica do governo federal sabe, e não é de hoje, que o manda-chuva do Planalto Central não é, como de fato nunca foi, o presidente Lula. Pessoas próximas ao ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), que com ele estiveram recentemente, disseram ao editor da coluna que ficaram estupefatos ao verem Palocci quase se ajoelhar, por telefone, diante do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, este sim o verdadeiro dono do governo. A Meirelles foi confiada a tarefa de controlar o déficit fiscal e a inflação. E o resto que se dane. Homem-bomba
Continua o calvário do agente de Polícia Federal do Pará que, por protestar contra o chefe, foi sumariamente demitido. O agente, entre outras coisas, reclamou do superintendente que guardava no imóvel ocupado pela PF a módica quantidade de uma tonelada e meia de explosivos, sem a menor preocupação com a segurança local, dos funcionários e da vizinhança. Apenas para lembrar, o atentado terrorista que provocou a morte do embaixador Sérgio Vieira de Mello, no Iraque, foi realizado com apenas seiscentos quilos de explosivos. Ou seja, foi ejetado da corporação por ter sido prudente.
No espeto
Para encerrar de forma tipicamente brasileira um evento parlamentar, a Câmara dos Deputados pensou em contratar a filia da churrascaria Porção, em Brasília, sendo impedida pelo fato do badalado restaurante não possuir Certidão Negativa de Débitos. É verdade que no Brasil estar em dívida com o fisco não é novidade alguma, mas regras devem ser cumpridas. Assim, resta saber como o Banco do Brasil comprou uma enormidade de convites para o show da dupla Zezé di Camargo e Luciano. Ou o Banco do Brasil não está sujeito às leis brasileiras, ou foi uma ordem expressa do Palácio do Planalto. Com a palavra os presidentes Lula e o do Baco do Brasil.
Mudando o nome
Pensando bem, para Nilmário Miranda, a filha de Gilberto Gil, a Preta, deveria se chamar Afro-descendente Gil.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
A ex-governadora benedita da Silva anda desaparecida. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



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Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
O caminho da miséria
Os dados divulgados, ontem, pelo IBGE mostram que alguma coisa não encaixa entre a realidade do país e os discursos do governo. De acordo com o órgão, 85% das famílias brasileiras recebem muito menos do que realmente gastam. Vivendo uma situação em que o salário acaba e continua sobrando mês, o brasileiro está se socorrendo com as mais variadas modalidades de crédito para continuar na diária carestia da vida. Assim, fica difícil acreditar em crescimento econômico, uma vez que, teoricamente, quem não tem não consome. A não ser que o restante da massa brasileira, 15% das famílias, por conta da excessiva concentração de renda consiga ser a alavanca de uma economia como a do Brasil. (20/05/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

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