| O
céu é o limite
Em mais uma decisão impopular,
o Banco Central aumentou novamente a taxa básica de juros,
a Selic, que desde hoje está fixada em 19,75%. A decisão
do Comitê de Política Monetária, que optou
pela majoração da taxa de juros, está embasada
na desculpa do controle da inflação. Juros elevados
e o despencar da cotação do dólar podem
se transformar em um explosivo coquetel econômico, pois
do jeito que está haverá aumento do desemprego
e sensível diminuição das exportações,
única tábua de salvação do setor
produtivo nacional. Vale lembrar que, ainda nos palanques, Lula
prometeu crescimento econômico e a criação
de dez milhões de novos postos de trabalho. Apenas para
lembrar, a inocência religiosa do passado dizia que os
mentirosos tinham lugar garantido nos domínios de lúcifer.
Saideira
amarga
Abusando escandalosamente da pirotecnia,
como forma de induzir o povo ao erro, o governo Lula vive, pelo
menos nos bastidores, um inevitável clima de desânimo,
que pode ser facilmente notado nas carrancudas expressões
faciais dos ocupantes do Palácio do Planalto. A continuar
assim, Lula deverá experimentar em 2006 o que José
Sarney enfrentou em seu último ano como presidente, quando
o governo federal mais parecia a lendária e folclórica
mulher de malandro, aquela que apanha sem reclamar. À
época, o descrédito que Sarney enfrentou foi tão
grande, que certa vez Fernando Collor duvidou em público
da honra de Dona Kiola – mãe de Sarney -, além
do então presidente ter ficado a pé, por conta
da impaciência do motorista da Presidência que decidiu
voltar para casa antes da hora. É verdade que a assessoria
de José Sarney irá desmentir o assunto, mas assessores
próximos ao hoje senador amapaense garantem de pés
juntos que o episódio é verídico. Só
pediram a preservação da fonte, como forma de
evitar as conhecidas retaliações.
Boi
na linha
Médico e dublê de economista, Antonio Palocci Filho,
o nosso ministro da Fazenda, começa a colher os impropérios
de sua passagem por Ribeirão Preto, próspera cidade
do interior paulista, antes conhecida como Califórnia
brasileira. Palocci vai ter de se explicar ao Tribunal de Contas
do Estado de São Paulo, por conta de uma obra faraônica
que consumiu a fortuna R$ 4.681.763,90, sem nunca ter saído
do papel. Em outras palavras, além da medicina e da economia,
Palocci, o filho, que já externou seus dotes culinários
ao criar molho de tomate com ervilha, agora mostra ser um adepto
do ocultismo público e do ilusionismo financeiro.
Pente
fino
Praticamente inevitável, a CPI
dos Correios tem deixado muitos políticos de cabelo em
pé, principalmente aqueles que pouco foram citados nas
reportagens. No rastro da operação que pode desencadear
uma série de outras maracutaias – é assim
que o presidente Lula se refere às trampolinagens dos
políticos – nomes importantes estão sendo
citados como beneficiários, diretos ou indiretos, do
esquema de extorsão que se instalou na empresa que um
dia foi orgulho nacional. Na lista de supostos envolvidos constam
os nomes de Renan Calheiros (senador e presidente do Senado),
Roberto Jefferson (deputado federal e presidente nacional do
PTB), Eunício Oliveira (ministro das Comunicações
e genro do Rei de Mombaça), Paulo Lustosa (secretário
executivo do Ministério das Comunicações
e amigo íntimo de José Sarney), João Henrique
de Almeida (presidente dos Correios e ex-ministro de FHC) e
Mauro Dutra (amigo de Luiz Inácio Lula da Silva e presidente
da empresa de informática Novadata e da ONG Agora). Porém,
é preciso ressaltar que existem outros casos de corrupção
nos Correios, sendo que alguns dos prejudicados procuraram o
editor da coluna para revelar os fatos, pedindo, em seguida,
a suspensão imediata da divulgação por
temerem retaliações das mais variadas. E como
não nos entregaram os documentos... É o Brasil!
Dia
de cão
O calvário empresarial do mais
polemico banqueiro tupiniquim, o Senhor Opportunidade, parece
não ter fim. Ontem, o STJ ratificou a decisão
da Justiça que afastou do controle da Brasil Telecom
o grupo controlado pelo opportunista, o DVD. A empresa, BrT,
foi alvo de um meteórico e inexplicável acordo
com a Telecom Itália, com quem o banqueiro mantinha uma
hercúlea disputa. Agora, mais uma vez, o acordo vai pelos
ares, enquanto os 341 milhões de euros depositados pela
Telecom Itália em uma conta bancária vinculada
continuam dormindo em berço esplêndido, admirado
por olhos vorazes. Em outras palavras, a zebra cresceu.
Contra-ataque
Preocupado com a repercussão da
matéria da revista Veja, que colocou no olho do furacão
um jornalista que o defende com unhas e dentes, o Senhor Opportunidade
decidiu revidar, deflagrando uma operação para
colocar na berlinda os jornalistas que há muito o incomodam
por noticiarem verdades. Um de seus defensores, Francisco Müssnich
– coincidentemente é seu cunhado – teria
contratado um advogado, com bom trânsito na polícia
paulista, para infernizar a vida de vários jornalistas,
incluso o editor da coluna. DVD precisa entender que por maior
que seja sua fortuna, fugir do óbvio é algo que
certamente não o levará a lugar algum, a não
ser um paraíso fiscal qualquer. Principalmente quando
um dos mais recentes e fervorosos fiéis de São
Daniel é ninguém menos que o senador Cristóvam
Buarque (PT-DF), que coloca em campo deputados federais para
barrar qualquer ação parlamentar contra o banqueiro
opportunista. Mesmo assim, um dia alguém disse que o
PT era o partido do povo. Eta povinho elitista, esse do Cristóvam!
Apertada
final
Por mais que um deputado federal e dublê
de rico fazendeiro do norte paranaense entre em ação,
o futuro do banqueiro opportunista – a Justiça
em uma decisão inusitada e ditatorial continua proibindo-nos
de citar seu nome – deve mesmo se afunilar. O deputado
Gustavo Fruet (PSDB-PR) aprovou por unanimidade, ontem, na Comissão
de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática
da Câmara requerimento para a realização
de audiências públicas, onde serão ouvidos
representantes da Brasil Telecom, Telecom Itália e da
empresa de espionagem Kroll Associates. Os alvos principais
das audiências serão a executiva Carla Cicco, outrora
presidente da Brasil Telecom, e o banqueiro DVD, responsáveis
pela contratação da espionagem que bisbilhotou
a vida de desafetos e acabou resvalando no ministro Luiz Gushiken
e no ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb
de Lima. Para Fruet o objetivo não é fazer papel
de polícia, mas, como o caso envolve uma concessão,
é importante que seja apurado. Em outras palavras, pode
ser mais um começo do fim.
Todos
juntos
Considerado, por mais de uma dezena de vezes, como um dos melhores
parlamentares brasileiros, o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR)
passou os últimos dias ocupado com a realização
da quarta edição do Fórum Interparlamentar
das Américas (FIPA), criado em 2001 em Ottawa, no Canadá.
O encontro, que reúne parlamentares do continente americano
(Norte, Sul e Central), tem como objetivos a manutenção
e o incremento das instituições democráticas
nos mais distantes rincões das Américas. Clique
e leia o artigo O EMBRIÃO, de autoria do deputado
federal Luiz Carlos Hauly.
Passando
o trator
Quem imaginou que a audiência pública
com os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio
da Hora seria um escandaloso jogo de interesses por parte dos
parlamentares, enganou-se. Firmes e claros em seus depoimentos,
Rayol e Pompílio da Hora simplesmente deram um passeio,
deixando claro que sofreram, como ainda sofrem, retaliações
por parte do comando da Polícia Federal, a mando do Palácio
do Planalto.
Verdades
ocultas
Momentos antes do início dos depoimentos
dos delegados federais, veio à tona o que muitos já
desconfiavam. Em conversa informal com os delegados e o editor
da coluna, a combatente deputada Zulaiê Cobra Ribeiro
(PSDB-SP) disse que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça)
lhe procurou, sugerindo a não realização
da audiência pública, sob a desculpa que os delegados
poderiam jogar por terra a boa imagem da PF. Zulaiê lembrou
ao ministro que pior seria se tal pedido se tornasse público,
pois nada pode impedir a revelação verdade. Assim,
é preciso admitir que, mesmo sendo uma realidade, é
triste imaginar que alguém que foi instalado no cargo
para fazer justiça dedique parte do seu tempo para fazer
exatamente o contrário. Que vergonha, ministro!
Pau
mandado
A certa altura, quase no fim da audiência,
do nada surgiu o deputado federal Edmar Moreira (PL-MG) com
um discurso degradante para quem já exibe, sem constrangimento
algum, cabelos brancos. O parlamentar mineiro, depois de elogiar
o trabalho dos delegados federais, disse ser amigo pessoal de
Duda Mendonça e afirmou, com todas as letras, que a operação
que culminou com a prisão do marqueteiro presidencial
fora escandalosamente encomendada. O parlamentar, que chegou
no final do evento, insistiu tanto na tese, que o clima no plenário
da audiência acalorou de uma hora para outra. Nada foi
encomendado, a não ser a vergonhosa defesa de Duda Mendonça
feita por Edmar Moreira, que deve ter encontrado verdejantes
motivos para agira como tal. Enfim, a esses nobres senhores
está entregue a vida de 180 milhões de brasileiros.
Perdendo
o bonde
O governador de São Paulo,
Geraldo Alckmin, que sonha em alcançar a Presidência
da república, continua refém das rebeliões
que tomam conta da Febem. Ontem, em mais um episódio
que já não muda a cara do cotidiano, os internos
da unidade Raposo Tavares da instituição se rebelaram
de forma violenta, mostrando à opinião pública
não apenas a ineficiência do processo de recuperação
de menores infratores, mas a corrupção que infesta
os sistemas prisionais. Armados com revolveres, estiletes e
celulares, os rebelados atearam fogo em vários objetos
e trataram com violência os reféns. Fazer da Febem
um instrumento meramente político beira a irresponsabilidade,
sendo que o comando da instituição deveria ser
entregue, direta ou indiretamente, ao secretário Nagashi
Furukawa (Administração Penitenciária),
que mesmo sendo algumas vezes duro, tem colhido bons resultados
no universo carcerário paulista. Governador, para quem
quer ser inquilino do Planalto, o melhor mesmo é começar
a se mexer.
Apertem
os cintos
Um dos integrantes da nova equipe que
assumiu o comando da Varig declarou, há dias, que os
equipamentos da empresa são velhos, ultrapassados e com
evidente carência de manutenção. Verdade
ou não, o fato é que a Varig, vítima da
incompetência administrativa de longos anos, acabou sendo
alvo da ganância de alguns membros do governo Lula. É
verdade que o brasileiro não madruga para financiar quem
quer que seja a brincar de dono de companhia aérea, mas
o Palácio do Planalto, que decretou o fim das operações
da Vasp, precisa explicar quais os motivos que fazem com que
a Transbrasil tenha a esperança de voltar a voar, mesmo
que sob o comando de algum preposto, para não dizer laranja.
Um dos advogados da Transbrasil, Roberto Teixeira, é
compadre do presidente Lula. E como na vida coincidências
não existem...
Castelo
de areia
Quase imperceptível, a mudança
promovida pela Tim em seus materiais propagandísticos
está diretamente relacionada ao fim do casamento de Ronaldo
Nazário com a modelo Daniella Cicarelli. A empresa de
telefonia celular contratara a dupla para estrelar inúmeras
campanhas publicitárias, mas o entrevero amoroso obrigou
a substituição dos outrora pombinhos pela modelo
e apresentadora Fernanda Lima. Do jeito que estava, qualquer
mortal poderia associar a marca Tim a situações
de vida que não chegam a lugar algum. De mais a mais,
o slogan da Tim, VIVER SEM FRONTEIRAS, era a fiel tradução
do que ambos viviam. Assim, La Cicarelli acabou fazendo a alegria
de Fernanda Lima e Caroline Bittencourt, esta última
barrada na festa-farsa no castelo de Chantilly.
Ele
era o bom!
Pensando bem, opportunismo é aquela
atitude que o sujeito pensa que é, quando há muito
deixou de ser.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
A PF só não age contra os amigos e companheiros
do Luiz Inácio. Por quê? Afinal, perguntar
não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós, os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Fazendo
fumaça
Depois que o caso Waldomiro Diniz caiu no esquecimento, petistas
de gabarito preparam uma nova e discutida maracutaia. O serviço
de inspeção veicular, que deveria ser de competência
dos estados, certamente passará para o controle, mesmo
que oficiosamente, do governo federal. O negócio, cujo
período inicial de concessão será de
quinze anos – renováveis por mais dois períodos
idênticos – será dividido em cinco grandes
regiões. Para gerenciar a concorrência e acompanhar
a formatação do projeto, o ministro José
Dirceu teria indicado um advogado de sua confiança,
Ademar Gianini. E pasmem, Gianini, integrante da Coordenação
Nacional do Setor de Transportes do PT, é signatário
de uma proposta batizada de O Modo Petista de Governar Transportes.
Ou seja, pode estar nascendo um novo Waldomiro Diniz. (19/05/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br
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