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ano 4 - número 881 - quinta-feira, 19 de maio de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

“A liberdade é um bem tão apreciado que cada qual quer ser dono até da alheia.”

Montesquieu

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O céu é o limite
Em mais uma decisão impopular, o Banco Central aumentou novamente a taxa básica de juros, a Selic, que desde hoje está fixada em 19,75%. A decisão do Comitê de Política Monetária, que optou pela majoração da taxa de juros, está embasada na desculpa do controle da inflação. Juros elevados e o despencar da cotação do dólar podem se transformar em um explosivo coquetel econômico, pois do jeito que está haverá aumento do desemprego e sensível diminuição das exportações, única tábua de salvação do setor produtivo nacional. Vale lembrar que, ainda nos palanques, Lula prometeu crescimento econômico e a criação de dez milhões de novos postos de trabalho. Apenas para lembrar, a inocência religiosa do passado dizia que os mentirosos tinham lugar garantido nos domínios de lúcifer.

Saideira amarga
Abusando escandalosamente da pirotecnia, como forma de induzir o povo ao erro, o governo Lula vive, pelo menos nos bastidores, um inevitável clima de desânimo, que pode ser facilmente notado nas carrancudas expressões faciais dos ocupantes do Palácio do Planalto. A continuar assim, Lula deverá experimentar em 2006 o que José Sarney enfrentou em seu último ano como presidente, quando o governo federal mais parecia a lendária e folclórica mulher de malandro, aquela que apanha sem reclamar. À época, o descrédito que Sarney enfrentou foi tão grande, que certa vez Fernando Collor duvidou em público da honra de Dona Kiola – mãe de Sarney -, além do então presidente ter ficado a pé, por conta da impaciência do motorista da Presidência que decidiu voltar para casa antes da hora. É verdade que a assessoria de José Sarney irá desmentir o assunto, mas assessores próximos ao hoje senador amapaense garantem de pés juntos que o episódio é verídico. Só pediram a preservação da fonte, como forma de evitar as conhecidas retaliações.

Boi na linha
Médico e dublê de economista, Antonio Palocci Filho, o nosso ministro da Fazenda, começa a colher os impropérios de sua passagem por Ribeirão Preto, próspera cidade do interior paulista, antes conhecida como Califórnia brasileira. Palocci vai ter de se explicar ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, por conta de uma obra faraônica que consumiu a fortuna R$ 4.681.763,90, sem nunca ter saído do papel. Em outras palavras, além da medicina e da economia, Palocci, o filho, que já externou seus dotes culinários ao criar molho de tomate com ervilha, agora mostra ser um adepto do ocultismo público e do ilusionismo financeiro.

Pente fino
Praticamente inevitável, a CPI dos Correios tem deixado muitos políticos de cabelo em pé, principalmente aqueles que pouco foram citados nas reportagens. No rastro da operação que pode desencadear uma série de outras maracutaias – é assim que o presidente Lula se refere às trampolinagens dos políticos – nomes importantes estão sendo citados como beneficiários, diretos ou indiretos, do esquema de extorsão que se instalou na empresa que um dia foi orgulho nacional. Na lista de supostos envolvidos constam os nomes de Renan Calheiros (senador e presidente do Senado), Roberto Jefferson (deputado federal e presidente nacional do PTB), Eunício Oliveira (ministro das Comunicações e genro do Rei de Mombaça), Paulo Lustosa (secretário executivo do Ministério das Comunicações e amigo íntimo de José Sarney), João Henrique de Almeida (presidente dos Correios e ex-ministro de FHC) e Mauro Dutra (amigo de Luiz Inácio Lula da Silva e presidente da empresa de informática Novadata e da ONG Agora). Porém, é preciso ressaltar que existem outros casos de corrupção nos Correios, sendo que alguns dos prejudicados procuraram o editor da coluna para revelar os fatos, pedindo, em seguida, a suspensão imediata da divulgação por temerem retaliações das mais variadas. E como não nos entregaram os documentos... É o Brasil!

Dia de cão
O calvário empresarial do mais polemico banqueiro tupiniquim, o Senhor Opportunidade, parece não ter fim. Ontem, o STJ ratificou a decisão da Justiça que afastou do controle da Brasil Telecom o grupo controlado pelo opportunista, o DVD. A empresa, BrT, foi alvo de um meteórico e inexplicável acordo com a Telecom Itália, com quem o banqueiro mantinha uma hercúlea disputa. Agora, mais uma vez, o acordo vai pelos ares, enquanto os 341 milhões de euros depositados pela Telecom Itália em uma conta bancária vinculada continuam dormindo em berço esplêndido, admirado por olhos vorazes. Em outras palavras, a zebra cresceu.

Contra-ataque
Preocupado com a repercussão da matéria da revista Veja, que colocou no olho do furacão um jornalista que o defende com unhas e dentes, o Senhor Opportunidade decidiu revidar, deflagrando uma operação para colocar na berlinda os jornalistas que há muito o incomodam por noticiarem verdades. Um de seus defensores, Francisco Müssnich – coincidentemente é seu cunhado – teria contratado um advogado, com bom trânsito na polícia paulista, para infernizar a vida de vários jornalistas, incluso o editor da coluna. DVD precisa entender que por maior que seja sua fortuna, fugir do óbvio é algo que certamente não o levará a lugar algum, a não ser um paraíso fiscal qualquer. Principalmente quando um dos mais recentes e fervorosos fiéis de São Daniel é ninguém menos que o senador Cristóvam Buarque (PT-DF), que coloca em campo deputados federais para barrar qualquer ação parlamentar contra o banqueiro opportunista. Mesmo assim, um dia alguém disse que o PT era o partido do povo. Eta povinho elitista, esse do Cristóvam!

Apertada final
Por mais que um deputado federal e dublê de rico fazendeiro do norte paranaense entre em ação, o futuro do banqueiro opportunista – a Justiça em uma decisão inusitada e ditatorial continua proibindo-nos de citar seu nome – deve mesmo se afunilar. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) aprovou por unanimidade, ontem, na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara requerimento para a realização de audiências públicas, onde serão ouvidos representantes da Brasil Telecom, Telecom Itália e da empresa de espionagem Kroll Associates. Os alvos principais das audiências serão a executiva Carla Cicco, outrora presidente da Brasil Telecom, e o banqueiro DVD, responsáveis pela contratação da espionagem que bisbilhotou a vida de desafetos e acabou resvalando no ministro Luiz Gushiken e no ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb de Lima. Para Fruet o objetivo não é fazer papel de polícia, mas, como o caso envolve uma concessão, é importante que seja apurado. Em outras palavras, pode ser mais um começo do fim.

Todos juntos
Considerado, por mais de uma dezena de vezes, como um dos melhores parlamentares brasileiros, o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) passou os últimos dias ocupado com a realização da quarta edição do Fórum Interparlamentar das Américas (FIPA), criado em 2001 em Ottawa, no Canadá. O encontro, que reúne parlamentares do continente americano (Norte, Sul e Central), tem como objetivos a manutenção e o incremento das instituições democráticas nos mais distantes rincões das Américas. Clique e leia o artigo O EMBRIÃO, de autoria do deputado federal Luiz Carlos Hauly.

Passando o trator
Quem imaginou que a audiência pública com os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora seria um escandaloso jogo de interesses por parte dos parlamentares, enganou-se. Firmes e claros em seus depoimentos, Rayol e Pompílio da Hora simplesmente deram um passeio, deixando claro que sofreram, como ainda sofrem, retaliações por parte do comando da Polícia Federal, a mando do Palácio do Planalto.

Verdades ocultas
Momentos antes do início dos depoimentos dos delegados federais, veio à tona o que muitos já desconfiavam. Em conversa informal com os delegados e o editor da coluna, a combatente deputada Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB-SP) disse que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) lhe procurou, sugerindo a não realização da audiência pública, sob a desculpa que os delegados poderiam jogar por terra a boa imagem da PF. Zulaiê lembrou ao ministro que pior seria se tal pedido se tornasse público, pois nada pode impedir a revelação verdade. Assim, é preciso admitir que, mesmo sendo uma realidade, é triste imaginar que alguém que foi instalado no cargo para fazer justiça dedique parte do seu tempo para fazer exatamente o contrário. Que vergonha, ministro!

Pau mandado
A certa altura, quase no fim da audiência, do nada surgiu o deputado federal Edmar Moreira (PL-MG) com um discurso degradante para quem já exibe, sem constrangimento algum, cabelos brancos. O parlamentar mineiro, depois de elogiar o trabalho dos delegados federais, disse ser amigo pessoal de Duda Mendonça e afirmou, com todas as letras, que a operação que culminou com a prisão do marqueteiro presidencial fora escandalosamente encomendada. O parlamentar, que chegou no final do evento, insistiu tanto na tese, que o clima no plenário da audiência acalorou de uma hora para outra. Nada foi encomendado, a não ser a vergonhosa defesa de Duda Mendonça feita por Edmar Moreira, que deve ter encontrado verdejantes motivos para agira como tal. Enfim, a esses nobres senhores está entregue a vida de 180 milhões de brasileiros.

Perdendo o bonde
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que sonha em alcançar a Presidência da república, continua refém das rebeliões que tomam conta da Febem. Ontem, em mais um episódio que já não muda a cara do cotidiano, os internos da unidade Raposo Tavares da instituição se rebelaram de forma violenta, mostrando à opinião pública não apenas a ineficiência do processo de recuperação de menores infratores, mas a corrupção que infesta os sistemas prisionais. Armados com revolveres, estiletes e celulares, os rebelados atearam fogo em vários objetos e trataram com violência os reféns. Fazer da Febem um instrumento meramente político beira a irresponsabilidade, sendo que o comando da instituição deveria ser entregue, direta ou indiretamente, ao secretário Nagashi Furukawa (Administração Penitenciária), que mesmo sendo algumas vezes duro, tem colhido bons resultados no universo carcerário paulista. Governador, para quem quer ser inquilino do Planalto, o melhor mesmo é começar a se mexer.

Apertem os cintos
Um dos integrantes da nova equipe que assumiu o comando da Varig declarou, há dias, que os equipamentos da empresa são velhos, ultrapassados e com evidente carência de manutenção. Verdade ou não, o fato é que a Varig, vítima da incompetência administrativa de longos anos, acabou sendo alvo da ganância de alguns membros do governo Lula. É verdade que o brasileiro não madruga para financiar quem quer que seja a brincar de dono de companhia aérea, mas o Palácio do Planalto, que decretou o fim das operações da Vasp, precisa explicar quais os motivos que fazem com que a Transbrasil tenha a esperança de voltar a voar, mesmo que sob o comando de algum preposto, para não dizer laranja. Um dos advogados da Transbrasil, Roberto Teixeira, é compadre do presidente Lula. E como na vida coincidências não existem...

Castelo de areia
Quase imperceptível, a mudança promovida pela Tim em seus materiais propagandísticos está diretamente relacionada ao fim do casamento de Ronaldo Nazário com a modelo Daniella Cicarelli. A empresa de telefonia celular contratara a dupla para estrelar inúmeras campanhas publicitárias, mas o entrevero amoroso obrigou a substituição dos outrora pombinhos pela modelo e apresentadora Fernanda Lima. Do jeito que estava, qualquer mortal poderia associar a marca Tim a situações de vida que não chegam a lugar algum. De mais a mais, o slogan da Tim, VIVER SEM FRONTEIRAS, era a fiel tradução do que ambos viviam. Assim, La Cicarelli acabou fazendo a alegria de Fernanda Lima e Caroline Bittencourt, esta última barrada na festa-farsa no castelo de Chantilly.

Ele era o bom!
Pensando bem, opportunismo é aquela atitude que o sujeito pensa que é, quando há muito deixou de ser.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

A PF só não age contra os amigos e companheiros do Luiz Inácio. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Nós, os filhos da mãe" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Fazendo fumaça
Depois que o caso Waldomiro Diniz caiu no esquecimento, petistas de gabarito preparam uma nova e discutida maracutaia. O serviço de inspeção veicular, que deveria ser de competência dos estados, certamente passará para o controle, mesmo que oficiosamente, do governo federal. O negócio, cujo período inicial de concessão será de quinze anos – renováveis por mais dois períodos idênticos – será dividido em cinco grandes regiões. Para gerenciar a concorrência e acompanhar a formatação do projeto, o ministro José Dirceu teria indicado um advogado de sua confiança, Ademar Gianini. E pasmem, Gianini, integrante da Coordenação Nacional do Setor de Transportes do PT, é signatário de uma proposta batizada de O Modo Petista de Governar Transportes. Ou seja, pode estar nascendo um novo Waldomiro Diniz. (19/05/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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