| Osso duro
O presidente Lula tem, hoje, uma das mais espinhosas tarefas de sua administração, desde que chegou ao Palácio do Planalto. A visita que fará ao Congresso Nacional, com o objetivo de aparar as pontiagudas arestas da base aliada, pode resultar em nada. O PMDB, que clama por maior participação no governo, já decidiu que terá candidato próprio para enfrentar Lula em 2006, o que joga por terra toda e qualquer ambição política de uma banda do partido, especialmente a freqüentada por Renan Calheiros, José Sarney, Ney Suassuna e José Borba. A decisão do PMDB foi anunciada ostensivamente nesta terça-feira, em programa do horário político, tendo como garoto-propaganda o deputado e presidente nacional do partido, Michel Temer.
Batendo duro
Como era de se esperar, o assunto de corrupção nos Correios tomou conta do Congresso Nacional. No Senado, onde a discussão pairou sobre a criação ou não de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as denúncias publicadas pela revista Veja, o senador José Agripino Maia (PFL-RN) não poupou o Presidente da República, que declarou, horas antes, que sua confiança no deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente nacional do PTB, era tão grande, que a lê entregaria um cheque em branco e dormiria tranqüilo. José Agripino lembrou que se Lula é capaz de tal atitude, o problema é exclusivamente dele, mas o povo brasileiro não dorme diante das denúncias. E do povo brasileiro cuidamos nós, concluiu o senador potiguar. Causa espécie a declaração do presidente Lula, principalmente diante do teor das denúncias e da recusa do presidente do PT, José Genoíno, de apoiar a criação de uma CPI.
Alvo predileto
Ainda o Senado... O tempo esquentou quando os senadores Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) e Aloízio Mercadante (PT-SP) trocaram farpas quando o assunto dos Correios estava em discussão. Virgílio rebateu as críticas do senador petista, que insistia em imputar à era FHC a responsabilidade pela escolha da Gtech, dizendo que era melhor ter a Gtech trabalhando para o governo do que sendo usada para roubar. Em seu destemperado discurso, Aloízio Mercadante, que lá estava para salvar o governo que representa, desviou o discurso e retomou o assunto das privatizações, declarando ser de suma importância descobrir as razões da entrega dos setores elétricos, de telefonia e mineração para a iniciativa privada. A verdade sobre as privatizações deve ser trazida á luz, mas os motivos que levaram FHC a agir de tal modo certamente são os mesmos que impulsionaram o presidente Lula a querer privatizar a Infraero, o Serviço de Inspeção Veicular, etc... E cada qual conclua o que melhor convier.
Surra nova
Tido como uma das maiores pedras no sapato do PT palaciano, o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), cacique-mor da Câmara, impôs mais uma derrota política ao presidente Lula. Com 203 votos, o deputado Augusto Nardes (PP-RS) vence a eleição para assumir uma vaga de Ministro do Tribunal de Contas da União, mesmo que a Câmara tenha sido entupida de denúncias contra o parlamentar gaúcho, condenado em 2004 pelo Supremo tribunal Federal a penas alternativas. Inconformado com os 137 votos que conquistou, José Pimentel (PT-CE) foi mais uma vítima do Palácio do Planalto, que, atordoado com as denúncias de corrupção, não se empenhou como deveria na campanha do deputado petista. O desespero que toma conta do PT é tão grande, que companheiros de partido tentaram convencer Pimentel a desistir da candidatura.
Pedra sobre pedra
Hoje, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara recebe, em audiência pública, os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora, responsáveis pela prisão do publicitário e dublê de rinheiro, Duda Mendonça, em uma rinha de galos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Rayol e Pompílio da Hora foram, durante meses, alvo das mais absurdas investidas do Palácio do Planalto, que não se conformou com o ocorrido com o marqueteiro presidencial. A situação dos delegados complicou, ainda mais, depois da publicação da entrevista concedida ao editor da coluna, que você pode conferir clicando aqui, sendo que a burocracia da Polícia Federal impingiu a ambos nada menos do sete sindicâncias. Ou seja, no Brasil de Lula, Thomaz Bastos e Paulo Lacerda cumprir a lei é crime.
Andar debaixo
Escolhida a dedo para comandar a Brasil Telecom, tarefa que cumpriu até ser indiciada pela Polícia Federal, a executiva Carla Cicco não mais responde pela presidência da empresa, sendo que o rebaixamento de cargo lhe rendeu a diretoria de relações com investidores. Nada mal para quem foi acusada de contratar a empresa americana Kroll, que espionou muito além do que fora encomendado, resvalando, inclusive, em figuras de expressão do governo federal. O que mais intriga é que diante do tamanho do imbróglio protagonizado pelo Senhor Opportunidade, também conhecido como DVD, o Palácio do Planalto assiste ao desenrolar das confusões como se culpado fosse. Ou será que é?
Bom de bico
Suspenso pela Justiça de Nova York, o inexplicável acordo entre o grupo Telecom Italia e o mais polêmico banqueiro tupiniquim, o Senhor Opportunidade , o DVD, também foi colocado sob dúvida no Brasil por decisão da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A decisão provocou um certo desapontamento nos defensores do banqueiro, sendo que um deles, Francisco Müssnich – do escritório Barbosa, Müssnich, Aragão – chegou a ser objeto de notícias publicadas na imprensa, como se estivesse contestando indiretamente o magistrado que comanda o caso. O fato é que cumprir decisão judicial não é apenas uma atitude de bom alvitre, mas de quem aproveitou o banco da escola e se recorda de tudo o que aprendeu.
Pulga na orelha
Noticiado com exclusividade por esta coluna, o encontro que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, manteve durante almoço na churrascaria Potência do Sul, em Brasília, tem causado um inexplicável furor nas hostes oposicionistas. Todos querem saber o que um homem elegante e repleto de manias pode ter ido fazer em uma churrascaria do tipo rodízio, principalmente se considerados o perfil do convidado e o assunto tratado. Por outro lado, esquenta a cabeça de muita gente envolvida na área da telefonia brasileira a infinidade de mensagens trocadas por celular entre empresários italianos e brasileiros, especialmente os ligados à imprensa.
Tempos de chumbo
Caso típico de censura, a proibição do livro “Na Toca dos Leões”, de Fernando Morais, tem provocado as mais diversas reações pelo Brasil afora. O jornalista Carlos Brickmann, um dos mais brilhantes e competentes deste país (tão sem diploma quanto o editor desta página eletrônica), em sua coluna no jornal Diário do Grande ABC promete enviar aos interessados o trecho do livro que tem causado tanta polêmica (carlos@brickmann.com.br). Tal situação, a da proibição, faz lembrar os tempos em que o filem Je Vou Salue Marie, de Jean Luc Godard, à época condenado pela Igreja Católica, a mesma que tempos depois estaria envolvida em escândalos de pedofilia. Enfim, só nos resta manifestar apoio inconteste a Fernando Morais.
Dança de cadeiras
Ainda nos palanques da disputa eleitoral pela prefeitura de São Paulo, José Serra atacou com veemência a ex-prefeita Marta Suplicy, que deixou a maior cidade do Brasil em estado caótico, a começar pelas áreas da Saúde, transportes, coleta de lixo, entre outros. Cinco meses e meio de depois de ocupar a cadeira mais importante da cidade, o tucano Serra não fez absolutamente nada do que prometeu. Aa ruas continuam intransitáveis por conta da infinidade de remendos que existe, o que faz do motorista paulistano um piloto de montanha russa. Na área da Saúde nada de tão magnífico aconteceu, enquanto o munícipe aguarda a anulação dos contratos de coleta de lixo, principalmente porque quem passa a responder pelo assunto é ninguém menos que Angelo Andrea Matarazzo, ex-embaixador do Brasil em Roma e atual sub-prefeito da Sé, que assume a pasta de Serviços em substituição à demissionária Maria Helena Orth.
Por um triz
Acusado pelo Ministério Público paulista por ter contratado, quando ainda prefeito, a Rede Globo para transmitir a Maratona de São Paulo, Paulo Salim Maluf escapou de qualquer condenação possível no processo que tramita na 23ª Vara Criminal de São Paulo, cuja juíza, Isaura Cristina Barreira, declarou extinta a punibilidade do ex-alcaide paulistano por ter completado setenta anos. Certamente foi esse o motivo que levou Maluf e sua Sylvia a se refestelarem nas iguarias do badalado restaurante La Tambouille, em São Paulo, durante o almoço do último sábado.
Bilu, bilu tetéia
De família tradicionalíssima e atualmente gravitando em torno dos domínios do tucano José Serra, um ex-integrante do governo FHC, que já beira os cinqüenta anos, recebeu, dia desses, a notícia da existência de um irmão menor e bastardo. O pai, um septuagenário convicto e galanteador de estirpe, se encantou com a secretária e não pensou duas vezes. Para abafar o escândalo por algum tempo, o papai fora de época desembolsou a bagatela de R$ 1 milhão. Descoberta a pulada de cerca, a família entrou em polvorosa.
Entrou, é assalto!
Quem vai ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, usando o próprio carro e faz uso do estacionamento local, pode ir se preparando. Reduzido pela metade para que no espaço interditado seja construído um edifício-garagem, o estacionamento está muito aquém da necessidade, o que obriga o usuário a um verdadeiro calvário até encontrar uma vaga. O fato é que a Sao Parking, empresa que administra o estacionamento, instituiu uma tolerância de tempo de apenas cinco minutos, insuficientes para se encontrar uma vaga. Passado tal período, o cliente paga, tendo encontrado vaga ou não, R$ 7,00. Tudo sob os olhos da Infraero, que o Planalto tanto insiste em privatizar.
Vivos demais
Os clientes da Vivo, que no último domingo procuraram as lojas e quiosques da empresa para solucionar problemas com suas linhas de telefonia celular ou, até mesmo, para trocar o aparelho, perderam a viagem. De acordo com os funcionários da Vivo, a empresa decidiu substituir o sistema de informática, que só voltou a funcionar na segunda-feira à tarde. É verdade que a Vivo vem perdendo terreno para a concorrência, situação que levou à degola o presidente da empresa, mas um simples comunicado, com alguns dias de antecedência, impediria que os clientes percebessem que o nariz de cada um estava cada vez mais vermelho e arredondado. E dá-lhe picadeiro!
Coisa de gênio
Pensando bem, nem sempre um rebanho de ovelhas carece de um pastor.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Governador do Paraná, Roberto Requião ainda não falou sobre as estripulias de dois secretários. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós, os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Reticências amargas
Mesmo que o Planalto considere que o caso etílico-jornalístico que tomou conta da semana que passou esteja encerrado, muitas reticências ainda vão fazer força para perdurar. O jornal Folha de São Paulo publicou, ontem, reportagem que trata do alcoolismo na família da Silva. De acordo com o jornal, já são três geração da família do presidente Lula que são atacadas pela dependência química. Enfim, o que era para ser uma rápida e folclórica brincadeira, acabou se convertendo em uma discussão genético-hereditária. Diz a sabedoria popular que quem procura, acha. (18/05/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br
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