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uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 880 - quarta-feira, 18 de maio de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Ninguém deve ser elogiado pela sua bondade quando não tem forças para ser mau.

La Rochefoucauld

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Osso duro
O presidente Lula tem, hoje, uma das mais espinhosas tarefas de sua administração, desde que chegou ao Palácio do Planalto. A visita que fará ao Congresso Nacional, com o objetivo de aparar as pontiagudas arestas da base aliada, pode resultar em nada. O PMDB, que clama por maior participação no governo, já decidiu que terá candidato próprio para enfrentar Lula em 2006, o que joga por terra toda e qualquer ambição política de uma banda do partido, especialmente a freqüentada por Renan Calheiros, José Sarney, Ney Suassuna e José Borba. A decisão do PMDB foi anunciada ostensivamente nesta terça-feira, em programa do horário político, tendo como garoto-propaganda o deputado e presidente nacional do partido, Michel Temer.

Batendo duro
Como era de se esperar, o assunto de corrupção nos Correios tomou conta do Congresso Nacional. No Senado, onde a discussão pairou sobre a criação ou não de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as denúncias publicadas pela revista Veja, o senador José Agripino Maia (PFL-RN) não poupou o Presidente da República, que declarou, horas antes, que sua confiança no deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente nacional do PTB, era tão grande, que a lê entregaria um cheque em branco e dormiria tranqüilo. José Agripino lembrou que se Lula é capaz de tal atitude, o problema é exclusivamente dele, mas o povo brasileiro não dorme diante das denúncias. E do povo brasileiro cuidamos nós, concluiu o senador potiguar. Causa espécie a declaração do presidente Lula, principalmente diante do teor das denúncias e da recusa do presidente do PT, José Genoíno, de apoiar a criação de uma CPI.

Alvo predileto
Ainda o Senado... O tempo esquentou quando os senadores Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) e Aloízio Mercadante (PT-SP) trocaram farpas quando o assunto dos Correios estava em discussão. Virgílio rebateu as críticas do senador petista, que insistia em imputar à era FHC a responsabilidade pela escolha da Gtech, dizendo que era melhor ter a Gtech trabalhando para o governo do que sendo usada para roubar. Em seu destemperado discurso, Aloízio Mercadante, que lá estava para salvar o governo que representa, desviou o discurso e retomou o assunto das privatizações, declarando ser de suma importância descobrir as razões da entrega dos setores elétricos, de telefonia e mineração para a iniciativa privada. A verdade sobre as privatizações deve ser trazida á luz, mas os motivos que levaram FHC a agir de tal modo certamente são os mesmos que impulsionaram o presidente Lula a querer privatizar a Infraero, o Serviço de Inspeção Veicular, etc... E cada qual conclua o que melhor convier.

Surra nova
Tido como uma das maiores pedras no sapato do PT palaciano, o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), cacique-mor da Câmara, impôs mais uma derrota política ao presidente Lula. Com 203 votos, o deputado Augusto Nardes (PP-RS) vence a eleição para assumir uma vaga de Ministro do Tribunal de Contas da União, mesmo que a Câmara tenha sido entupida de denúncias contra o parlamentar gaúcho, condenado em 2004 pelo Supremo tribunal Federal a penas alternativas. Inconformado com os 137 votos que conquistou, José Pimentel (PT-CE) foi mais uma vítima do Palácio do Planalto, que, atordoado com as denúncias de corrupção, não se empenhou como deveria na campanha do deputado petista. O desespero que toma conta do PT é tão grande, que companheiros de partido tentaram convencer Pimentel a desistir da candidatura.

Pedra sobre pedra
Hoje, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara recebe, em audiência pública, os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora, responsáveis pela prisão do publicitário e dublê de rinheiro, Duda Mendonça, em uma rinha de galos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Rayol e Pompílio da Hora foram, durante meses, alvo das mais absurdas investidas do Palácio do Planalto, que não se conformou com o ocorrido com o marqueteiro presidencial. A situação dos delegados complicou, ainda mais, depois da publicação da entrevista concedida ao editor da coluna, que você pode conferir clicando aqui, sendo que a burocracia da Polícia Federal impingiu a ambos nada menos do sete sindicâncias. Ou seja, no Brasil de Lula, Thomaz Bastos e Paulo Lacerda cumprir a lei é crime.

Andar debaixo
Escolhida a dedo para comandar a Brasil Telecom, tarefa que cumpriu até ser indiciada pela Polícia Federal, a executiva Carla Cicco não mais responde pela presidência da empresa, sendo que o rebaixamento de cargo lhe rendeu a diretoria de relações com investidores. Nada mal para quem foi acusada de contratar a empresa americana Kroll, que espionou muito além do que fora encomendado, resvalando, inclusive, em figuras de expressão do governo federal. O que mais intriga é que diante do tamanho do imbróglio protagonizado pelo Senhor Opportunidade, também conhecido como DVD, o Palácio do Planalto assiste ao desenrolar das confusões como se culpado fosse. Ou será que é?

Bom de bico
Suspenso pela Justiça de Nova York, o inexplicável acordo entre o grupo Telecom Italia e o mais polêmico banqueiro tupiniquim, o Senhor Opportunidade , o DVD, também foi colocado sob dúvida no Brasil por decisão da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A decisão provocou um certo desapontamento nos defensores do banqueiro, sendo que um deles, Francisco Müssnich – do escritório Barbosa, Müssnich, Aragão – chegou a ser objeto de notícias publicadas na imprensa, como se estivesse contestando indiretamente o magistrado que comanda o caso. O fato é que cumprir decisão judicial não é apenas uma atitude de bom alvitre, mas de quem aproveitou o banco da escola e se recorda de tudo o que aprendeu.

Pulga na orelha
Noticiado com exclusividade por esta coluna, o encontro que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, manteve durante almoço na churrascaria Potência do Sul, em Brasília, tem causado um inexplicável furor nas hostes oposicionistas. Todos querem saber o que um homem elegante e repleto de manias pode ter ido fazer em uma churrascaria do tipo rodízio, principalmente se considerados o perfil do convidado e o assunto tratado. Por outro lado, esquenta a cabeça de muita gente envolvida na área da telefonia brasileira a infinidade de mensagens trocadas por celular entre empresários italianos e brasileiros, especialmente os ligados à imprensa.

Tempos de chumbo
Caso típico de censura, a proibição do livro “Na Toca dos Leões”, de Fernando Morais, tem provocado as mais diversas reações pelo Brasil afora. O jornalista Carlos Brickmann, um dos mais brilhantes e competentes deste país (tão sem diploma quanto o editor desta página eletrônica), em sua coluna no jornal Diário do Grande ABC promete enviar aos interessados o trecho do livro que tem causado tanta polêmica (carlos@brickmann.com.br). Tal situação, a da proibição, faz lembrar os tempos em que o filem Je Vou Salue Marie, de Jean Luc Godard, à época condenado pela Igreja Católica, a mesma que tempos depois estaria envolvida em escândalos de pedofilia. Enfim, só nos resta manifestar apoio inconteste a Fernando Morais.

Dança de cadeiras
Ainda nos palanques da disputa eleitoral pela prefeitura de São Paulo, José Serra atacou com veemência a ex-prefeita Marta Suplicy, que deixou a maior cidade do Brasil em estado caótico, a começar pelas áreas da Saúde, transportes, coleta de lixo, entre outros. Cinco meses e meio de depois de ocupar a cadeira mais importante da cidade, o tucano Serra não fez absolutamente nada do que prometeu. Aa ruas continuam intransitáveis por conta da infinidade de remendos que existe, o que faz do motorista paulistano um piloto de montanha russa. Na área da Saúde nada de tão magnífico aconteceu, enquanto o munícipe aguarda a anulação dos contratos de coleta de lixo, principalmente porque quem passa a responder pelo assunto é ninguém menos que Angelo Andrea Matarazzo, ex-embaixador do Brasil em Roma e atual sub-prefeito da Sé, que assume a pasta de Serviços em substituição à demissionária Maria Helena Orth.

Por um triz
Acusado pelo Ministério Público paulista por ter contratado, quando ainda prefeito, a Rede Globo para transmitir a Maratona de São Paulo, Paulo Salim Maluf escapou de qualquer condenação possível no processo que tramita na 23ª Vara Criminal de São Paulo, cuja juíza, Isaura Cristina Barreira, declarou extinta a punibilidade do ex-alcaide paulistano por ter completado setenta anos. Certamente foi esse o motivo que levou Maluf e sua Sylvia a se refestelarem nas iguarias do badalado restaurante La Tambouille, em São Paulo, durante o almoço do último sábado.

Bilu, bilu tetéia
De família tradicionalíssima e atualmente gravitando em torno dos domínios do tucano José Serra, um ex-integrante do governo FHC, que já beira os cinqüenta anos, recebeu, dia desses, a notícia da existência de um irmão menor e bastardo. O pai, um septuagenário convicto e galanteador de estirpe, se encantou com a secretária e não pensou duas vezes. Para abafar o escândalo por algum tempo, o papai fora de época desembolsou a bagatela de R$ 1 milhão. Descoberta a pulada de cerca, a família entrou em polvorosa.

Entrou, é assalto!
Quem vai ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, usando o próprio carro e faz uso do estacionamento local, pode ir se preparando. Reduzido pela metade para que no espaço interditado seja construído um edifício-garagem, o estacionamento está muito aquém da necessidade, o que obriga o usuário a um verdadeiro calvário até encontrar uma vaga. O fato é que a Sao Parking, empresa que administra o estacionamento, instituiu uma tolerância de tempo de apenas cinco minutos, insuficientes para se encontrar uma vaga. Passado tal período, o cliente paga, tendo encontrado vaga ou não, R$ 7,00. Tudo sob os olhos da Infraero, que o Planalto tanto insiste em privatizar.

Vivos demais
Os clientes da Vivo, que no último domingo procuraram as lojas e quiosques da empresa para solucionar problemas com suas linhas de telefonia celular ou, até mesmo, para trocar o aparelho, perderam a viagem. De acordo com os funcionários da Vivo, a empresa decidiu substituir o sistema de informática, que só voltou a funcionar na segunda-feira à tarde. É verdade que a Vivo vem perdendo terreno para a concorrência, situação que levou à degola o presidente da empresa, mas um simples comunicado, com alguns dias de antecedência, impediria que os clientes percebessem que o nariz de cada um estava cada vez mais vermelho e arredondado. E dá-lhe picadeiro!

Coisa de gênio
Pensando bem, nem sempre um rebanho de ovelhas carece de um pastor.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Governador do Paraná, Roberto Requião ainda não falou sobre as estripulias de dois secretários. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Nós, os filhos da mãe" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Reticências amargas
Mesmo que o Planalto considere que o caso etílico-jornalístico que tomou conta da semana que passou esteja encerrado, muitas reticências ainda vão fazer força para perdurar. O jornal Folha de São Paulo publicou, ontem, reportagem que trata do alcoolismo na família da Silva. De acordo com o jornal, já são três geração da família do presidente Lula que são atacadas pela dependência química. Enfim, o que era para ser uma rápida e folclórica brincadeira, acabou se convertendo em uma discussão genético-hereditária. Diz a sabedoria popular que quem procura, acha. (18/05/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

Rocinha- Uma das maiores favelas do mundo, com 250 mil habitantes, a Rocinha reúne exemplos de ação social reconhecidos dentro e fora do país. Ela é retratada por sua própria gente e captada pela câmera de André Cypriano, conceituado fotógrafo brasileiro, em livro editado pela Editora Senac.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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