| Pobres mães
Eternamente lembradas por conta de nossos erros, mas continuamente esquecidas quando nossos parcos acertos triunfam, as Mães – aqui merecem o maiúsculo da consoante que descerra o vernáculo – que foram homenageadas de maneira efusiva em mais uma data do calendário comercial, mereceram a especial e redacional atenção de Heraldo Palmeira, em MÃES A GRANEL, e do editor da coluna, em NÓS, OS FILHOS DA MÃE. Clique e confira os artigos de Heraldo Palmeira e Ucho Haddad.
Surras caseiras
Com sete Medidas Provisórias trancando a pauta, a Câmara dos Deputados tem pela frente uma semana eletrizante, onde a promessa da retomada dos trabalhos parece ser o principal objetivo da Casa. A MP mais polêmica e que pode impor ao governo Lula mais uma derrota política é a que trata da escolha do nome do novo ministro do Tribunal de Contas da União, o TCU. Candidato do Palácio do Planalto, o deputado José Pimentel (PT-CE), que já sente o sabor da derrota, contratou o instituto Vox Populi para realizar pesquisa telefônica sobre suas possibilidades de vitória. A oposição deve concentrar os votos no nome do deputado Augusto Nardes (PP-RS), que conta com a proteção e bênçãos do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti. Por fora corre o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que conta com o apoio do ministro José Dirceu, a cujo filho, José Carlos Becker de Oliveira (Zeca do Dirceu ou Zeca Caroço), transferirira sua base eleitoral no Paraná, como antecipou a coluna meses atrás. O pior de tudo é continuar acreditando em um governo, cujo presidente tem colecionado derrotas políticas impostas por um de seus aliados (Severino Cavalcanti), além de ser obrigado a administrar intifadas palacianas, a exemplo do apoio de Dirceu a Serraglio. Pobre Lula!
Firmes e decididas
Instaladas em um acampamento montado diante do Itamaraty, as esposas de militares prometem não arredar o pé do local até que o governo Lula sinalize concretamente com o reajuste dos soldos de todos os militares das Forças Armadas, como determina a legislação vigente. O medo que domina o Palácio do Planalto é que as comitivas dos países árabes, que já estão na capital federal para participarem da cúpula Países Árabes – América Latina, levem para casa uma impressão que traduza a realidade brasileira: uma desordem sem progresso ou, para os mais céticos, um progresso fantasioso sem ordem alguma. Para evitar qualquer tipo de situação, o governo Lula infiltrou arapongas entre os participantes do acampamento, sendo que a Inteligência brasileira tem cometido a burrice de se deixar identificar.
Confusões a metro
A polêmica que paira sobre o pseudo-acordo firmado entre a Telecom Italia e o Senhor Opportunidade, que supostamente transfere ao grupo empresarial italiano o controle da Brasil Telecom, é muito maior do que a inocência tupiniquim se permite. Tido como guru de inúmeros políticos brasileiros, dentre eles o candidato derrotado à Presidência e agora ministro Ciro Gomes, o economista Mangabeira Unger aparece no imbróglio na condição de trustee de ações judiciais, situação inusitada pelo menos no cenário verde-amarelo dos negócios. Mangabeira Unger deve estar recebendo verdadeiras fortunas para se enveredar por terreno tão movediço quanto lamacento, a ponto de comprometer sua possível candidatura, em 2006, à Presidência da República. E como o brasileiro está cansado de embusteiros de todos os naipes, é bom que Unger seja apenas mais um devoto de São Daniel.
Na mosca
Como antecipou a coluna, o presidente do Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil – Previ, Sérgio Rosa, acabou mesmo sendo alvo de matérias jornalísticas que rechearam as páginas de revistas que se dedicam ao mundo da economia e dos negócios. Questionar as mazelas que infestam os bastidores dos fundos de pensão seria um ato de irresponsabilidade jornalística desmedido, mas chega a ser de um opportunismo questionável o assunto ser trazido à tona no momento em que o acordo com a Telecom Italia foi suspenso temporariamente por decisão judicial, reflexo das investidas da Previ, que aparece na composição societária da Brasil Telecom. De mais a mais, acreditar que Valmir Camilo, que integra a Previ e está à frente do Conselho de Administração da Bombril, foi catapuldado do ostracismo para a fama sem a ajuda de nenhum Daniel, é o mesmo que colocar a meia na janela durante os dias que antecedem o Natal, acreditando que Papai Noel em um dos pés irá deixar um mimo idêntico ao de nossos sonhos. Enfim, cada um escolhe o pesadelo que melhor lhe convém.
Rega-bofe indigesto
Em seu luxuoso apartamento na zona sul carioca, o Senhor Oportunidade recebeu, dia desses, um grupo de jornalistas para um jantar, quando foram traçadas as diretrizes para desestabilizar a Previ, uma das principais e mais incômodas pedras no caminho do banqueiro opportunista. Na ocasião, ficou decidido que as reportagens deveriam não apenas achincalhar a imagem de Sérgio Rosa, o que pode lhe render imprevisíveis conseqüências, mas produzir fatos que causem efeito no Judiciário nacional, responsável pelo julgamento das mais distintas disputas envolvendo o banqueiro e seus conhecidos inimigos, sendo que um deles, a Telecom Italia, inexplicavelmente passou à condição de aliada. Na verdade, o que o Brasil presencia pode ser comparado aos momentos flamejantes que infestaram a Chicago dos anos 30, tema que o editor da coluna retrata no artigo A CHICAGO DE AL CAPONE E O RIO DE SÃO DANIEL. Clique e confira o artigo.
Sua majestade, o clone
Flagrado pelas câmeras do prédio onde funciona o escritório do espião israelense Avner Shemesh, contratado para bisbilhotar a vida dos inimigos do Senhor Opportunidade, o ex-cunhado do banqueiro opportunista, Carlos Rondenburg, alega não ser ele a pessoa que aparece nos filmes entregues à Justiça. Para Rodenburg, trata-se de um equívoco qualquer ou, quem sabe, de alguém com características físicas muito semelhantes às suas. O fato é que o livro de registro de entradas de visitantes, onde aparece o nome de Rodenburg, não tem significado algum para a Justiça ou simplesmente já evaporou. Assim, é possível esperar que Carlos Rodenburg surja com mais uma piada, alegando que a sociedade da ex-mulher e irmã do opportunista com Verônica Allende Serra, filha do prefeito José Serra, na empresa Decidir.com é mais uma obra do acaso ou uma ficção desmedida qualquer.
Sai pra lá
No último domingo, quando comemoramos o Dia das Mães, algumas genitoras baianas, especialmente as que deram à luz alguns polêmicos soteropolitanos, sentiram-se envergonhadas ao serem lembradas por seus opportunistas rebentos, mesmo que elas, as mães, já estejam devorando grama pela raiz e com sete palmos de terra sobre a consciência. Preferiam, é verdade, que seus filhos as esquecessem, enquanto continuam fazendo na vida pública o que sempre fizeram na privada. Mesmo assim, o maternal domingo contou com certos filhos valentes, que insistiram em achincalhar a dignidade da santa mãe e posar de bom moço. Triste relação essa entre mãe inoportuna e filho opportunista.
Maluca beleza
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, parece viver momentos de puro devaneio. A criação de área de reserva ambiental, no interior do Paraná, vai exigir da União o pagamento de R$ 1,2 bilhão em indenizações por desapropriação de terras, sendo que na Vara da Justiça Agrária, em Curitiba, existem 544 processos à espera de uma decisão, cujas indenizações somam muito menos do que Marina Silva pretende investir em sua invencionice. Assim, como o assunto é meio ambiente, resta concluir que Marina Silva foi vítima da maldição do sapo cururu ou caiu na esparrela do chá do Santo Daime.
Protegendo o inimigo
Ao que tudo indica, a instalação da CPI do Setor Elétrico, que teve em um atabalhoado discurso do presidente Lula seu motivo maior, parece não incomodar o tucanato, que, na opinião de muitos, deve ser o maior prejudicado com as investigações, uma vez que a comissão deve concentrar as atenções nas privatizações do setor. Consultados pela coluna, alguns tucanos de fina plumagem se mostraram tranqüilos, pois o PT e o Palácio do Planalto vão acabar enterrando a CPI, temendo que as mazelas da Itaipu Binacional venham à tona. Entre os temas mais explosivos estariam os nomes de alguns jornalistas que fazem parte de uma lista de protegidos pela usina, que encontraram milhares de verdejantes motivos mensais para não mais atacarem a administração de Jorge Sameck e seus diletos pupilos.
Do próprio veneno
A greve que afeta a Itaipu Binacional tem um fato inusitado. O Sindicato dos Eletricitários de Foz do Iguaçu, que comanda a greve, recebeu, dias atrás, polpudo apoio financeiro da usina para realizar a festa em comemoração do Dia do Trabalho. Ora, se o comandante-mor do capítulo brasileiro da binacional, Jorge Sameck, não roeu a corda em algum acordo dúbio, é porque sua inocência atingiu doses insuportáveis ou traição de qualquer espécie já virou rotina nos domínios da fronteira.
Fim da picada
Enquanto o governador Geraldo Alckmin tropeça nas justificativas que apresenta aos paulistas para explicar a falta de segurança e a escalada da criminalidade em seus domínios, a cidade de São Paulo vive momentos inusitados. No cruzamento das alamedas Campinas e Jaú, no elegante e caro bairro dos Jardins, uma câmera de segurança, adquirida e instalada às custas do dinheiro público, parece ser mais um engodo da administração pública. A câmera, que supostamente deveria monitorar a ação de bandidos, que na região se tornou um fato corriqueiro, está coberta por um espesso cacho de marimbondos, que impede a captação de qualquer imagem, se é que tal situação algum dia aconteceu. A não ser que os marimbondos sejam a causa maior dos freqüentes assaltos que aterrorizam os moradores dos Jardins. Com a palavra o abelhudo governador Geraldo Alckmin.
Perdedor vitorioso
O Brasil continua sendo o país das coisas inexplicáveis. Sem nenhuma realização de tirar o fôlego à frente da Secretaria da Justiça paulista e responsável direto pelo maior número de rebeliões na Febem, nos últimos tempos, o secretário Alexandre Morais conseguiu o inusitado. Derrotou o candidato do Palácio do Planalto, Sérgio Renault, ao Conselho Nacional de Justiça, para onde deve seguir depois de deixar o governo Alckmin. Inicialmente, Alexandre Morais pretendia acumular mais um cargo, mas sua pífia atuação como secretário e presidente da Febem o colocam na fila da degola. Ainda quando sonhava com o acumulo de funções, Alexandre Morais despertou a inquietude no leitor Antonio Carlos do Amaral, que indignado com o discurso do secretário após a vitória, ressuscitou frase de Alexandre Dumas que certa vez disparou: Prefiro os canalhas aos imbecis. Os canalhas pelo menos descansam de vez em quando.
Combinado, combinadíssimo
A Justiça tem se mostrado insensível ao mostrar à sociedade que a prática da injustiça é seu prato predileto, sempre atrelada aos interesses de quem julga ou, principalmente, de quem é julgado, desde que o último possa de alguma maneira interferir positivamente na vida do primeiro. O recurso interposto pelo Ministério Público fluminense contra o habeas corpus que excluiu a acusações de formação de quadrilha e apologia ao crime contra Duda Mendonça, Jorge Babu e outros rinheiros, foi rejeitado na Quarta Câmara Criminal do Tribunal do Rio de Janeiro. O desembargador responsável por mais uma aberração da Justiça é o mesmo que proferiu o esdrúxulo voto que, de início, poupou os agora mais que protegidos pelo Palácio do Planalto. Não fossem a conduta ilibada e a crença inconteste dos delegados e agentes federais responsáveis pelas prisões, todos, sem exceção alguma, já estariam vivendo definitivamente como culpados. Ou seja, a cegueira da Justiça só existe na medida que sobrevive a nefasta e virulenta relação entre interesses e interessados.
Nada santa
Pensando bem, quando a honra da mãe alheia for a bola da vez, basta chamar o inimigo de filho de uma inoportuna.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
A viúva de Toninho do PT, ex-prefeito de Campinas, continua aguardando uma audiência com o presidente Lula. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A Chicago de Al Capone e o Rio de São Daniel"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"Nós, os filhos da mãe"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Mães a granel" - por Heraldo Palmeira
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Na contra-mão
Para complicar ainda mais a situação palaciana, em relação ao caso do New York Times, o gabinete presidencial vai comprar uma série de produtos que derruba qualquer defesa do caso. O processo de licitação número 00140.000009/2004-11 vai permitir a aquisição de, entre outras coisas, 748 copos de cristal para vinho, champanhe e whisky. Por mais que no passado tal tipo de compra fosse rotulada como normal, a atual pode ser considerada incongruente, uma vez que o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) apresentou projeto de lei proibindo a compra de bebidas alcoólicas por parte do Palácio do Planalto. Ou será que farão guerra de copos? (10/05/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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