| Tapete voador
Na viagem que fez ao Haiti, quando foi ovacionado nas ruas de Port-au-Prince, o presidente Lula simplesmente rasgou o dinheiro do contribuinte. Para levar o presidente Lula e sua entourage até a capital haitiana o avião presidencial consumiu US$ 4.636,00 em telefonia, apoio de solo e taxas aeroportuárias e, pasme, “comissaria”. Para os mais desavisados, “comissaria” significa alimentos e bebidas. Traduzindo, Lula conseguiu gastar R$ 11.437,01 em uma reles viagem que nada rendeu ao País, sendo que boa parte do dinheiro foi torrada com comes e bebes. Ou seja, de socialista o presidente Lula nada tem.
Cartão vermelho
Com a pompa e circunstância que toma conta dos eventos oficiais do governo federal desde o primeiro dia de 2003, o presidente Lula lançou ontem mais um jogo de azar, o Timemania. Trata-se de uma loteria esportiva repaginada, que destinará parte da arrecadação para os clubes de futebol. As agremiações que estiverem em débito com o fisco não receberão absolutamente nada, mas o dinheiro a que têm direito será utilizado para quitar as pendências tributárias. Sob a égide do esporte mais popular do país, Lula acabou criando uma regra de exceção, pois vai permitir que uma cornucópia fantasiosa patrocine a inadimplência tributária dos clubes. Assim, o presidente deveria criar um jogo de azar qualquer que beneficiasse os pequenos e médios empresários que são diariamente degolados pela sede arrecadadora do Estado. Até porque, se todos são iguais perante a lei, como prega a Constituição, a benesse não pode existir para determinados segmentos da sociedade.
Devoto do santo
Presidente da Associação Nacional de Funcionários do Banco do Brasil (Anabb) e do Conselho de Administração da Bombril, Valmir Camilo emergiu do nada para infernizar a vida de Sérgio Rosa, presidente da Previ, maior fundo de pensão da América Latina e um dos fidagais inimigos do banqueiro mais polêmico do país, o Senhor Opportunidade. Confiante em sua empreitada, Valmir Camilo tem procurado importantes publicações nacionais dedicadas ao segmento de economia e negócios, com o claro intuito de colocar Sérgio Rosa na berlinda. Ao que parece, Camilo seria mais um dos novos adeptos da seita que tem no valente São Daniel o santo protetor. Tem cheiro de opportunismo e opportunistas no ar.
Caderninho de derrotas
Canonizado nos últimos dias por parte da imprensa nacional, com direito a foto de corpo inteiro em revista semanal, o Senhor Opportunidade, que parece não ter sossego, conquistou ontem mais uma derrota em sua trajetória empresarial. Depois de surgir como Midas por conta do acordo selado com a Telecom Italia, com quem vinha travando uma hercúlea disputa, o banqueiro opportunista foi pego de surpresa por uma decisão da Justiça nova-iorquina. Ontem, o juiz Lewis Kaplan decidiu suspender temporariamente o acordo firmado com a Telecom Italia, o que não apenas coloca mais lenha em uma já ardente fogueira, mas recoloca o Citibank e os fundos de pensão brasileiros na condição de controladores da Brasil Telecom. Em outras palavras, a vendetta foi interrompida abruptamente.
Gente grande
Na busca e apreensão realizada no escritório do espião israelense Avner Shemesh, em São Paulo, policiais encontraram sobre uma das mesas o cartão de visita de uma conhecida figura do primeiro escalão do governo federal, a quem o presidente Lula nutre uma especial admiração. Shemesh foi contratado para espionar os inimigos do banqueiro opportunista, mas acabou bisbilhotando, inclusive, a vida do empresário Ari Natalino da Silva, acusado de adulteração de combustíveis, sonegação fiscal e contrabando e atualmente em prisão domiciliar. No caso do cartão de visita vir à tona, o governo Lula simplesmente desmorona.
Mão em vespeiro
No material apreendido no escritório do espião Shemesh, foi encontrada uma série de provas sobre grampos telefônicos, sendo que um deles chamou a atenção. Trata-se de uma conversa entre um conhecido e respeitado jornalista e âncora de telejornal e ninguém menos que Antoninho Marmo Trevisan, dono da consultoria que leva seu nome e presidente da Ong Apoio Fome Zero. Caso o presidente Lula se abstenha de qualquer atitude diante dos escândalos que diuturnamente surgem, certamente terá perdido um amigo.
Tutu de volta
O Supremo Tribunal Federal pode anunciar, nos próximos dias, uma decisão que vai obrigar o Senado a indicar os integrantes e instalar a CPI dos Bingos. Parada desde sua criação, a CPI deve investigar o ex-assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, acusado de concussão e extorsão. O problema maior não será instalar a comissão de inquérito em questão, mas a situação dos políticos que viram milhões de verdejantes motivos para sepultar, mesmo que temporariamente, o assunto.
Rolo compressor
Cansado de esperar por uma decisão do Palácio do Planalto, que ampliaria a participação do partido no governo Lula, o PMDB decidiu radicalizar. Uma resolução interna prorrogou o mandato dos atuais dirigentes do partido até 2007, o que pode ser uma indigesta sinalização oposicionista para Lula em sua tentativa de reeleição. Tal situação reabre as chances de Anthony Garotinho ser o candidato peemedebista à Presidência da República, o que livra os paulistas de sua tentativa de ser o próximo ocupante do Palácio dos Bandeirantes.
Olho da rua
A cassação de André Luiz aconteceu com um número incontestáveis de votos a favor (311), mas a sociedade brasileira, em especial o eleitor, tem o direito de saber o nome de cada um dos cento e quarenta deputados que votaram contra a matéria, se abstiveram ou anularam seus votos. Nos bastidores, o comentário que dominou foi que a cassação só aconteceu por conta da escandalosa manobra protagonizada por Severino Cavalcanti em favor do deputado Pedro Corrêa, presidente nacional do PP. E Severino ainda diz que é um religioso fervoroso.
Aos amigos, tudo
Relator da comissão de sindicância que decidiu pela cassação de André Luiz, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse à coluna que a perda de mandato só foi aprovada por conta do considerável número de parlamentares presentes à sessão. Para Fruet, um número ligeiramente menor de deputados poderia comprometer a casacão. E mais: Severino Cavalcanti, presidente da Câmara dos Deputados, votou favoravelmente à cassação. A situação chega a ser estranha se considerado o caso do presidente do PP, Pedro Corrêa, que escapou de uma investigação por obra e graça de Severino Cavalcanti.
Face lenhosa
Momentos antes de ter início a votação da cassação de André Luiz, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) pediu a palavra e declarou ser favorável à perda de mandato, mas disse que lamentava não ficar para a votação, pois estava atrasado para embarcar para Montevidéu. A desculpa do deputado paranaense foi simplesmente vexatória, principalmente para quem utiliza o próprio pseudo-radicalismo para se fazer de coerente. Em outras palavras, o Dr. Rosinha é um moralista de chuteiras.
Estragando a festa
Diretor de Liquidação e Desestatização do Banco Central, Antonio Gustavo Matos do Vale anunciou que a liquidação do Banco Santos foi autorizada, devendo o interventor, Vânio Aguiar, pedir imediatamente a falência da instituição há bem pouco tempo comandada pelo banqueiro e dublê de mecenas, Edemar Cid Ferreira. Mas o BC pode ser pego de surpresa, pois um pedido de CPI do Banco Santos está, além de pronto, com mais de três dezenas de assinaturas de sobra.
Beco sem saída
A Câmara dos Deputados vai investir R$ 84,6 milhões para reformar os apartamentos funcionais, muitos dos quais estão vazios. Para abrigar em Brasília trezentos e quatro parlamentares que se recusam a ocupar os imóveis, a Câmara paga a cada um dos deputados R$ 3 mil mensais a título de auxílio-moradia, o que aumenta a despesa da Casa em R$ 864 mil todos os meses. Com a reforma, os atuais 432 apartamentos serão transformados em 532 imóveis modernos e adequados para a função, o que vai permitir a suspensão do auxílio-moradia. O fato é que muitos políticos aproveitaram a tal verba para pagar as parcelas do financiamento da compra de imóveis na capital federal. Ou seja, o contribuinte madruga para engordar o patrimônio de seus representantes legais.
Irresponsável de plantão
Mais uma vez, a unidade Tatuapé da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor – Febem, em São Paulo, se transformou em um verdadeiro barril de pólvora. Com vinte funcionários mantidos como reféns por várias horas, a rebelião promovida pelos internos terminou com trinta e duas pessoas feridas e cenas dignas de qualquer filme de violência. O mais intrigante é que o governador Geraldo Alckmin não vem a público para comentar o assunto, da mesma forma que não demite os responsáveis por tamanho descaso. A Febem, nos últimos anos, vem sendo utilizada como plataforma política de muitos, sendo que a recuperação dos infratores nem de longe é sequer discutida. Mesmo assim, Alckmin continua sonhando em ocupar, quiçá um dia, o Palácio do Planalto. E do jeito que as coisas vão, só invadindo.
Clave de Sol
Pensando bem, com tantas loucuras no mercado financeiro, Jorge Ben deveria cantar os opportunistas estão chegando.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Até hoje, José Dirceu não se explicou sobre o caso Waldomiro Diniz. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A visão usual da ilegalidade"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Mandraque vermelho
Depois de uma rápida reunião com o presidente Lula, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) – aquele que freqüentava o Congresso e a faculdade em São Paulo simultaneamente – se dedicou à aprovação na Comissão Especial da Câmara do projeto que permite a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Por outro lado, João Paulo Cunha pode ter um sério problema na sua empreitada pela reeleição. Luiz Costa Pinto, contratado pela Coca-Cola para monitorar as ações que por ventura surgissem contra a empresa no Congresso (clique para ver o documento), é assessor de comunicação do deputado João Paulo Cunha. E o deputado petista se sentiu muito à vontade – encontrou um milhão de verdes motivos para tal – para assinar um documento que culminou com o adiamento de uma sessão da comissão. Como os documentos já estão com a oposição, só resta esperar. (05/05/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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