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ano 4 - número 869 - segunda-feira, 02 de maio de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Não existem fatos, apenas interpretações.

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Tão logo chegou ao posto máximo da nação, Luiz Inácio Lula da Silva não media esforços para se misturar ao povo, ato que repetiu nas mais inusitadas e inseguras situações. Ontem, durante a comemoração do Dia do Trabalho, Lula, que foi achincalhado pelo clérigo tupiniquim, apenas compareceu a uma tradicional missa celebrada em São Bernardo do Campo. Temendo vaias que comprometessem sua imagem junto à opinião pública, a assessoria palaciana preferiu evitar qualquer contratempo, recomendado ao presidente Lula que permanecesse em sua casa durante a maior parte do tempo. Assim, resta concluir que a habilidade Duda Mendonça em criar embustes políticos não é tão duradoura como muitos imaginavam.

No lugar errado
As comemorações do 1º de Maio foram o espelho da irresponsabilidade que toma conta do Brasil, cuja territorialidade faz inveja aos mais ricos países do planeta. Analisando o evento realizado pela Força Sindical, central sindical comandada por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, colocar milhares de trabalhadores sob uma típica garoa paulistana para ouvir o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), é imaginar que o brasileiro não raciocina. Cavalcanti é a antítese do esforço de qualquer trabalhador brasileiro, especialmente se considerarmos, entre tantos absurdos, sua inglória defesa do nepotismo. Aos que nada enxergam nas atitudes de Severino Cavalcanti, o atual presidente da Câmara tem feito de seu cotidiano um misto de ataques e adulações ao presidente Lula, o qual prometeu criar dez milhões de novos postos de trabalho.

Coisa de doido
O evento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizado na avenida Paulista, foi um ato de desumanidade. Principal centro financeiro do país, a mais paulista das avenidas é um conhecido corredor de acesso aos principais hospitais da capital, o que pode ter colocado sob risco a vida de uma enormidade de pacientes que buscavam atendimento médico. Por outro lado, ter permitido gastos exorbitantes para comemorar o Dia do Trabalho, a exemplo do que ocorreu na queima de fogos de artifício, tira de Luiz Marinho, presidente da CUT, qualquer possibilidade futura de criticar o presidente Lula e seu governo. Até porque, como o segundo foi cabo eleitoral do primeiro, não é leviandade alguma afirmar que ambos são irresponsáveis da mesma cepa.

Duas realidades
Quem ousou circular pelos arredores da avenida Paulista pode perceber que existe uma lunática distância entre a realidade dos trabalhadores brasileiros e seus engalanados representantes. Os comandantes dos sindicatos circulam pela maior cidade do país a bordo de carros elegantes e blindados, sempre acompanhados de um exército de truculentos seguranças, enquanto os trabalhadores de fato se espremem em ônibus e trens. Nas transversais da avenida Paulista foi possível encontrar inúmeros trabalhadores que, escorados em ônibus não tão confiáveis, matavam a fome com um pão amanhecido e uma tubaína de quinta categoria. No contraponto, seus representantes sobrevoavam a região em helicópteros das mais diversas procedências, tendo utilizado um elegante hotel da região como hospedaria da vermelhidão política brasileira.

Majestades vermelhas
Conhecido pelego do sindicalismo brasileiro, Ricardo Berzoini, o ministro que achincalhou com a dignidade dos aposentados, jamais poderia ter subido no palanque para discursar. De igual maneira, o comissário do Palácio do Planalto, José Dirceu, a mais perfeita personificação da mentira universal, usou o microfone para blasfemar discursivamente, diante de uma platéia que já não mais acredita no que ouve. E se em algum momento aplausos existiram, é porque foram vergonhosamente encomendados e pagos com o dinheiro do contribuinte e dos sindicalizados.

Deu a louca
Constantemente utilizada como massa de manobra para salvar a casta de espertalhões de nossa Terra Brasilis, a imprensa nacional mais uma vez serve de verniz para apagar as estripulias de pessoas que ainda vivem sob a égide do sonho de estar acima da lei. Nos últimos dias, a imprensa tupiniquim tem dado vigoroso destaque à (pseudo) venda do controle da Brasil Telecom ao grupo empresarial Telecom Italia, como se os motivos que levaram a tal desfecho jamais existiram. O fato é que o mais polêmico banqueiro do país, o Senhor Opportunidade, continua a abusar de seu agora reduzido prestígio junto à turma de Guttenberg, que em troca de imundos e polpudos pagamentos se curva diante de alguém que não merece a menor credibilidade. Resta torcer para que a Justiça e a Polícia Federal não passem a enxergar o banqueiro opportunista como um beato que, nascido na terra que abriga o mais famoso terreiro do planeta, o do Gantois, resolveu fazer suas lambanças sob os braços do Cristo Redentor. Enfim...

Comprando vento
Quando a notícia do acerto entre a Telecom Italia e o Senhor Opportunidade veio à tona, muito se falou em transferência do controle da Brasil Telecom, empresa de telefonia que a mando do banqueiro opportunista contratou a Kroll para espionagens diversas, quando na verdade o controle da empresa está nas mãos do Citibank e dos fundos de pensão brasileiros. O que a Telecom Itália comprou por uma verdadeira fortuna foi o direito que tinha anteriormente à hercúlea briga, podendo nomear apenas um diretor no conselho de administração. Ou seja, opportunidades à parte, a notícia mais espantosa advinda da Itália continua sendo o batismo de Joseph Ratiznger como papa Bento XVI. E como uma benção especial nada custa no Vaticano, bom seria se a Telecom Italia encomendasse uma missa de corpo presente. Afinal, a empresa morreu com uma dinheirama e sequer escolheu o esquife.

Parou por quê?
Enquanto o governo Lula disparou seus representantes para as principais comemorações do Dia do Trabalho, o Palácio do Planalto coloca sua tropa de choque em ação para evitar que a pauta da Câmara dos Deputados seja destrancada. Com nove Medidas Provisórias impedindo a continuidade dos trabalhos parlamentares, a Câmara dos deputados não conseguirá votar matérias importantes e de interesse da nação, como é o caso da reforma tributária, tema que certamente beneficiaria não só os trabalhadores, mas a população brasileira como um todo. A oposição, que insiste em fazer política com assuntos de interesse nacional, quer fatiar a votação da reforma tributária, enquanto o Planalto teme que tal procedimento afete a reeleição do presidente Lula em 2006. Ou seja, democracia é o modelo político que antes das eleições significa que o poder emana do povo, para, finda a contagem das urnas, se transformar em um verdadeiro escândalo no qual o poder mama no povo.

Por que parou?
Com a interrupção das votações na Câmara dos Deputados, assuntos outros ficarão hibernando nos escaninhos do parlamento brasileiro. O referendo popular sobre o desarmamento é um deles, cuja aprovação e conseqüente realização poderá trazer dividendos políticos negativos á turma palaciana. Outro tema que continua parado é a cassação do deputado André Luiz (sem partido-RJ), acusa de tentar extorquir o bicheiro Carlinhos Cachoeira, que prefere ser chamado de empresário. Um país que fica a mercê de conchavos políticos da pior espécie não pode, nem mesmo em sonho, crescer e desenvolver. Enfim, como muita gente está acostumada a bater palmas para maluco dançar, o melhor é continuar emprestando os ouvidos aos discursos positivistas do presidente Lula.

Corda bamba
Ainda sonhando com a possibilidade de se candidatar ao governo de Goiás, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pode ver seu castelo de areia desmoronar, ainda esta semana. Investigado sobre lavagem de dinheiro e outros crimes correlatos, Meirelles será o alvo de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que na próxima quinta-feira decide sobre uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que questiona a lei, assinada pelo presidente Lula na calada da noite, que concedeu ao presidente e aos ex-presidentes do BC o status de ministro. Mas tudo não deve passar de uma mera especulação, pois o PT, como garantem seus mais estrelados representantes, não rouba, não deixa roubar e combate a corrupção. Waldomiro Diniz que o diga.

Quase preso
O empresário Flávio Maluf, filho do ex-prefeito Paulo Maluf, passou maus momentos no último sábado. Quando tentava embarcar para a Alemanha, no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, Flávio Maluf foi detido e levado para uma sala da Polícia federal, sendo liberado após apresentar uma autorização da Justiça. Responsável maior pela gestão de uma conta bancária na Suíça que movimentou US$ 446 milhões nos últimos anos, sem que a origem do dinheiro tivesse sido comprovada, Flávio Maluf, a exemplo do pai e de outros integrantes da sua família, responde por diversos crimes, entre eles o de lavagem de dinheiro. No depoimento que prestou recentemente à Justiça Federal, Maluf, o filho, alegou que o dinheiro depositado na Suíça era destinado a projetos filantrópicos diversos envolvendo abastadas famílias libanesas. Ou seja, entre filantropia e pilantropia, a desconsoante diferença está em duas consoantes.

Lerdeza insólita
Em Presidente Prudente, cidade do interior paulista, a demora da Justiça para marcar as devidas audiências em que serão ouvidas doze testemunhas de um determinado crime eleitoral tem causado espécie na população local. Acusado de formação de quadrilha,compra de votos e coação à testemunha no curso do processo, o prefeito Agripino Lima, que faz de Presidente Prudente sua Chico City particular, é o principal alvo do processo. E quem conhece os métodos nada ortodoxos adotados pelo alcaide prudentino, não demora a descobrir os motivos que levam a Justiça a ser mais lerda do que a própria lenda.

Cursos telepáticos
Empresária de sucesso, principalmente no universo da televisão, Marlene Mattos parece ter entrado para o time dos deputados petistas João Paulo Cunha e Vicentinho, especialistas em graduação universitária à distância. No último final de semana, Marlene Mattos comemorou, em festa com mais de cem talheres, não apenas seu aniversário, mas sua formatura no curso de Marketing da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Interessante seria saber como Marlene Mattos freqüentou o curso em 2004, ano em passou a maior parte do tempo em São Paulo, a serviço da Rede Bandeirantes. Se Freud não pode explicar, João Paulo e Vicentinho podem.

Caso de polícia
Presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli terá de prestar contas com a Justiça. Por iniciativa do deputado estadual fluminense Carlos Minc, o Ministério Público poderá decretar a prisão do empresário, acusado de crime ambiental. Os vagões ferroviários que descarrilaram na última terça-feira, despejando enorme quantidade de óleo diesel no rio Caceribu, colocando em risco a Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, pertencem á Vale do Rio Doce. Contrariando o que determina a Lei de Proteção Ambiental, a empresa não tem os equipamentos necessários para evitar crimes de tal natureza.

Pesadelo tupiniquim
Pensando bem, mágico é aquele opportunista que tira da cartola algo que não tem, para em seguida vendê-lo a quem acredita estar comprando tudo aquilo que sonhou.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Quantas vezes Lula e sua Marisa usaram os vinte roupões em algodão egípcio, comprados com o dinhiero do contribuinte? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A visão usual da ilegalidade" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Barrado no baile
Durante as comemorações do 1º de Maio, o clérigo da região do ABC, na Grande São Paulo, impediu que o assessor especial da Presidência, Frei Betto, participasse da entourage religiosa que celebraria a missa em São Bernardo do Campo. Inconformado com a decisão, o Planalto tentou de tudo para reverter a situação, mas Frei Betto – de frei não tenta nada, não passa de um reles Irmão Terceiro (carola que freqüenta a sacristia) – foi obrigado a participar do culto religioso ao lado do presidente Lula. Em um ato de rebeldia, o frei que não é frei apareceu usando um lenço vermelho amarrado no pescoço, numa clara alusão ao MST, movimento que representa dentro do Palácio do Planalto. (03/05/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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