| Opportunismo caro
Por quase R$ 1,1 bilhão – pelo menos é o que foi anunciado -, o banqueiro mais polêmico da Terra Brasilis, o Senhor Opportunidade – a Justiça ainda nos impede de citar seu nome – vendeu sua participação na empresa de telefonia Brasil Telecom para o grupo empresarial Telecom Itália, colocando fim a uma hercúlea disputa. Para se manter no controle da BrT, o banqueiro opportunista tentou todas as estratégias possíveis, chegando, inclusive, a contratar a empresa Kroll para espionar a vida de seus inimigos fidagais. A bisbilhotagem, que resvalou em autoridades do primeiro escalão do governo Lula, rendeu ao banqueiro uma série de procedimentos judiciais e policiais, sendo que seu indiciamento por formação de quadrilha e outros crimes aconteceu no último dia 13 de abril, na Polícia Federal do Rio de Janeiro. Resta saber se autoridades vão continuar na cola do banqueiro, responsabilizando-o pelos crimes que cometeu.
Na contra-mão
O banqueiro opportunista não poderia ter vendido sua participação na BrT, pois decisões judiciais internacionais impedem qualquer tipo de transação desta natureza. De mais a mais, a Telecom Italia, seja por que motivo for, se precipitou ao adquirir o controle da Brasil Telecom, pois a decisão arbitral que tramita na Justiça londrina certamente será favorável ao grupo italiano. Por outro lado, os italianos não souberam aguardar até 18 de junho, data fixada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para sacramentar a saída do Senhor Opportunidade dos negócios de telefonia no Brasil.
Vendetta ítalo-brasileira
As negociações, que convergiram para a aquisição do controle da Brasil Telecom, foram comandadas pelo advogado Francisco Musnik, cunhado do banqueiro, e por Nicola Verdicchio, responsável pelo departamento jurídico da Telecom Itália em todo o planeta, a quem muitos, depois da notícia do anúncio do pseudo-acordo, passaram a chamar de Vendicchio, em alusão a uma possível, mas não comprovada, pulada de cerca. Para quem não se lembra, Nicola Verdicchio, Carmelo Furci e Giampaolo Zambeletti foram flagrados pelas câmeras dos espiões da Kroll, quando se reuniram com o ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb de Lima, no hotel Four Seasons Ritz, em Lisboa. Assim fica provado, mais uma vez, que esperto e competente no Brasil é aquele que age na ilegalidade, espionando e grampeando quem quer que seja, para, passadas as agruras, faturar alto e ocupar a mídia tupiniquim na condição de gênio do mercado financeiro. E se alguém, um dia, achou que o general Charles de Gaulle se mostrou truculento e irresponsável ao dizer que o Brasil não era um país sério, enganou-se. De Gaulle era apenas truculento.
Barrado no baile
Preterido pelo presidente Lula para formar chapa em 2006, o vice José Alencar está perdido politicamente, se consideradas suas recentes decisões. Alencar resolveu, para cutucar Luiz Inácio Lula da Silva, se juntar ao polêmico presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que lançou a idéia de tirar do Comitê de Política Econômica a tarefa de decidir sobre a fixação da taxa básica de juros, a Selic. Um dia após sua decisão, José Alencar recuou e em rápida entrevista colocou panos quentes, como estratégia de bom mineiro para não ser fritado politicamente. Critico feroz dos juros altos, desde que chegou ao Palácio do Jaburu, Alencar já articula sua candidatura à Presidência da República, em 2006. E por viver intimamente com o poder, o vice-presidente pode ser a maior pedra no sapato de Lula.
Vermelho-oliva
Ainda sem digerir o sepultamento da criação do Conselho Federal de Jornalismo, que deve ressurgir a qualquer momento, o presidente Lula e sua entourage criaram uma forma disfarçada de manipular a comunicação de massa, dando à operação uma roupagem democrática e populista, quando tudo não passa de uma arbitrariedade. O Diário Oficial publicou decreto presidencial que criou o Grupo de Trabalho Interministerial, responsável pelo projeto da Lei Geral da Comunicação Eletrônica e de Massa. Formado por dois representantes da Casa Civil e um representante dos Ministérios da Cultura, Fazenda, Justiça, Comunicações, Desenvolvimento, Educação e Relação Exteriores, além de representantes da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República e da Advocacia-Geral da União, o Grupo de Trabalho vai se reunir periodicamente para encontrar uma maneira de controlar o conteúdo, a produção e a difusão da informação no País. Não demora muito e o genial músico Ibrahim Ferrer vai ser o maior cantor brasileiro.
Ruim da cabeça
Ainda no cargo por conta da intervenção nos hospitais cariocas, o ministro da Saúde, Humberto Costa, começa a colher os louros da manobra de última hora que patrocinou para não ser degolado na pífia reforma ministerial realizada pelo presidente Lula. Uma decisão do STF devolveu à prefeitura do Rio de Janeiro a administração dos hospitais Miguel Couto e Souza Aguiar, situação que permitiu ao PFL do prefeito César Maia tripudiar sobre o governo Lula. Agora, pressionado, Humberto Costa tenta retomar a administração dos dois hospitais, mas, pelo menos bastidores, o Palácio do Planalto não está se envolvendo na operação. E mais: com um telhado de vidro conhecido, Humberto Costa parte para o ataque pessoal a César Maia, quando na verdade, deveria se preocupar com a saúde do povo brasileiro. Enfim...
Dormindo com o inimigo
Quando, antes do feriado de Tiradentes, circulava por Brasília, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho já sinalizava seu descontentamento com a política econômica adotada pelo presidente Lula, um dos seus mais importantes cabos eleitorais de sua campanha à central sindical. Após o anúncio do Copom sobre a possibilidade dos juros continuarem subindo, Luiz Marinho resolveu se rebelar contra o companheiro Lula e pediu a demissão imediata de toda a diretoria do Banco Central. Antes de embarcar de Brasília para São Paulo, Luiz Marinho, ainda na sala de embarque, exibia cara de poucos amigos. Calado e sisudo, evitava qualquer tipo de aproximação.
Caras-de-pau
Na mesma proporção que avança a sede arrecadadora do Estado e crescem as garras do leão do Imposto de Renda, a Receita Federal investe pouco ou deixa de investir em tecnologia, para proporcionar aos contribuintes condições que correspondam ao que vem sendo arrecadado. Quem optou pela declaração eletrônica do Imposto de Renda e deixou para entregá-la nos últimos dias, enfrentou um dos maiores congestionamentos já vistos na Internet brasileira. O discurso de que o brasileiro deixa tudo para a última hora é balela, pois se existe uma data final para a entrega, a Receita Federal deve estar preparada para tal tipo de ocorrência. Mas é aquela velha história do venha a nós, ao vosso reino nada.
Irmãos Metralha
Quem, por um motivo qualquer, ousar antecipar a restituição do Imposto de Renda, negociando o crédito com alguma instituição financeira, pode ir se preparando para mais um assalto institucionalizado. Os bancos, que já não anunciam a antecipação da restituição como antigamente, inovaram na cobrança de taxas. Inicialmente cobrada em contratos de financiamentos de bens, principalmente de veículos automotores, a ilegal e escandalosa Taxa de Abertura de Crédito (TAC) agora faz parte do diuturno assalto praticado pelos bancos. A TAC, que o Banco Central não tem coragem para dizer que é legal, mas apenas usual, varia de 2% a 5% do valor a ser antecipado, sem contar os módicos juros que são praticados no reino de Dom Lula I. Apenas para lembrar, usual é roubar o cliente sem que as autoridades tomem qualquer providência. Em qualquer rincão do planeta, minimamente responsável, todos, governantes inclusos, estavam atrás das grades. Mas no Brasil...
Tocando piano
Famoso por seu lado mecenas e por badalar no jet set paulistano, o banqueiro Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos, foi indiciado pela Polícia Federal, em São Paulo, por crimes contra o sistema financeiro, depois de um depoimento de quase duas horas. Desde ontem, o nome do banqueiro faz parte do processo que investiga César de La Cruz Mendoza Arrieta, acusado de desviar R$ 1,5 bilhão do INSS. O depoimento do banqueiro não revelou nenhum fato novo, mas não será novidade alguma se uma CPI sobre o banco for criada e instalada na Câmara dos Deputados, bem antes do fim da intervenção. Informações obtidas pela coluna dão conta que uma lista com assinaturas mais que necessárias estaria repousando na sobre a mesa de um conhecido deputado federal.
Língua nos dentes
Preso sob a acusação de tráfico internacional de armas e de comandar uma milícia que dava proteção a fazendeiros do Paraná, o tenente-coronel da Polícia Militar Valdir Copetti Neves foi o alvo principal da audiência na CPMI da Terra, que aconteceu no Senado na última terça-feira. Copetti Neves ratificou as palavras proferidas na semana anterior, durante audiência na Assembléia legislativa paranaense, tendo no Senado os documentos que comprovam as acusações feitas contra os secretários Luiz Fernando Delazari (Segurança Pública) e Padre Roque Zimermann (Trabalho). Diante das evidências, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), presidente da CPMI da Terra, vai requerer que sejam investigadas as supostas ligações entre o MST e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Até porque, Copetti Neves citou claramente em seu depoimento o nome do padre Medina, espécie de embaixador das Farc.
Boca de siri
Ainda as confusões paranaenses... O que causa enorme estranheza é o fato do governador Roberto Requião permanecer calado diante da enxurrada de acusações contra seus secretários, o que em qualquer país ligeiramente mais sério que o Brasil já teria rendido, no mínimo, dois pedidos de prisão. Especialistas na política paranaense garantem que nos bastidores o humor de Requião, que já não é dos melhores, piorou consideravelmente depois do depoimento do oficial militar. E mais: para Roberto Requião, o sonho da reeleição pode ter se transformado em um pesadelo sem precedentes.
Tudo combinado
Enquanto usa a reforma agrária como tema de discurso, fazendo com que os integrantes do MST invadam as propriedades alheias, em um claro desrespeito à Constituição, o governo Lula, sob a égide da ministra Marina Silva (Meio Ambiente), acaba de criar a Unida de Conservação Ambiental, que reunirá, entre os estados do Paraná e Santa Catarina, pouco mais de 402 mil hectares de terras que não poderão ser desmatadas. Resta saber como e onde o governo federal encontrará o dinheiro necessário para as devidas indenizações. E mais: não causará surpresa alguma se o projeto ambiental estiver pronto até antes das eleições presidenciais, ficando o pagamento das terras para sabe-se lá quando.
Velho Oeste
Na última quarta-feira, a cidade de Palmas, no Paraná (não confundir com a capital do Tocantins), viveu um verdadeiro clima de bang-bang. Escolhida para sediar uma audiência pública que discutiria a criação da Unidade de Conservação Ambiental, o município paranaense foi tomado pela ira da população local, que enfrentou policiais armados de diversas corporações. Os participantes da audiência foram obrigados a sair da cidade deitados no piso das viaturas policiais, sob a ameaça de um intenso tiroteio. E mais: o governo federal, que no caso da Araupel pagou pela terra e pelas benfeitorias, quer, agora, pagar apenas pela terra nua. No mínimo bisonho!
Alô, alô responde
Pensando bem, o opportunismo na telefonia sempre acaba em sinal de ocupado.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Não se fala mais na Chevrolet Blazer utilizada pelo filho do ministro José Dirceu. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A visão usual da ilegalidade"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Olha o passarinho
Na mais nova compra palaciana, o gabinete presidencial revela uma boa dose de masoquismo. O contrato de licitação número 00140.000113/2004-42 vai permitir que os asseclas presidenciais adquiram noventa caixas de papel fotográfico. Diante de tal compra, só nos resta duas conclusões: Lula decidiu que no futuro quer sofrer com os feitos do passado ou, desde já, resolveu fazer concorrência ao fotógrafo Sebastião Salgado. Vai fotografar o caos. (29/04/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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