!
uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 867 - quinta-feira, 28 de abril de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.

Mário Quintana

colunas anteriores
e-ditorial
entrevista do sábado
resenha
e-xclusiva
q.i.
tribuna livre
prateleira eletrônica
uuuh!
página uh!
boca maldita
parceiros
anuncie
expediente

COLUNISTAS

Antonio Carlos Ferreira
Antonio Carlos Rayol
Claudio Tognolli
Ipojuca Pontes
José Nêumanne Pinto
Marcelo Kahns
Roberto Romano da Silva
Sandro Villar

O Brasil e as Relações Internacionais

Santa Catarina em Brasília

ESCREVA PARA O UCHO

Receba em seu
e-mail os principais destaques do dia


Nome:

E-mail:

  

 

Parceiros

Intifada rouge
Se Lula chegou ao Planalto sob a égide de um misterioso acordo com o comissário palaciano José Dirceu, também conhecido por Pedro Caroço, as evidências atuais sinalizam que o núcleo duro do poder rachou ou está em vias de uma quase irreparável fissura. Na anunciada reforma ministerial que acabou não acontecendo, José Dirceu lutou insistentemente pela degola do ministro Aldo Rebelo (Articulação Política), mas acabou vencido pela lealdade do companheiro Lula com os amigos. Agora, Dirceu partiu para um novo desafio: desestabilizar um possível acordo político entre o PT e o PMDB para 2006. Há dias, o ministro-chefe da Casa Civil declarou seu apoio à reeleição da governadora do Rio Grande do Norte, Vilma Faria (PSB).

Rebelião sufocada
Ainda a queda de braços... O prévio acordo selado com o PMDB dá ao partido comandado por Michel Temer a possibilidade de disputar os governos estaduais sem a concorrência petista, desde que o reverso ocorra na disputa presidencial. Ou seja, que o PMDB apóie a reeleição do presidente Lula, com direito a indicar o vice. Por essas e outras é que Lula telefonou, ontem, para vários líderes peemedebistas, dizendo que prefere que o PT apóie o Garibaldi (Garibaldi Alves Filho). Em outras palavras, o presidente Lula pode até dividir os lençóis com a companheira Marisa Letícia, mas trabalha diariamente ao lado do mais perigoso inimigo.

E agora Lula?
Para desespero dos assessores presidenciais, o governo Lula acaba de sofrer mais um golpe, que coloca por terra todo o discurso messiânico que tem infestado os veículos de comunicação do País. Segundo dados do IBGE, a taxa de desemprego subiu pelo terceiro mês consecutivo, chegando, em março, à casa dos 10,8% da chamada População Economicamente Ativa. Em fevereiro deste ano a taxa foi de 10,6% e, em janeiro, 10,2%. Por outro lado, o governo federal tem anunciado com demasiado alarde um aumento real de 8% no salário mínimo, que a partir de 1º de maio passa a valer a fortuna de R$ 300, mas um detalhe precisa ser considerado. O salário médio do brasileiro, atualmente, está no mesmo patamar do registrado no início do Plano Real. Assim, resta concluir que Lula não é apenas um tucano sarará, mas um mineiro topetudo.

Matando o consumidor
Mais um descalabro corre solto nos corredores do Congresso Nacional. Representantes dos Cartórios de Protestos articulam nos bastidores da Câmara dos Deputados a mudança nas regras do protesto de títulos. Atualmente, o inadimplente tem assegurado o direito de ser notificado previamente sobre o inadimplemento, o que lhe garante a possibilidade de buscar uma negociação dívida, antes mesmo que seu nome seja negativado pelos órgãos de crédito. O que se trama em Brasília é a eliminação da citação, criando-se, assim, uma ponte direta entre os credores, na maioria bancos, e os cartórios de protestos. O que certamente aumentaria o lucro dos cartórios e diminuiria as despesas dos bancos. E os incautos ainda acreditam que os políticos são os legítimos representantes do povo. Será?

Óleo de peroba
Em audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara, a ministra Dilma Roussef disse considerar legal o aumento de 34% na tarifa de energia elétrica proposto pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), lembrando que a negociação é o melhor caminho para conter a revolta que toma conta dos pernambucanos. Legal ou não, o fato é que a ministra, integrante de um governo que admite um salário mínimo de R$ 300, precisa reconhecer que o aumento proposto é imoral, amoral, vexatório, escandaloso, ditatorial... A sorte maior é que o frevo ainda não é elétrico.

Tiro de espoleta
João Paulo Cunha (PT-SP), deputado federal e ex-presidente da Câmara, entrega hoje o relatório sobre o desarmamento, o qual deverá ser votado em prazo considerado recorde na Comissão de Constituição e Justiça. Enquanto isso, a chamada bancada da bala, em seus últimos esforços, continua tentando impor um derrota ao projeto. Na verdade, o tal desarmamento não passa de uma manobra do Estado para camuflar a própria inoperância, especialmente no controle da criminalidade. Imaginar que desarmar o cidadão de bem é a solução para a insegurança pública, beira a irresponsabilidade. A sociedade mais uma vez será utilizada como massa de manobra política, pois os presídios federais prometidos pelo ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que deveriam estar prontos em seis meses, continuam exatamente onde sempre estiveram. No papel e no discurso.

Pano de fundo
A estratégia criada pelo PT para a votação do referendo popular sobre o desarmamento não passa de uma encenação barata, pois, ciente dos estragos políticos que os resultados poderão trazer, o Palácio do Planalto quer, mesmo, empurrar o assunto para depois das eleições presidenciais de 2006. A Câmara dos Deputados já anunciou que a votação em plenário deve acontecer até o próximo dia 15 de maio, sob pena da consulta popular não se realizar ainda este ano. O TSE, a quem compete a realização do referendo, precisa de no mínimo seis meses para os preparativos. Como os trabalhos da Câmara foram suspensos no dia de ontem por ocasião da morte do deputado Paulo Kobayashi, o assunto deve ficar para a próxima semana. Ou seja, Lula e seus seguidores conseguiram o que queriam.

Presença indigesta
Quem compareceu ao lendário estádio do Pacaembu, em São Paulo, para acompanhar a nada empolgante partida entre as seleções brasileira e guatemalteca, acabou se surpreendendo com os ocupantes da tribuna de honra. Não bastassem os entreveros que tomaram a semana que passou, a tribuna do Pacaembu deu lugar ao exibido Antonio Carlos de Almeida Castro, advogado que de uma hora para outra passou a ser o principal defensor do mais opportunista banqueiro tupiniquim. Kakay – é assim que, por refinamento, o causídico exige ser chamado, com direito a k e y – especializado em abafar escândalos na Corte, exibe na lista de clientes nomes como o de Salvatore Cacciola e Roseana Sarney, além de ter no ministro José Dirceu o elo de ligação com a mais alta esfera do governo Lula.

Em nome do Santo
A presença de Kakay no Pacaembu surpreendeu a muitos, principalmente porque se postou atrás do prefeito de São Paulo, o tucano José Serra, que dias atrás foi alvo de uma investida do Senhor Opportunidade. Na ocasião, quando ainda fugia do indiciamento na Polícia Federal, o banqueiro tentou uma de suas últimas cartadas, tendo a chantagem como cerne de sua maquiavélica operação. O que Kakay não tem conseguido, apesar da eloqüência e da influência que faz questão de destacar, é recuperar o ânimo do banqueiro. Familiares muito próximos comentam, reservadamente, que o opportunista bambeia entre escassos e frágeis fios de esperança e um colossal desânimo, mas acreditando que o banco pode retomar a pujança de outrora.

Eu tenho a força
Secretário de Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, que ameaçou processar aqueles que o acusaram durante audiência na Assembléia paranaense, parecia mais tranqüilo ao ser inquirido na Comissão Mista Parlamentar de Inquérito da Terra. Após revelar os problemas de seu irmão, flagrado à porta de um presídio com a barra da calça recheada de cocaína, Delazari, relaxado e cheio de si, imaginou estar ali em condição de inquisidor e não de inquirido. Tentando continuamente interromper a fala da deputada Kátia Abreu (PFL-TO), o secretário foi repreendido pela parlamentar que disparou: o senhor que é convocado e, portanto, deve explicações, eu, como deputada, não. E Delazari permaneceu calado até o final das colocações de Kátia Abreu.

Minutos de fama
Tentando permanecer na mira dos holofotes, o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), anunciou ontem sua intenção de criar mecanismos para que, no futuro, as decisões sobre as taxas de juros não permaneçam sob a responsabilidade do Comitê de Política Monetária (Copom). De nada adianta transferir a decisão para mãos terceiras, se os juros continuarem nos patamares atuais. Na verdade, quem não levanta o traseiro para reduzi-los é o presidente Lula e o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), certamente porque têm uma dívida, pelo menos de gratidão, com os banqueiros. Até porque, o volume de dinheiro derramado na campanha presidencial do PT foi simplesmente assustador.

Farra reduzida
Tesoureiro do PT e com grande ingerência na administração do presidente Lula, Delúbio Soares pode ter de administrar um orçamento bem mais magro do que vinha fazendo. Repousa sobre a mesa do ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, consulta do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) sobre a legalidade de descontos em folha para contribuições partidárias. A tendência é que Marco Aurélio de Mello divulgue um parecer contrário à prática que vem fazendo do PT um dos mais ricos partidos do planeta. Com a chegada de Lula ao poder, o artifício petista acabou se generalizando na administração federal de forma vergonhosa, o que explica o considerável inchaço dos Cargos de Natureza Especial (CNE) na Câmara dos Deputados.

Dois pesos, duas medidas
Acusado de matar um jovem atleta e balear um estudante durante uma festa no litoral paulista, o promotor Tales Ferri Schoedel, 26 anos, foi exonerado, ontem, por decisão do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo. Schoedel pode recorrer da decisão, apelando para o Órgão Especial do Colégio de Procuradores, mas especialistas no assunto apostam na manutenção de sua exoneração. É verdade que promotores também erram porque são humanos, mas aqueles que têm a incumbência de acusar devem, no mínimo, buscar o equilíbrio constantemente. Por outro lado, se a Justiça, de uma maneira geral, tenta dar um exemplo com a decisão imposta a Schoedel, o promotor Igor Ferreira da Silva, condenado por assassinar a mulher, continua foragido. E obviamente, porque conta com a conivência de quem deveria prendê-lo. E agora governador Alckmin?

Fim de linha
Políticos que compareceram ao conclave petista ocorrido há dias no Rio de Janeiro, onde foi discutido o futuro diretivo do Partido dos Trabalhadores, são unânimes em afirmar que a situação de José Genoíno, atual presidente do PT e candidato a permanecer no cargo, não é das mais confortáveis. Há quem diga que a eleição interna do PT deve ir para o segundo turno, devendo, inclusive, ser uma reprise do que aconteceu com Luiz Eduardo Greenhalgh na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. José Genoíno é o candidato do Palácio do Planalto, devendo, por isso, colher frutos políticos não tão doces. Resumindo, mesmo que a diferença gramatical esteja entre duas quase imperceptíveis vogais (o e u), Genoíno deixou de ser genuíno ao defender algo indefensável: o governo que o apóia.

No mundo da lua
Pensando bem, alguém, um dia, prometeu criar dez milhões de novos empregos.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Os problemas e as constantes rebeliões na Febem paulista sumram da mídia. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A visão usual da ilegalidade" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Digno de dó
Em recente reunião com empresários no Palácio do Planalto, o presidente Lula chegou a impressionar uma jornalista que acompanhava o grupo. Durante quase todo o tempo do encontro, a jornalista fixou atentamente o seu olhar na fisionomia do presidente, tentando interpretar o momento que vive o país. Ao final, a jornalista revelou que sentiu muita pena do presidente Lula, bem como do Brasil. Um empresário que participou da reunião revelou ao editor da coluna que a expressão do presidente Lula era de quem clamava por ajuda. Resumindo, as coisas não estão da forma que propaga a assessoria palaciana. (28/04/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

ucho.info - copyright 2004 - 2005