!
uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 866 - quarta-feira, 27 de abril de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova.

Mahatma Gandhi

colunas anteriores
e-ditorial
entrevista do sábado
resenha
e-xclusiva
q.i.
tribuna livre
prateleira eletrônica
uuuh!
página uh!
boca maldita
parceiros
anuncie
expediente

COLUNISTAS

Antonio Carlos Ferreira
Antonio Carlos Rayol
Claudio Tognolli
Ipojuca Pontes
José Nêumanne Pinto
Marcelo Kahns
Roberto Romano da Silva
Sandro Villar

O Brasil e as Relações Internacionais

Santa Catarina em Brasília

ESCREVA PARA O UCHO

Receba em seu
e-mail os principais destaques do dia


Nome:

E-mail:

  

 

Parceiros

Mais uma
Dando seqüência a uma série de factóides políticos que serve para desviar a atenção da opinião pública, o presidente Lula inaugura hoje mais uma usina de biodiesel, desta vez em Belém, no estado do Pará. Lula, a exemplo de tantos outros políticos, tem se valido de realizações dos antecessores, colocando sobre elas a marca de seu governo. Beira a irresponsabilidade acreditar que em tão pouco tempo – até hoje são 847 dias de governo – que Luiz Inácio Lula da Silva tenha conseguido solucionar a maior parte dos problemas nacionais. Sob a ótica da política internacional, fica cada vez mais claro que o que está em operação é plano de perpetuação no poder, onde uma suposta vitória em 2006 levará o País a conhecer o lado radical dos que hoje ocupam o poder. Não se trata de direitismo ou esquerdismo político, mas toda e qualquer ortodoxia, especialmente política, é nociva e perigosa.

Cego em tiroteio
O presidente Lula tem feito de seus discursos um misto de exibicionismo do despreparo e devaneios discursivos de botequim. Um dia depois de transferir ao brasileiro a responsabilidade pela contínua alta dos juros, o presidente mostra seu total desconhecimento sobre questões econômicas ao dizer que de vez em quando vejo pessoas falarem que o aumento da taxa Selic vai diminuir o consumo interno. Se a maior taxa de juros do planeta não é capaz de interferir no consumo - o que na realidade certamente está acontecendo – é porque o engodo marqueteiro produzido por Duda Mendonça é muito mais eficiente e virulento do que a vã filosofia imagina. Apenas a título de comparação, é importante lembrar que a Coca-Cola só lidera o mercado mundial de refrigerantes por que abusa ostensivamente da propaganda. Quando deixar de anunciar, a concorrência simplesmente assume o primeiro lugar.

Metralhadora giratória
Como não poderia ser diferente, mais um discurso do presidente Lula repercute muito mais do que o esperado. Ter dito que o brasileiro não tira o traseiro do banco para buscar juros mais baixos, rendeu ao Palácio do Planalto uma enxurrada de críticas, muitas delas vindas da própria sociedade. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) pediu, ontem, um voto de censura ao presidente Lula, devido ás declarações desta segunda-feira. O presidente foi destemperado e descortês. Usou palavras chulas, de mau tom, nada condizentes com seu cargo. Isto deprime e dá vergonha ao povo brasileiro, declarou Virgílio. Se por um lado é preciso admitir que crescer, mesmo politicamente, dói, por outro não se pode deixar de reconhecer que o povo brasileiro vem sofrendo há mais de quinhentos anos com promessas e besteiras das mais variadas. O mais difícil é saber o que é melhor para o país: um parlapatão de macacão ou um ladrão de casaca.

Na mosca
Indignado com a verborragia presidencial, o leitor Jaime Leão escreveu para a coluna protestando não apenas contra o discurso irresponsável do presidente Lula, mas, principalmente, contra seu conteúdo embusteiro. Exigindo o fim de tanta palhaçada, Jaime Leitão dispara em nome da dignidade e da decência: Queremos que o presidente governe mais e fale menos. Será que é pedir demais? E que deixe os nossos traseiros em paz. Em outras palavras, a continuar assim, em 2006 certamente o traseiro do presidente Lula será a vítima.

De novo
Polêmico e considerado como um conjunto de documentos falsos, o Dossiê Cayman volta à cena, desta vez para ser sepultado novamente. A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CFC) do Senado rejeitou requerimento do líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, para a realização de audiência pública com Marcos Coimbra (Vox Populi), Delúbio Soares (tesoureiro do PT) e Leopoldo Collor de Mello, sobre o suposto envolvimento dos citados no polêmico caso que tinha como objetivo maior inviabilizar a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Com ou sem audiência, o fato é que o Dossiê Cayman, a exemplo da tese que temos insistido nos últimos anos, é uma obra de ficção sobre um fato mais que verdadeiro.

Melhor assim
Ainda o fatídico dossiê... Mesmo que algumas autoridades tenham se convencido sobre a falsidade do Dossiê Cayman, acabaram, em algum momento, sendo induzidas a descartar a possibilidade da fonte de inspiração da farsa ser verdadeira. Assim, o melhor que poderia ter acontecido ao PSDB e ao senador Arthur Virgílio, um político articulado e de oratória incontestável, foi mais um sepultamento do assunto. Até porque, diz o ditado que aquele que procura acaba achando.

Conversa mole
Meses após ter assumido a Presidência da República, Luiz Inácio da Silva adotou o discurso da herança maldita para justificar a inoperância administrativa que estava por vir, sendo que toda a sua equipe, até hoje, inda se apóia na desculpa para explicar o que não tem sido feito. No contraponto, o tucano José Serra, tão logo chegou à prefeitura paulistana, adotou a mesma teoria, transferindo à Marta Suplicy a responsabilidade pelo caos em que se encontra a capital paulista. Agora, o líder de Serra na Câmara Municipal, vereador José Aníbal (PSDB) fala em campo minado. Ora, trata-se de um modelo obsoleto de justificativa e persuasão, que não mais convence. Se cidades como São Paulo são quase impossíveis de serem administradas, os políticos, em sua maioria, não enganam ninguém. Enfim, entre herança maldita e campo minado, apenas uma coisa é certa: são farinhas do mesmo saco.

No mínimo esquisito
Há dias, causou surpresa um artigo assinado pelos juízes federais Alexandre Cassettari e Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, que trouxe à luz das discussões o fato de divulgar escutas telefônicas clandestinas ser crime previsto em lei. Não se trata de contestar a opinião dos autores, os quais alcançaram os postos que ocupam por presumível competência, ou muito menos a lei, mas, antes de tudo, carece salientar que, em havendo crime, o maior e principal deles está na realização da escuta telefônica clandestina, e não apenas em sua posterior divulgação, seja esta feita por jornalistas ou não, como sugerem os magistrados no artigo. Assim, fica a pergunta que não quer calar: por onde anda o espião israelense Avner Shmemesh, contratado por um banqueiro opportunista para bisbilhotar a vida dos inimigos?

Enfrentando a vida
Parlamentar de longa história e um dos responsáveis pelo projeto do Novo Código Civil, o deputado federal Ricardo Fiuza (PP-PE) está internado em São Paulo, em estado grave, para tratamento de câncer. Respeitado pela maioria do parlamento brasileiro, Fiúza é reconhecido como um dos poucos parlamentares cujo conhecimento jurídico sempre esteve a serviço das casas legislativas nacionais e ao povo brasileiro. Resta torcer que sua recuperação seja não apenas possível, mas breve.

Minuto de silêncio
Reservado e dono de um estilo tipicamente oriental, o deputado Paulo Kobayashi (PSDB-SP), 59 anos, faleceu ontem, em São Paulo, vítima de câncer no pulmão. Um dos fundadores do PSDB, Kobayashi levou ao Congresso um estilo diferente de ser, onde desfilava, invariavelmente, com sua eterna companheira: uma boina preta. O ex-ministro do Trabalho e suplente interino Walter Barelli, um nome respeitado na política nacional, assume definitivamente a vaga deixada pelo deputado tucano.

Enganação geral
Há dias, o Banco Central anunciou a criação de uma espécie de força-tarefa que irá fiscalizar os bancos. Na verdade, difícil será combater uma prática quase secular, principalmente se considerado o fato de os bancos terem contribuído de forma generosa com a campanha de Lula. Tanto é assim, que os bancos remuneram os investimentos dos clientes em até 12,95% ao ano, cobrando juros anuais de 158,61%, na melhor das hipóteses, em empréstimos bancários dos mais variados. Por outro lado, se o BC quer mesmo fiscalizar o segmento financeiro, deveria declarar como sendo ilegal e criminosa a cobrança da Taxa de Abertura de Crédito (TAC), impingida aos clientes de banco quando de qualquer operação de financiamento. De mais a mais, quem, nos últimos anos, financiou um veículo e não recebeu a cópia do contrato de financiamento, envie um e-mail para a coluna. ucho@ucho.info

Esqueceram de mim
Quando as contas da gestão Marta Suplicy davam os primeiros sinais de que não fechariam, o Palácio do Planalto lançou mão do projeto Reluz, criado para financiar a melhoria da iluminação pública nas cidades brasileiras. Quase quatro meses depois do fim da era Marta, o governo Lula ainda não deu as devidas explicações sobre a irresponsabilidade fiscal cometida pela ex-alcaidessa paulistana. Por outro lado, causa espécie o fato da oposição permanecer calada diante de tamanho descalabro. Ou seja, se falta dinheiro no cofre paulistano, sobra boi na linha.

Calado demais
A situação da Saúde no Rio de Janeiro continua sendo um enorme mistério, quando não massa de manobra política. O prefeito César Maia vinha reclamando continuamente das mazelas do governo federal, até que o ministro da Saúde, Humberto Costa, decidiu intervir nos hospitais cariocas, como forma de garantir sua permanência na Esplanada dos Ministérios. Durante a intervenção, César Maia foi à televisão e esbravejou contra a ação ditatorial do governo Lula, mas, depois que o STF decidiu devolver ao Rio a administração de dois hospitais (Miguel Couto e Souza Aguiar), nada mudou em relação ao atendimento aos pacientes. Em outras palavras, o doente mais grave nessa história é a própria Saúde. E nada do Imperador do Rio (sic) dar o ar da graça.

Pelos ares
Tendo surgido para a fama por contestar a ditadura imposta pelo Palácio do Planalto, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, começa a colocar as mangas de fora. Luizziane vai tirar dinheiro do ensino fundamental para financiar o curso pré-vestibular Nossa Vez, promovido pelo Sistema Verdes Mares de Comunicação, repetidora da programação da Vênus Platinada no Ceará. Luizianne Lins corre o risco de ser interpelada judicialmente, pois à municipalidade cabe prover o ensino fundamental, e não o médio. No contraponto, o Nossa Vez, criado pelo ex-prefeito Juraci Magalhães, é mais uma utopia educacional em um país que clama pela melhoria da educação de seus cidadãos. Tudo o que se espera de um curso pré-vestibular é que tenha condição de preparar aqueles que sonham em alcançar o ensino superior, de preferência em universidades públicas, mas o Nossa Vez não conseguiu aprovar ninguém na última rodada de vestibulares para a rede púbica de ensino.

Porta do fundo
Pensando bem, por conta de desmandos políticos e planos econômicos, muitos brasileiros já perderam inclusive os próprios traseiros.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

O Palácio do Planalto não se pronunciou sobre os médicos cubanos que deixaram o País. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A visão usual da ilegalidade" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Destino incerto
Durante o lançamento do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), em São Bernardo do Campo, o presidente Lula voltou a abusar de suas esdrúxulas e intermináveis comparações. Em tom messiânico, Lula disse que o Samu foi a coisa mais extraordinária que já se fez na Saúde deste país. Para completar, o presidente disse: médico e polícia a gente só vê quando não precisa. Quando precisa, não vê. Assim, aos 118 milhões de brasileiros que o governo espera beneficiar com a criação do Samu, só falta descobrir qual será o destino das ambulâncias. (27/04/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

ucho.info - copyright 2004 - 2005